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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Um minuto de silêncio: Jim Marshall morreu


Fiquei sabendo agora pela manhã, no Facebook do guitarrista Bernie Torme, que Jim Marshall morreu. Uma lástima. Há uma página no Facebook para postar condolências.

Não existe som mais bonito, no rock, que o de uma Fender Stratocaster amplificada por um Marshall valvulado. Talvez só o de um Hammond amplificado por um Marshall se compare. A graça do Deep Purple desde o início era combinar os dois. Mas não só eles. Boa parte do rock britânico dos anos 60 e 70 deve sua existência e genialidade a Marshall.


Marshall era baterista de uma big band antes de abrir uma loja de instrumentos em Hanwell, no comecinho dos anos 60. Músicos de toda a região do Oeste de Londres se encontravam lá pra bater papo, testar equipamento, comprar fiado e, todo sábado, dar canjas. Mais ou menos como as que costumavam rolar numa das lojas da Teodoro Sampaio. (Entrevistado para uma biografia do Blackmore, Marshall disse que não lembrava das canjas.)

O Oeste de Londres é pertinho da região onde cresceram Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Jimmy Page e outros gênios. Heathrow, onde fica o aeroporto internacional, é um pouco adiante - o que significa que esse povo precisava TOCAR ALTO pra ser ouvido. Belo lugar pra surgirem guitarristas, vocalistas e os melhores amplificadores do mundo.

Jim Marshall era amigo de Bert Kirby, professor de música de Nick Simper. Foi na loja dele que Simper comprou sua primeira guitarra - fiado.  Custava 20 libras, e ele parcelou em uma libra por semana. Quando metade das prestações estava quitada, Marshall escreveu no cartão: "PAGO".

Simper não era o único agraciado por essa generosidade. Mais tarde, quando Marshall começou a construir amplificadores, essa generosidade se traduziu em uma clientela leal formada pelos lisos do passado. Parte dela ficou famosa, amplificando a fama de seus equipamentos para o mundo inteiro.


Três momentos cruciais de Marshall com o Deep Purple:
  • Em 1968, quando a primeira formação do Deep Purple estava sendo criada, os empresários bancaram a compra de 7 mil libras em equipamentos na loja de Jim Marshall. Isso incluía o primeiro Hammond próprio de Jon Lord e, claro, os amplificadores.
  • No ano seguinte, os empresários do Deep Purple toparam a ideia excêntrica de Jon Lord de fazer um concerto juntando banda de rock e orquestra. Marcaram uma data no Royal Albert Hall para isso. Além do problema da composição, havia um outro: como fazer para que TODOS fossem ouvidos? A acústica do RAH dava conta da orquestra, mas com a amplificação da banda poderia ser impossível ouvir os instrumentos sinfônicos. Por acaso, Jim Marshall tinha acabado de criar um sistema de mixagem de 600 watts. Ele colocou um anúncio nos jornais ingleses informando que o show seria a "World Premiere" do seu novo sistema. O resultado? Este:

  • Em 1973, quando Blackmore não pôde tocar num show lotado em Amsterdã e a banda deixou o bis de lado, a plateia ficou tão violenta que detonou os amplificadores que estavam no palco.  Para poder fazer o show seguinte em Copenhagen, dali a três dias, eles estariam em apuros se não fosse a agilidade de Marshall para fazer a entrega - com toda a precariedade de comunicações do começo dos anos 70. 
Minhas mais sinceras condolências, portanto.

E, caso algum leitor do Purpendicular ganhe na Mega-Sena um dia, aceito como presente um frigobar assim:

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Um minuto de silêncio



Sir Malcolm Arnold, o maestro que regeu e ajudou Jon Lord a compor o Concerto for Group and Orchestra e Gemini Suite, morreu neste sábado. Tinha 85 anos de idade. Em 1993, foi coroado cavaleiro.

