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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

1991+20: Quando o Deep Purple esqueceu de vir ao Brasil

Esta é a série especial sobre os 20 anos do primeiro show do Deep Purple em solo brasileiro. Começamos com o show que esqueceu de acontecer em 1975. O sonho da primeira vinda do Purple durou exatamente um mês.

Em 1974, o rock estava numa fase áurea e o Deep Purple estava entrando com os dois pés na Mk3. Foi um ano em que a indústria de shows de rock estava começando a chegar ao Brasil. Vieram Alice Cooper, Miles Davis e Jackson Five (era considerado rock, não me olhem assim). Na época, a revista Visão classificava aquele ano como "a primeira tentativa brasileira de trabalhar o show business como indústria".

Foi também o ano em que a Folha de S.Paulo inaugurou sua página dedicada ao rock - e o colunista Carlos A.Gouvea também falava no lado "business" do rock ao lado dos lançamentos. Como o acervo da Folha está todo online, pude dar uma olhada no que aconteceu naquele ano - e tive grandes surpresas.

"Burn" foi lançado por aqui em julho de 1974, três meses depois da performance literalmente incendiária do Blackmore no California Jam. A resenha na Folha veio junto com a de "Bang", o disco do James Gang em que Tommy Bolin tocou. E olha que surpresa: para Gouvea, o som do disco "chega a lembrar um pouco o Deep Purple".



Em setembro, os fãs do Deep Purple deviam socar o ar como Pelé ao fazer um gol, ao ler a resenha do show de Jackson 5. Gouvea em certo ponto passou a falar sobre os empresários que os trouxeram, os "capitalistas do rock". A mesma empresa que trouxe Michael Jackson e seus irmãos também prometeu trazer outras grandes bandas da época, inclusive... o Deep Purple. A nossa banda favorita estava marcada para vir em janeiro de 1975, segundo a Folha, trazida por uma joint-venture entre um brasileiro e um francês:



O sócio brasileiro da empreitada era George Ellis, que Gouvea faz questão de dizer que era empresário de espetáculos de primeira viagem e havia vendido sua fazenda para financiar a aventura.

Ellis associou-se ao francês Albert Koski, que segundo a Folha levou os Rolling Stones para a França, e também ao lendário empresário de espetáculos americano Howard Stein. A ideia era trazer artistas gringos para o Brasil e levar artistas brasileiros lá pra fora. A sociedade com o americano foi anunciada na Billboard uma semana antes de o show do Deep Purple ser anunciado:



George Ellis também foi empresário do cantor Ney Matogrosso, mas a parceria foi rompida em 1975. Hoje, ele é o sócio-fundador da empresa IdeiasNet, conceituado no ramo digital. Embora eu tenha deixado recados para ele no Twitter e no LinkedIn, ainda não rolou de conversarmos. Mas espero que role. Será uma satisfação imensa ouvi-lo.

Bom, voltando ao show: a empreitada dos Jacksons deu prejuízo. Imagina a economia brasileira em meio à ditadura militar e em pleno choque internacional do petróleo. Dólar lá em cima e tal. Mesmo assim, a empresa anunciou que traria o Paul McCartney.



Em outubro, quando seria a vez de o Traffic tocar no Brasil, a coisa furou. Na coluna "Traffic: o sonho acabou", Gouvea dizia que não tinha mais chance de o Deep Purple rolar em janeiro. E vai mais além: diz que os empresários anunciavam King Crimson mesmo com a banda tendo acabado dois meses antes. E que Ellis entendia era de fazenda (esta foi golpe baixo, eu diria).



Dia 21 de outubro, Gouvea estava mais de cabeça fria, numa reportagem sobre o fato de o Brasil estar começando a descobrir o mercado do rock. Fala da produção do show do Alice Cooper e diz o seguinte sobre as empreitadas de Ellis:



Ele dá o benefício da dúvida com o "vamos esperar". Mas já não havia esperança. O sonho de ver o Deep Purple no Brasil em janeiro de 1975 já havia caído por terra.

Naquele mês, a Koski Ellis Produções ganhou uma projeção grande na MPB, ao produzir o show Elis & Tom. Ele rendeu um dos melhores discos da história da MPB.

E o Purple?

Por essa época já estava gravado o Stormbringer (que chegaria aqui em fevereiro de 75) e, embora a imprensa daqui não soubesse, o Blackmore já estava cada vez mais distante da banda. No começo de 1975, eles se apresentariam apenas no festival de Sunbury, na Austrália, em 25 de janeiro - pra depois entrar em férias até a turnê europeia em que Blackmore deixou a banda, dia 7 de abril.

O primeiro show do Deep Purple, então, esqueceu de acontecer. Meros 14 meses depois da data marcada, a banda estava acabada e entraria num recesso de 8 anos.

O primeiro pedacinho do Purple a se ouvir em solo brasileiro viria só em 1985, com a chegada de David Coverdale para tocar no Rock in Rio com o Whitesnake. É o assunto do próximo post especial.

