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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Gillan: disco novo será gravado em Nashville a partir de 23 de junho


Meu colega Marco Jayme catou esta entrevista do Gillan à Classic Rock. O foco principal é o Who Cares, que saiu no ano passado. Mas o cantor fala bastante do futuro do Deep Purple. O novo disco, pelo que Gillan diz, será gravado em Nashville, no final de junho. Ainda não tem data pra sair o disco novo.


Gillan elogia a produção de Bananas ("Bananas foi um disco de som fantástico... O primeiro disco de Bradford conosco foi brilhante") e critica a produção de Rapture of the Deep ("...em contraste completo com Rapture of the Deep"). A foto acima, aliás, é da produção de Bananas. Gillan também fala sobre as expectativas em relação ao produtor Bob Ezrin, ainda que o contrato não tenha sido assinado.

"Ele veio até nós pra conversar sobre o assunto e todo mundo se apaixonou por ele. Acho que a ideia de trabalhar com alguém que respeitamos profissionalmente e pessoalmente... vai ser mais fácil. Pra ser honesto, acho que o que estamos procurando é uma daquelas abordagens de profissional antigo, onde você tem uma direção e um grande som. É isso que queremos. Cortar o lixo, que a gente só nota tarde demais. Precisamos de um ouvido objetivo, acho que isso é muito importante."

To close, we simply must talk about Deep Purple. It’s true that Bob Ezrin is producing your new album?
It looks that way. I’m not sure I’m allowed to say anything until contracts are signed but it seems… let’s put it this way, I’m booking a flight out to Nashville on June 23. So I’m sure he will be [producing], yes.
June 23 is when you’re going to kick off the recording?
The whole thing, the writing and everything, yes. We’ve got six weeks to do it.
Bob Ezrin is an interesting choice…
I think it’s great to work with different producers and Bob Ezrin has got an amazing track record. No pun intended. He came up to see us to talk it through and everyone fell in love with him. I think the idea of working with somebody you’ve got respect for professionally and personally… it’s going to make it easy. To be honest, what I think we’re looking for is one of those old-pro type approaches where you have guidance and a great sound. That’s what we want. To cut out the rubbish, which we always recognise too late. We need an objective ear, I think that’s really important. I’m looking forward to it very much.
If you look at the history of Purple, you’ve self-produced more often than not.
Generally, yes. We’ve used Martin Birch as a kind of engineer and sixth ear… a sixth pair of ears, I should say. But generally self-produced. This time I think we’re a little more focused than we have been in the past. We never make plans; we just turn up with nothing and crack on from there. But I think Bob Ezrin will help us focus. I thought Bananas [2003, produced by Michael Bradford] was a fantastic-sounding record… in complete contrast to Rapture Of The Deep [2005, also produced by Bradford]. Bradford’s first album with us was brilliant. We’re all a bit long in the tooth and as life goes on you do need someone to give you that cutting edge, which I’m sure Bob Ezrin will provide.
When will new album be released?
Well, I don’t know. There used to be a long lapse between finishing the recording, then the post-production, the artwork and everything… it used to take ages. It’s much quicker these days. I’ve done three or four albums since the last Purple album. Once the music’s sorted, the rest of it takes no time at all. So, when’s it coming out? I don’t know. How do you sell records these days anyway?

domingo, 15 de abril de 2012

A estrada da glória de Mick Underwood


Há alguns dias, o baterista Mick Underwood me adicionou a um grupo no Facebook - "Mick Underwood's Glory Road". É a nova banda do baterista que tocou com Blackmore nos Outlaws, com Gillan e Glover no Episode Six, esteve no Quatermass e fez parte da fase mais divertida da banda Gillan. Veja o site oficial aqui.

É uma banda de tributo, mais ou menos. Toca material da Gillan (incluindo coisas que eles nunca tocaram ao vivo, como "She Tears Me Down") e da Quatermass, além de "Whole Lotta Love" e uma nova música chamada "Glory Road". O primeiro show foi há uma semana.

Este foi o setlist, segundo Peter Mair, colaborador da DPAS:

Trouble
Sleeping on the Job
She Tears Me Down (clique pra ver o vídeo!)
Living for the City
Mutually Asssured Destruction
[Quartermass number I wasn't familiar with]
Mr Universe
Glory Road (new song)
Vengeance
On the Rocks
Whole lotta Love ~ Drum solo.
Encore: New Orleans

Estou curioso pra ver pessoalmente ao vivo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um instante clássico

John Barnes postou no Facebook uma foto que eu não conhecia:


É um encontro entre Jon Lord e Ian Gillan em 1981, no festival de Reading. Possivelmente esse momento inclui uma das rodadas mais fortes de conversas entre os ex-membros do Deep Purple para reformar a banda, no começo dos anos 80. Salvo engano, foi nessa rodada que a Campari estava querendo patrocinar um grande (e único) show da banda. 

Como você sabe, não foi daquela vez. Ainda haveria uma canja do Blackmore num show do Gillan em 1982 e toda a passagem do vocalista pelo Black Sabbath em 1983 antes do retorno, em 1984. Ali em 1981, Lord e Paice estavam no Whitesnake, enquanto Blackmore e Glover estavam no Rainbow.

