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segunda-feira, 12 de março de 2012

Homenageie Ritchie Blackmore tocando em vídeo


Pelo segundo ano, abre dia 20 de março o concurso "Ritchie Blackmore Protégé Shred Off".

É mundial, e visa apoiar a indicação do genial e genioso fundador do Deep Purple para o Hall of Fame do rock, segundo o BraveWords. O vencedor, que vai ganhar uma placa comemorativa, será anunciado dia 14 de abril, aniversário de 67 anos do guitarrista.

Para participar, você precisa gravar um vídeo com uma banda e baixar o santo de Ritchie Blackmore nos estilos do Deep Purple, Rainbow ou Blackmore's Night. Mas atenção: tem que ser coisa própria, não pode ser cover.

(Acho, porém, que vale fazer interpretação de músicas dos outros em estilo do Blackmore, tipo tocar Brasileirinho como o Blackmore fez com a Nona do Beethoven.)

Grave seu vídeo, suba para o YouTube e poste nesta página do Facebook até dia 7 de abril - que, aliás, é aniversário do dia em que o Blackmore deixou o Deep Purple pela primeira vez, em 1975.

Participe. Grana não tem na jogada, mas a Candice Night está toda hora no Twitter, possivelmente tuitando enquanto o mestre lava a louça. Vai que você ganha, ela assiste, acha genial e mostra para o mestre. Uma oportunidade e tanto, não?


Se você postar o link do seu vídeo aqui nos comentários, posto aqui no Purpendicular também!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um conto de Natal

 Nesta noite, sonhei que estava dando bronca no Ian Gillan. Bronca mesmo, dessas de o mestre fazer cara de cachorro com a cauda entre as pernas.

"Porra, Ian. Eu sei que não tem mais jeito de você tocar com o Blackmore. Pena, eu queria ter visto pessoalmente vocês dois tocando juntos, mas entendo que o cara é difícil. Você também não é fácil. Só que eu acho que você devia retribuir o favor a ele", eu disse. "Sabe como é, Natal."

Perto da véspera do Natal de 1978, Ian Gillan já estava fora do Deep Purple havia cinco anos, e a banda estava acabada havia dois. Era tarde da noite e o cantor estava em casa se abrigando da neve que caía lá fora quando ouviu batidos na porta.

"Lá, de pé, a uns dois ou três passos, estava o guitarrista com seu chapéu bobo de peregrino", escreveu Gillan em sua biografia.

-- O que você quer? - perguntou Gillan.

-- Estou procurando um cantor - respondeu Blackmore.

Após o convite para entrar, Blackmore perguntou se podia levar a então patroa Amy Rothman pra participar da visita. Claro que podia. A preocupação de Blackmore era evitar que a mulher estivesse por perto caso Gillan ficasse agressivo. Que nada: segundo uma entrevista de Blackmore, Gillan repetia: "Rich, estou tão feliz. Tô alegre pra caralho de você estar aqui."

Seguiu-se uma conversa agradável. Os dois secaram uma garrafa de vodca e tentaram contratar um ao outro para suas respectivas bandas. Estavam os dois fazendo mudanças no Rainbow e na Ian Gillan Band, enfim.

A Ian Gillan Band era uma banda diferente. Tocava uma espécie de jazz-rock, muito elaborada, e fazia o circuito das universidades inglesas. Estava feliz sendo pequeno. Tocava o que queria, para quem quisesse ouvir. Dificilmente dava muita gente, mas azar. Já Blackmore queria o contrário: ele queria diversão e bolo, queria tudo e mais um pouco, como cantava o Nei Lisboa. Queria juntar a direção pop do Rainbow com o peso do nome do ex-colega. Glover já estava a bordo.

Quando viram que não poderiam contratar um ao outro, Blackmore deu o presente de Natal de Ian Gillan. Foi um conselho:

"Ian, você está fazendo tudo errado. Devia estar tocando era nos grandes estádios."

Blackmore topou dar uma canja num show do Gillan, no Marquee. Lucille, Woman From Tokyo e - salvo engano - Smoke on the Water. Não há vídeo, mas há áudio:




A banda do Gillan estava mudando, assumindo um som mais pesado e inclusive cortando duas palavras do seu nome. Poucos meses depois, entrariam a bordo o guitarrista Bernie Tormé e o baterista Mick Underwood - aliás, ex-colega de Gillan no Episode Six e o sujeito que falou de Gillan para o Blackmore uma década antes.

Desde o primeiro disco dessa formação, "Mr. Universe", a banda foi com fome ao pomar e quebrou tudo. De todas as bandas de ex-membros que surgiram após o final do Deep Purple, foi certamente uma das mais interessantes. Seguindo o conselho de Blackmore, eles foram com sede aos grandes estádios.


Troquei mensagens de final de ano hoje com Tormé e Underwood, no Facebook. Os dois têm excelentes lembranças das turnês da banda, especialmente dos festivais de Reading.

A banda acabou sendo desmanchada por causa da volta iminente de Gillan para o Deep Purple, lá por 1982. Mais ou menos por essa época, chegou a haver reuniões pra tentar bater o martelo na volta do Purple. Demoraria ainda mais um pouco, mas resta uma foto da segunda canja de Blackmore com a banda do Gillan:


Gillan foi fazer uma cirurgia nas cordas vocais, e ao se recuperar foi passar uns meses no Black Sabbath pra depois pular para a volta do Deep Purple. Isso, somado a problemas com grana, fez com que os músicos da Gillan nutrissem uma raiva do ex-chefe pelas três décadas seguintes.

