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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Strange Kind of Donna

O Castanheira garimpou do YouTube o vídeo de um programa gravado na TV estatal italiana, a RAI, em 1971. O nome do programa é Blob. A primeira banda a se apresentar é o Deep Purple, tocando Strange Kind of Woman. Eu nunca tinha visto.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Um minuto de silêncio: Jim Marshall morreu


Fiquei sabendo agora pela manhã, no Facebook do guitarrista Bernie Torme, que Jim Marshall morreu. Uma lástima. Há uma página no Facebook para postar condolências.

Não existe som mais bonito, no rock, que o de uma Fender Stratocaster amplificada por um Marshall valvulado. Talvez só o de um Hammond amplificado por um Marshall se compare. A graça do Deep Purple desde o início era combinar os dois. Mas não só eles. Boa parte do rock britânico dos anos 60 e 70 deve sua existência e genialidade a Marshall.


Marshall era baterista de uma big band antes de abrir uma loja de instrumentos em Hanwell, no comecinho dos anos 60. Músicos de toda a região do Oeste de Londres se encontravam lá pra bater papo, testar equipamento, comprar fiado e, todo sábado, dar canjas. Mais ou menos como as que costumavam rolar numa das lojas da Teodoro Sampaio. (Entrevistado para uma biografia do Blackmore, Marshall disse que não lembrava das canjas.)

O Oeste de Londres é pertinho da região onde cresceram Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Jimmy Page e outros gênios. Heathrow, onde fica o aeroporto internacional, é um pouco adiante - o que significa que esse povo precisava TOCAR ALTO pra ser ouvido. Belo lugar pra surgirem guitarristas, vocalistas e os melhores amplificadores do mundo.

Jim Marshall era amigo de Bert Kirby, professor de música de Nick Simper. Foi na loja dele que Simper comprou sua primeira guitarra - fiado.  Custava 20 libras, e ele parcelou em uma libra por semana. Quando metade das prestações estava quitada, Marshall escreveu no cartão: "PAGO".

Simper não era o único agraciado por essa generosidade. Mais tarde, quando Marshall começou a construir amplificadores, essa generosidade se traduziu em uma clientela leal formada pelos lisos do passado. Parte dela ficou famosa, amplificando a fama de seus equipamentos para o mundo inteiro.


Três momentos cruciais de Marshall com o Deep Purple:
  • Em 1968, quando a primeira formação do Deep Purple estava sendo criada, os empresários bancaram a compra de 7 mil libras em equipamentos na loja de Jim Marshall. Isso incluía o primeiro Hammond próprio de Jon Lord e, claro, os amplificadores.
  • No ano seguinte, os empresários do Deep Purple toparam a ideia excêntrica de Jon Lord de fazer um concerto juntando banda de rock e orquestra. Marcaram uma data no Royal Albert Hall para isso. Além do problema da composição, havia um outro: como fazer para que TODOS fossem ouvidos? A acústica do RAH dava conta da orquestra, mas com a amplificação da banda poderia ser impossível ouvir os instrumentos sinfônicos. Por acaso, Jim Marshall tinha acabado de criar um sistema de mixagem de 600 watts. Ele colocou um anúncio nos jornais ingleses informando que o show seria a "World Premiere" do seu novo sistema. O resultado? Este:

  • Em 1973, quando Blackmore não pôde tocar num show lotado em Amsterdã e a banda deixou o bis de lado, a plateia ficou tão violenta que detonou os amplificadores que estavam no palco.  Para poder fazer o show seguinte em Copenhagen, dali a três dias, eles estariam em apuros se não fosse a agilidade de Marshall para fazer a entrega - com toda a precariedade de comunicações do começo dos anos 70. 
Minhas mais sinceras condolências, portanto.

E, caso algum leitor do Purpendicular ganhe na Mega-Sena um dia, aceito como presente um frigobar assim:

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Preciosidades encontradas no YouTube


O Luciano Nunes indicou nos comentários do post abaixo um perfil curioso do YouTube. Chamado DPurple1968, ele tem onze vídeos de que eu nunca tinha ouvido falar. A maior parte deles é de boa qualidade. Como ele não permite embedar os vídeos, fica aí o link - e não deixem de agradecer ao Luciano nos comentários!

Os três vídeos mais curiosos são da TV alemã. O som é da Mk1 ("And the Address", "Hey Joe" e "April"), mas as imagens mostram a Mk2 no palco e em campo. Consultei no Facebook alguns dos maiores especialistas no assunto.

Mestre Nigel Young, o autor de um livro a ser publicado com o diário do Deep Purple, já conhecia os vídeos. Segundo ele, esses três foram gravados no começo de outubro de 1969 e apresentados no começo de 1970. John Barnes, que posta fotos ótimas, lembrou que foi da gravação desses vídeos que saiu a imagem que ilustra este post.

Existe uma falta muito grande de registros da Mk1 ao vivo. Esses vídeos que apareceram agora mostram um pouco mais de como eles eram no palco. Até agora, os que eu conhecia eram os do programa da Playboy, o vídeo de Copenhague no History, Hits and Highlights e as imagens borradas da gravação do show de Los Angeles em dezembro de 1968.

Nessa coleção que apareceu no YouTube, constam três vídeos e uma entrevista dessa formação:

Hush (dublado) - Berna, Suíça, 21.set.1968
Mais um (as mina pira) - Berna, Suíça, 21.set.1968
Hush (mudo) - Upbeat show, na turnê dos EUA, em 9.nov.1968
Entrevista do Jon Lord em Vancouver, no Canadá, em 1969 (estiveram lá em 4 de abril)

Da Mk2, temos:

Speed King dublado em Rotterdam, 1.jan.1971
Deep Purple no cassino de Montreux meses antes do incêndio, em 16.abr.1971 (Yodel, erro em Speed King e trechos)

Tem um vídeo da Mk4 que dizem ser em Melbourne, em 25.jan.1975, mas pode não ser, segundo um sujeito que esteve no show disse nos comentários.