De qualquer forma, é sempre fascinante espiar pelo buraco da fechadura desses momentos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Gillan e Hughes fazem tributo a Dio


Wendy Dio, a viúva do baixinho com pulmão de gigante, chamou alguns amigos do ex-cantor do Rainbow e do Black Sabbath para gravar um tributo. Eles incluem Ian Gillan (foto) e Glenn Hughes. Também estarão lá Lemmy Kilmister, Alice Cooper, Dave Grohl, Rob Halford e Sebastian Bach. Cada um escolherá as canções que vai cantar.

Gillan substituiu Dio por duas vezes na história do Deep Purple. A primeira foi em 1975, quando uma turnê do Rainbow impediu que Dio fizesse a voz do simpático Froggy em "Sitting in a Dream" na apresentação ao vivo de Butterfly Ball. Gillan estava aposentado do rock, mas atendeu ao chamado do amigo Roger Glover para sair da toca pela primeira vez após sair do Deep Purple. A segunda foi em 1983, quando Ronnie deixou o Black Sabbath.

Em 1999/2000, o Deep Purple fez a turnê dos 30 anos do Concerto para Grupo e Orquestra. Aproveitaram e homenagearam as carreiras-solo dos membros. De Glover, entraram duas músicas do Butterfly Ball, ambas cantadas por Dio - "Love is All" e "Sitting in a Dream". Dio foi convidado para o show e acabou entrando na turnê. Ao final, cantava "Smoke on the Water" com Gillan. Em 2006, Gillan chamou Dio para gravar vocais em "A Day Late and a Dollar Short", no disco Gillan's Inn.

Hughes também foi do Black Sabbath, depois do Ian Gillan, mas sua amizade com Dio é mais da brodagem mesmo. Dio morava em Los Angeles, onde Hughes mora até hoje. Na véspera de Natal de 2011, Hughes tuitou que estava indo com a patroa dar um abraço na Wendy Dio.

Minhas apostas?

Eu gostaria de ver Gillan cantar "Sitting in a Dream" de novo, depois de tantos anos. Já Hughes eu não sei. Acho que ele cantaria algo do Black Sabbath, talvez queira cantar "Heaven and Hell". Não sei o quanto a religião de Hughes permite cantar sobre o inferno. Mas a letra permite interpretações mais afeitas a ele, talvez.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um conto de Natal

 Nesta noite, sonhei que estava dando bronca no Ian Gillan. Bronca mesmo, dessas de o mestre fazer cara de cachorro com a cauda entre as pernas.

"Porra, Ian. Eu sei que não tem mais jeito de você tocar com o Blackmore. Pena, eu queria ter visto pessoalmente vocês dois tocando juntos, mas entendo que o cara é difícil. Você também não é fácil. Só que eu acho que você devia retribuir o favor a ele", eu disse. "Sabe como é, Natal."

Perto da véspera do Natal de 1978, Ian Gillan já estava fora do Deep Purple havia cinco anos, e a banda estava acabada havia dois. Era tarde da noite e o cantor estava em casa se abrigando da neve que caía lá fora quando ouviu batidos na porta.

"Lá, de pé, a uns dois ou três passos, estava o guitarrista com seu chapéu bobo de peregrino", escreveu Gillan em sua biografia.

-- O que você quer? - perguntou Gillan.

-- Estou procurando um cantor - respondeu Blackmore.

Após o convite para entrar, Blackmore perguntou se podia levar a então patroa Amy Rothman pra participar da visita. Claro que podia. A preocupação de Blackmore era evitar que a mulher estivesse por perto caso Gillan ficasse agressivo. Que nada: segundo uma entrevista de Blackmore, Gillan repetia: "Rich, estou tão feliz. Tô alegre pra caralho de você estar aqui."

Seguiu-se uma conversa agradável. Os dois secaram uma garrafa de vodca e tentaram contratar um ao outro para suas respectivas bandas. Estavam os dois fazendo mudanças no Rainbow e na Ian Gillan Band, enfim.

A Ian Gillan Band era uma banda diferente. Tocava uma espécie de jazz-rock, muito elaborada, e fazia o circuito das universidades inglesas. Estava feliz sendo pequeno. Tocava o que queria, para quem quisesse ouvir. Dificilmente dava muita gente, mas azar. Já Blackmore queria o contrário: ele queria diversão e bolo, queria tudo e mais um pouco, como cantava o Nei Lisboa. Queria juntar a direção pop do Rainbow com o peso do nome do ex-colega. Glover já estava a bordo.

Quando viram que não poderiam contratar um ao outro, Blackmore deu o presente de Natal de Ian Gillan. Foi um conselho:

"Ian, você está fazendo tudo errado. Devia estar tocando era nos grandes estádios."

Blackmore topou dar uma canja num show do Gillan, no Marquee. Lucille, Woman From Tokyo e - salvo engano - Smoke on the Water. Não há vídeo, mas há áudio:




A banda do Gillan estava mudando, assumindo um som mais pesado e inclusive cortando duas palavras do seu nome. Poucos meses depois, entrariam a bordo o guitarrista Bernie Tormé e o baterista Mick Underwood - aliás, ex-colega de Gillan no Episode Six e o sujeito que falou de Gillan para o Blackmore uma década antes.

Desde o primeiro disco dessa formação, "Mr. Universe", a banda foi com fome ao pomar e quebrou tudo. De todas as bandas de ex-membros que surgiram após o final do Deep Purple, foi certamente uma das mais interessantes. Seguindo o conselho de Blackmore, eles foram com sede aos grandes estádios.


Troquei mensagens de final de ano hoje com Tormé e Underwood, no Facebook. Os dois têm excelentes lembranças das turnês da banda, especialmente dos festivais de Reading.