Meu desejo de Natal é que Gillan fosse retribuir o favor a Blackmore. Batesse na porta do castelo dele, sei lá, pegasse um copo e dissesse:

"Ritchie, você está fazendo tudo errado. Devia estar tocando era nos grandes estádios."

Não precisa nem se vestir de figurante do Senhor dos Anéis pra dar canja na banda do ex-colega. Não precisa nem convidar pra tocar junto - não deu certo da segunda vez, não deu certo ainda mais rápido da terceira vez, dificilmente daria certo uma quarta vez.

Mas será uma pena se dois dos músicos que eu mais admiro no mundo - dois músicos tão marcantes na vida um do outro que vivem se mencionando em entrevistas e biografias - deixarem os anos que lhes restam passarem sem voltarem a conversar uma vez que seja. Cresçam, seus velhos malas. *risos*

Aos amigos que leem o Purpendicular, um excelente final de ano. Em 2012, o Purpendicular faz 10 anos. Espero conseguir manter um ritmo de atualizações melhor do que o de 2011.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Quatro minutos em estado de graça

Eu vibrava como torcedor que assiste seu time fazer uma goleada.

Isso foi há dez minutos, quando descobri o vídeo que segue logo abaixo. Precisei correr pro computador, pra escrever este post, tamanha foi a satisfação.

O vídeo é de 18 de junho de 1985. Foi gravado em Malmö, na Suécia - a cidade dos meus tataravós, onde mora o Svante Axbacke. Tanto eu quanto o Svante éramos crianças na época, e acho que o Svante sequer morava lá. Adoraria acreditar que algum primo distante estivesse na primeira fila.

A Mk2 fazia sua primeira turnê mundial depois do retorno do Deep Purple. Era o último show da perna sueca da turnê antes do famoso festival de Knebworth. O Deep Purple tocava Smoke on the Water ao vivo pela 409ª vez (sim, eu contei), e pela 69ª vez o Gillan puxava o coro da plateia de "Smoooke on the Waaaater, fire in the sky".

Gillan brinca com a plateia. A banda se prepara para voltar a tocar. Nisso, Blackmore olha para Glover. Dá uma levantadinha na guitarra, como quem pergunta: "quer trocar?" Glover topa - ia contrariar, por acaso? Eles trocam. Blackmore vai para o lado esquerdo do palco, ao lado do teclado. Glover vai para o lado direito, no cantinho do Blackmore.

Seguem-se quatro minutos com o Deep Purple em pleno estado de graça. ESSE é o MEU Deep Purple, amigos. É nessas horas que eu não sei por que ouço tão pouco a Mk2 pós 1984.



(Agradeço ao @brunoalsantos por ter me apontado outra performance da Mk2a hoje. Sem isso eu não teria chegado a esse vídeo.)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Blackmore, padrinho de festival medieval

A sogra do Ritchie Blackmore combinou e o nosso guitarrista favorito será o patrono musical da reencenação anual da Batalha de Tewkesbury, ocorrida em 1471. Um dos organizadores do evento é Bill Hunt, que na década de 1970 tocou na ELO.

A cidade de Tewkesbury é próxima a Weston Super-Mare, onde o guitarrista nasceu.

Pra quem curte, o espetáculo é assim:



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Blackmore: "eu não consideraria tocar com eles"


Ritchie Blackmore e sua patroa Candice deram uma entrevista a Greg Prato, autor de uma biografia de Tommy Bolin. Em certo ponto, Prato botou o elefante pra dentro da loja de cristais:

Ritchie, quais são seus discos favoritos do Deep Purple e do Rainbow, e por quê?

RITCHIE BLACKMORE:
Sei lá, foi há muito tempo atrás e eu não escuto discos que eu tenha gravado.

UGO: Ritchie, você consideraria tocar com o Deep Purple por uma última vez se a banda fosse eleita para o Rock and Roll Hall of Fame?

RITCHIE BLACKMORE:
Eu não consideraria tocar com eles, mas também eu nunca pensei no assunto. Nessa história de Rock and Roll Hall of Fame já foi eleita muita gente que não tem absolutamente nada a ver com o roquenrôu, então não significa nada pra mim. Além disso, é pretensioso demais.

sábado, 30 de abril de 2011

Lord e Blackmore confabulando

Jon Lord deu uma entrevista em vídeo, em sua recente passagem pela Rússia. A maior revelação dela é que ele recentemente voltou a conversar por telefone com Ritchie Blackmore.

"Há duas semanas eu conversei com o Ritchie. Primeira vez em que conversamos ao vivo - geralmente conversamos por email. Falamos sobre nos encontrarmos pra tomar uma taça de vinho e falar de música. Sabe lá o que pode acontecer."

Não acredito - nem espero - que disso saia uma volta de alguma das suas versões do Deep Purple. A própria entrevista dá dicas disso. Quando os russos perguntam se ele voltaria ao Purple, Lord diz que sempre que pode encontra os amigos. "Quando chegar a hora de eles dizerem adeus, talvez eu me una a eles por um ou dois shows", diz ele.