ARE YOU READY????

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Hughes: "eu uivo de rir com Coverdale"

Glenn Hughes se sente meio excluído da "família" Deep Purple. Em entrevista ao Geeks of Doom, ele revelou isso e revelou que fala com o Coverdale todo santo dia.

"Olha, vou te contar a verdade. Eu nunca falo sobre isto a menos que alguém cave lá fundo como você está cavando agora, David Coverdale e eu... eu entrei na banda três meses antes dele. Ele nunca tinha subido num palco antes, e eu já tocava com o Trapeze havia 3 anos na América. Ficamos amigos. Nós dois somos do norte da Inglaterra; ele é de Yorkshire, eu sou de West Midlands. O resto do Purple estava estabelecido, sabe? O Jon Lord, o Ian Paice, o Ritchie Blackmore estavam estabelecidos. Eu saí da banda há muitos anos e não tenho contato nenhum com ninguém além do David. Na verdade, eu não falo com o Blackmore e nem o vejo desde 1977. Estar numa banda por três anos, três anos, e não receber nenhum cartão de natal, nem oi, nem foda-se, nem nada, é bizarro. É bizarro, então eu recebo do David Coverdale todo o amor que eu preciso daquela banda. Somos muito bons amigos. Ele me faz uivar de rir! Conversamos pela internet todo dia; todo santo dia. Não passa um dia em que eu não fale com o David, então recebo dele todo o amor que preciso do Deep Purple."
Duas observações, portanto:

1) Como já falei outro dia, acho excelente que os dois se deem bem hoje depois de coroas, e gostaria que mais deles se dessem bem. (Ele também, aliás.) Mas quando eles eram colegas no Deep Purple, rolava uma grande competição da parte do Hughes pra aparecer mais que o Coverdale. É natural, por se tratar de um músico altamente talentoso. Mas, enfim, essa amizade de infância é coisa da maturidade deles.

2) Hughes fala que não conversa com o Blackmore desde 1977. Com o Jon Lord, só falou em 2009 - mas mesmo mais ou menos por aquela época ainda lamentava de ter perdido a namorada para o tecladista. O Ian Paice está bem no Deep Purple. O David Coverdale tem lá o Whitesnake. Não sei como é que a imprensa especializada conseguiu entrar no bonde da boataria toda vez em que o Hughes levantou a lebre de sua vontade de voltar com a Mk3.

Falta de assunto, talvez?

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Volta da Mk3 não rola, dizem Coverdale e Hughes



Este blog vem acompanhando há meses o vai-e-vem de declarações do Glenn Hughes sobre seus planos de voltar com a Mk3 para alguma coisa comemorativa. Sempre que Hughes dá uma entrevista, alguém pergunta isso a ele e ele fala otimisticamente sobre sua vontade. Repetidas vezes, este blog demonstrou que não passava de uma vontade. Vontade sincera, de um grande músico, mas ainda assim só vontade.

Na quinta-feira, Hughes deu mais uma entrevista sobre o assunto:

    "antiMUSIC: Do fundo do seu coração, você acha que a tão esperada reunião da Mk3 vai um dia acontecer? Hughes: Acho que todo mundo... menos o Ian Paice... está a fim. Ian ainda está na Mk2. Todos já falamos sobre isso, por meio de terceiros. Todos já conversamos. Quer dizer, David e Jon Lord e eu já conversamos bastante sobre isso. Ritchie já falou com pessoas. Quer dizer... olha, eu gostaria de fazer isso por dois motivos. O primeiro seria simplesmente tocar de novo com meus irmãos e fechar esse capítulo. Mas, sabe, eu acho que seria ótimo tocar com Ritchie de novo, e David e Jon e Ian de novo. Acho que seria muito, muito bom. Acho que seria uma banda realmente ótima. Por uma última vez, sabe?"


No sábado, o Coverdale jogou água na fervura:

    "Por mais que alguns possam ficar desapontados, e eu fico chateado de ter que ficar repetindo isso, eu nunca concordei de nenhuma maneira, jeito ou forma em reformar a Mk3 do Deep Purple, e meu irmão de espírito já devia saber disso depois de nossas várias conversas. Aqueles de vocês que seguiram e apoiaram minha carreira por tantos anos sabem como eu me sinto sobre 'voltar atrás'. A única consideração que eu faço, como já disse repetidas vezes em entrevistas, seria minha vontade de me envolver em um único show de caridade que apresentasse todos os membros sobreviventes do Deep Purple. (...) Se de fato for haver uma reunião, desejo a eles todo sucesso, e talvez o Whitesnake possa chamá-los a algum lugar como 'convidados especiais'!"