A banda acabou sendo desmanchada por causa da volta iminente de Gillan para o Deep Purple, lá por 1982. Mais ou menos por essa época, chegou a haver reuniões pra tentar bater o martelo na volta do Purple. Demoraria ainda mais um pouco, mas resta uma foto da segunda canja de Blackmore com a banda do Gillan:


Gillan foi fazer uma cirurgia nas cordas vocais, e ao se recuperar foi passar uns meses no Black Sabbath pra depois pular para a volta do Deep Purple. Isso, somado a problemas com grana, fez com que os músicos da Gillan nutrissem uma raiva do ex-chefe pelas três décadas seguintes.

Meu desejo de Natal é que Gillan fosse retribuir o favor a Blackmore. Batesse na porta do castelo dele, sei lá, pegasse um copo e dissesse:

"Ritchie, você está fazendo tudo errado. Devia estar tocando era nos grandes estádios."

Não precisa nem se vestir de figurante do Senhor dos Anéis pra dar canja na banda do ex-colega. Não precisa nem convidar pra tocar junto - não deu certo da segunda vez, não deu certo ainda mais rápido da terceira vez, dificilmente daria certo uma quarta vez.

Mas será uma pena se dois dos músicos que eu mais admiro no mundo - dois músicos tão marcantes na vida um do outro que vivem se mencionando em entrevistas e biografias - deixarem os anos que lhes restam passarem sem voltarem a conversar uma vez que seja. Cresçam, seus velhos malas. *risos*

Aos amigos que leem o Purpendicular, um excelente final de ano. Em 2012, o Purpendicular faz 10 anos. Espero conseguir manter um ritmo de atualizações melhor do que o de 2011.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

1991+20: Gillan deu o primeiro gostinho

Esta é a série especial sobre os 20 anos do primeiro show do Deep Purple em solo brasileiro. Que se completam HOJE, aliás, mas o post sobre essa turnê é o próximo. Neste terceiro post da série, vemos como Ian Gillan foi o primeiro ex-membro do Deep Purple a atiçar a sede da brasileirada tocando coisas do Deep Purple.

No final dos anos 80, Gillan estava gordo, bebendo demais... e desempregado. Sua demissão do Deep Purple, em 1988, foi algo muito chato.

O clima não estava bom havia muito tempo. Além das brigas com o Blackmore, que o acusava de viver esquecendo letras (e esquece até hoje, mas com elegância), Gillan chegou a dizer numa coletiva que o empresário deles, Bruce Payne, era um babaca ("dickhead"). Em sua biografia, Gillan diz que sacou que estava tudo indo pro ralo na banda quando o baterista Ian Paice lhe disse que não chegava perto do instrumento quando não tinha show.

Apesar de todo o clima ruim, o estopim da demissão mesmo foi a discussão sobre como gravar um disco para o qual a banda há havia composto algumas coisas - o sucessor de House of Blue Light. Gillan insistiu que a banda fizesse uma baita produção desse disco, num grande estúdio de Nova York. Jon Lord foi o mais vocalmente contra. Então, Gillan pegou a questão dos estúdios pra chamar Bruce Payne de "inútil pra caralho". Silêncio sepulcral. Os membros da banda foram embora, um por um.

"Sobrou Roger. Roger, meu querido amigo de tantos anos, se inclinou sobre a mesa, de punho cerrado, e olhou na minha cara. 'Ian', ele disse, 'desta vez você foi longe demais'." Dias depois, o cantor estava no estúdio de sua casa quando recebeu um telefonema de seu empresário, Phil Banfield, informando formalmente o inevitável.

Com o apoio da sua mulher, Bron ("Gubbins, agora você pode fazer o que realmente quer"), Gillan juntou um grupo de músicos e começou a se apresentar em 1989, sob o nome Garth Rockett and the Moonshiners. O guitarrista, Steve Morris, compunha coisas - e disso veio o disco Naked Thunder, lançado em julho de 1990.

Foi para promover esse disco que Ian descobriu a nova geografia do mundo pós-queda do Muro de Berlim.

Ele começou sua turnê pela ainda União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em maio. Passou pela Armênia, Geórgia e Ucrânia, países do outro lado da Cortina de Ferro que mal estavam conquistando a liberdade de ouvir rock e rezar. Em sua turnê por esses países, Gillan foi anunciado como o cantor que fez o papel de Jesus Cristo (Superstar), o que lhe atraiu narizes torcidos e momentos de reverência indevida. Na Geórgia, celebrou pela segunda vez seu casamento com Bron, numa cerimônia encomendada pela agência de notícias russa Tass.

Foi em agosto que ele chegou ao Brasil, vindo direto da Dinamarca. Tocou em quatro datas, segundo seu site:

03.08.90 Sao Paolo Projeto SP, Brazil - broadcast on radio.
04.08.90 Sao Paolo Projeto SP, Brazil
06.08.90 Rio Teatro Nacional, Brazil
08.08.90 Porto Alegre, Brazil or Curitiba Aluba Pavilion


(Certamente essa foi Curitiba. Porto Alegre não foi.)

Veja, estávamos em pleno Plano Collor. O Brasil estava com os pés afundados numa economia dos diabos. Poucos grandes shows ainda vinham ao Brasil. O do Gillan, no Projeto SP, foi aparentemente o maior show que São Paulo recebeu em 1990.

