sábado, 1 de junho de 2002

EMI prepara caixa com raridades

Simon Robinson está preparando para a EMI uma caixa especial com raridades do Deep Purple entre 1968 e 1976. Serão 71 músicas, das quais 23 nunca estiveram em CD antes --20 dessas nunca foram lançadas nem em vinil. Haverá um livro de mais de 120 páginas, com fotos raras e o diabo a quatro.

Pela primeira vez serão lançadas no mercado boa parte das gravações do Purple na BBC (mas isso eu tenho), "Black Night" do Made in Japan (mas isso eu tenho), Gillan improvisando a primeira versão da letra de "Fools" (que por pouco não entrou no remaster de Fireball), uma longa versão de "Space Truckin" (que faria parte do Live in London se não fosse tão longa), além de dez faixas --uma por membro do Purple-- mostrando o que eles faziam antes de entrar na banda.

A caixa, com o título "Listen, Learn, Read On" (uma música do The Book of Taliesyn), será lançada em setembro, provavelmente durante a turnê britânica do Purple --que terá a despedida do Jon Lord.

Steve McQueen, Mickey Mouse...

Vocês já viram um clipe do Deep Purple tocando uma versão histérica de Highway Star na MTV? Uma em que todos estão visivelmente vários drinques além da humanidade, o Blackmore está mutcho loco com um chapéu de bruxo e o Gillan muda toda a letra, dá uns gritos completamente doidos e bota o Steve McQuinn e o Mickey Mouse no meio?

Pois é. Aquela gravação foi feita no Beat Club, na Alemanha, em 5 de setembro de 1971. É uma das poucas gravações de shows do Deep Purple de 1971. Eles também tocaram No No No naquele dia (e o Gillan meteu o Mickey no meio de novo: "Do you like me? No, no, no! Do you like Mickey Mouse? No, no, no!")

Pois é. A partir de 15 de julho será possível comprar da BlackStar um DVD com essas duas gravações e mais uma, que eles fizeram no mesmo lugar em 1969: provavelmente o único registro ao vivo de "Hallellujah".

terça-feira, 21 de maio de 2002

Maçaranduba

"Só quero lembrar a vocês todos que eu sou muito heterossexual; desculpe se desapontei qualquer um. Porém, eu curto a companhia dos meus amigos gays - e sei que eu pareço bastante excêntrico. Estamos em 2002, pessoas, então vale tudo. Vamos lá! Entrem no jogo e se divirtam, ou eu mando o JJ à sua casa para brigar com você! Fiquem na boa, fiquem no ritmo e caiam na real"

GLENN HUGHES, dando um recado em seu site a quem estiver obviamente duvidando da masculinidade dele

O começo do Morse

Senhores, senhoras, senhoritas e outros, tenham a bondade de visitar o especial Early Morse days, no The Highway Star. Está muito bom, mostrando como a banda fez a transição de um guitarrista de personalidade forte para um de técnica muito aguçada. E só ganhou no processo.

Eu não sei se já falei aqui sobre isso, mas eu levei muito tempo até aceitar o Morse como guitarrista do Deep Purple. Não comprei o Purpendicular na época em que foi lançado. Acompanhava as discussões na internet, na alt.music.deep-purple e nos primeiros anos do site do Purple, mas não fazia idéia de como o disco era bom.

O que quebrou minhas resistências foi quando ouvi falar, em 1998, que o então novo disco do Purple (Abandon) teria uma regravação de Bloodsucker, uma das minhas faixas favoritas do mais seminal disco do Deep Purple, o In Rock. Quando ouvi o que o Morse fazia com as cordas onde o Blackmore era enérgico mas comedido, eu simplesmente ria à toa feito um abobado. Ouvi mais vinte vezes a música, no mesmo dia - dez no meu velho vinil de In Rock (da primeira impressão brasileira, de 1973) e outras dez no CD, que então eu importara da Inglaterra.

