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quarta-feira, 13 de agosto de 2003

Entre maestros

É o mestre maestro Paul Mann quem dá as mais novas notícias sobre Jon Lord: o TOMATO (The Old Man At The Organ) fechou contrato com uma das melhores agências de solistas clássicos de Londres, a Sulivan Sweetland. É a mesma agência, por sinal, que empresaria o maestro que veio ao Brasil com o Purple há três anos. O Jon ainda não está na lista de artistas deles.

E não é só isso! Nas próximas semanas, Jon vai tocar no Hell Blues, na Noruega, e depois meter a cara para gravar um novo disco solo.

"Ele também tem outras encomendas orquestrais de mais longo prazo no horizonte, e esperamos que possamos gravar o 'Boom of the Tingling Strings', sua peça de 35 minutos para piano e orquestra que apresentamos na Austrália e em Luxemburgo no começo deste ano. Um CD inteiro de trabalho orquestral de Jon seria algo maravilhoso, e pode ser que tornemos isso realidade muito em breve", disse o simpaticíssimo maestro (que, por sinal, já andou entrando aqui no Purpendicular certa vez quando botei fotos dele no ar).

Jon deu na semana passada uma entrevista a uma rádio norueguesa, quando esteve no país para fazer os acertos para o show. Podemos ouvir a entrevista aqui.

Quer saber tudo sobre o Jon? Passa lá no Pictured Within.

segunda-feira, 7 de outubro de 2002

Três boas notícias

Uau, faz uma semana, já, que não escrevo aqui. Bom, vamos lá.

1) Os shows de despedida do Jon Lord - Ipswitch, sem dúvida, e também aquele em que o pessoal do Iron Maiden participou - foram gravados em áudio e vídeo. Provavelmente sairá alguma coisa futuramente.

2) Por falar no Tomato, o Jon Lord vai à Austrália com o maestro Paul Mann, em janeiro do ano que vem, para apresentar o Concerto. Enquanto isso, ele está compondo um concerto para piano e orquestra - coisa que o Mann disse estar entre as melhores que Jon já compôs. Será apresentado em fevereiro.

3) O Ian Gillan gravou em vídeo muitos shows, platéia e bastidores desde 2000. Pretende fazer um documentário. Ian Paice já entrou na farra com ele.

domingo, 19 de maio de 2002

Paul Mann é que é o sexto Purple

Há alguns dias, eu escrevi aqui que o Ronnie James Dio seria o sexto membro do Deep Purple. Injustiça, e da braba.

O sexto já era o maestro Paul Mann, desde a gloriosa turnê do Concerto. Agora ele é o sétimo, porque o sexto é o Jon Lord. Dio seria, com muito boa vontade, o oitavo membro do grupo.



Deixa eu falar um pouco do maestro. Paul Mann, além de ser um jovem e talentoso maestro, é gente finíssima --e um dos maiores fãs do Deep Purple neste mundo. Ele conta que começou a se interessar por música clássica quando tinha uns quatro ou cinco anos, ouvindo o disco "Concerto for Group and Orchestra". Adolescente, ele ia a simplesmente todos os shows do Deep Purple que podia --seu tio é ninguém menos que Colin Hart, que por três décadas foi o homem que quase literalmente carregava o piano para o Deep Purple. Hoje, Hart está aposentado.

Como ele consegue manter 85 no ritmo com um pauzinho branco se o Ian Paice não consegue manter aqueles quatro putos direito com dois?Aos 37 anos, Mann é um dos mais jovens maestros da Sinfônica de Londres. De vez em quando mando um e-mail para ele, e ele sempre responde numa ótima. Outro dia ele disse que estava louco para que o Deep Purple fosse logo fazer os shows em Londres, para assisti-los ao lado do palco "com um enorme copo de vinho tinto". Admiro muito quem sabe curtir a vida assim.

Lá pelos doze anos de idade, Paul inventou que queria ser tecladista de rock. Don Airey, o atual tecladista do Deep Purple, era na época o cutucador de branquinhas do Rainbow --que Colin Hard produzia. Um dia, nos bastidores de um show, Mann olhou aquela parafernália de coisas para o teclado e foi falar com o Airey. E ele disse: "tudo isso aí é muito legal, mas não chega nem aos pés do som de um grande piano". E o Paul toca piano até hoje. Só que ele reconhece não ter a capacidade de improvisar, necessaríssima para jazz e rock modernos (eu mesmo não tenho essa capacidade, mal e mal toco meu violãozinho; por isso decidi não ser músico).

Mann é formado em música pela Universidade de York, na Inglaterra. Começou sua carreira de maestro em 1988, aos 23 anos (!), na Orquestra Sinfônica de York. No site da YSO, eles mencionam que "seu estilo enérgico de conduzir a orquestra levou um crítico a observar, certa vez, que seus pés saiam do chão em passagens particularmente empolgantes". Vê se não parece que ele está pulando nesta foto ao lado. Em 1992, Mann mudou-se para Manchester para trabalhar como condutor-assistente do Northern Ballet, em Halifax, mas continuou também na YSO por mais um ano. Há um belo perfil dele no site da YSO.