O jornalista André Forastieri resenhou os shows na Bizz. Diz ele que o Projeto SP ficou "abarrotado" para ouvir pela primeira vez "Strange Kind of Woman", "Knocking at your Back Door" e "Smoke on the Water" na voz original, ainda que com guitarra, baixo e bateria emprestados. "Gillan - recém-chegado de seis semanas excursionando pela URSS - misturou clássicos do Purple, velharias da Ian Gillan Band e novidades do álbum solo Naked Thunder", escreveu.

O vídeo abaixo é de um desses shows. Gillan canta "No Good Luck", do então disco novo.



Em sua passagem pelo Rio, Gillan chegou a gravar imagens muito das canastronas para um clipe da mesma música:



Ian Gillan abriu as comportas, e no ano seguinte viriam os outros quatro quintos da Mk2.

A essas alturas, o Deep Purple estava gravando o primeiro disco da Mk5, entre Orlando (Miami) e Nova York. A banda tinha um novo vocalista, Joe Lynn Turner, que veio cheio de ideias. Segundo o próprio Turner admitiu em entrevista para a biografia de Ritchie Blackmore, Turner já chegou puxando briga com Jon Lord. "Você é o passado, eu sou o futuro", disse o novo cantor no meio de um discurso em defesa da gravação de "power ballads" como Love Conquers All.

Foi com esse "cantor do futuro" que o Deep Purple começou sua turnê mundial pela Hungria, em fevereiro de 1991. Essa turnê começaria por um país ex-comunista e terminaria em meio à Guerra do Golfo. Quase no finzinho, pisou no Brasil - e é essa perna que completa 20 anos hoje e será assunto do próximo post.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Presidente da Armênia dá disco da Who Cares para presidente da Rússia


Saiu na semana passada o disco da Who Cares, resenhado ontem pelo Vitor Benvindo. O disco é beneficiente, e sua receita vai para uma escola de música da Armênia.

Ontem, o presidente armeno Serzh Sargsyan mandou o disco de presente para o mais famoso fã do Deep Purple no mundo: seu colega russo Dmitry Medvedev.

Que, por sinal, nunca respondeu meus tweets pedindo uma entrevista para o Purpendicular, nem meus emails pedindo entrevista pra MTV, quando veio ao Brasil no ano passado.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Pro seu bolso chorar, como o meu

Encomendei da DPAS nesta semana o DVD "Phoenix Rising", que deve sair no final de maio. Hoje, recebi um simpático email da Ann Warburton, administradora da Purple Records (e, salvo engano, mulher do Simon Robinson), contando o que mais vai sair neste ano. Algumas coisas eu não tinha ouvido falar. Olha só:

* Ainda não tem data, mas está em planejamento uma edição especial de Perfect Strangers com 3 discos. Da DPAS: "CD1 será o remaster incluindo 'Not Responsible'. CD3 será o velho disco de entrevistas que a Polydor lançou como promo no final de 1984. CD2 será um disco de material variado, com faixas do show de Knebworth (já lançado como um pacote por si), Son Of Alerik e com espera-se que também as jams que sobraram da gravação" (Cozmic Jazz e RIJIR). Cozmic Jazz já circula há tempos por aí como pirataria:



* Vai sair uma edição limitada de 2 mil cópias do Phoenix Rising em vinil. Ela não disse o que vai ter nessa versão, mas suponho que seja algo como o Last Concert in Japan (base do Rises Over Japan, vídeo que estará incluído no documentário). Eu não tenho onde ouvir vinil, então não me emociono ainda. O trailer do documentário:



* Vai sair uma versão em CD do single beneficiente "Who Cares", com Ian Gillan, Tony Iommi e Jon Lord. São duas faixas. Uma delas, "Out of My Mind", vai estar à venda oficialmente em 6 de maio.
Um gostinho do single:



* Já foi anunciado antes que vai sair uma reedição do Born Again, o famoso disco do Black Sabbath com o Gillan que é fabuloso musicalmente mas tem o som abafado. "Infelizmente não conseguiram achar as fitas master, então um remix não foi possível. Ao invés disso, o disco será remasterizado, e vão pelo menos acrescentar a apresentação no festival de Reading feita para a Radio 1 da BBC (o único show da banda no Reino Unido) como disco bônus, mais o single", escreveu Ann. Ou seja: pela primeira vez, oficialmente, teremos "The Fallen" (yeah!) e o Gillan cantando "War Pigs" - minha versão favorita da música - e "Paranoid", como no vídeo abaixo:



* Já dá pra encomendar o segundo disco da Black Country Communion, o genial projeto do Glenn Hughes com o Joe Bonamassa e o Jason Bonham. Ainda não se sabe os formatos finais. O primeiro vídeo do novo disco deve sair agora em junho. Eu fiquei fascinado por BCC logo na primeira faixa do primeiro disco, com este baixo aqui:



* Vai sair um musical italiano sobre a vida do Blackmore. "Já me garantiram que não é tosco!", disse Ann. Eu ainda não tinha ouvido falar a respeito. Pedi mais detalhes.

* Blackmore e Paice vão tocar no disco "Seeking Major Tom", do capitão Kirk William Shatner. Paice vai tocar "Space Truckin'", do Deep Purple, e o Blackmore vai tocar "Space Oddity", do David Bowie. Já está no YouTube um vídeo com Shatner gravando "Iron Man" com Zakk Wylde - e encarnando o personagem de "S@#$ My Dad Says".