Arnold era um compositor de mão cheia, especialmente para filmes. Era dele, por exemplo, a trilha assoviada de "A Ponte do Rio Kwai" (ou de "A Ponte do Rio Que Cai", pra quem via o Faustão no começo dos anos 90), com a qual ganhou um Oscar. Ele escreveu trilhas para mais de 80 filmes nos anos 50. Ao todo, escreveu 132 trilhas e mais de 20 concertos. Um livro inglês o classifica como o "compositor mais mal entendido" da Grã-Bretanha.

O obituário de Arnold publicado no The Times o descreve como um gênio visionário que sofria de distúrbios psíquicos: seria esquizofrênico, depressivo e teria tido problemas com álcool.

O texto do Times não especifica a causa da morte. (Tampouco menciona sua colaboração com o Deep Purple.) O Daily Record, porém, diz que ele estava hospitalizado fazia alguns dias.

Em York, na Inglaterra, está em cartaz o balé Os Três Mosqueteiros, cuja música foi composta por Arnold. Na sexta-feira, um dia antes de sua morte, o jornal The York Press descrevia o maestro como "um dos maiores compositores britânicos vivos".

Já estava marcado para outubro deste ano, quando Arnold completaria 85 anos, o Arnold Festival. Sua música será tocada em vários lugares da Europa, da Ásia e da América do Norte, em 21 e 22 de outubro. No Brasil, Arnold é praticamente desconhecido - especialmente a julgar pelo catálogo das lojas online. O Submarino e a Fnac só têm, cada uma, um CD com sua obra. A Laserland tem seis, mas todos só para importação sob encomenda. Assim sendo, não tem Malcolm Arnold's Day no Brasil, a menos que alguém apresente o DVD do Concerto em público.

Conheça também seu website oficial e o da Malcolm Arnold Society.

A Malcolm Arnold Society tem na internet um alentado artigo sobre a colaboração entre Arnold e Jon Lord. Nesse artigo, Vincent Budd descreve a parceria e conclui:

"As colaborações de Jon Lord com Malcolm Arnold, e mais tarde com Eberhard Schoener, à sua própria maneira mostram que delícias musicais podem ser conquistadas quando os músicos têm bravura suficiente para tentar sacudir os grilhões culturais com os quais a humanidade tratou de prender sua vida terrena. O Concerto, Gemini Suite, Windows e Sarabande são trabalhos de valor duradouro e de uma força suprema e formidável. Diversos outros grupos e músicos de rock já tentaram tomar essa veia de exploração musical, alavancando sua linguagem musical com o meio privilegiado da orquestra, muitas vezes com grande efeito e, sim, ocasionalmente menos que isso. Entretanto, a série de álbuns que Jon Lord produziu entre 1969 e 1976 tem poucos rivais, e se constitui num corpo ímpar de entretenimento musical, para ser apreciado por qualquer amante da música pronto para fruí-lo com de coração alegre e menos endurecido."

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Rolam as pedras

Esta aqui embaixo é a capa do número mil da revista Rolling Stone, lendária bíblia da música pop. Vocês conseguem identificar algum membro do Deep Purple nesse onde-está-Wally? Eu ainda não procurei direito.



Vale a pena ler, no site da Rolling Stone, as resenhas de alguns discos do Deep Purple. Eles começam em Machine Head e resenham todos os principais discos até House of Blue Light (incrivelmente considerado melhor do que Perfect Strangers pela revista).

Como muitos de nós não vivemos a época original do lançamento dos discos (eu nasci uma semana antes da resenha de Made in Europe), ainda mais nos EUA, é sempre uma preciosidade encontrar essas coisas pra ver como os vaivéns do Deep Purple foram recebidos na época. Sente só, no original:

Machine Head - "Now, I can't be that much of a purist, because I'm sure that "Highway Star" and "Space Truckin'" took at least 20 minutes each to compose, but I do know that this very banality is half the fun of rock 'n' roll. And I am confident that I will love the next five Deep Purple albums madly so long as they sound exactly like these last three." (Ele comenta três músicas na resenha. Nenhuma delas é Smoke on the Water.)