Ele é um dos maestros da London Symphony Orchestra desde 1998. Já tocou no mundo inteiro nessa farra. Mais que isso: tocou com algumas das mais interessantes personalidades do mundo da música, como Wynton Marsalis e o próprio Deep Purple.

Com o Purple, ele girou o mundo para comandar a apresentação da nova e melhorada versão do Concerto para Grupo e Orquestra, composto por Jon Lord, cuja partitura estava perdida havia quase 30 anos e foi reescrita por Lord e um diligente músico húngaro, que fez a maior parte do trabalho duro.

Em julho do ano passado, foi aberto um fórum no site do Deep Purple para que os fãs conversassem com ele sobre o Concerto. As melhores perguntas e respostas foram reunidas em um especial, em outubro. Lá, Paul conta que teve UMA SEMANA entre o convite e o concerto dos 30 anos, em 1999. Entre outras histórias sensacionais que ele conta sobre seus meses como o sexto Purple, está uma frase antológica, que o Ian Paice teria dito a ele:

-- Ei, Mann, cara, como cê faz isso? Você bota 85 músicos no ritmo com um pauzinho branco, e eu, com dois, não consigo nem fazer esses quatro putos trabalharem direito!

Nessa longa turnê, ele regeu orquestras pelo mundo inteiro --incluindo a Jazz Sinfônica de São Paulo, no evento cultural mais subestimado do Brasil. Paul diz que foi um pusta prazer reger o concerto que abriu seus ouvidos para a música clássica, e eu não duvido. No lugar dele, eu ficaria igualmente bobo. Para completar, Mann também foi o cara que regeu a primeira apresentação do Concerto SEM o Deep Purple, na Austrália, em fevereiro. Foi uma colaboração entre uma orquestra local e uma banda da região. Uma vez pendurei aqui umas declarações dele sobre o assunto.

Só para encurtar: o cara é gente finíssima. Ainda quero beber com ele para bater papo e dar umas risadas.

Sobre o Concerto: quem nunca ouviu o CD com a apresentação no Royal Albert Hall deve ouvir. Ou comprar o DVD. Eu fui burro e não comprei o VHS disso, e agora vai ser putamerdalmente difícil de conseguir. (Aliás: quem tiver e quiser vender, mande um e-mail pra mim.)

segunda-feira, 4 de março de 2002

Frase do dia

"Paul, você deve ser um pusta gênio para manter setenta músicos no tempo certo com um pauzinho. Eu não consigo fazer esses quatro putos entrarem no ritmo com meus dois!"

IAN PAICE, baterista do Deep Purple, em conversa com o maestro Paul Mann durante a turnê do Concerto para Grupo e Orquestra, em 2000

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002

Concerto na Austrália

Perguntei ao maestro Paul Mann, no fórum do Deep Purple, como foi a nova versão do Concerto para Grupo e Orquestra apresentada em Brisbane, na Austrália. Pela primeira vez, a obra foi apresentada sem nenhum membro do Deep Purple presente. Foram usadas duas bandas locais. Jon Lord, compositor do Concerto, pensava em ir, mas ele está na turnê da Inglaterra. Vejam o relato do maestro:

"A Austrália estava realmente maravilhosa, obrigado. A banda, um jovem grupo de Brisbane chamado "George", realmente fez algo próprio com a peça. A orquestra também estava excepcional, ótima para trabalhar, a tudo isso colaborou para ser o melhor início possível para a vida do Concerto depois do Deep Purple. Só estou esperando pelos mixes das gravações para levar ao Jon --tenho certeza de que ele vai ficar muito impressionado com o novo olhar da banda sobre o material, que soou muito diferente do que eu estava acostumado a ouvir, mas ao mesmo tempo totalmente convincente em seus próprios termos. Doug [um dos editores do site do Deep Purple] me pediu para escrever um pequeno relato para o The Highway Star, o que devo fazer nos próximos dias, e lá vou dar um pouco mais de detalhes. No momento, as gravações são apenas para nosso uso, mas espero que eles obtenham todas as autorizações necessárias em algum ponto para que possam lançar propriamente o material."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002

Paul Mann: o que Metallica faz é 'importantite'

Paul Mann, o maestro que regeu o Concerto para Grupo e Orquestra no mundo inteiro, vai reger a primeira apresentação do Concerto sem o Deep Purple, na Austrália. Isso, dizem alguns, coloca Jon Lord (que compôs o Concerto) no mesmo patamar de um Beethoven moderno.

Ele deu uma entrevista para um site australiano e fez alguns comentários sobre as diferenças entre um trabalho do porte do Concerto (composto fundindo a musicalidade da banda e a da orquestra) e coisas como o Mettallica fez, de colocar a orquestra para fazer um pano de fundo para suas músicas. Vejam as observações do maestro da London Symphony Orchestra:

"Sobre o negócio do Metallica, admito que acho ser um caso do que você pode chamar de 'importantite'. Uma banda que apenas usa uma orquestra como um apoio de luxo, mas sem que isso adicione muita coisa ao material. Acho que escolhemos (na turnê com o Deep Purple, em que a orquestra fez o fundo de algumas) músicas que ganharam uma dimensão completamente nova com o uso da orquestra, ao lado, claro, da forma como o Concerto explora a relação entre os dois mundos."