* Vai sair uma versão remasterizada do Long Live Rock'n'Roll, do Rainbow com o Dio. Sempre faz bem rever:

sábado, 16 de abril de 2011

Quando sai o novo disco do Deep Purple? Talvez 2012

Hoje estreou a nova cara do site oficial do Deep Purple voltado à imprensa e promotores de shows.


Ele é todo embalado com a arte da turnê "The Songs That Built Rock", em que eles farão vários shows com orquestra nos EUA e na Europa. No texto de apresentação da turnê, há um resumo de tudo o que a banda vem fazendo. E diz o seguinte:

The band is planning a new album for 2012. Their last studio album was Rapture of the Deep in 2005.

Ou seja: a confiar no site oficial, e não tenho motivos para não confiar, o novo disco sai só no ano que vem. O que faz sentido, se neste ano eles estão investindo pesado numa turnê que celebra a influência do Deep Purple na história do rock. Nada impede que essa turnê vá para outros lugares também, como Ásia e América do Sul, onde o Deep Purple tem muitos fãs. Vale a pena segurar o lançamento. Até porque hoje a grana no negócio da música está mais nos shows do que nos discos, embora os lançamentos arejem o repertório.

Ocorre, porém, que aparentemente eles JÁ começaram a trabalhar em 17 músicas para um disco novo. Ao menos 9 teriam sido gravadas em março num estúdio particular que o Ian Paice tem na Espanha. O baterista, que seria o produtor do novo disco ao lado do Roger Glover, teria confirmado e dito que o disco novo vai ser mais pesado que "Rapture of the Deep".

Em fevereiro, na Cidade do México, Ian Gillan disse que "já estava na hora" de ter um disco novo.

"So we're gonna get together and have a writing session quite soon. And if we get excited, then we'll probably have another [album finished and ready for release] shortly after that. We'll see how it goes. But there's no plans. But I think we're getting poked by various connections who would like to see another DEEP PURPLE record. So I think it's about time."

Quando sai o novo disco?

Uma coisa não exclui a outra. Eles podem gravar agora pra ter tempo de melhorar o material até lançar. Já passamos por isso antes, quando depois do Abandon eles levaram cinco anos pra lançar o Bananas. Algumas músicas foram testadas no palco, uma foi melhorada no meio do caminho ("I've Got Your Number") e outra foi descartada ("Long Time Gone").

Eu queria o mais rápido possível, mas entendo o lado deles. Pessoalmente espero que saia o mais rápido possível mas conto com 2012. Até lá, teremos possivelmente novo discos solo do Roger Glover e do Ian Gillan, pra segurar o apetite.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ian Gillan acústico

Pela primeira vez em sua carreira, Gillan cantou um acústico nesta semana, na Absolute Radio, com o guitarrista Steve Morris. Cantou "When a Blind Man Cries", outtake do Machine Head, e "Better Days", do One Eye to Morocco.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Três resenhas

Recebi na última semana dois discos que eu estava esperando. Também ouvi um terceiro, que ganhei inesperadamente. Ouvi os três com bastante calma nos últimos dias, então estou pronto pra fazer a resenha pra vocês. Duvido que qualquer um deles saia no Brasil, infelizmente.

1) STORMBRINGER (Remaster)

    Nunca esperei tanto tempo por um remaster do Purple. Este estava por sair desde 2005. Eu já estava roendo as unhas, porque o vinil de Stormbringer foi o disco que me apresentou ao Purple. Valeu a pena a espera? Acho que sim, especialmente porque, com a cotação atual da libra, importá-lo saiu mais ou menos o preço de um CD duplo nacional. Fosse mais caro, meu bolso teria doído. A remasterização desabafou todas as faixas. O som é mais claro, não apenas mais alto. Dá pra ouvir bem todos os instrumentos (ouça "Love Don't Mean a Thing", por exemplo). As faixas extras são mais ou menos no mesmo nível das de Burn: acrescentam apenas detalhes saborosos ao que a gente já sabia. Não há papo de estúdio, não há faixas inéditas. Há alguns vocais novos. A escolha das faixas, remixadas pelo Glenn Hughes, realça a contribuição dele ao álbum: nenhuma delas nunca foi tocada pelo Purple ao vivo, porque são exatamente as que o Blackmore julgava funkeiras demais para a idéia dele do que o Deep Purple devia ser. O Rasmus Heide, do The Highway Star, diz que elas realçam os motivos pelos quais o Blackmore saiu da banda - o que faz sentido. Ao mesmo tempo, são as mais improváveis de ouvir versões diferentes. Não são óbvias. Não fizeram uma nova versão da faixa-título, que sempre levanta a galera nos shows de tributo, por exemplo. Holy Man, posta em primeiro lugar entre os remixes, não traz absolutamente nenhuma novidade que eu tenha notado. Mas é o grande momento da carreira do Hughes, seu primeiro número-solo no Deep Purple. You Can't Do It Right está com um baixão mais agressivo, gostoso de ouvir. Diz o livreto do Simon Robinson que essa foi a primeira faixa que foi descoberta nos arquivos profundos da EMI - e quem descobriu achou que era Earth, Wind and Fire. Love Don't Mean a Thing trouxe um pandeiro e um tecladão mais alto no final, sobre o "looking for lovin'... I need a livin...". Apesar de o teclado ser genial, ele abafou o solo de guitarra, que eu acho mais genial ainda. No livreto, diz que essa letra na verdade vem de um cantor de rua que parou o Blackmore pra cantar pra ele um negócio que tinha composto. Aí, o Blackmore levou o cara pro Starship 1 e chamou o Hughes pra compor. O nome do cantor de rua nunca apareceu. Hold On ficou muito legal, com alguns versos cantados de um jeito diferente. Instigante. High Ball Shooter é instrumental - pra você e eu e todo mundo cantar junto. Se preferir não cantar, preste atenção no baixo funkeado. Acho que foi por isso que o Hughes remasterizou essa.