Made in Japan - "While Purple refuses to take themselves too seriously, all of the solos on Made In Japan are technically superior to most instrumental melodramatics one hears from supposedly more serious bands."

Who Do We Think We Are - "Jeez, what an unsettling album! For the life of Reilly I can't understand how Deep Purple evidently lost the macho glory which made their In Rock LP such an Owsleyan mindfuck."

Burn - "Deep Purple's first album since last year's departure of vocalist Ian Gillan and bassist/composer Roger Glover is a passable but disappointing effort. On Burn, new lead singer David Coverdale sounds suitably histrionic, like Free's brilliant Paul Rodgers (rumored to have been Purple's first replacement choice). But the new material is largely drab and ordinary, without the runaway locomotive power of the group's best work."

Stormbringer - "While the two newcomers are just as competent as their predecessors (as witnessed on the title cut, one of the few real throwbacks to Machine Head days), the attempts that the band has made at diversifying its sound have been only partly successful. (...) Stormbringer still exhibits a few points of flash—the occasional familiar Blackmore riff or Lord organ wail—but in toto it's a far cry from the band's peak."

Come Taste The Band - "Like Blackmore, Bolin establishes tension between Purple's solid rhythm foundation and his own sustained clarity and agitated upper-fret playing. While Blackmore was largely confined by this style, Bolin employs it as only one of many. His more flexible approach to writing and arranging produces a more melodic and dynamic feel. With him, Purple's music has outgrown the predictability of the past. Textures replace a reliance on volume, and changes in tone and pace more frequently contrast and augment each other. There is evidence of give and take that Deep Purple hasn't shown for some time. (...) A visible attempt to experiment has expanded the group's music beyond the heavy-metal trap, and this could lead them to rediscover the progressive style that somehow vanished after In Rock."

Made in Europe - "Composed of five extended tracks from three European concerts in early 1975, Made in Europe chronicles the last moments of guitarist Ritchie Blackmore's membership in Deep Purple, and the opportunity to glean a few more bucks from Blackmore's currently rising status seems to be the sole reason for its release. (...) The only interesting moments occur on "Burn," the seven-minute opening cut. It's a well-done, solid rocker, but its fascination stems largely from how hard vocalist David Coverdale tries to mimic his popular predecessor Ian Gillan." (Acuma?)

Perfect Strangers - "Excepting the title cut and the rambunctious but less effective "Knocking at Your Back Door," the material consists of hastily knocked-off jams that allow guitar demigod Ritchie Blackmore to whip out his finger exercises in public. The band spent about six to eight weeks recording this comeback. (The current lineup is actually neither the original nor the final Deep Purple but the most successful – of "Smoke on the Water" fame.) It doesn't sound as if they spent much more time thinking about it, either. (...) Then again, did Deep Purple ever have more than one or two really good, concise numbers on an album? Maybe they're just making the kind of record they always did, the only kind they know how to make."

House of Blue Light - "Of the seventies hard-rock dinosaurs that still roam the earth, Deep Purple is one of the few with any credibility left in its crunch. The House of Blue Light – the second album by Purple's classic In Rock lineup since their return to active duty – is certainly a marked improvement over their lukewarm '84 comeback, Perfect Strangers, and, except for a couple of outright duds on side two, is as good as this band has ever been since its "Smoke on the Water" salad days."

O que eles falam de outros discos:

Os primeiros - "Their first two American albums on Tetragrammaton were mostly uninspired, despite some good cover versions of songs like "I'm So Glad" and "Hush." The basic problem seemed to be that the group hadn't really learned to write yet, so the covers were the best way to grow without losing the audience. Except that no self-respecting late-Sixties rock band wants to put out an album with nothing but covers on it, so we were left with a bunch of boring originals, half of them instrumental. When, that is, they weren't indulging in long "improvisational" forays such as their first album's bolero rendition of Hey Joe."