Ou seja - ele não em interesse em voltar àquele calendário caótico de shows que a formação atual do Deep Purple costuma fazer. Lord também mata no nascedouro qualquer especulação sobre "volta da Mk3" quando os russos lhe perguntam o que ele achava dela:

"É certinha. Burn é um disco fabuloso. Mas isso porque a influência do Ian Paice, minha e do Ritchie Blackmore ainda era forte. Quando chegou o Stormbringer, a influência do Coverdale e do Hughes ficou mais forte, e o Ritchie na verdade quase desistiu no meio do Stormbringer. Sua cabeça estava no Rainbow."

(Na Classic Rock sobre o Whitesnake, o Coverdale também descartou isso ao dizer que não responderia qualquer pergunta a respeito. Hughes também está bem faceiro com o Black Country Communion.)

O que poderia sair de uma conversa entre Lord e Blackmore?

Os dois estão em fase de transição. Jon Lord parece estar meio que largando a música orquestral. Acaba de criar um projeto de blues. Blackmore, por sua vez, está de coadjuvante na banda da patroa.

O que eu ADORARIA ouvir seria um disco tipo Blackmore-Lord Project. Já pensou? Ainda mais se fosse num power trio com um baterista (padrão-ouro mesmo seria um disco só com Blackmore, Lord e Paice). Nem precisaria de vocal.

Uma das últimas vezes em que Lord e Blackmore piraram juntos no palco foi isto:

domingo, 24 de abril de 2011

Por que Blackmore não vai tocar Space Truckin'?

O William Shatner divulgou a lista dos músicos convidados para tocar no álbum que ele vai lançar. Do Deep Purple, temos Ian Paice e Ritchie Blackmore.

Space Trucking Originally By Deep Purple - Deep Purple Drummer Ian Paice Has Performed The Drum Part. Johnny Winter Is On Guest Guitar.

Space Oddity Originally By David Bowie - Ritchie Blackmore (Ex-Deep Purple) Has Added Guest Guitar. Alan Parsons Is Adding Guest Keyboards.

Blackmore foi fundador do Deep Purple e um dos compositores de Space Truckin'. Foi ele o homem que teve a ideia daquele riff - no vídeo "Classic Albums - Machine Head", ele canta meio constrangido sua ideia de fazer um refrão dizendo "come on tundundundum, come on...".

Há anos, Blackmore vem evitando deixar o Deep Purple em seu passado. É perfeitamente legítimo - ele já está fora da banda há mais de 15 anos, tem sua própria banda com a patroa, é um senhor de 66 anos e tal. Não precisa provar nada a ninguém - e é exatamente por isso que eu lamento que ele não toque na mesma faixa que o Paice no disco do Capitão Kirk.

O site oficial de Blackmore's Night dá conta de que a Candice Night vai colocar a voz na faixa de David Bowie, junto com Blackmore. Pode ser um motivo a mais pra evitar a associação com Paice. A mãe de Candice é a empresária de Blackmore's Night. E, cada vez mais, a banda é centrada na cantora. O guitarrista fica como pano de fundo, quase como convidado especial, como neste vídeo:



Há alguns meses, quando saiu o vídeo acima, troquei impressões com um ex-colega de Blackmore no Deep Purple. (Não um que reconhecidamente não o suporta e que bateu de frente com ele; com esse converso muito pouco, e geralmente por intermédio de um funcionário.) Perguntei o que esse ex-colega achava do vídeo. Ele respondeu: "o Ritchie sempre foi mandado pelas mulheres dele".

OK, já estamos acostumados com a ideia de que o Blackmore não pretende mais tocar com o Deep Purple. É um fato da vida. Mas é triste ver um sujeito tão talentoso se fechando em si mesmo.

Space Truckin' era a música que o Deep Purple usava para seus mais viajantes improvisos, entre 1974 e 1974. Era onde o Ian Paice quebrava tudo em longos solos, na Mk2, e onde o Blackmore literalmente tacava fogo no palco, na Mk3. Prefiro na Mk2, onde o Glover fica discretamente segurando as condições do improviso com o pulso firme. Na Mk3 o Hughes queria mostrar seu talento tanto quanto Blackmore e Lord, e acabava-se perdendo o pulso.

Minha homenagem a esse passado glorioso com o Blackmore, aqui:



quinta-feira, 21 de abril de 2011

Pro seu bolso chorar, como o meu

Encomendei da DPAS nesta semana o DVD "Phoenix Rising", que deve sair no final de maio. Hoje, recebi um simpático email da Ann Warburton, administradora da Purple Records (e, salvo engano, mulher do Simon Robinson), contando o que mais vai sair neste ano. Algumas coisas eu não tinha ouvido falar. Olha só:

* Ainda não tem data, mas está em planejamento uma edição especial de Perfect Strangers com 3 discos. Da DPAS: "CD1 será o remaster incluindo 'Not Responsible'. CD3 será o velho disco de entrevistas que a Polydor lançou como promo no final de 1984. CD2 será um disco de material variado, com faixas do show de Knebworth (já lançado como um pacote por si), Son Of Alerik e com espera-se que também as jams que sobraram da gravação" (Cozmic Jazz e RIJIR). Cozmic Jazz já circula há tempos por aí como pirataria:



* Vai sair uma edição limitada de 2 mil cópias do Phoenix Rising em vinil. Ela não disse o que vai ter nessa versão, mas suponho que seja algo como o Last Concert in Japan (base do Rises Over Japan, vídeo que estará incluído no documentário). Eu não tenho onde ouvir vinil, então não me emociono ainda. O trailer do documentário:



* Vai sair uma versão em CD do single beneficiente "Who Cares", com Ian Gillan, Tony Iommi e Jon Lord. São duas faixas. Uma delas, "Out of My Mind", vai estar à venda oficialmente em 6 de maio.
Um gostinho do single:



* Já foi anunciado antes que vai sair uma reedição do Born Again, o famoso disco do Black Sabbath com o Gillan que é fabuloso musicalmente mas tem o som abafado. "Infelizmente não conseguiram achar as fitas master, então um remix não foi possível. Ao invés disso, o disco será remasterizado, e vão pelo menos acrescentar a apresentação no festival de Reading feita para a Radio 1 da BBC (o único show da banda no Reino Unido) como disco bônus, mais o single", escreveu Ann. Ou seja: pela primeira vez, oficialmente, teremos "The Fallen" (yeah!) e o Gillan cantando "War Pigs" - minha versão favorita da música - e "Paranoid", como no vídeo abaixo:



* Já dá pra encomendar o segundo disco da Black Country Communion, o genial projeto do Glenn Hughes com o Joe Bonamassa e o Jason Bonham. Ainda não se sabe os formatos finais. O primeiro vídeo do novo disco deve sair agora em junho. Eu fiquei fascinado por BCC logo na primeira faixa do primeiro disco, com este baixo aqui:



* Vai sair um musical italiano sobre a vida do Blackmore. "Já me garantiram que não é tosco!", disse Ann. Eu ainda não tinha ouvido falar a respeito. Pedi mais detalhes.

* Blackmore e Paice vão tocar no disco "Seeking Major Tom", do capitão Kirk William Shatner. Paice vai tocar "Space Truckin'", do Deep Purple, e o Blackmore vai tocar "Space Oddity", do David Bowie. Já está no YouTube um vídeo com Shatner gravando "Iron Man" com Zakk Wylde - e encarnando o personagem de "S@#$ My Dad Says".



* Vai sair uma versão remasterizada do Long Live Rock'n'Roll, do Rainbow com o Dio. Sempre faz bem rever:

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Parabéns a Ritchie Blackmore

Ritchie Blackmore, meu guitarrista favorito, faz 66 anos hoje. Ainda quando este blog estava ativo, ele casou de papel-passado com a Candice Night, sua parceira há tantos anos. No recesso, teve uma filha, chamada Autumn, e lançou o disco "Autumn Sky".

Blackmore é um sujeito difícil. Genial e genioso em medidas semelhantes. Mas nos últimos anos, com Candice, o homem que explodia amplificadores por farra virou um carneirinho. No último vídeo que ele fez com Blackmore's Night, ele é coadjuvante. Acho triste a coadjuvância, mas fico feliz que Blackmore esteja bem. O que todos nós queremos é chegar aos 66 tranquilos e felizes.

Ontem, saiu a lista das faixas que o ator William Shatner (o comandante Kirk de Star Trek, ou o coroa desbocado de "Shit my dad says") vai gravar em um disco de covers cheio de convidados especiais. É a trilha sonora de um filme sobre viagem no espaço. Ele chamou dois ex-membros do Deep Purple, Ritchie Blackmore e Ian Paice. Infelizmente, porém, eles não tocam juntos. Paice faz a bateria de "Space Truckin'" - provavelmente a mesma que me fez achar que o disco Machine Head estava arranhado na primeira vez em que o ouvi - e Blackmore toca com Alan Parsons na faixa "Space Oddity". Eu adoraria ouvir uma nova colaboração entre os dois, mas acho que não rola. Nem a maturidade faz milagres.

Meus parabéns ao mestre, de qualquer maneira. Abaixo, alguns vídeos para você.





sábado, 11 de abril de 2009

O ano em que Blackmore teve sua crise dos 30

Nesta semana, completou 34 anos o fim da Mk3 do Deep Purple. A fase do Deep Purple que apresentou David Coverdale e Glenn Hughes para o mundo terminou quando Ritchie Blackmore pediu para sair. Ele deixou a banda em 7 de abril de 1975, uma semana antes de completar 30 anos. Portanto, ele completa 64 na próxima terça.

Blackmore andava de saco cheio com o rumo que o Deep Purple estava tomando, especialmente depois da gravação de Stormbringer. Pela primeira vez desde que tomara as rédeas da direção musical da banda, em 1969, seus colegas se recusaram a gravar uma música proposta por ele - no caso, "Black Sheep of the Family", do Quatermass. O original é este:



Blackmore não é um cara que tope perder poder assim desse jeito. De um lado, ele começou a fazer críticas à banda em entrevistas. De outro, ele passou a ensaiar com os caras do ELF, que vinha abrindo os shows do Purple. O vocalista do ELF era um baixinho de pulmão poderoso, que passaria à história do rock como Ronnie James Dio. O disco que ele gravou com o novo grupo foi Ritchie Blackmore's Rainbow. A música do Quatermass rejeitada pelo Purple abre o disco.

O último show de Blackmore em sua primeira passagem pelo Deep Purple aconteceu em Paris, no dia 7 de abril de 1975. Partes dele já eram conhecidas durante anos por conta primeiro do Made in Europe e depois por conta do The Final Concerts. Mas o show só foi lançado inteiro recentemente, no Live in Paris 1975.

O show termina com "Highway Star", que Blackmore compusera com Gillan na estrada quase quatro anos antes. Eu particularmente não gosto muito do jeito como a Mk3 (leia-se baixo e vozes) interpreta a faixa. Mas, para encerrar o show, os vocalistas resolveram fazer uma homenagem aos gostos do colega que partia.