Essas novas aparições me dão uma ideia interessante. Aguardem.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Morse: sem YouTube, já tocaríamos coisas novas

O Deep Purple está em turnê pelo Canadá antes da parada para gravar de vez o disco novo. Algumas coisas já começaram a ser compostas, segundo todos os membros da banda. Em entrevista à versão canadense do jornal Metro, Morse afirmou que eles só não incluem coisas novas no show porque no dia seguinte já está no YouTube e estragou a surpresa. Ele diz, porém, que ainda não viu as letras. Ou seja: mestre Ian Gillan precisa se mexer!

Esse medo do YouTube matou uma longa história do Deep Purple de testar ao vivo o que depois viraria música. É uma das coisas que sempre me agradaram na forma como eles criam. Essa história vem desde o final dos anos 60, quando eles (e outros!) iam à BBC gravar versões de suas músicas para que a emissora tivesse coisas deles para tocar na programação. Foi assim que o Led Zeppelin transformou sua versão de "Travelling Riverside Blues" em "The Lemon Song", por exemplo.

No final do ano passado, a EMI lançou o disco duplo "Deep Purple: The BBC Sessions 1968-1970", que traz todas as gravações remanescentes feitas pela banda na emissora nesse período. Estou pra resenhar esse disco há tempos. O que ele demonstra, basicamente, é o quanto o Deep Purple evoluiu testando músicas ao vivo para depois gravar.

A Mk1, por exemplo, testou lá a faixa "Hey Bop a Re Bop" em fevereiro de 1969. Mais adiante, a mesma música mudaria de letra e voltaria a aparecer lá em julho de 1969 como "The Painter", uma das faixas divertidas do terceiro disco. Nessa altura, a banda já estava mudando.

No mês seguinte, agosto de 1969, o novo Deep Purple tomaria os estúdios da BBC tocando "Ricochet". A mesma música seria tocada em Amsterdã, no dia 24, com o nome "Kneel and Pray". Isso saiu na primeira gravação pirata que fez a fama da qualidade do Purple ao vivo. Sei lá se a letra não colou, mas em outubro, no Festival de Jazz de Montreux, a base musical tinha sido mantida e a letra fora mudada. Em novembro, de volta à BBC, o Deep Purple já gravava uma versão próxima da definitiva: "Speed King".

Na mesma sessão em que eles gravaram Speed King, no programa "Stuart Henry Noise at Nine", a BBC pediu que o Deep Purple fosse ao estúdio e criasse algo novo. Saiu algo que eles chamaram de "Jam Stew", com Ian Gillan cantando sobre uma mulher de olhos malvados. Durante a gravação de In Rock, a música chegou a ser gravada em estúdio como "John Stew", agora sem vocais. Não foi aproveitada no disco, porém; só saiu em 1995, no remaster. Em setembro de 1970, o Deep Purple voltou à BBC e gravou uma nova versão desse instrumental como "Grabsplatter". Essa faixa apareceu para o público em geral pela primeira vez oficialmente em 1985, na coletânea "The Anthology".

Em 1971, Ritchie Blackmore e Ian Paice gravaram sob pseudônimo com alguns amigos um disco especial chamado "Green Bullfrog". E vejam só: lá estava Jam Stew/John Stew/Grabsplatter com nova roupagem, chamada de "Bullfrog". Nesse ano, o Deep Purple estava gravando o disco Fireball - e a estrutura de Grabsplatter foi aproveitada no single "I'm Alone", lado B de "Strange Kind of Woman", que reapareceu em "Singles A's & B's" e no remaster de Fireball.

Também nesse ano, duas músicas do disco seguinte, Machine Head, começaram a ser testadas ao vivo lá por julho: o blues "Lazy" e a porrada "Highway Star". Sim, nem todo o disco foi composto sob o rigor do inverno suíço após o incêndio do cassino.

A lenda de Highway Star diz que a música foi composta num ônibus, indo para um show na Inglaterra, com jornalistas a bordo. Um deles teria perguntado a Blackmore como o Deep Purple compõe suas músicas. Blackmore disse: "assim". Olhou pela janela, fez um power chord de sol na guitarra e começou a bater repetidamente. Ian Gillan entrou em cima e começou a improvisar: "We're on the road, we're on the road, we're a rock'n'roll ba-and!". A lenda diz que na mesma noite a música estava no show.

Em entrevista recente, Jon Lord discordou: não tinha como, porque as trocas de solo, em progressões bachianas, são elaboradas demais para criar do dia pra noite. E ele está certo. Um vídeo de Highway Star na TV alemã, gravado lá por setembro de 1971, mostra a mais antiga gravação de boa qualidade conhecida da música. A letra ainda não está consolidada - Gillan fala em Steve McQueen e Mickey Mouse. O solo também não é aquele que é tão perfeito que ninguém ousa mexer muito. A versão completa da gravação e um take alternativo saíram no DVD "History, Hits & Highlights".


Com as brigas na banda a partir de 1972, acabou o Deep Purple-moleque e a coisa ficou profissional demais. Na Mk3 e na Mk4 não tinha essas coisas, e até o improviso no palco perdeu o ímpeto criativo.  Quando a Mk2 voltou, também não. A banda ficava muito presa ao repertório do Made in Japan - como ainda fica, em parte.

Com a chegada de Steve Morse a coisa mudou de figura e eles passaram a brincar mais com o catálogo do Deep Purple. Mas ainda não haviam voltado ao velho costume. Nos estertores da Mk7, no longo intervalo entre a gravação de Abandon e a saída de Jon Lord, duas músicas novas foram testadas ao vivo. Uma que não vingou chegou a ser tocada no festival de Montreux em 2000: "Long Time Gone".