Concerto - "The pretentious side of Deep Purple found its fullest expression in their first album for Warner's, Concerto For Group and Orchestra, written by Lord and performed with the aid of Malcolm Arnold and the "Royal Philharmonic Orchestra." It was an atrocity."

In Rock - Deep Purple in Rock was a dynamic, frenzied piece of work sounding not a little like the MC5 (anybody who thinks that all heavy bands put out thudding slabs of "downer" music just hasn't gotten into Deep Purple).

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Pra querer ficar rico

Jon Lord vai tocar o Concerto agora em julho, no Festival de Henley, na Inglaterra. Já estou jogando na Mega-Sena pra ir. Mas tem um detalhe: a organização do festival exige que os cavalheiros vão de black-tie ou, no máximo, de terno e gravata.

Simon Robinson, que certamente vai estar lá, está candando e agando pra isso: "Não tenho (nem uso) gravata desde que cerimoniosamente queimamos todas em uma escrivaninha no meu último dia na escola. E isso faz muito tempo mesmo."

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Gillan e clásicos

Hoje no Orkut um colega tentou imaginar como seriam as colaborações entre Gillan e Pavarotti (de 2001 e 2003) caso elas tivessem ocorrido há 35 anos, quando Ian estava no auge. Minha resposta:

Não rolava. O Gillan achava coisa de velho. Pros dois concertos que o Jon Lord compôs pra orquestra e Deep Purple, o mestre escreveu as letras nas coxas, na última hora.

No Concerto for Group and Orchestra, com três meses de estrada com o Deep Purple, ele tinha medo de se perder na música e de que fossem rir da cara dele:

How can I see
When the light is gone out
How can I hear
When you speak so silently
More than enough
Is never too much
Hold out a hand
I'm so out of touch

Do unto me
As your heart would have you do
Looks on my head
Cannot get the message through
Sword in my hand
Can cut through the wood
Peace in my heart
Can summon the mood

What shall I do
When they stand smiling at me
Look at the floor
And be oh so cool
Oh so cool

How shall I know
When to start singing my song
What shall I do
If they all go wrong
What shall I do


Já pro Gemini Suite, ele não tinha mais medo de nada. Só estava MUITO puto da vida de ter que cantar de novo junto com uma orquestra. Continuava achando que ia pagar mico, e soltou tudo isso na letra, escrita nas coxas na última hora:

All I wish,
That I wasn't here,
Don't you know?
I've got a rotten feeling,
Of dizzy heights,
It's what they want to know,
Oh, well here I go,
Oh, what a funny show.

Take my time,
It's the odds that count,
Who am I?
What a silly sound,
Hold my breath,
Talk of sudden death,
Rhyme and reason must prevail,
I need a glass of ale.

Still I've a got a feeling now,
No need for me to tell you how,
It's kind of easy now,
Woh-oh like rock'n'roll.

Boogaloo and now I feel alright,
It's funky and it's out of sight,
Feeling good, feeling right,
It's gonna be alright.

Now I know where I'm going,
Now I know where it's at,
Can I treat you alone?


Na hora de regravar o Gemini Suite com a Yvonne Elliman (aquela vocalista que fez a Maria Madalena em Jesus Christ Superstar), o Jon Lord mudou completamente a letra. Porque certamente teria ficado puto com o Gillan.

Somente trinta anos depois do Concerto, em 1999, é que o Ian Gillan entrou no espírito da coisa. Quando a imensa salva de palmas no Royal Albert Hall já se dissipava, ele fez as pazes com o passado: "Yeah. We finally got it right".