"SHE HAS BIG FAT TITS! BIG FAT TITS AND EVERYTHING!" (Ela tem peitos enormes! Peitos grandes e tudo mais!)

Também nesta semana, no dia 6 (segunda), o show mais explosivo da Mk3 completou 35 anos: foi o California Jam. Sobre ele já tive a oportunidade de escrever todos estes textos aqui, inclusive este Clássicos Purpendicular, quando o show completou 30 anos.

domingo, 22 de março de 2009

A razão já era, mas a briga continua

Em outubro, o Gillan deu uma entrevista em que fazia várias críticas ao Blackmore - especialmente sobre o processo que o ex-guitarrista moveu contra o Deep Purple supostamente pra ter seu rosto tirado de uma camiseta de Machine Head.

Agora, cinco meses depois, os advogados de Blackmore respondem. Dizem que a briga do Blackmore era pelo fato de não estar recebendo sua parte nos direitos de imagem.

Mas a parte mais divertida é a frase final do comunicado, que dá o verdadeiro motivo dele:

    "Ritchie está francamente surpreso com os comentários infantis de Gillan sobre outras questões que ele discute na entrevista. Já não é hora de ele agir como adulto?"

Eu pessoalmente acho que os dois deviam crescer de uma vez e parar de birra besta. Mas não pude deixar de reler a entrevista pra ver que comentários infantis seriam esses.

Imagino que o Homem de Preto deva estar se referindo a este trecho:

    Rockpages.gr: Acho que você já sabe que a empresária do Blackmore é a sogra dele, agora...

    Ian Gillan: É...

    Rockpages.gr: E ela raramente deixa ele dar uma entrevista sozinho.

    Ian Gillan: Sério?

    Rockpages.gr: Tem que ter a Candice Night junto, e ela também nunca deixa ele dar entrevistas pra revistas de rock e perguntas sobre o Deep Purple não são permitidas...

    Ian Gillan: Bom, eu não sei por quê... eu tenho umas fotos dela pelada... (dando uma risadinha).

    Rockpages.gr: (Chocado!) De quem? (risos).

    Ian Gillan: Da sogra dele. Fabuloso!?

    Rockpages.gr: (risos) E ela também acha que a melhor cantora que já trabalhou com o Blackmore é a Candice...

    Ian Gillan: Bom, é uma opinião, né? Quer dizer, eu podia dizer que o Bob Dylan é o melhor de todos os tempos, por causa da emoção, mas alguém podia responder "É, mas ele sempre desafina", enquanto um fã devoto deve acreditar que ele é absolutamente fantástico. Eu defenderia que o Bob Dylan é um grande cantor, porque cantar toca as pessoas. Se você quiser ser técnico e dizer que a Candice quer ser a melhor cantora, tudo bem. Mas eu tenho fotos da mãe dela pelada.

    Rockpages.gr: (risos) Você podia me emprestar algumas delas pra eu publicar junto com a entrevista...

    Ian Gillan: São muito pornográficas (risos).

    Rockpages.gr: A gente podia borrar um pouco as fotos... por falar em fotos, o que houve com a camiseta do Machine Head? Teve um boato...

    Ian Gillan: Ah, é muito simples, é hilário. Quando você está no Deep Purple, está no Deep Purple, assina tudo, etc. Aí, o Ritchie estava recebendo, recebia por tudo e às vezes até ganhava mais do que qualquer outro. Ele mandou o advogado dele dizer pro Bruce Payne: "Não pode usar minha imagem do Machine Head, eu não quero estar nisso". Aí, o Bruce disse: "Tudo bem, então a gente borra o rosto dele pra ele sair fora". Foi isso que ele pediu. Aí, o Ritchie começou a processar o Bruce, porque ficou bravo e eu acho que já foi a tribunal várias vezes.

    Rockpages.gr: Então, foi parar no tribunal...

    Ian Gillan: No tribunal não, mas teve uma audiência prévia com um juiz antes de ir pro tribunal. Mas o juiz vive dizendo "que besteira, você pediu pra sua imagem não ser usada e eles tiraram fora, borraram. O que você vai fazer?" É uma bobajada.

    Rockpages.gr: Às vezes, parece que o Ritchie não é ele mesmo...

    Ian Gillan: Bom, provavelmente quem mandou foi a sogra pelada dele. Acho que o Ritchie nem sabia disso.

    Rockpages.gr: Exatamente o que eu acho...

    Ian Gillan: A culpa é da sogra pelada. (risos)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A tal biografia

A biografia que estou lendo do Blackmore é esta, que está à venda na Livraria Cultura por R$ 64,64:


Leva umas semanas pra chegar, mas vale muito a pena. É uma belíssima leitura, onde se fica conhecendo melhor o Blackmore e as bandas das quais ele fez parte.

Trata-se de uma biografia não-autorizada, portanto ela é cheia de pequenos fatos pouco honrosos da longa carreira desse gênio genioso. Mas é escrita por um grande fã, que não julga o biografado por esses fatos. Ele os inclui não para "pichar" sua imagem, mas para compreender melhor quem é e como pensa nosso guitarrista favorito.

O perfil que se desenha aí, a partir de diversas entrevistas coletadas ou feitas pelo autor, é o de como surgiu um artista pioneiro e complicado como Blackmore.

Há várias fotografias raras ali dentro, de um personagem que não gosta de ser fotografado. E a discografia, ao final da obra, inclui várias faixas de outros artistas em que Blackmore tocou no início da carreira como um anônimo e prolífico guitarrista de estúdio.

Com tudo isso, o livro não sai caro. O que "sai caro" mesmo é esperar ele chegar. Levou uns dois meses.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Blackmore, esse grande cara - e um causo do Turner

Eu sempre tiro um pouco de sarro das manias do Blackmore aqui no blog, mas não me canso de dizer que ele é meu guitarrista favorito. Embora seja meu guitarrista favorito, eu sempre pesquisei muito pouco sobre como ele virou o Homem de Preto que conhecemos. Por isso, comprei o livro "Black Knight", uma biografia não-autorizada. Estou devorando; ainda ontem, esse livro me manteve acordado até as 2 da manhã. Anteontem, até as 4.

Blackmore sempre foi um cara muito tímido, e o encadeamento dos fatos no livro sugere que boa parte das manias dele tem a ver com essa característica - por mais que seja estranho imaginar que um cidadão que põe fogo no palco possa ser tímido. As roupas pretas, o perfeccionismo, o ensimesmismo, a própria bronca com o Gillan (que é um sujeito MUITO expansivo), o laconismo. Blackmore ergue um escudo de estranhices para se defender. E se diverte com isso. Se você é tímido (e eu sou, até demais), deve saber mais ou menos como é a sensação, em outra escala.

Quando eu terminar de ler, posto aqui uma resenha. Já li todos os capítulos sobre o Deep Purple.

Só pra dar um gostinho: o capítulo que fala sobre a Mk5 traz uma revelação interessante sobre o Turner, outro personagem constante em piadinhas neste blog.

Em todos os capítulos, desde os que falam de 1968, vários entrevistados reclamam que Lord pouco contribuía com as composições do Purple - o que eu estranho demais, considerando a importância do teclado na sonoridade da banda. Para Slaves & Masters, calhou de ele ser o primeiro a reclamar de uma música por ser melosa demais para o Deep Purple. Sim, era "Love Conquers All".

A música cabia no contexto da tentativa de fazer um álbum comercial, porque na época era regra todo mundo botar uma baladinha num disco de hard rock, do Twisted Sister ao Cinderella. O argumento do Turner foi exatamente este: "o Motley Crue faz isso". Lord reclamou. Nas palavras do vocalista:

"Eu lembro que o Jon andou dizendo que 'Love Conquers All' era merda e não era uma boa música, e eu disse: 'se você tocar direito, eu vou cantar pra caralho e vai ser uma baita power ballad, então cala essa porra de boca e te mexe'. O Ritchie se virou no banquinho pra rir, e tentou esconder o riso. Ele queria dizer isso pro Jon havia anos. Naquela hora eu acho que me passei da conta, mas eu estava frustrado musicalmente porque olha só... o Jon nunca escrevia, e ficava lá sentado bebendo uma taça de vinho, lendo o livro dele, ouvindo música clássica"

(Parêntese: o "lendo um livro" é uma referência depreciativa que o Blackmore dirige ao Lord diversas vezes ao longo dos capítulos sobre o Purple. Como se fosse má coisa...)

Blackmore lembra que Turner disse ao Jon Lord, naquela explosão, uma outra frase: "Você é o passado, eu sou o futuro". E Blackmore se diverte ao dizer que sempre cumprimenta Lord dizendo "olá, sr. Passado".

Isso explica muita coisa - como, por exemplo, o fato de o tecladista não tocar em faixas feitas fora do álbum, como "Slow Down Sister" e "Fire Ice and Dynamite" (salvo engano), mas isso não aparece no livro.

O que eu recuperei de respeito pelo Blackmore com esse livro é diretamente proporcional ao que eu perdi de respeito pelo Turner com essa briga. Se bem que eles todos brigavam ou ficavam de cara feia um com o outro o tempo todo desde 1968, pelo que entendi.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Blackmore também desmente

Achei que o Blackmore não precisava desmentir o balão de ensaio do Glenn Hughes sobre uma volta da Mk3. Mas ele desmentiu, ao jornal italiano Corriere della Sera:

    "Girano voci che ritorni coi Deep Purple? Se è per questo ci sono anche voci sull'imminente fine del mondo. La gente si annoia ad ascoltare il generico vecchio rock che pompano in tv e in radio. E a me non si poteva chiedere di suonare 'Smoke on the water' per tutta la vita".

Em português:

    "Boatos de eu voltar com o Deep Purple? Então é por isso que também andam dizendo que o mundo vai acabar. As pessoas já estão de saco cheio de ouvir o velho rock genérico martelando na TV e no rádio. E não me peçam pra tocar 'Smoke on the Water' pelo resto da vida."

domingo, 16 de novembro de 2008

Quinze anos depois

Nesta segunda, completam-se 15 anos do último show do Blackmore no Deep Purple. Ele ocorreu no Icehall, em Helsinki (Finlândia). Naquele ponto, há muito tempo não rolavam mais as colaborações criativas que ganharam a imaginação dos fãs duas décadas antes em duelos como este:


Em 1993, nos 25 anos do Deep Purple, Blackmore topou a contragosto reformar a Mk2 por uma segunda vez - o que significava voltar a dividir o palco com seu ex-melhor amigo Ian Gillan, com quem não se bicava direito desde os anos 70. Cinco anos antes, Blackmore havia proposto e os outros membros do Purple haviam topado demitir o vocalista, que andava abusando da cachaça e não tinha mais o mesmo controle nem da voz, nem da memória. Só que a formação que viera depois, com Joe Lynn Turner, não havia agradado nem à crítica e nem ao público.

Com o jubileu de prata a caminho, basicamente foi uma imposição da gravadora trazer o Gillan de volta, pra um disco e uma turnê. Para fazer o disco, gravado entre novembro de 1992 e fevereiro de 1993, o Purple puxou da gaveta algumas faixas compostas com Turner e com o instrumental já pré-gravado. Não encaixaram 100% na voz do Gillan, mas o disco saiu com algumas coisas bem boas, embora sempre com um leve travo de amargor. Blackmore, por exemplo, não gostou do jeito como ficou "Time to Kill". Segundo a biografia do Gillan, ele teria dito:

    "Não gostei da letra, não gostei do tom e não gostei do título! Quer dizer, a palavra 'kill' (matar) não fecha exatamente com aquele acorde, fecha? Pra ser honesto, eu preferia que você usasse a letra que o Joe escreveu."

No DVD "Highway Star", que comemora os 40 anos de carreira do Gillan, Roger Glover diz: "foi o melhor disco que pudemos fazer naquele momento". É uma boa definição dele.

Aí, viria a turnê. Originalmente, ela começaria no final de julho de 1993, nos Estados Unidos. Mas 24 shows, nos EUA e no Canadá, foram cancelados. A turnê só começou em 24 de setembro, em Roma. Empolgou os fãs por incluir novo material velho praticamente inédito no palco, como "Anyone's Daughter". Mas os ensaios eram tensos, como se pode ver neste vídeo de 21 de setembro:



A caravana purpleana passaria pela Alemanha, França, Suíça, Espanha e Áustria sem notícias de stress visível. Mas, ao encerrar-se o show em Praga, no dia 30 de outubro - 37 dias e 28 shows após o início da turnê -, Blackmore pediu que Colin Hart entregasse aos colegas uma carta em que apresentava os termos de sua demissão. Ele teria rasgado seu passaporte para não ir tocar no Japão após a turnê européia. Seu último show seria duas semanas depois, em 17 de novembro. Nada de novo no Purple: Gillan já fizera isso em 1973, dando seis meses de antecedência. Jon Lord o faria mais tarde, em termos muito mais amigáveis.

Quando houve o incidente da água, em 9 de novembro, apenas os fãs não sabiam que o Blackmore já tinha pedido o boné. Sabendo disso, e revendo o gestual e as trocas de olhares entre Gillan e Glover no vídeo de "Come Hell or High Water", fica claro que eles comentavam um com o outro que o homem de preto estava especialmente chato porque já havia ligado o foda-se.

Como o primeiro show no Japão seria em 2 de dezembro, a banda teria menos de um mês para achar e treinar um substituto. Teria de ser um excelente guitarrista, não apenas para dar conta do repertório (quase 50% formado por material novo ou raro), mas também pra ser aceito pelos fãs no lugar do gênio que criou todos os riffs do Purple. Udo, o promotor japonês, propôs Joe Satriani - e o fã do Surfista Prateado topou. Nesse meio tempo, enviaram uma fita do show de Stuttgart, considerado um dos melhores da turnê (lançado comercialmente há alguns anos), para que ele fosse ensaiando.

No dia 14, um domingo, a BBC anunciou que Blackmore deixaria a banda. Então, Helsinki era uma data obrigatória para todos os fãs que pudessem ir. Antes do show, Glover deu uma entrevista a uma revista finlandesa confirmando a saída do guitarrista.

Naquela noite, Blackmore subiu ao palco e tocou soberbamente bem (aqui estão os links para baixar o boot inteiro). Estava até simpático. Conta o Rasmus Heide sobre o duelo de guitarra e teclado em Speed King:

    um ocupado Blackmore tentava sem sucesso alcançar seu velho parceiro Jon Lord em uma complexa caçada de guitarra e órgão. O senso de humor de Blackmore emergiu quando, depois de um tempo, ele desistiu e pôs as mãos nos quadris, brincando como quem diz: "quem você pensa que é?"

Ao sair do show, Blackmore foi para o hotel fazendo mistério. Uma rádio finlandesa fez uma reportagem a respeito, na hora, mas eu não entendi nada do que eles disseram exceto a única frase que Blackmore teria dito aos repórteres: "Have a nice day". Gillan, ao sair do Icehall, anunciou que a turnê continuaria com Satriani.

Na manhã seguinte, Blackmore partiu de volta para casa e Gillan deu uma entrevista à TV finlandesa. Ele anuncia a saída do guitarrista e responde a uma provocação do repórter dizendo que topou a segunda reunião porque seu empresário ameaçou pedir demissão se ele não topasse. E reclama do agora ex-colega: "Não tem muita fricção. Blackmore é o problema. Ele é muito difícil, não escuta ninguém, quer tudo do jeito dele, não deixa ninguém dar contribuições à música, cancela turnês no último minuto. Essas coisas são difíceis, e eu não gosto disso. O único motivo pelo qual o Deep Purple pára de tempos em tempos é essa dificuldade dele." Gillan também promete que o Deep Purple continuaria rolando até que o óleo acabasse.

O programa também mostra o Blackmore faceiro, fazendo seu último solo de Highway Star com o Purple:


Depois disso, Ritchie primeiro falou em gravar um disco só seu. Retirou-se para sua casa em Long Island e jogava futebol todo domingo às três da tarde num parque da cidade. Até o final de 1994, porém, Blackmore tirou um tempo pra si próprio.

Ex-colegas se aproximaram. Glenn Hughes convidou Blackmore para fazer uns solos em shows seus. Não rolou. Com o fim da parceria entre David Coverdale e Jimmy Page, chegou-se a anunciar uma participação do Blackmore em shows do Whitesnake, e até gravações dele com Coverdale. Os shows nunca rolaram. Se gravações houve, nunca apareceram. Nem o disco solo chegou a sair.

No final de 1994, era certo que sairia uma nova formação do Rainbow, com o vocalista Doogie White. Em 1995, saiu o álbum "Stranger in Us All", com participações especiais da então desconhecida namorada do Blackmore. Antes de iniciar a turnê, a banda já tinha mudado de baterista. O primeiro show foi em 30 de setembro. Sabe onde? Helsinki, na Finlândia. A turnê chegou a passar pelo Brasil, em julho de 1996 - começando pelo Opinião, em Porto Alegre, em 2 de julho, e seguindo para mais quatro datas. O show anunciado no Rio foi cancelado.

Tal como acontecera com a formação do Turner, menos de um mês após os shows no Brasil aquela formação do Rainbow tinha terminado. Mas naquele ponto já se falava no tal projeto medieval do Blackmore. O nome seria "Medieval Moons And Dances". A primeira menção que vi a Blackmore's Night foi no final de 1997, quando ele deu uma entrevista à Guitar Player brasileira.

Fez bem ao ânimo de Blackmore sair do Deep Purple. Fez bem ao ânimo do Deep Purple a saída do Blackmore. Mas sempre fica um travo no fundo da garganta pensar que nunca mais veremos Blackmore e Gillan dividindo o palco criativamente. Mas, também, nunca mais veremos o Pelé fazendo gols pela Seleção. Vivamos com isso. O importante é nossos mestres estarem felizes e compondo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O sósia

Esta eu não sabia, mas a Associated Press me informou.

Em 13 de novembro de 1974, um impostor se fazendo passar pelo Ritchie Blackmore pegou um Porsche emprestado e bateu o carrão em Iowa City. Acabou sendo processado por falsidade ideológica.

Em 2005, o Blackmore também teve outro sósia espertinho, desta vez em Southampton, na Inglaterra. Esse se internou num hospital e até compôs uma música pra uma enfermeira. Leia aqui o que escrevi a respeito na época.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

E o homem de preto casou mesmo

Quer ver o homem de preto sorrindo naturalmente? Então veja esta foto do dia do casamento dele:



Apenas Zé Ramalho explica. Acho até que cabia uma estrofe a mais nessa música só pra incluir a mudança do Blackmore.

Cobertura fotográfica completa do casório aqui.

terça-feira, 29 de julho de 2008

É o amor

Ritchie Blackmore e Candice Night vão casar. Em outubro, num castelo. Segundo a Music Mirror, eles já estão juntos há 15 anos.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Come back where you belong

O amigo Karlan disponibilizou o link para um show que eu vinha procurando há séculos: o do primeiro reencontro de Gillan e Blackmore no palco após o mestre sair do Deep Purple.

Então, senta que lá vem história.

No natal de 1978, a campainha da casa do Ian Gillan tocou. Nevava. Era tarde. Quando o mestre abriu a porta, viu um vulto de chapéu pontudo, a três passos da porta.

-- O que você quer?

-- Estou procurando um cantor.

-- Ora, então pode entrar!

-- Tudo bem se eu trouxer minha namorada?

-- Cadê ela?

Estava no final da rua, esperando um sinal. Blackmore havia pedido que ela ficasse lá para o caso de dar briga.

Lá dentro, eles passaram algumas horas bebendo vodca. Ao final, Blackmore pergunta se o Gillan topa cantar no Rainbow. Ele diz que não, e convida o homem de preto para tocar na Gillan. É nessa hora que Blackmore diz a frase-chave:

-- Não... não, Ian. Você está fazendo tudo errado. Devia estar tocando nos grandes estádios.

Eles se cumprimentaram e Gillan convidou Blackmore para tocar no dia 27 de dezembro, no Marquee. Ele foi tocar Lucille. Deu isto aqui:




O que eu NÃO sabia, e que descobri a partir da pesquisa para este post, é que o segundo show linkado pelo Karlan não é um erro de data: realmente o Blackmore voltou a tocar com o Gillan, em março de 1980. Foi dali que saiu esta foto:




Bernie Torme, entrevistado, explicou: "Ritchie estava tentando convidar o Gillan para a volta do Deep Purple." Na brincadeira toda, tocou este medley do rock'n'roll:




Torme ficou na banda até junho de 1981, sendo substituído por Jannick Gers. A Gillan durou até dezembro de 1982, quando mestre Ian pediu licença pra operar a garganta. Em agosto de 1983, porém, ele começa a sua turnê com o Black Sabbath - o que fez os ex-membros da banda se sentirem caloteados e chamarem o cara de mentiroso.

A turnê histórica com o Black Sabbath procede até março de 1984. No começo de abril, o Deep Purple se reúne em Vermont para a gravação de Perfect Strangers e o casamento do Ian Gillan. O resto vocês já sabem.

O que ninguém sabe é quando o Gillan vai retribuir ao Blackmore a cortesia de chamá-lo de volta aos grandes estádios.

terça-feira, 18 de março de 2008

Eu acredito em Blackmore da Páscoa

Acreditem: o cavalheiro da foto abaixo É o Ritchie Blackmore.