Mais notícias: Pete York confirmou que Jon Lord estará em Montreux dia 15 de julho. Por acaso, será o último dia do festival, e está marcado o show do Purple pra esse dia. Na agenda de Blackmore's Night, não há nada marcado até 28 de julho.
Estou batalhando uma entrevista com "Funky" Claude. Vamos ver o que conseguiremos.
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quarta-feira, 31 de maio de 2006
They all may go to Montreux
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Smoke on the Water
Funky Claude, ainda correndo pra cima e pra baixo
"Funky" Claude Nobs, o papa do Festival de Jazz de Montreux, citado na letra de Smoke on the Water, comemora em julho os 40 anos do tradicional festival. Ele já fechou com o Deep Purple (que acaba de lançar um DVD com os shows que fez lá em 1996 e em 2000) para participar. Em entrevista à Billboard, ele afirma: Ritchie Blackmore está sendo convidado pra fazer uma aparição especial no show do Purple. Resta saber se o genioso gênio vai topar. O Lord topa facinho.
No Orkut, previ estes quatro cenários possíveis:
1) Blackmore topa e por uma noite a Mk2 estará de volta. Ele toca mas nem olha na cara do Gillan;
2) Blackmore topa, mas só pra tocar Smoke on the Water e olhe lá. Já tá bom demais;
3) Blackmore topa, mas só por videoconferência. Ele toca de dentro de seu castelo ou em outro palco, e a imagem é transmitida pelo telão;
4) Blackmore não topa, manda todo mundo à merda e processa quem reclamar.
É claro que tem o quinto cenário, o mais absurdo de todos:
Blackmore topa, se comporta durante o show inteiro e, com um sorrisinho, bota fogo no palco no meio de Smoke on the Water - não sem antes dar uma guitarrada na cabeça do Gillan, que desmaia. Com o joelho ferrado, Lord tropeça e cai embaixo do teclado. Ian Paice atira uma baqueta contra a cabeça do Blackmore, que fura seu cérebro. Glover consegue salvar Lord. Mas, com o incêndio, Gillan e Blackmore morrem carbonizados. Ninguém consegue identificar qual é qual e os corpos são trocados no enterro. O Deep Purple acaba, mas seus discos passam a vender feito água.
(Um abraço à Ana Cristina Gomes, que forneceu o link da entrevista do Funky Claude.)
No Orkut, previ estes quatro cenários possíveis:
1) Blackmore topa e por uma noite a Mk2 estará de volta. Ele toca mas nem olha na cara do Gillan;
2) Blackmore topa, mas só pra tocar Smoke on the Water e olhe lá. Já tá bom demais;
3) Blackmore topa, mas só por videoconferência. Ele toca de dentro de seu castelo ou em outro palco, e a imagem é transmitida pelo telão;
4) Blackmore não topa, manda todo mundo à merda e processa quem reclamar.
É claro que tem o quinto cenário, o mais absurdo de todos:
Blackmore topa, se comporta durante o show inteiro e, com um sorrisinho, bota fogo no palco no meio de Smoke on the Water - não sem antes dar uma guitarrada na cabeça do Gillan, que desmaia. Com o joelho ferrado, Lord tropeça e cai embaixo do teclado. Ian Paice atira uma baqueta contra a cabeça do Blackmore, que fura seu cérebro. Glover consegue salvar Lord. Mas, com o incêndio, Gillan e Blackmore morrem carbonizados. Ninguém consegue identificar qual é qual e os corpos são trocados no enterro. O Deep Purple acaba, mas seus discos passam a vender feito água.
(Um abraço à Ana Cristina Gomes, que forneceu o link da entrevista do Funky Claude.)
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sábado, 18 de outubro de 2003
Este é o Funky Claude
Todo mundo que realmente curte Deep Purple tem ao menos uma vaga idéia sobre quem é o Funky Claude mencionado na letra de Smoke on the Water: era um cara lá da Suíça que deu uma força sem tamanho ao Purple quando deu todo aquele rolo de o Grand Hotel queimar, e tal.
Mas quem é esse cara?
Claude Nobs é o maior agitador cultural da Suíça. Foi ele quem fundou o maior e mais famoso festival de jazz do mundo. Ele é um ex-chef de restaurante que virou o maior agitador cultural da Suíça. Desde 1956 ele trabalha pra secretaria de turismo de Montreux, e em 1965 foi aos EUA e descobriu que sua cidade era uma completa desconhecida na Gringolândia. Disse isso para seu chefe e o cara perguntou se ele tinha alguma idéia. Apaixonado por jazz, ele propôs a criação de um festival, e o Montreux Jazz Festival surgiu em 1967.
Por causa do festival, Nobs ficou amigão de gente tipo Miles Davis e Ella Fitzgerald, e ainda hoje trata os caras do Purple na base do "tu". Certa vez, o Miles Davis viu ele com uma camisa tunisiana e achou bonita. Nobs tirou a camisa e deu de presente pro mestre do jazz.
Foi ele que começou a experimentar com a amplitude do gosto do pessoal do jazz, em seu festival. Em 1969 ele convidou o Ten Years After e torceu uns narizes. "Eu não via limites - blues, r&b, gospel. Pra mim, jazz significa partilha emocional por instinto, um frescor improvisacional", disse ele à Time Magazine. Desde 1979 ele chama músicos brasileiros, começando com a Elis Regina. Nos anos 90, ele torceu narizes (inclusive o meu) ao convidar até o É o Tchan pra tocar lá. Redimiu-se quando por duas vezes chamou o Deep Purple.
Sobre o estado atual da música, e especialmente do jazz, ele diz:
"Sempre haverá músicos jovens. Mas o que é difícil de achar é um Coleman Hawkins, um Miles Davis. Mesmo o Wynton Marsalis — com toda sua força de improviso e técnica — não tem o mesmo nível de gênio como alguém menos perfeito como Miles. Fico pensando se todas essas tecnologias à disposição não diminui o nível de criatividade pura e simples."
Mas quem é esse cara?
Claude Nobs é o maior agitador cultural da Suíça. Foi ele quem fundou o maior e mais famoso festival de jazz do mundo. Ele é um ex-chef de restaurante que virou o maior agitador cultural da Suíça. Desde 1956 ele trabalha pra secretaria de turismo de Montreux, e em 1965 foi aos EUA e descobriu que sua cidade era uma completa desconhecida na Gringolândia. Disse isso para seu chefe e o cara perguntou se ele tinha alguma idéia. Apaixonado por jazz, ele propôs a criação de um festival, e o Montreux Jazz Festival surgiu em 1967.
Por causa do festival, Nobs ficou amigão de gente tipo Miles Davis e Ella Fitzgerald, e ainda hoje trata os caras do Purple na base do "tu". Certa vez, o Miles Davis viu ele com uma camisa tunisiana e achou bonita. Nobs tirou a camisa e deu de presente pro mestre do jazz.
Foi ele que começou a experimentar com a amplitude do gosto do pessoal do jazz, em seu festival. Em 1969 ele convidou o Ten Years After e torceu uns narizes. "Eu não via limites - blues, r&b, gospel. Pra mim, jazz significa partilha emocional por instinto, um frescor improvisacional", disse ele à Time Magazine. Desde 1979 ele chama músicos brasileiros, começando com a Elis Regina. Nos anos 90, ele torceu narizes (inclusive o meu) ao convidar até o É o Tchan pra tocar lá. Redimiu-se quando por duas vezes chamou o Deep Purple.
Sobre o estado atual da música, e especialmente do jazz, ele diz:
"Sempre haverá músicos jovens. Mas o que é difícil de achar é um Coleman Hawkins, um Miles Davis. Mesmo o Wynton Marsalis — com toda sua força de improviso e técnica — não tem o mesmo nível de gênio como alguém menos perfeito como Miles. Fico pensando se todas essas tecnologias à disposição não diminui o nível de criatividade pura e simples."
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segunda-feira, 4 de março de 2002
Clássicos Purpendicular 4: Smoke on the Water
Bom, boa parte da turma aqui deve conhecer a música "Smoke on the water", do Deep Purple. Alguns dentro dessa boa parte devem saber que, além do "duh, duh, duh" do riff clássico, a música conta uma história real. Poucos, pouquíssimos, conhecem os detalhes da história - que nunca, até hoje, tinha sido escrita com tantos detalhes como esta que vocês estão lendo.
Em 4 de dezembro de 1971, o Deep Purple havia chegado a Montreaux com um caminhão de equipamentos dos Rolling Stones, para compor e gravar um disco de estúdio em condições de disco ao vivo. Eles usariam o palco do cassino local, depois de um show do Frank Zappa.
Mas só que o palco começou a pegar fogo antes do final da apresentação. Pelas memórias de Ian Gillan, "foi soberbo: um cara apareceu com um lança-chamas e atirou no teto". Há quem duvide dessa versão: como é que iam deixar alguém entrar com um lança-chamas? O próprio Roger Glover, que estava lá, admite que ninguém viu quem ou como foi. Mas tudo bem.
A energia do lugar é cortada. O pessoal começa a gritar "fogo, fogo!". Alguém da banda do Zappa (não ele) grita "Fogo! Arthur Brown, em pessoa!" (clique para saber o motivo). Zappa pede para as ladies and gentlemen saírem calmamente e em ordem. Todos estavam calmos. "É surpreendente como pessoas que falam só francês podem te entender bem quando é uma questão de vida ou morte", disse Zappa sobre o caso em sua biografia.
Um dos funcionários de Zappa pegou uma caixa de equipamento e quebrou uma janela grande para ajudar a escoar o pessoal. A banda escapou por um túnel subterrâneo, por trás do palco, que acabava em uma garagem. "Não havia pânico, exceto por algumas janelas quebradas e alguns guris presos no porão, felizmente resgatados por Claude", lembra Roger Glover, baixista do Deep Purple. Claude Nobs, que até hoje organiza o Festival de Jazz de Montreaux, era na época o administrador do cassino.
A coisa estava tão calma, no começo, que Glover até se deu ao luxo de aproveitar que não tinha ninguém por lá para verificar os sintetizadores, a novidade usada pelo Zappa --US$ 48 mil perdidos no fogo. Mas logo... "Dentro de minutos, o lugar estava um inferno, e eu não uso essa palavra em vão", afirma o baixista. As chamas alcançaram quase cem metros de altura, segundo a revista Circus. Pela manhã, o prédio não existia mais. Segundo Zappa, o prédio valia US$ 13 milhões. Todos os valores são da época; lembrem-se de que teve muita inflação aí no meio (até em dólar).
A fumaça foi vista no céu, sobre as águas do lago Genebra, por um bom tempo. "Estávamos sentados num bar-restaurante a um quarto de milha do Cassino, e ele estava em chamas. O vento descia as montanhas e levava a fumaça para cima do lago, e a fumaça parecia uma cortina sobre o lago", lembra Gillan. A visão era exatamente aquela que está no começo desta nota.
Destruído o lugar em que eles gravariam o disco que ficou conhecido como Machine Head, eles tentaram vários lugares para gravar até que encontraram um hotel abandonado e frio.
Um dia, o baixista Roger Glover acordou de manhã e disse algo como "sonhei com as palavras 'Smoke on the Water' (fumaça sobre a água)". Gillan teria respondido: "parece uma música sobre drogas; não vamos usar". Um quarto de século depois, Glover brincou: "Já que éramos uma banda devotamente de bêbados, deixamos de lado". Mas no final acabou passando. Foi a última letra a ser escrita, e nem foi pensada para ser o destaque. "Decidimos escrever sobre nossa experiência ao fazer o disco, e justificamos o título pensando na cortina de fumaça sobre o lago no dia em que o cassino foi destruído. Cada linha da letra é verdadeira", diz Glover.
A música que conta a história do cassino queimado virou o maior sucesso do Deep Purple, por acaso. Só em 1973 é que eles foram perceber o sucesso e tentar ganhar em cima, lançando um compacto tendo de um lado a versão de estúdio e do outro a versão ao vivo gravada no Japão em 1972. "Só sei que desde então eu sempre ouvi meus pensamentos aleatórios", escreveu Glover em 1996.
E quer saber duas dessas maluquices e coincidências da história do rock? Uma semana depois, Zappa quebrou a perna depois de levar um soco de um fã e cair. Gillan soube disso quando estava gravando "Smoke on the Water", e tanto na versão remixada dos 25 anos quanto no ao vivo que eles fizeram na BBC em 1972, Gillan grita "Break a leg, Frank!" perto do final da música. A segunda: foi exatamente num 4 de dezembro, 22 anos depois, que Frank Zappa morreu, de câncer na próstata.
O disco Machine Head foi relançado há alguns anos, em versão remasterizada e dupla (a segunda tem as mesmas músicas mas com algumas diferenças nos solos). Smoke on the Water é tocada em todos os shows do Deep Purple desde 1972, e conheço alguns malucos mais malucos que eu que têm mais de 30 versões da música. Eu tenho só 19, contando covers.
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