É interessante notar que, na época, nem orquestra e nem parte da banda notava o que seria o negócio.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2003

Compromisso marcado

Qualquer fã do Purple que ganhe na Megasena acumulada nos próximos meses já tem compromisso marcado no novo ano: Jon Lord vai apresentar o Concerto para Grupo e Orquestra na Áustria, em 11 de setembro. Não está confirmado se o Steve Morse vai tocar. Kirstjan Järvi, regente da Tonkuenstler Orchestra de Viena e um músico bastante antenado em fusões de sons, será o terceiro maestro a pôr as mãos na obra-prima de Jon Lord.

sábado, 21 de dezembro de 2002

O Concerto e David Brubeck

A idéia do Concerto for Group and Orchestra, do Deep Purple, não veio a Jon Lord do nada. Ele havia escutado o disco "Brubeck Plays Bernstein Plays Brubeck" (de 1959), que juntava o pianista de jazz Dave Brubeck e o grande maestro Leonard Bernstein. A informação está na matéria da Mojo Magazine sobre a formação do Deep Purple, reproduzida no site da DPAS.

Interessado no assunto que sou, instigado por uma conversa recente lá no Hapax Legomenon, fui atrás de mais detalhes:

O irmão de Brubeck, Howard, havia composto uma peça chamada Dialogues for Jazz Combo and Orchestra, em quatro movimentos: Allegro, Andante (balada), Adagio (balada) e Allegro (blues). Isso foi tocado com a Orquestra Filarmônica de Nova York. Foi o trabalho pioneiro da fusão de jazz com clássicos.

Em 1999, na época em que Jon Lord reapresentava o Concerto, Brubeck foi nomeado mestre em jazz pela National Endowment of the Arts. Tinha 79 anos. Ainda tem 19 anos para o Jon Lord ganhar algo do gênero.

sábado, 2 de novembro de 2002

Gillan sobre o Concerto

O Ian Gillan fala, no mais recente Wordography, sobre a letra do segundo movimento do Concerto para Grupo e Orquestra, de 1969. Ele tinha 24 anos; Jon Lord, o compositor do grande concerto, tinha 28.

"Não havia muito entusiasmo com, nem muito entendimento do que fosse, a obra prima de Jon Lord em 1969. Nós, do Deep Purple, estávamos mais interessados em lançar de uma vez o Deep Purple In Rock (o primeiro disco da fase clássica deles, lançado em 1970)... nossas mentes estavam em outro lugar até o último minuto.

Essas palavras, ou a maior parte delas, foram escritas num guardanapo de um restaurante italiano perto do Royal Albert Hall, pouco antes do último ensaio. Foi a paciência encorajadora de Jon que extraiu de mim essas linhas introvertidas e vagamente incongruentes.

Fico feliz que tenhamos tido a chance de nos redimirmos trinta anos depois, quando a performance de aniversário foi feita com muito mais entusiasmo e compreensão, tanto pelo grupo quanto pela orquestra.

Obrigado, Jon."



Second Movement 5/4 Section
(Gillan, Lord)

How can I see when the light has gone out
How can I hear when you speak so silently
More than enough is never too much
Hold out a hand I'm so out of touch

Do unto me as your heart would have you do
Words in my head can I get the message through
Sword in my hand can cut through the wood
Peace in my heart can soften the mood


Second Movement 6/8 Section
(Gillan, Lord)

What shall I do when they stand smiling at me
Look at the floor and be oh so cool

How shall I know when to start singing my song
What shall I do if they all go wrong

What shall I do when they stand laughing at me
Walk through the door and be oh so cool

How shall I know when to stop singing my song
What shall I do when it all goes wrong

segunda-feira, 7 de outubro de 2002

Três boas notícias

Uau, faz uma semana, já, que não escrevo aqui. Bom, vamos lá.

1) Os shows de despedida do Jon Lord - Ipswitch, sem dúvida, e também aquele em que o pessoal do Iron Maiden participou - foram gravados em áudio e vídeo. Provavelmente sairá alguma coisa futuramente.

2) Por falar no Tomato, o Jon Lord vai à Austrália com o maestro Paul Mann, em janeiro do ano que vem, para apresentar o Concerto. Enquanto isso, ele está compondo um concerto para piano e orquestra - coisa que o Mann disse estar entre as melhores que Jon já compôs. Será apresentado em fevereiro.