A segunda, "Up the Wall", foi tocada na turnê de despedida de Jon Lord.



Acabou virando "I Got Your Number", quando entrou no disco Bananas. Ficou no repertório ao vivo até 2005, quando a banda lançou Rapture of the Deep.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Cinco bravos jovens sem respeito por limites

Mestre Jon Lord colocou em seu site a carta que Ian Paice leu no mês passado, quando o Deep Purple ganhou da revista Classic Rock o prêmio de inovadores. Nela, ele definiu tudo o que eu admiro no Deep Purple, especialmente na Mk2:

"Agradeço do fundo do coração este prêmio, por reconhecer que aquilo que fizemos - quando éramos apenas cinco bravos jovens sem respeito por limites mas um amor dedicado por escrever e tocar música - era de fato inovador. Também era alto, grave e sujo, subversivo e perigoso, intrincado ainda que muitas vezes enganosamente simples, muito empolgante de tocar e acima de tudo mais era uma diversão espantosamente boa. E, sim, nós 'dançamos e cantamos e subimos ao topo da montanha' [trecho de No One Came]. Ah, foi mesmo. Agradeço do fundo do coração, também, aos cavalheiros no palco por fazerem parte da mudança na minha vida e por tocarem como heróis. Ah, e por favor não esqueçam de quem foi o primeiro a forçar vocês a tocar com uma orquestra!"

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

KB Hallen, onde o Purple tocou oito shows, pega fogo


Há 40 anos em dezembro, incendiava o Cassino de Montreux, onde o Deep Purple tinha ido gravar o disco que virou Machine Head. Na turnê daquele disco, no dia primeiro de março de 1972, eles fizeram seu primeiro show (o único inteiramente registrado em vídeo na Mk2) num ginásio de Copenhague, chamado KB Hallen. Foi o último show sem "Smoke on the Water", que conta a história de como o cassino suíço pegou fogo.

Pois bem: o KB Hallen também pegou fogo.

Foi na manhã de hoje em Copenhague, segundo a TV dinamarquesa. Começou com halogênio e caixas de papelão. A torre de fumaça se espalhou pela cidade, como na foto clássica do incêndio do Cassino.


Era um lugar especial para o Deep Purple, como lembra o @brunoalsantos. A banda tocou lá oito vezes, entre 1972 e 2009. Três delas tiveram Ritchie Blackmore na guitarra. A primeira foi a do DVD Machine Head Live, em 1º de março de 1972. É o único show inteiro registrado em vídeo da melhor formação do Deep Purple. Aqui, eles em pleno improviso no palco do KB Hallen:



Em 1973 eles foram duas vezes, incluindo o primeiro show da Mk3, em 9 de dezembro. Esse foi o primeiro show assistido na vida por Lars Ulrich, o baterista do Metallica. As outras cinco foram com Steve Morse: uma na Mk7, em 1998, e quatro na Mk8, em 2003, 2006, 2008 e 2009.

Em 2008, fui à Noruega a trabalho. Resolvi aproveitar o ensejo para conhecer a cidade da minha tataravó, Malmö, no sul da Suécia. Copenhague é do outro lado do Öresund, a meia hora de trem. Em Malmö mora Svante Axbacke, um dos mais dedicados fãs do Deep Purple no mundo, a quem eu já conhecia pessoalmente de quando ele veio ao Brasil em lua-de-mel. Aproveitei pra marcar um öl (cerveja) com ele.

(O que mais me espantou foi que ele estacionou sua bicicleta a duas quadras do bar, sem corrente, e quando saímos do bar ela AINDA estava lá. Se fosse no Brasil...)

No meio da conversa, contei que estava para ir a Copenhague. Ele rapidamente ligou para outro fã dedicado do Purple, Rasmus Heide, pra ver se ele podia almoçar comigo perto do KB Hallen quando eu estivesse na cidade. Quem acompanha o Deep Purple pela internet deve reconhecer os nomes: os dois são sócios-atletas do The Highway Star.

Em 18 de setembro de 2008, dia em que todos os jornais noticiavam o grande marco da crise internacional, fiz checkout no Danhostel, fui para a estação central de Copenhague e peguei os trens necessários para chegar ao KB Hallen, pra encontrar o Rasmus. Cheguei antes dele, numa pontualidade que minha mulher julgaria inédita.

Era dia de semana, era manhã, e o lugar estava fechado. Esperei chegar algum faxineiro. Quando chegou, expliquei que eu era do Brasil e tinha ido lá só pra ver o KB Hallen. Ele entendeu. Abriu a porta e tirou uma foto minha com o palco ao fundo. O mesmo palco do meu DVD favorito. Minha máquina digital estava sem bateria e eu comprei uma de filme, descartável. Mas o resultado é isto aqui:


Rasmus chegou depois. Ele, que já esteve no local algumas vezes para tomar uma cerveja com a banda, me mostrou onde era a porta por onde os artistas entravam. E a porta estava ABERTA. Se fosse no Brasil...




Tudo isso que vocês mal conseguem ver nessas porcarias de fotos foi destruído pelo incêndio. Só o que ficam são as memórias. Memórias de momentos como o começo do primeiro show do Deep Purple no KB Hallen, em que Ian Gillan pega o microfone e anuncia:

"O que temos aqui é uma música nova!
É uma do próximo álbum que está pra sair.
O álbum se chama Machine Head, e esta música deve abrir nossos shows no próximo um ano e tal.
Uma coisa chamada Highway Star. Vamos lá!"



Quase quarenta anos depois, o um ano e tal continua valendo. Highway Star geralmente abre os shows do Deep Purple em todas as turnês, e inclusive abriu na última turnê deles, na Europa, com a orquestra. Deve abrir os shows no Brasil, agora em outubro.