2) ONE EYE TO MOROCCO (Ian Gillan)

    O Ian Gillan tem uma coisa que eu acho muito legal nos discos dele fora do Purple: ele realmente SAI do Purple nesses discos. Mais ainda: ele não tem a mínima preocupação em seguir um estilo definido. Pra pegar só os discos que ele assina com o próprio nome (sem ser uma banda), Naked Thunder é de um jeito, o Toolbox é de outro, o Dreamcatcher é de outro, Gillan's Inn é de outro e One Eye to Morocco é de outro diferente. A faixa-título começa com um floreado meio árabe, cítaras e um riff que bem podiam estar na novela da Juliana Paes. Mas o Marrocos do título é uma referência obscura - é uma expressão comum na República Tcheca pra se referir aos distraídos. O disco traz uns rocks bem vigorosos, como "No Lotion for That" e "Change My Ways" (que aliás é a que mais parece Purple, mas é diferente). Três faixas são compostas pelo guitarrista Michael Lee Jackson, incluindo "Texas State of Mind", que também está no DVD "Live in Anaheim". O que me chamou mais a atenção nesse disco é que ele enfatiza o novo jeito que o Gillan descobriu de cantar pelo menos desde 2002/2003. Ele não tem mais os agudos dos anos 70, e seria covardia exigir isso dele. Em outras resenhas eu observei que ele saboreia mais as palavras. Ouvindo esse disco é que me caiu a ficha: hoje, ele canta mais com os recursos da boca do que com os da garganta.


3) A LIGHT IN THE SKY (Don Airey)

    Este eu ganhei autografado do próprio tecladista, depois de um duelo de máquinas fotográficas no backstage do Purple (ele disparou primeiro e ganhou). É um material quase completamente instrumental, focado nos teclados. E Airey usa vários teclados. Alguns efeitos saem direto das brincadeiras sonoras que ele faz durante seus solos que fazem tremer o chão dos shows do Deep Purple. Se você ouvir o disco casualmente, apenas botar e ouvir, ele é um ótimo disco de tecladista. Você pode dizer: "pombas, esse Airey toca bem pra cacilda". Mas experimente ouvi-lo prestando atenção nos títulos das músicas. Pense neles enquanto ouve faixas como "Ripples in the fabric of time" (rasgos no tecido do tempo) e "Space troll patrol" (patrulha dos trolls do espaço). As faixas são altamente evocativas de imagens de viagens no tempo, monstros espaciais, odisséias no espaço. Algumas faixas têm vocal. Elas lembram um pouco o Purple, um pouco o Rainbow, com seus riffs pesadões. O poderoso pulmão do cantor Carl Sentance lembra o do Dio. Gosto muito de música instrumental. Conhecia muito pouco do trabalho solo do Airey. Isso me estimulou a ir atrás de "K2", o álbum anterior dele. Mas não percam de jeito nenhum o site pessoal do tecladista. É uma experiência visual e tanto.

domingo, 22 de março de 2009

A razão já era, mas a briga continua

Em outubro, o Gillan deu uma entrevista em que fazia várias críticas ao Blackmore - especialmente sobre o processo que o ex-guitarrista moveu contra o Deep Purple supostamente pra ter seu rosto tirado de uma camiseta de Machine Head.

Agora, cinco meses depois, os advogados de Blackmore respondem. Dizem que a briga do Blackmore era pelo fato de não estar recebendo sua parte nos direitos de imagem.

Mas a parte mais divertida é a frase final do comunicado, que dá o verdadeiro motivo dele:

    "Ritchie está francamente surpreso com os comentários infantis de Gillan sobre outras questões que ele discute na entrevista. Já não é hora de ele agir como adulto?"

Eu pessoalmente acho que os dois deviam crescer de uma vez e parar de birra besta. Mas não pude deixar de reler a entrevista pra ver que comentários infantis seriam esses.

Imagino que o Homem de Preto deva estar se referindo a este trecho:

    Rockpages.gr: Acho que você já sabe que a empresária do Blackmore é a sogra dele, agora...

    Ian Gillan: É...

    Rockpages.gr: E ela raramente deixa ele dar uma entrevista sozinho.

    Ian Gillan: Sério?

    Rockpages.gr: Tem que ter a Candice Night junto, e ela também nunca deixa ele dar entrevistas pra revistas de rock e perguntas sobre o Deep Purple não são permitidas...

    Ian Gillan: Bom, eu não sei por quê... eu tenho umas fotos dela pelada... (dando uma risadinha).

    Rockpages.gr: (Chocado!) De quem? (risos).

    Ian Gillan: Da sogra dele. Fabuloso!?

    Rockpages.gr: (risos) E ela também acha que a melhor cantora que já trabalhou com o Blackmore é a Candice...