Foi aí que o Glenn Hughes se viu forçado a voltar atrás, em seu blog:

    "Estou na Rússia, e quero dar a vocês todas as notícias sobre o boato de uma reunião da Mk3 do Deep Purple. Eu tenho sido constantemente bombardeado com a mesma pergunta, o tempo todo. Minha resposta sempre foi que havia cinco membros, e que em tempo algum tivemos uma discussão da banda inteira sobre uma reunião. Sim, David e eu flertamos com a idéia há 18 meses, e desde então meu irmão se comprometeu completamente com seu amor e cuidados de seu amado Whitesnake. Todos os fãs de GH podem ver que minha carreira solo subiu para outro nível, tocando pra mais gente ao redor do mundo - a popularidade e a demanda por minha atividade subiram... A declaração recente de David finalmente pôs esse boato pra dormir. Embora eu pudesse adorar ver isso acontecer nas certas circunstâncias, fico feliz em deixar o incrível legado da Poderosa Mk3 permanecer intacto..."


Este blog falou. Este blog avisou. Clique aqui para ler textos anteriores a respeito.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Telefone sem fio

No Blabbermouth, Coverdale afirma:

"Glenn (Hughes) e eu estivemos em contato recentemente, e ele me contou sobre sua turnê na Rússia. Ele disse que existe um grande interesse por lá numa reunião da Mk3 do Deep Purple."

Na versão do Whiplash:

"Segundo David, ele e Hughes conversaram recentemente, quando Glenn lhe contou sobre sua turnê na Rússia e sobre seu interesse em uma reunião da formação Mk.3 do DEEP PURPLE."

De concreto, porém, só a vontade abstrata.

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Desentendimentos entre gênios

Os amigos devem ter acompanhado a declaração do Blackmore de que ele gostaria de se juntar com o Deep Purple para um show apenas, só para fãs. Pois, em entrevista ao Metalshrine, o Gillan joga areia na idéia (que nunca levei a sério porque sei o tamanho dos desentendimentos internos):

"Eu também li sobre isso, sim. Ele está é sonhando! Por que diabos iríamos fazer alguma coisa com o cara que levou a banda à beira da ruína? É simplesmente ridículo! Passamos os últimos dez anos reconstruindo a reputação, o estilo e a qualidade da nossa música. De jeito nenhum isso vai acontecer!"

É chato. Muito chato.

Na minha opinião, os dois são gênios e respeitam o talento um do outro, embora não se biquem. Quem lê a biografia do Gillan vê isso muito claramente - o que há é um ressentimento por eles não conseguirem trabalhar juntos. Por besteira. O Gillan compara o Deep Purple a um belo prato de comida, onde ele e o Blackmore são o garfo e a faca, cada um puxando para um lado.

No final dos anos 70 (acho que no natal de 79 pra 80), o Blackmore foi à casa do Gillan pra convidá-lo pra cantar no Rainbow. O Gillan disse que estava bem com a Ian Gillan Band e tudo mais. O Blackmore sacudiu a cabeça e disse: "não, não, você está fazendo tudo errado. Você devia estar cantando é nos grandes estádios, em uma grande banda de rock". Isso abriu a cabeça do Gillan pra arriscar o Black Sabbath e depois a volta do Deep Purple.

Já o Blackmore ouviu conselhos semelhantes de todos os caras do Deep Purple, enviesadamente ouviu do Gillan, e o produtor Bruce Payne certa vez se queixou na internet de ter dito o mesmo ao Blackmore e ele não ter ouvido.

Acho legal pra caramba a força que o Homem de Preto está dando pra patroa nessa fase new-age. Ele continua tocando pacas em outro estilo (embora eu não suporte ouvir os vocais de eu-acredito-em-duendes e ver o mestre fantasiado de figurante de Senhor dos Anéis). Mas podia estar muito melhor dando sua experiente contribuição continuada ao rock.

E podia estar melhor ainda se sua geniosidade não tivesse se colocado na frente de sua genialidade, causando tanta briga com os músicos que melhor trabalharam com ele e mais lhe trouxeram glórias em toda sua carreira.

sábado, 25 de setembro de 2004

Remaster de Burn sai segunda

Estou roendo as unhas. Já encomendei o meu via The Highway Star (sai o mesmo preço na Amazon, mas o nosso purplesite favorito ganha uns caraminguás). Recomendo comprar da loja britânica, que sai bem mais em conta em reais. Na americana, custa US$ 29,99 sem frete, o que dá uns R$ 86 só o CD. Na britânica, custa 12,08 libras tudo, o que deu R$ 62. Agora é esperar uma semana e roer as unhas enquanto isso. Posto resenha aqui assim que chegar.

Já é o mais vendido disco do Deep Purple na Amazon britânica, e é o 104º mais vendido de todos os CDs da loja virtual. As faixas:

1. Burn
2. Might Just Take Your Life
3. Lay Down Stay Down
4. Sail Away
5. You Fool No One
6. What’s Goin’ On Here
7. Mistreated
8. “A” 200
9. Coronarias Redig (single b-side 2004 remix)
10. Burn (2004 remix)
11. Mistreated (2004 remix)
12. You Fool No One (2004 remix)
13. Sail Away (2004 remix)