A partir dali, Steve Morse ganhou, para mim, o distintivo de Homem das Cordas do Deep Purple --casseta, ele até casou no palco em 97 durante um show do Purple. Eu sei que no princípio é um choque ver um inglês que só se veste de preto ser substituído por um magrão californiano com batas cujas cores parecem inspiradas numa iluminação de rave. Mas o som, meus velhos, o som, que é o mais importante, é fenomenal. Piramidal. Os dois guitarristas têm suas virtudes, e eu ainda gosto muito do Blackmore. Mas para mim o Steve Morse é um homem-Purple completo desde aquele dia.

Mas o sensacional de tudo é o título de uma das primeiras gravações piratas de shows com o Morse: "Blackless Morsemania".

domingo, 19 de maio de 2002

Paul Mann é que é o sexto Purple

Há alguns dias, eu escrevi aqui que o Ronnie James Dio seria o sexto membro do Deep Purple. Injustiça, e da braba.

O sexto já era o maestro Paul Mann, desde a gloriosa turnê do Concerto. Agora ele é o sétimo, porque o sexto é o Jon Lord. Dio seria, com muito boa vontade, o oitavo membro do grupo.



Deixa eu falar um pouco do maestro. Paul Mann, além de ser um jovem e talentoso maestro, é gente finíssima --e um dos maiores fãs do Deep Purple neste mundo. Ele conta que começou a se interessar por música clássica quando tinha uns quatro ou cinco anos, ouvindo o disco "Concerto for Group and Orchestra". Adolescente, ele ia a simplesmente todos os shows do Deep Purple que podia --seu tio é ninguém menos que Colin Hart, que por três décadas foi o homem que quase literalmente carregava o piano para o Deep Purple. Hoje, Hart está aposentado.

Como ele consegue manter 85 no ritmo com um pauzinho branco se o Ian Paice não consegue manter aqueles quatro putos direito com dois?Aos 37 anos, Mann é um dos mais jovens maestros da Sinfônica de Londres. De vez em quando mando um e-mail para ele, e ele sempre responde numa ótima. Outro dia ele disse que estava louco para que o Deep Purple fosse logo fazer os shows em Londres, para assisti-los ao lado do palco "com um enorme copo de vinho tinto". Admiro muito quem sabe curtir a vida assim.

Lá pelos doze anos de idade, Paul inventou que queria ser tecladista de rock. Don Airey, o atual tecladista do Deep Purple, era na época o cutucador de branquinhas do Rainbow --que Colin Hard produzia. Um dia, nos bastidores de um show, Mann olhou aquela parafernália de coisas para o teclado e foi falar com o Airey. E ele disse: "tudo isso aí é muito legal, mas não chega nem aos pés do som de um grande piano". E o Paul toca piano até hoje. Só que ele reconhece não ter a capacidade de improvisar, necessaríssima para jazz e rock modernos (eu mesmo não tenho essa capacidade, mal e mal toco meu violãozinho; por isso decidi não ser músico).

Mann é formado em música pela Universidade de York, na Inglaterra. Começou sua carreira de maestro em 1988, aos 23 anos (!), na Orquestra Sinfônica de York. No site da YSO, eles mencionam que "seu estilo enérgico de conduzir a orquestra levou um crítico a observar, certa vez, que seus pés saiam do chão em passagens particularmente empolgantes". Vê se não parece que ele está pulando nesta foto ao lado. Em 1992, Mann mudou-se para Manchester para trabalhar como condutor-assistente do Northern Ballet, em Halifax, mas continuou também na YSO por mais um ano. Há um belo perfil dele no site da YSO.

Ele é um dos maestros da London Symphony Orchestra desde 1998. Já tocou no mundo inteiro nessa farra. Mais que isso: tocou com algumas das mais interessantes personalidades do mundo da música, como Wynton Marsalis e o próprio Deep Purple.

