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terça-feira, 1 de março de 2005

Then, Chris Curtis... disappeared

Morrer é um costume que sabe ter toda gente, como dizia Jorge Luis Borges, então vamos ao minuto de silêncio de hoje.

Foi encontrado morto ontem em Liverpool, aos 63 anos, o baterista Chris Curtis, que fez fama no grupo The Searchers (que foi rival dos Beatles e gravou a versão original de "Needles and Pins") e, mais importante, foi o idealizador do grupo Roundabout (carrossel). Que, logo depois, se tornaria o Deep Purple.

Ele andava doente há muito tempo, mas a causa da morte não foi revelada. Seu último emprego foi como funcionário público, do qual foi aposentado por problemas de saúde. Em 2003, passou a cantar num grupo beneficiente de rock, chamado "The Merseycats".

Curtis se envolveu com a história do Deep Purple a partir da participação na banda Flowerpot Men, que gravou "Let's Go To San Francisco" (uma das músicas do filme Curtindo a Vida Adoidado). O tecladista da banda era um tal Jon Lord, com quem o baterista passou a dividir apartamento. Em 1967, juntou-se com Lord para um projeto de banda.

Sua idéia era muito louca: ele, o baterista, seria a figura central do grupo. Em torno dele, se revezariam outros músicos - tecladistas, guitarristas, baixistas e vocalista. Numa festa em 1967, Curtis conheceu o produtor Tony Edwards, que gostou da idéia principalmente depois de conhecer o polido e culto Jon Lord.

Mas, poxa, era o final dos anos 60 e Curtis estava metido até o pescoço no espírito da época. Certa vez, Lord entrou no apartamento e encontrou as paredes cobertas de papel alumínio. Seu colega de apartamento redecorou a casa pra trazer vibrações mais alto-astral, manja? Liga, desliga, cai na estrada: Chris Curtis desapareceu.

Com sua saída, o grupo achou um novo baterista - um certo Ian Paice -, que trouxe um guitarrista - Blackmore -, que conhecia um baixista - Nick Simper -, que trouxe um vocalista - Rod Evans. Estava formado um grupo, e de uma lista com mais de cem sugestões (incluindo "Orpheus" e "Fire"), foi escolhido o nome da música favorita da avó de Blackmore: "Deep Purple".

A banda provou ser um carrossel ao longo dos 37 anos seguintes. Saem Simper e Evans, entram Gillan e Glover. Saem os dois, entram Coverdale e Hughes. Sai Blackmore, entra Bolin. Sai todo mundo, voltam Lord, Paice, Blackmore, Gillan e Glover. Sai Gillan, entra Turner. Sai Turner, volta Gillan. Sai Blackmore, entra Satriani. Sai Satriani, entra Morse. Sai Lord, entra Airey.

Apenas o baterista fica imóvel. Como no conceito original do Roundabout de Chris Curtis.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002

Droga. Era verdade.

Jon Lord vai mesmo se aposentar depois da turnê atual do Deep Purple, informa o site da Deep Purple Appreciation Society. Mestre Ian Gillan confirmou para uma rádio inglesa. A DPAS informa: "Já havíamos sido informados disso antes da turnê --e por isso avisamos a todos para ir a tantos shows quantos fossem possíveis--, mas não quisemos avisar antes esperando que a notícia estivesse errada."

Gillan já havia sido ambíguo sobre o assunto em seu site, quando respondeu de forma ambígua a uma pergunta sobre Jon Lord. Ele disse que o Deep Purple vai continuar, com ou sem o glorioso tecladista.

Jon Lord está com 60 anos e no ano passado deixou a turnê por alguns meses para operar o joelho. Há alguns anos, avisou que ia se aposentar aos 60 anos de idade. É uma perda irreparável, e eu não vou me perdoar se não ver pelo menos um show desta turnê do Deep Purple.

O mestre foi um dos fundadores do Deep Purple, em 1968. Ele, o guitarrista Ritchie Blackmore e o baterista Chris Curtis (que logo desapareceu e foi substituído por Ian Paice, que está lá até hoje) tinham a idéia de formar um "carrossel" musical em torno do som deles. Em um ano, evoluíram de covers dos Beatles e Jimi Hendrix para criações que misturavam o rock à música clássica e barroca.

Em 1969, o carrossel girou e eles expulsaram o vocalista e o baixista, contratando Gillan e Roger Glover. Apresentaram um concerto para grupo e orquestra e criaram algo parecido com um proto-heavy metal (seu disco de 1970, "In Rock", é muito mais pesado que os do Black Sabbath e do Led Zeppelin da mesma época).

Jon Lord sempre esteve lá. Seja no rock-60 da primeira formação, seja no proto-heavy metal da segunda, no rock'n'roll superstar da terceira, no rock com pitadas de funk da quarta, ou mesmo no hard rock da reunião e da fase ruinzinha do Joe Lynn Turner... e ele está lá na mais recente formação, com o guitarrista Steve Morse, com toda a força.

O Deep Purple sem o Jon Lord vai ser bom, claro. Mas não vai ser o mesmo. Jon Lord é o som do Deep Purple.

Querem saber mais sobre como o Jon Lord é um pusta músico, escrito por alguém que realmente entende de música? Quem espiquíngres deve ler este artigo, escrito por um cara da Malcolm Arnold Society. Essa sociedade se reúne em torno da obra do maestro Malcolm Arnold, que entre outras coisas compôs aquela musiquinha da Ponte do Rio Kwai (lembram dos assovios?). Ele e Lord trabalharam juntos para compor dois concertos, e este artigo descreve a carreira e a técnica de Lord.

Boa leitura.