3) O Ian Gillan gravou em vídeo muitos shows, platéia e bastidores desde 2000. Pretende fazer um documentário. Ian Paice já entrou na farra com ele.

domingo, 19 de maio de 2002

Paul Mann é que é o sexto Purple

Há alguns dias, eu escrevi aqui que o Ronnie James Dio seria o sexto membro do Deep Purple. Injustiça, e da braba.

O sexto já era o maestro Paul Mann, desde a gloriosa turnê do Concerto. Agora ele é o sétimo, porque o sexto é o Jon Lord. Dio seria, com muito boa vontade, o oitavo membro do grupo.



Deixa eu falar um pouco do maestro. Paul Mann, além de ser um jovem e talentoso maestro, é gente finíssima --e um dos maiores fãs do Deep Purple neste mundo. Ele conta que começou a se interessar por música clássica quando tinha uns quatro ou cinco anos, ouvindo o disco "Concerto for Group and Orchestra". Adolescente, ele ia a simplesmente todos os shows do Deep Purple que podia --seu tio é ninguém menos que Colin Hart, que por três décadas foi o homem que quase literalmente carregava o piano para o Deep Purple. Hoje, Hart está aposentado.

Como ele consegue manter 85 no ritmo com um pauzinho branco se o Ian Paice não consegue manter aqueles quatro putos direito com dois?Aos 37 anos, Mann é um dos mais jovens maestros da Sinfônica de Londres. De vez em quando mando um e-mail para ele, e ele sempre responde numa ótima. Outro dia ele disse que estava louco para que o Deep Purple fosse logo fazer os shows em Londres, para assisti-los ao lado do palco "com um enorme copo de vinho tinto". Admiro muito quem sabe curtir a vida assim.

Lá pelos doze anos de idade, Paul inventou que queria ser tecladista de rock. Don Airey, o atual tecladista do Deep Purple, era na época o cutucador de branquinhas do Rainbow --que Colin Hard produzia. Um dia, nos bastidores de um show, Mann olhou aquela parafernália de coisas para o teclado e foi falar com o Airey. E ele disse: "tudo isso aí é muito legal, mas não chega nem aos pés do som de um grande piano". E o Paul toca piano até hoje. Só que ele reconhece não ter a capacidade de improvisar, necessaríssima para jazz e rock modernos (eu mesmo não tenho essa capacidade, mal e mal toco meu violãozinho; por isso decidi não ser músico).

Mann é formado em música pela Universidade de York, na Inglaterra. Começou sua carreira de maestro em 1988, aos 23 anos (!), na Orquestra Sinfônica de York. No site da YSO, eles mencionam que "seu estilo enérgico de conduzir a orquestra levou um crítico a observar, certa vez, que seus pés saiam do chão em passagens particularmente empolgantes". Vê se não parece que ele está pulando nesta foto ao lado. Em 1992, Mann mudou-se para Manchester para trabalhar como condutor-assistente do Northern Ballet, em Halifax, mas continuou também na YSO por mais um ano. Há um belo perfil dele no site da YSO.

Ele é um dos maestros da London Symphony Orchestra desde 1998. Já tocou no mundo inteiro nessa farra. Mais que isso: tocou com algumas das mais interessantes personalidades do mundo da música, como Wynton Marsalis e o próprio Deep Purple.

Com o Purple, ele girou o mundo para comandar a apresentação da nova e melhorada versão do Concerto para Grupo e Orquestra, composto por Jon Lord, cuja partitura estava perdida havia quase 30 anos e foi reescrita por Lord e um diligente músico húngaro, que fez a maior parte do trabalho duro.

Em julho do ano passado, foi aberto um fórum no site do Deep Purple para que os fãs conversassem com ele sobre o Concerto. As melhores perguntas e respostas foram reunidas em um especial, em outubro. Lá, Paul conta que teve UMA SEMANA entre o convite e o concerto dos 30 anos, em 1999. Entre outras histórias sensacionais que ele conta sobre seus meses como o sexto Purple, está uma frase antológica, que o Ian Paice teria dito a ele:

-- Ei, Mann, cara, como cê faz isso? Você bota 85 músicos no ritmo com um pauzinho branco, e eu, com dois, não consigo nem fazer esses quatro putos trabalharem direito!

Nessa longa turnê, ele regeu orquestras pelo mundo inteiro --incluindo a Jazz Sinfônica de São Paulo, no evento cultural mais subestimado do Brasil. Paul diz que foi um pusta prazer reger o concerto que abriu seus ouvidos para a música clássica, e eu não duvido. No lugar dele, eu ficaria igualmente bobo. Para completar, Mann também foi o cara que regeu a primeira apresentação do Concerto SEM o Deep Purple, na Austrália, em fevereiro. Foi uma colaboração entre uma orquestra local e uma banda da região. Uma vez pendurei aqui umas declarações dele sobre o assunto.

Só para encurtar: o cara é gente finíssima. Ainda quero beber com ele para bater papo e dar umas risadas.

Sobre o Concerto: quem nunca ouviu o CD com a apresentação no Royal Albert Hall deve ouvir. Ou comprar o DVD. Eu fui burro e não comprei o VHS disso, e agora vai ser putamerdalmente difícil de conseguir. (Aliás: quem tiver e quiser vender, mande um e-mail pra mim.)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002

Concerto na Austrália

Perguntei ao maestro Paul Mann, no fórum do Deep Purple, como foi a nova versão do Concerto para Grupo e Orquestra apresentada em Brisbane, na Austrália. Pela primeira vez, a obra foi apresentada sem nenhum membro do Deep Purple presente. Foram usadas duas bandas locais. Jon Lord, compositor do Concerto, pensava em ir, mas ele está na turnê da Inglaterra. Vejam o relato do maestro:

"A Austrália estava realmente maravilhosa, obrigado. A banda, um jovem grupo de Brisbane chamado "George", realmente fez algo próprio com a peça. A orquestra também estava excepcional, ótima para trabalhar, a tudo isso colaborou para ser o melhor início possível para a vida do Concerto depois do Deep Purple. Só estou esperando pelos mixes das gravações para levar ao Jon --tenho certeza de que ele vai ficar muito impressionado com o novo olhar da banda sobre o material, que soou muito diferente do que eu estava acostumado a ouvir, mas ao mesmo tempo totalmente convincente em seus próprios termos. Doug [um dos editores do site do Deep Purple] me pediu para escrever um pequeno relato para o The Highway Star, o que devo fazer nos próximos dias, e lá vou dar um pouco mais de detalhes. No momento, as gravações são apenas para nosso uso, mas espero que eles obtenham todas as autorizações necessárias em algum ponto para que possam lançar propriamente o material."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002

Paul Mann: o que Metallica faz é 'importantite'

Paul Mann, o maestro que regeu o Concerto para Grupo e Orquestra no mundo inteiro, vai reger a primeira apresentação do Concerto sem o Deep Purple, na Austrália. Isso, dizem alguns, coloca Jon Lord (que compôs o Concerto) no mesmo patamar de um Beethoven moderno.

Ele deu uma entrevista para um site australiano e fez alguns comentários sobre as diferenças entre um trabalho do porte do Concerto (composto fundindo a musicalidade da banda e a da orquestra) e coisas como o Mettallica fez, de colocar a orquestra para fazer um pano de fundo para suas músicas. Vejam as observações do maestro da London Symphony Orchestra:

"Sobre o negócio do Metallica, admito que acho ser um caso do que você pode chamar de 'importantite'. Uma banda que apenas usa uma orquestra como um apoio de luxo, mas sem que isso adicione muita coisa ao material. Acho que escolhemos (na turnê com o Deep Purple, em que a orquestra fez o fundo de algumas) músicas que ganharam uma dimensão completamente nova com o uso da orquestra, ao lado, claro, da forma como o Concerto explora a relação entre os dois mundos."