Com o Purple, ele girou o mundo para comandar a apresentação da nova e melhorada versão do Concerto para Grupo e Orquestra, composto por Jon Lord, cuja partitura estava perdida havia quase 30 anos e foi reescrita por Lord e um diligente músico húngaro, que fez a maior parte do trabalho duro.

Em julho do ano passado, foi aberto um fórum no site do Deep Purple para que os fãs conversassem com ele sobre o Concerto. As melhores perguntas e respostas foram reunidas em um especial, em outubro. Lá, Paul conta que teve UMA SEMANA entre o convite e o concerto dos 30 anos, em 1999. Entre outras histórias sensacionais que ele conta sobre seus meses como o sexto Purple, está uma frase antológica, que o Ian Paice teria dito a ele:

-- Ei, Mann, cara, como cê faz isso? Você bota 85 músicos no ritmo com um pauzinho branco, e eu, com dois, não consigo nem fazer esses quatro putos trabalharem direito!

Nessa longa turnê, ele regeu orquestras pelo mundo inteiro --incluindo a Jazz Sinfônica de São Paulo, no evento cultural mais subestimado do Brasil. Paul diz que foi um pusta prazer reger o concerto que abriu seus ouvidos para a música clássica, e eu não duvido. No lugar dele, eu ficaria igualmente bobo. Para completar, Mann também foi o cara que regeu a primeira apresentação do Concerto SEM o Deep Purple, na Austrália, em fevereiro. Foi uma colaboração entre uma orquestra local e uma banda da região. Uma vez pendurei aqui umas declarações dele sobre o assunto.

Só para encurtar: o cara é gente finíssima. Ainda quero beber com ele para bater papo e dar umas risadas.

Sobre o Concerto: quem nunca ouviu o CD com a apresentação no Royal Albert Hall deve ouvir. Ou comprar o DVD. Eu fui burro e não comprei o VHS disso, e agora vai ser putamerdalmente difícil de conseguir. (Aliás: quem tiver e quiser vender, mande um e-mail pra mim.)

Os homens e a rádio

Esta nota já foi postada há alguns dias, mas adicionei algumas coisas interessantes aqui.

I'm a Haaaaaaaaaard loving man... aaaaaaaaaaaaaaaaahh!Eu sempre achei interessante o apoio que a BBC deu ao Deep Purple até o lançamento de In Rock --com sessões frequentes em seus estúdios lá por 1969 e 1970. Mas nunca entendi por que isso não continuou no mesmo ritmo a partir de 1971. Claro, houve grandes apresentações ao vivo, como as que saíram em In Concert (de 1970 e 1972) e o Live in London (de 1974). Mas nunca mais, depois do final de 1970, o Deep Purple voltou a gravar versões inéditas para a BBC.

Levantei a questão no fórum do Deep Purple, numa discussão sobre faixas piratas que o Deep Purple gravou na BBC (que saíram nos boots BBC Stew e eu tenho em MP3). Recebi uma resposta bastante consistente do Doug:

"Basicamente (e Nigel que me corrija se eu estiver errado), nos primeiros dias, era muitas vezes mais barato para a BBC convencer as bandas a regravar suas músicas exclusivamente para a BBC do que tocar constantemente as versões comercialmente lançadas, e por isso o Deep Purple e muitas outras bandas da época foram gravados diversas vezes. Entretanto, uma das razões pelas quais eu acredito que o Deep Purple perdeu popularidade na BBC foi uma briga deles com o DJ John Peel, que sentiu que a Mark 2 havia se vendido depois de ter um single de sucesso. :)"

Doug informa que a maioria dessas gravações deve sair uma caixa que a EMI vai lançar (e na edição da qual o Simon Robinson constantemente avisa que está trabalhando).

Black Sabbath que se cuide!Em 1984, o Deep Purple deu uma série de entrevistas a Tommy Vance, um dos mais antigos apresentadores de programas sobre rock no rádio mundial. Hoje, a rádio até tem um perfil do grupo em seu site e reapresenta velhos shows... mas a última entrevista que eles fizeram com o Gillan foi particularmente sofrível. Entende-se: o Deep Purple não é mais um promissor grupo de jovens músicos que vão levar ao mundo a glória da evolução cultural do império britânico. Até um americano eles andaram convidando para tocar cavaquinho! Mas sabe como é fã: sempre quer mais.

As gravações feitas exclusivamente para a BBC durante a primeira formação do Deep Purple saíram nos remasters dos três primeiros discos. As da Mark 2, que eu tenho em MP3, são:

- Ricochet ou Kneel and Pray (11.aug.1969) - primeira versão de Speed King, com letra diferente
- The Bird has Flown (11.aug.1969)
- Child in Time (29.aug.1969)
- John Stew (31.oct.1969)
- Speed King (31.oct.1969) - ainda tem algo de Kneel and Pray
- Bloodsucker (21.apr.1970)
- Hard Loving Man (21.apr.1970)
- Living Wreck (não sei a data, 1970)
- Black Night (9.sep.1970)
- Into the Fire (23.sep.1970)
- Grabsplatter (23.sep.1970)

sábado, 18 de maio de 2002

Zero garganta

Será que foi esta a vez em que eles compuseram Trashed?Estou ouvindo aqui um pirata do Black Sabbath ao vivo com o Ian Gillan. Na verdade, peguei o setlist de "The Gillan Tapes" e baixei todos os MP3 que achei, fazendo no fim um mix de pelo menos dois shows diferentes e ainda sobrando uma música (Supernaut). Em Zero the Hero, Gillan está completamente rouco. E ainda assim arrisca agudos. Na época ele tinha acabado de fazer uma operação nas cordas vocais, e elas estavam claríssimas.

sexta-feira, 17 de maio de 2002

Whitesnake Music Generator Tabajara

'Ere's a song fo'ya!Cortesia do David Meadows, um dos mais simpáticos frequentadores dos fóruns do Deep Purple (ao lado do maestro Paul Mann). Combine qualquer elemento da primeira lista com qualquer elemento da segunda e vais ter um legítimo título de música do Whitesnake, a banda do David Coverdale:

Shaggin' Over My WomanLIST A

1. Cryin'
2. Walkin'
3. Moanin'
4. Lovin'
5. Wanderin'
6. Shaggin'

LIST B

1. In The Blues
2. In The Rain
3. Down The Road
4. Over My Woman
5. For Love
6. For You Baby

HTP, sucesso no Japão

Glenn, conhece aquela do leão e do veado?O disco gravado por Glenn Hughes e Joe Lynn Turner, o "HTP", se tornou o número um na parada japonesa da revista Burrn. É mol?

Realmente o disco é bem bonzinho, até. Para ter uma idéia, até o Joe Lynn Turner soa como um bom cantor.

Quer dar uma escutada? Tem um minuto de cada música, em MP3, no site Melodic Rock.

quarta-feira, 15 de maio de 2002

BBC apresenta Live in London hoje

I've got more than I asked for... there ain't nothing I need...Hoje (quarta), às 23h de Londres (20h no Brasil), a BBC vai reapresentar um show que o Deep Purple fez para eles em 1974, no Kilburn State Gaumont. Para quem não sacou ainda: é aquele que ficou conhecido como Live in London. A foto ao lado é uma das que foram parar na Galeria da DPAS.

O show vai passar na nova rádio da BBC, a 6 Music. Completamente digital, ela tem entre seus apresentadores ninguém mais, ninguém menos, que Bruce Dickinson, o baixinho de voz poderosa que deu cara ao Iron Maiden. Ele apresenta o Saturday Rock Show e o Sunday Freak Show na rádio. Dia 25 ele será substituído por Rick Wakeman, porque estará a caminho do Ozzfest.

Aliás, por falar no Dickinson, os dados dele que constam do site da BBC têm o seguinte dado interessantíssimo para este Purpendicular:

CD you'd rescue if your house was on fire?
Made in Japan, by Deep Purple.