    Ian Gillan: Bom, é uma opinião, né? Quer dizer, eu podia dizer que o Bob Dylan é o melhor de todos os tempos, por causa da emoção, mas alguém podia responder "É, mas ele sempre desafina", enquanto um fã devoto deve acreditar que ele é absolutamente fantástico. Eu defenderia que o Bob Dylan é um grande cantor, porque cantar toca as pessoas. Se você quiser ser técnico e dizer que a Candice quer ser a melhor cantora, tudo bem. Mas eu tenho fotos da mãe dela pelada.

    Rockpages.gr: (risos) Você podia me emprestar algumas delas pra eu publicar junto com a entrevista...

    Ian Gillan: São muito pornográficas (risos).

    Rockpages.gr: A gente podia borrar um pouco as fotos... por falar em fotos, o que houve com a camiseta do Machine Head? Teve um boato...

    Ian Gillan: Ah, é muito simples, é hilário. Quando você está no Deep Purple, está no Deep Purple, assina tudo, etc. Aí, o Ritchie estava recebendo, recebia por tudo e às vezes até ganhava mais do que qualquer outro. Ele mandou o advogado dele dizer pro Bruce Payne: "Não pode usar minha imagem do Machine Head, eu não quero estar nisso". Aí, o Bruce disse: "Tudo bem, então a gente borra o rosto dele pra ele sair fora". Foi isso que ele pediu. Aí, o Ritchie começou a processar o Bruce, porque ficou bravo e eu acho que já foi a tribunal várias vezes.

    Rockpages.gr: Então, foi parar no tribunal...

    Ian Gillan: No tribunal não, mas teve uma audiência prévia com um juiz antes de ir pro tribunal. Mas o juiz vive dizendo "que besteira, você pediu pra sua imagem não ser usada e eles tiraram fora, borraram. O que você vai fazer?" É uma bobajada.

    Rockpages.gr: Às vezes, parece que o Ritchie não é ele mesmo...

    Ian Gillan: Bom, provavelmente quem mandou foi a sogra pelada dele. Acho que o Ritchie nem sabia disso.

    Rockpages.gr: Exatamente o que eu acho...

    Ian Gillan: A culpa é da sogra pelada. (risos)

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ian fala

Logo após o show de sábado, mestre Ian Gillan gravou um vídeo pra explicar que estava com gripe. Outros membros da banda já tiveram problemas de saúde antes, mas ninguém notava - Paice tocando bateria depois de uma operação de fígado, Steve Morse com tendinite. Ele é o mais visível.

"Estou um pouco gripado. Quando eu escapo pro meu canto atrás da bateria, é pra dar uma tossida e coisas assim. Não é pra cheirar cocaína, nada disso. O único motivo pelo qual meu nariz anda escorrendo é que eu estou gripado."

No fim, talvez tenha sido eu quem pautou o vídeo do mestre. Quando o cumprimentei, disse que estava um pouco preocupado e ele ficou todo cheio de dedos, disse que não era nada. Como se viu, a gripe não o impediu de cantar muito, muito bem.

domingo, 8 de março de 2009

Ian Gillan, o Cavaleiro do Púrpura


    Percebi aquilo só uma vez, durante a noite toda. Ele deu um bocado de ordem e todo mundo se mandou. Então, quando ficou só... Batman se curvou sobre a sela... feito um velhinho... Mais do que depressa, ele se ergueu e sorriu pra mim como se fosse engraçado.

O trecho acima vem de perto do fim de "Batman: o Cavaleiro das Trevas", um clássico dos quadrinhos dos anos 80. Um Batman de 60 e tantos anos volta a patrulhar Gotham City. Por baixo do capuz ainda é um senhor de idade, mas a motivação o mantém em pé. Ele leva tiro de bandido e da polícia, apanha feito cachorro ladrão, mas ainda assim segura as pontas com firmeza. Consegue até regenerar uma gangue e liderar uma cavalgada heróica para dar um choque de ordem no blecaute nuclear de Gotham City. Afinal, ele é o Batman.

Lembrei do Cavaleiro das Trevas ao ver agora há pouco o show do Purple em São Paulo. Amanhã devo escrever uma resenha decente. O rascunho que fiz no calor da hora está no Twitter. Fui enviando música a música pra não perder o setlist, e aproveitei pra incluir outras observações.

Só escrevo isto às três da manhã porque preciso contar a vocês quem realmente é o Ian Gillan. Ao longo da semana, vi gente reclamando da postura profissional dele. Vi gente achando um desrespeito ele cantar gripado desse jeito. Quem fala isso tem seus motivos, com base no que viu.

Porém, o Gillan que eu vi, do ponto de vista privilegiado de quem assiste o show lá da coxia, foi outro. Imensamente profissional. Fabulosamente respeitoso com seu público. Tossindo, mas à altura da lenda.

Acompanho o Deep Purple com freqüência suficiente pra não esperar do Gillan os agudos de 1970. Isso não é demérito, é um fato da natureza: o Pelé também não ganharia uma Copa hoje, com a idade que tem, e sei lá se ele ainda sequer cabeceia a bola de olhos abertos. Mas isso já é de alguns anos. O fato novo é que desde a chegada à América do Sul o Gillan estava gripado. Perdeu muito a voz noutros shows. Tossia muito.

Conversei com ele aqui. Ele estava bem rouco, mas garantiu que estava bem: "Acho legal que você se preocupe, mas é só uma gripe mesmo", ele disse. OK, mas um cantor gripado é mais ou menos o mesmo que um escrevinhador com tendinite.