Quando isso rolar, certifique-se de ter uma cerveja na mão para brindar ao KB Hallen.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Airey conta uma dica do Lord

Uma das minhas faixas favoritas do In Rock, quando o ouvi pela primeira vez aos 15 anos de idade, era Hard Lovin' Man. Era um riff que eu conseguia tocar no violão. Agora, essa música faz parte do novo setlist do Deep Purple. Nem nos melhores anos da Mk2, quando foi gravada, ela chegou ao palco. (Adoro esse trabalho de garimpo nas últimas duas formações do Deep Purple, aliás.)

Em entrevista ao Windsor Star, Don Airey diz que conversou com Jon Lord recentemente e contou ao mestre que eles haviam resgatado a pérola.

"Ele me disse pra tocar a linha de teclado o mais alto que eu pudesse. Também disse pra eu nunca me meter na frente dos rolos de bateria do Ian Paice."

Chequemos o novo, então.



O original, conforme inaugurado no Top of the Pops, da BBC, com entrevista do Jon Lord e tudo:



Qual seu veredito? Airey aprendeu?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Em Montreux de novo neste ano



Saiu a lista das atrações do 45° Festival de Jazz de Montreux, que ocorre entre 1 e 16 de julho.

Mais uma vez, o Deep Purple está entre as atrações do maior festival da cidade que inspirou "Smoke on the Water". Eles vão tocar com uma orquestra sinfônica no último dia do festival. A atração é provavelmente parte da turnê "As Músicas que Construíram o Rock".

Lembre que "Smoke on the Water" foi gravada na cidade em 1971 - ou seja, há 40 anos. Em 2006, Claude Nobs tentou reunir a Mk2 original para uma homenagem aos 35 anos do acontecimento. Blackmore, porém, não respondeu; Lord não pôde. Neste aniversário, será que pelo menos o Lord vai poder?

Desde seu surgimento, o Deep Purple já se apresentou oito vezes na cidade. As três primeiras foram no cassino que pegou fogo - e a primeira delas, de 4 de outubro de 1969, já saiu em CD:



Eles também tocaram lá em 16 e 17 de abril de 1971, antes de voltar à cidade em dezembro daquele ano para gravar o disco Machine Head. Depois disso, eles só voltaram a se apresentar na cidade que tornaram mundialmente famosa já nos anos 90, com Steve Morse. Foram cinco vezes. Três dessas apresentações (9 de julho de 1996, 22 de julho de 2000 e 15 de julho de 2006) estão disponíveis em CD e DVD:




PRA COMBINAR
Clicando nas capas dos CDs e DVDs aqui citados, você vai parar na página de compra da Livraria Cultura. Você não paga um centavo a mais caso compre por ali, mas eu recebo 4% do preço do que você comprar lá depois de abrir o link. Você tem todo o direito de não topar. Da minha parte, me comprometo a só indicar coisas de qualidade. Pessoalmente, acho que seria fácil indicar links para baixar as obras. Mas eu sou fã do Deep Purple, então compro - gosto de pensar que eles vão ganhar alguns centavos do que eu pagar, podendo assim tomar uma cerveja em minha homenagem. Comprando por aqui, não apenas eles ganham - mas eu também. Prometo fazer um brinde a vocês.

sábado, 11 de julho de 2009

Há 40 anos, o Deep Purple virava O Deep Purple

Em 10 de julho de 1969, num barzinho apertado chamado Speakeasy, na Margaret Street, em Londres, Ian Gillan e Roger Glover estreavam no Deep Purple. Foi o começo público da fase mais criativa da história da banda. E até hoje o Gillan diz que foi o melhor show da vida dele, embora tivesse só umas 20 pessoas. O lugar hoje é um salão de cabeleireira.

Durante pouco mais de um mês, a partir do início de junho, a Mk2 era uma formação clandestina. Eles ensaiavam de dia no Hanwell Community Centre, onde Charles Chaplin estudou. Foi lá que esboçaram Kneel and Pray (mais tarde Speed King) e Child in Time (Jon Lord brincava tocando "Bombay Calling", do It's a Beautiful Day, e o Gillan começou a gritar em cima).

À noite, eles se dividiam: Blackmore, Lord e Paice pra um lado, tocando com a Mk1, e Gillan e Glover pro outro, fazendo os shows finais do Episode Six. No dia 10 de junho, exatamente um mês antes da estréia ainda calhou de as duas bandas tocarem no mesmo festival, em Cambridge. Mesmo depois de a Mk2 estrear nos palcos, Gillan e Glover ainda passariam duas semanas intercalando shows entre as duas bandas.

A primeira música que eles gravaram foi Hallellujah, em 7 de junho. Ela também foi o tema do primeiro vídeo gravado por eles, em 2 de agosto, na TV alemã:



Mas o que eu acho o auge da criatividade do Deep Purple é isto aqui, do Bilzen Jazz Festival, em 22 de agosto:

domingo, 8 de março de 2009

Em Montreux, antes do incêndio

O Rasmus Heide, do The Highway Star, encontrou no YouTube um vídeo do Deep Purple tocando em Montreux em abril de 1971 - oito meses antes de voltarem à cidade a tempo de presenciarem o incidente que gerou "Smoke on the Water".

Segundo minha planilha, eles tocaram lá em 16 e 17 de abril daquele ano, logo depois de uma turnê na Alemanha que gerou vários bootlegs.

Em 1971, o Deep Purple tinha o costume de tocar ao vivo uma versão de "Yodel", aquela música dos montanheses, antes de começar a botar pra quebrar. Há um bootleg famoso, gravado na Dinamarca dias depois desse show de Montreux, em que caiu a luz. Chama-se "Danish Yodel - Beware". "Beware" é um poema de autoria do Gillan, que ele leu ao final do show.

O vídeo também inclui uma entrevista com os mestres. A repórter insiste em perguntar ao Gillan e ao Lord se a música do Purple era um produto de consumo, como a Coca-Cola. Eles riem. Lord fecha a questão: "Não. Não bebemos muita Coca-Cola." Gillan nega que a música deles tenha atitude política, e todos definem música como "diversão". Interessantíssima entrevista, apesar de a repórter ser mala.

Nunca imaginei que pudesse haver vídeo disso - ainda mais nessa qualidade. Também há trechos de todas as outras músicas do show, inclusive uma Child in Time poderosíssima. O som é poderoso, apesar de uns cortes chatos. Fora isso, deliciem-se.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Sem Mickey Mouse

Um colaborador do The Highway Star descobriu uma pérola no YouTube: um vídeo de No No No, daquela mesma sessão em que eles tocaram no Beat Club, em 1971, só que sem aqueles defeitos especiais no fundo e sem o "Do you like me? No, No, No! Do you like Mickey Mouse? No, no, no!" É um take de ensaio da música, que aparentemente foi achado nos arquivos da emissora.

O fundo de tela é azul forte, vívido. Faz sentido. Aqueles defeitos especiais do Beat Club são feitos em chroma-key. Pra isso, precisa ter um fundo chapadão, tipo azul ou verde (o do estúdio de TV da minha faculdade de jornalismo era azul). O Homem-Cromaqui do programa Quinta Categoria, da MTV, usa uma roupa verde por causa disso, pra poder refletir os efeitos especiais. O filme "300" foi todo feito com essa tecnologia.

Compare abaixo os dois vídeos. Especial atenção para o solo do Lord no do ensaio, que é o primeiro.



domingo, 20 de abril de 2008

40 - the best of

Em 20 de abril de 1968, uma banda inglesa nova chamada Roundabout foi tocar um cover dos Beatles num programa de TV dinamarquês. Na última hora, avisaram a produção de que o nome tinha mudado: a partir dali, seria Deep Purple. Desde então, eles foram e voltaram e mudaram nove vezes a formação e fizeram 2.014 shows - dos quais 49 foram no Brasil.

Vida longa e próspera aos mestres. Abaixo, alguns vídeos - vários deles bem raros - pra relembrar os grandes momentos da nossa banda favorita, quase ano a ano.

1968 (Mk1) - KENTUCKY WOMAN, ao vivo em Los Angeles.
A qualidade do vídeo é uma bosta - a fita se deteriorou muito ao longo dos anos -, mas é um dos poucos registros da Mk1 ao vivo tocando algo além de Hush.



1968 (Mk1) - AND THE ADDRESS, ao vivo na Mansão Playboy
Todo mundo quase só conhece o vídeo de Hush. Mas eles também tocaram na abertura do programa. Destaque para Hugh Hefner ainda antes da mania do robe de chambre. Olhe para o Rod Evans e cante: "VAI LACRAIA, VAI LACRAIA"!



1969 (Mk2) - WRING THAT NECK, ao vivo no Bilzen Jazz Festival.
Raridade das boas. Aqui, eles estão no auge da improvisação.



1970 (Mk2) - MANDRAKE ROOT, ao vivo no South Bank Summer Festival
Mais uma vez, uma improvisação de cair o queixo.



1971 (Mk2) - DEMON'S EYE, ao vivo em Berlim
Este é o mais antigo vídeo que mostra o duelo entre Gillan e Blackmore que se tornaria famoso em Strange Kind of Woman.



1972 (Mk2) - CHILD IN TIME, ao vivo em Copenhagen
Vocês já conhecem esta versão. Mas eu não podia deixar passar sem Child in Time.



1973 (Mk2) - SMOKE ON THE WATER, ao vivo na Universidade de Hofstra, nos EUA
Único registro conhecido em vídeo da verdadeira Mk2 da Era de Prata Amigos tocando a música que se tornou a mais famosa do grupo.



1974 (Mk3) - BLACKMORE DETONA O PALCO, no California Jam
Vocês também conhecem isto aqui.



1975 (Mk4) - YOU KEEP ON MOVING, ao vivo no Budokan, no Japão
Hughes e Coverdale fazendo dueto. É de arrepiar os pêlos do braço.



Terminada a Mk4, terminou o Deep Purple. Eles ficaram oito anos parados e voltaram em 1984. No segundo show, tiveram um convidado ilustre.

1984 (Mk2a) - LUCILLE, ao vivo na Austrália com George Harrison
Filmado atrás do palco.



1985 (Mk2a) - GYPSY'S KISS, ao vivo no Rockpalast
Eles não tocam mais essas músicas.



1987 (Mk2a) - HARD LOVIN'WOMAN, ao vivo em Viena
Eles não tocam mais essas músicas.



1988 (Mk2a) - HUSH, ao vivo em Copenhagen
É a versão regravada em estúdio no disco Nobody's Perfect.



1991 (Mk5) - THE CUT RUNS DEEP, ao vivo em São Paulo
Era a primeira vez em que o Deep Purple vinha ao Brasil. Com Joe Lynn Turner. Uma das melhores faixas de Slaves & Masters. Destaques: Turner errando sua própria letra (sem falar na de Hush), Blackmore e Glover rebolando de costas um para o outro e o tango do Turner com o Glover. Paice arrebenta na bateria e Lord destroça o teclado.



1993 (Mk2b) - THE BATTLE RAGES ON, ao vivo em Birmingham
É o famoso show de Come Hell or High Water.



1994 (Mk6) - WHEN A BLIND MAN CRIES, ao vivo em Saarbrucken
Ritchie Blackmore se recusava a tocar essa música, gravada nas sessões do Machine Head. Desde 1991, porém, o Gillan já a tinha colocado em seu setlist solo. Quando Blackmore saiu e Satriani entrou, a música veio junto.



1995 (Mk7) - BLACK NIGHT, ao vivo em Bombaim, na Índia
Um dos mais antigos shows conhecidos em vídeo com Steve Morse. Ainda era mais ou menos o mesmo setlist do Satriani, que era mais ou menos o mesmo setlist do Blackmore.



1996 (Mk7) - THE AVIATOR, ao vivo em Chicago, nos EUA
Esta faixa do disco Purpendicular, feita em homenagem a Steve Morse, que além de guitarrista é piloto de aviões, infelizmente sumiu dos setlists. Repare que o Gillan está sentado na borda do palco, do lado da galera, e ninguém sequer toca nele. Se fosse no Brasil, ele teria saído sem roupa.



1997 (Mk7) - CASCADES (I'M NOT YOUR LOVER NOW), ao vivo em São Paulo
A segunda vinda do Deep Purple ao Brasil foi emocionante. Foi a primeira do Purple com o Gillan por estas terras. E foi quando eu aprendi a confiar no Steve Morse. Outra bela faixa que sumiu dos setlists.



1998 (Mk7) - FINGERS TO THE BONE, ao vivo em Sófia, na Bulgária
Hoje em dia, nenhuma música do Abandon sobrevive no setlist. Mas vejam que preciosidade esta.



1999 (Mk7) - WATCHING THE SKY, com a Orquestra Sinfônica de Londres
Esta é uma das minhas músicas favoritas do Abandon. No tratamento da orquestra, ficou genial.



2000 (Mk7) - FOOLS, ao vivo na Transilvânia
Levou quase 30 anos para o Deep Purple incluir esta gloriosa faixa de Fireball em seu setlist.



2001 (Mk7) - NESSUN DORMA, com Luciano Pavarotti, em Módena (Itália)
Pavarotti dizia que os melhores tenores do mundo têm algum receio em cantar essa música. Ian Gillan não apenas mergulhou nela como também traduziu a letra.



2002 (Mk8) - CHILD IN TIME, ao vivo na Rússia
Em janeiro, a Mk7 fez metade de sua última turnê, na Inglaterra. Seria a despedida de Jon Lord, embora eles demorassem a confirmar. Para comemorar, Child in Time foi incluída no setlist, mas Ian Gillan caiu doente depois de poucos dias de shows. No recesso, Jon Lord confirmou que sairia da banda. Ao voltar, eles iriam à Rússia - mas com Don Airey, substituto do TOMATO. Foi nessa fase que começou este blog. Naquelas terras geladas, onde Child in Time tem um significado especial, Ian Gillan topou cantar a música pelas últimas vezes. Esta é uma delas.



2003 (Mk8) - HOUSE OF PAIN, no Casseta e Planeta
O Deep Purple ficou pop quando veio ao Brasil daquela vez, na turnê de Bananas. Eu queria ter achado o vídeo de Fucker & Sucker, mas não achei. Fica pra próxima. De qualquer forma, eles estão ali no meio da fuzarca toda.



2004 (Mk8) - BLACK NIGHT, ao vivo na Califórnia
No palco, dois dos grandes guitarristas que já passaram pelo Deep Purple: Steve Morse e Joe Satriani.



2005 (Mk8) - I'VE GOT YOUR NUMBER, ao vivo em Londres
O que eu acho genial nesse show é que o palco do Hard Rock Café londrino não é muito maior que o do Café Piu-Piu paulistano. A música é do Bananas, mas a turnê já é do Rapture of the Deep.



2006 (Mk8) - HIGHWAY STAR, ao vivo em São Paulo
Nesse show, um imbecil mijou na minha perna.



2007 (Mk8) - PICTURES OF HOME, ao vivo em Glasgow, na Escócia
Salvo engano, aqui eles estavam tocando todo o Machine Head.



2008 (Mk8) - SMOKE ON THE WATER, ao vivo no Kremlin, na Rússia
O show mais polêmico do ano do quarentenário da banda.

domingo, 16 de setembro de 2007

Radio One, you're the only one - for me!

Embedded ImageNo dia 30 de setembro, a rádio BBC 1 completa 40 anos. Lá pelos idos de 1967, apenas as rádios piratas tocavam roquenrôu mais ousado do que Beatles. Quando ela foi criada, tudo estourou - de Jimi Hendrix (que compôs a letra do título) a Led Zeppelin e Deep Purple.

Boa parte do rock inglês passou por aqueles estúdios, e é claro que grandes momentos do Purple estiveram lá. Foi na BBC que eles tocaram publicamente pela primeira vez na Inglaterra com a Mk1, por exemplo, uma semana depois de gravarem o Shades of Deep Purple. Houve um show antes, na Dinamarca, em que eles anunciaram que "Roundabout é o caralho, nosso nome agora é Deep Purple, porra".

Foi na BBC que o Deep Purple tocou Kneel and Pray, em 29 de agosto de 1969, poucos dias depois de a música ser tocada em Amsterdã, num dos mais antigos piratas conhecidos da Mk2. Era assim:

    You were good I was bad I just want everything you had Good loving is meant for two A bit for me and a bit for you Oh please, set me free Stop my misery - OH!

Dois meses depois, em 31 de outubro, eles voltam aos estúdios pra tocar a mesma música com uma nova letra. Vocês conhecem:

    Good Golly, said the little miss Molly While she was rocking in the house of blue light Tutti Frutti was oh, so rooty When whe was rocking to the east and west Come on baby, drive me crazy Do it, do it - AAAAAAAAHHHH!!!!

Nesse meio tempo, eles já haviam estreado a nova letra no festival de jazz de Montreux, em 4 de outubro. O Gillan não fazia idéia de que ritmo queria dar à música, nem tinha escrito direito a letra, mas matou a pau. No dia 14, eles estavam no estúdio batendo ponto pra gravar a versão com o piano, homenageando Jerry Lee Lewis.

No dia em que eles tocaram a nova música no estúdio da BBC, eles também tocaram uma "nova" música - John Stew. Por acaso, muito parecida com What Do You Want, dos Yardbirds.

Também foi na BBC, em 9 de setembro de 1970, que o Deep Purple estreou o single Black Night. E, no dia 23 daquele mês, o locutor pediu pra eles entrarem no estúdio e trazerem uma coisa nova. Trouxeram Grabsplatter, uma instrumental que saiu no The Anthology (1985) e que tinha tudo a ver com uma faixa gravada pelo Blackmore e pelo Paice no disco "Green Bullfrog", gravado em fevereiro.

Hoje, a rádio está bem diferente. Não toca nenhum tipo de música que me agrade. Mas claro: ela toca o que tem de mais novo na música britânica, e o que me agrada era o que havia de mais novo alguns anos antes de eu nascer.

De qualquer forma, os 40 anos da Radio One merecem ser celebrados por todo fã da pegada inglesa sobre o rock.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Poupe seus dólares

Sabe aquele disco ao vivo do Deep Purple que você andava louco pra comprar mas só existia em versão importada? Não sacrifique seu cartão de crédito tão rapidamente. A Biplane Records está lançando no Brasil três novos discos do Purple ao vivo, lançados pela Purple Records, que só se conseguia importado.

Todos eles são versões mais completas de discos que já eram conhecidos e reverenciados pelos fãs brasileiros:

Stockholm 70 - É a versão remasterizada do disco antigamente conhecido como Scandinavian Nights, gravado na Suécia durante a turnê de In Rock. Tem versões gloriosamente longas de Child in Time, Wring That Neck e Mandrake Root. Algumas dessas versões você pode encontrar num CDzinho tabajara italiano, de capa preta, vendido em lojas por aí a menos de R$ 10. Prefira esta. (Aliás, não tenho certeza sobre se Scandinavian Nights chegou a ser lançado oficialmente no Brasil. Só lembro de ver em vinil e CD importados.)

Paris 75 - É a íntegra, remasterizada, do último show com o Ritchie Blackmore na Mark 3. Partes dessa performance já saíram anteriormente nos discos Made in Europe e The Final Concerts. Apesar de ser o último dia da terceira formação do Purple, é um de seus melhores momentos ao vivo: o Coverdale não estava mais tão verde quanto no California Jam e no Live in London, sem falar que tem Lady Double Dealer (OBA!). Pra não ficar só nos elogios, eu certamente dispenso a versão de Highway Star que é tocada aí. Tem meia hora de material nunca antes lançado, segundo a DPAS.

This Time Around - É a versão completa, remasterizada e sem edições canhestras daquilo que os fãs mais antigos conheciam como Last Concert in Japan. Vale a pena para conhecer melhor a fase que tem o Tommy Bolin. Embora o guitarrista estivesse num mau momento, o resto da banda estava com todo o gás. Com Bolin travadão, restou ao Lord fazer o riff de Burn, por exemplo - e segurou imensamente bem. Salvo engano, é o primeiro lançamento oficial da Mk4 em CD no Brasil. (O Days May Come and Days May Go que andou circulando há poucos anos nas lojas brasileiras era tabajara.)

Serão edições limitadas, com 1.500 cópias. Não se preocupem: sobrarão 1.499 de cada um para vocês. No site da Biplane, cada um custa R$ 49,90. Já solicitei mais informações.

Mas comprem mesmo: possivelmente, se o selo se empolgar com os lançamentos, pode ter mais coisas a caminho. Lá fora está para sair uma versão integral de Live in London. Sem falar que já foram lançados outros shows ótimos, como Montreux 1969, Perks and Tit (um show antes do California Jam) e Space 1970 (que tem um dos melhores instrumentais do Purple que já ouvi).

sábado, 28 de julho de 2007

Deep Purple In Pod

DEEP PURPLE IN POD

Vamos expandir um pouco os limites deste blog. Hoje, inauguramos a primeira edição do podcast DEEP PURPLE IN POD, o podcast do Purpendicular. Você pode ouvir neste link ou aqui:



Nesta edição, o podcast traz algumas lembranças da minha viagem a Londres, há poucos dias. Fiz uma peregrinação a alguns dos lugares que marcaram a história da banda. Deixei de tirar fotos de dois deles - o antigo Speakeasy, onde o Gillan cantou pela primeira vez com o Purple, e o estúdio De Lane Lea, onde a maior parte dos primeiros discos foi gravada. O primeiro porque a bateria da máquina estava enchendo o saco, o segundo porque um mendigo estava enchendo o saco.

Antes, vejam as músicas tocadas no podcast, em ordem:

1. Grabsplatter - na BBC
2. Child in Time - Ian Gillan Band
3. Kneel and Pray - na BBC
4. Bloodsucker - na BBC
5. Black Night - na BBC
6. Aranea - Butterfly Ball, ao vivo (cantada por Judi Kuhl, ex-mulher do Roger Glover)
7. 69 - Abandon
8. Show me the Way to Go Home - outtake, 1971

Posto algumas imagens nos próximos dias.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Raridade: Demon's Eye em 1971

Tem coisas que só o YouTube traz pra gente.

Imagine o Deep Purple tocando Demon's Eye em uma versão tão inicial que o Gillan nem sabia a letra direito. Há quase nenhum registro deles tocando isso ao vivo, então é a raridade da raridade - o pessoal do The Highway Star não sabe nem se chegou a ser transmitida pela TV.

Jon Lord improvisando nos teclados, Ian Paice sem camisa, Roger Glover no bom humor habitual e Ritchie Blackmore saboreando os solos de olhos fechados. E repare só - está lá uma das primeiras versões do... duelo guitarra/voz consagrado em Strange Kind of Woman!!! É isso que tem no vídeo abaixo. Antes, eles tocaram Into the Fire. Clique aqui pra ver o vídeo.

O primeiro semestre de 1971 foi o auge da Mk2, antes de as brigas começarem a corroer a melhor de todas as formações do Deep Purple. Eles estão na ponta dos cascos - tinham acabado de ganhar disco de ouro por In Rock. O Gillan parece meio doente - naquele ano, em que houve uma sucessão monstruosa de shows, eles se revezaram no hospital várias vezes.

Duvido um pouco da data apresentada no YouTube. Ali, diz que o vídeo é de 1º de janeiro de 1971. Acho que não é essa a data - segundo o Deep Purple Diary, nesse dia eles estavam tocando na Holanda. O Nigel Young coloca o setlist desse show numa apresentação em Berlim em algum dia de setembro. Possivelmente no início.

Deixem a controvérsia das datas pra lá - é uma questão menor. Apenas deliciem-se com o Olho do Demônio.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Gillan da montanha

Yodel-ay, hoo-hoo! Yodel-ay, hoo-hoo!

Pouco mais de meio ano antes daquele show incendiário do Frank Zappa, o Deep Purple tocou no Cassino de Montreux. E lá pelas tantas Gillan começa a cantar o "Yodel", aquele tipo de música dos montanheses suíços.

Isso era comum em vários shows do Deep Purple em 1971 e chegou a dar o título a um pirata dinamarquês - "Danish Yodel/Beware". O "Beware" é porque o Gillan recita seu poema com essse nome:

Beware a chair that's not there (Cuidado com a cadeira que não está lá)
It's a furniture illusion (é uma ilusão de móvel)
If you ever squat on that chair (se você sentar nessa cadeira)
You'll suffer some confusion (vai sofrer uma confusão)

A Wikipedia define o Yodel desta forma: "é uma forma de canto que envolve cantar uma nota estendida que rápida e repetidamente muda de afinação entre o registro vocal do peito e o registro da cabeça, fazendo um som grave-agudo-grave-agudo."

Quer ver o Gillan em pleno Yodel?

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Datapurple geográfico

O Deep Purple já visitou 71 países ao longo de sua carreira.

Nos dez anos com Steve Morse, a banda visitou 68 deles. A nova fase do Deep Purple desbravou 36 países onde o Deep Purple nunca havia pisado antes.

Nos 17 anos com Blackmore, foram 30 países. Com a Mk1, ele visitou apenas 6 países.

David Coverdale conheceu com o Deep Purple 18 países. Eles incluem a Iugoslávia (Belgrado e Zagreb, em março de 1975) e uma tentativa frustrada de ir a Hong Kong, em dezembro do mesmo ano. Três meses depois do show cancelado, acabaria o Deep Purple.

Joe Lynn Turner foi a 20 países. Eles incluem dois shows em Israel, onde o Deep Purple nunca tinha ido e aonde nunca mais voltou. Foram os últimos shows da banda antes da volta do Gillan.

Hoje em dia, o Deep Purple faz em média a mesma quantidade de shows que fazia no auge dos vinte e poucos anos dos mestres. É possível ver exatamente em que fase eles andavam apenas pela quantidade de shows dos anos mais movimentados:

1) 1972 - 123 apresentações (lançamento do Machine Head, primeira turnê no Japão, auge do sucesso da banda)
2) 1970 - 119 apresentações (lançamento do In Rock, Deep Purple toda hora na BBC, matando a pau)
3) 1996 - 116 apresentações (entrada do Steve Morse, lançamento do Purpendicular)
4) 1969 - 112 apresentações (duas formações, entrada do Ian Gillan e do Roger Glover, Concerto...)
5) 2004 - 110 apresentações (turnê de Bananas)

Até o final do ano, 2006 deve ultrapassar a quantidade de apresentações de 2004. Lembre que esses dados são até o dia 14 de novembro.

Ao final da turnê do Deep Purple no Brasil, dia 3, o Bananão passará a ser o nono país onde o Deep Purple mais tocou em toda sua carreira, com 45 shows - empatado com o Canadá. Na ordem:

USA - 542
UK - 334
Germany - 234
France - 65
Italy - 63
Japan - 61
Australia - 57
Canada - 45
Sweden - 41


17 países viram o Deep Purple uma só vez. Isso inclui a Província Cisplatina, o Peru, a Romênia, a Bolívia e Belarus.

O nome mais comum de lugares onde o Deep Purple tocou em toda sua existência é Stadthalle. Por 26 vezes, estádios assim chamados em cidades alemãs abrigaram os mestres. Logo em seguida vêm os lugares chamados "Coliseum" e "Entertainment Centre" - 19 vezes. Nas "House of Blues", o Deep Purple tocou 13 vezes.

Há nove shows em lugares chamados Olympia - do lendário clube parisiense à extinta casa de shows de São Paulo. Se somarmos os "Olympiahalle", são 18.

domingo, 11 de junho de 2006

De raiz

DE RAIZ

Muito antes de Child in Time, Ian Gillan já quebrava tudo. Vejam abaixo dois flagrantes dele no Episode Six, em 1967 (o Glover também tocava lá), e o vídeo alemão de Hallellujah, a primeira música que ele gravou com o Deep Purple. Depois de Hallellujah, um vídeo raro de Screaming Lord Sutch. O Blackmore deve ser o guitarrista, mas só aparece o som.







quinta-feira, 1 de junho de 2006

Acho que não rola

Saiu ontem uma entrevista com o Blackmore numa revista alemã. Ele colocou no site dele uma imagem da página:



Fiz um esforço de reportagem pra traduzir essa frase. Diz ali: "até um gorila podia ter pego meu lugar no Deep Purple".

Bem, amigos do Purpendicular, acho que não vai rolar o reencontro em Montreux.