Embora a coisa parecesse bem feia, ele estava bom o bastante pra cantar bem, embora sem arriscar muito. Um amigo ouviu uma nota desafinada em Into the Fire, mas fora isso nada além. Ele tossia de quando em vez entre um verso e outro. Mas as cenas que fizeram meu já imenso respeito por ele crescer ainda mais ocorreram deliberadamente longe da vista do público.

Atrás da bateria havia uma espécie de penteadeira preparada para o Gillan. Ali havia o setlist, toalhas, garrafas e lenços de papel. Foi ali que ele deixou seus crocs para entrar no palco como gosta: de pé no chão. E era ali que ele se refugiava na hora dos solos.

Ali, Ian apoiava os braços magros sobre a penteadeira, fechava os olhos e baixava a cabeça. Meditava. Respirava fundo, e sua camiseta ondulava.

Por um instante, estava ali um velhinho - um respeitável senhor de mais de 60 anos. Mas era só um instante. Quando o solo estava por terminar, Ian tomava um bom gole do que tivesse na frente (fosse água, cerveja ou pinga), respirava fundo e voltava para o palco.

Ao ultrapassar a bateria, ele batia o olho na platéia e abria seu sorriso mais sincero. Abria os braços, como que querendo abraçar os milhares de espectadores, e a galera delirava. Ele estava novo em folha, revigorado, como o Popeye depois de comer espinafre. Aí, puxava o microfone do bolso traseiro da calça e fazia o que sabe fazer melhor: cantava, batia palmas, regia a platéia, pulava, chacoalhava o pandeiro. Estava pronto para o combate. Afinal, ele é o Ian Gillan.

Lembrei das vezes em que deixei de trabalhar por estar muito gripado. Foram poucas, e não prejudicaram ninguém. Mas, quando vi o Ian Gillan daquele jeito, e além de tudo levantando daquele jeito, me senti um tremendo dum bunda-mole pelo mero motivo de faltar ao serviço por conta de gripe.

Termino com uma citação da primeira parte do Cavaleiro das Trevas:

    Onde está a dor? Eu deveria ser uma massa de músculos exaustos e doloridos... fracos, desgastados, incapazes de se mover. Se eu fosse velho, com certeza estaria assim... mas hoje eu sou um homem de trinta anos... não, vinte. A chuva em meu peito é um batismo. Eu nasci outra vez.

terça-feira, 3 de março de 2009

Novo disco este ano?

Don Airey, em entrevista ao Classic Rock Revisited:

    Vamos fazer um disco, provavelmente este ano, O último que fizemos nos manteve na estrada pelos últimos três anos, que é a duração dessa turnê.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Gala Gillan


Já pensou que um dia veria Ian Gillan de gravata-borboleta?

Foi para assistir à ópera na República Tcheca. Se você entende lá a língua deles, bom proveito.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Solando com os mestres

Don Airey acaba de terminar sua turnê solo na Europa, divulgando seu disco solo, "A Light in the Sky". O The Highway Star postou vídeos. Ele tocou até coisas que gravou com o Rainbow e o Ozzy, mas nada do Deep Purple - isso ele deixa para a vindoura turnê.

Sexta-feira, foi o Ian Gillan quem começou uma turnê solo européia que vai até dia 10 de fevereiro. Ele está divulgando seu álbum solo "One Eye to Morocco", que já está em pré-venda na Amazon germânica.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Batalha de titãs

Amanhã, às 20h, no programa Planet Rock, da Rockline, o Tony Iommi vai receber Ian Gillan e Glenn Hughes como convidados.

O que será que vai rolar?

Pra ouvir o programa, clique neste link.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Dois atrasos

Dois discos muito esperados devem atrasar. O remaster de Stormbringer vai sair em fevereiro, não mais em 19 de janeiro. E o novo do Gillan solo deve sair só lá por março.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Novo CD do Gillan em janeiro

O novo CD solo do Ian Gillan, "One Eye in Morocco", deve sair em janeiro de 2009.

O disco foi gravado com o guitarrista Steve Morris, que já esteve ao lado do mestre em seus trabalhos solo dos anos 90: Naked Thunder (ok, 1989), Toolbox (1992) e Dreamcatcher (1998). Ele também foi um dos convidados especiais do "Gillan's Inn", na faixa "Loving on Borrowed Time".

Os dois se conheceram por conta de uma fita jogada na lata do lixo. Morris havia enviado ao Gillan, e ele botara no lixo. Um dia, o cantor estava jogando sinuca com um amigo e o sujeito botou uma fita pra tocar. Gillan pergunta: "sensacional, de onde você tirou isso?" E ele: "Da lixeira!" Das quatro faixas daquela fita, três foram parar no Naked Thunder. Uma delas era "Gut Reaction".

Morris subiu ao palco com Gillan pela primeira vez em fevereiro de 1989, cinco meses após o Gillan fazer seu último show com o Purple, quando o mestre passou sete meses se apresentando sob um dos seus primeiros nomes artísticos: Garth Rockett and the Moonshiners. Ele chegou a vir ao Brasil com o Gillan na primeira vez em que o mestre pôs o pé no país, na turnê de "Naked Thunder", mas deixou a banda meses antes da primeira vez em que eu vi o Gillan pessoalmente, em 92. Basicamente por conta de sua agitação no palco ser inversamente proporcional ao tanto que toca.

Veja abaixo Gillan em sua banda com Steve Morris, tocando "Demon's Eye" em 1990: