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sábado, 23 de junho de 2007

O mestre do gênio

Parte do motivo pelo qual o Ritchie Blackmore tem aquela presença ao mesmo tempo discreta e inflada no palco é o fato de ele ter tocado com Screaming Lord Sutch nos anos 60. Sutch tinha bandas malucas, homenageando o império romano e Jack, o Estripador. Presença de palco era tudo, até o fim de sua vida. Em 1999, quando Sutch se suicidou, seus amigos cumpriram à risca seu último desejo expresso no testamento: uma grande festa de rock'n'roll até o dia clarear.

Mais de 30 anos antes de dar cabo à vida, porém, Sutch era um gênio do rock. Descobriu grandes como Blackmore e Jeff Beck. Beck, aliás, apareceria no filme "Blow Up", de Michelangelo Antonioni, tocando uma música famosa na versão de Sutch: "Train Kept a-Rolling". No filme, porém, a letra da música foi mudada.

Abaixo, dois vídeos do Lorde Gritão Sutch. O primeiro mostra um Blackmore MUITO novinho tocando (e cantando!) "Jack the Ripper". O segundo mostra Sutch usando o suspeito traje da banda Screaming Lord Sutch and the Roman Empire para cantar a música do cara que entrou no trem e conheceu uma dama que não era muito bonita, mas que ele não podia deixar passar. Chega junto, mocinha maneira, chega junto...



sábado, 5 de agosto de 2006

O estripador

Achei no YouTube um videozinho de 1965 que mostra o mestre Screaming Lord Sutch cantando seu sucesso "Jack The Ripper". Nada me tira da cabeça que o guitarrista que aparece só de canto e só de costas é aquele nosso amigo que se veste de preto.

domingo, 11 de junho de 2006

De raiz

DE RAIZ

Muito antes de Child in Time, Ian Gillan já quebrava tudo. Vejam abaixo dois flagrantes dele no Episode Six, em 1967 (o Glover também tocava lá), e o vídeo alemão de Hallellujah, a primeira música que ele gravou com o Deep Purple. Depois de Hallellujah, um vídeo raro de Screaming Lord Sutch. O Blackmore deve ser o guitarrista, mas só aparece o som.







quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Raridades do Blackmore pré-Purple

Quando o Homem de Preto era apenas um jovem clone do Mr. Bean, ele gravava rocks sensacionais, estilo anos 50, com várias bandas diferentes. Em novembro, sai lá fora um disco duplo com várias faixas gravadas pelo Blackmore nos anos 60. Tem uma palinha no site da DPAS. Minha favorita dessas que estão lá: "Satan's Holiday". No disco, as sessões vão de 1963 a 1970, terminando com "Green Bullfrog" (gravada com o Ian Paice nos intervalos de Fireball).

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Um minuto de silêncio para Carlo Little

UM MINUTO DE SILÊNCIO

Carlo Little, que foi baterista de várias bandas do legendário Screaming Lord Sutch (Screaming Lord Sutch & The Savages, SLS & The Roman Empire, SLS & o caray a quatro), morreu no dia 6 de agosto, de câncer de pulmão.

O que ele está fazendo aqui, se ele não foi do Deep Purple? Ora, ele foi um galho muito presente na árvore genealógica da banda. Nas bandas de Lord Sutch, ele tocou com Ritchie Blackmore e Nick Simper. Quando tocou na The Flowerpot Men, no final dos anos 60, era colega de um talentoso tecladista que mais tarde deixaria crescer um indefectível bigodón. Jon Lord, inclusive, tocou órgão em seu casamento, em 20 de julho de 1968. Sei de dois caras que tiveram esse privilégio: ele e o Steve Morse.

No site dele era possível encontrar um dos mais completos tributos a David "Screaming Lord" Sutch. Criador do Loony Raving Monster Party e detentor do recorde de candidato mais insistente a primeiro ministro da Inglaterra, Lord Sutch descobriu alguns dos maiores talentos do rock inglês nos anos 60 (Blackmore, Page, Nick Simper, etc) e se suicidou no final dos anos 90. É meu ídolo político por ter criado o partido menos bunda-mole do mundo. Mas, enfim, já o homenageei várias vezes, e esta é a vez do Carlo Little.

Fora de eventuais gravações do Sutch que eu ouvi, não lembro de ter ouvido trabalhos do baterista. Mas eu já conhecia sua carreira pela internet, especialmente devido aos flagrantes da história do rock inglês que ele reunia. O cara era um arquivo vivo do rock britânico, amigo de todos eles, como mostra esta foto aqui do lado. Ele foi baterista dos Rolling Stones por um breve período, mas saltou fora por achar que a banda não tinha futuro (!). Em 1999, vendia cachorro-quente na entrada de um show dos véios.

Em 2003, publiquei no Cabide esta foto, com um Ritchie Blackmore de meros 15 anos, tirada do site dele:



O site da DPAS publica uma hilária foto de uma das bandas do Lord Sutch (que entrou para o livro dos recordes como o mais insistente candidato a primeiro-ministro da Inglaterra, pelo Loony Raving Monster Party, e se suicidou no final dos anos 90). O Blackmore é o terceiro da esquerda para a direita, quase subindo a escadinha. O Carlo Little é o que está no topo da escada, na extrema direita:



Enfim, um minuto de silêncio. Ou de solo de bateria.

sexta-feira, 21 de novembro de 2003

Do túnel do tempo

Vocês conseguem identificar o Ritchie Blackmore, então com 15 anos, nessa foto de Screaming Lord Sutch & The Savages?

quinta-feira, 6 de novembro de 2003

A escola de Blackmore

Um dos personagens que mais admiro na música e na política inglesas é David "Screaming Lord" Sutch. O cara era um Forrest Gump que deu certo. Não cantava nada, mas suas bandas lançaram gente como Ritchie Blackmore e Jimmy Page. Não ganhava uma eleição, mas entrou para o Guinness dos recordes como um dos mais longevos líderes políticos do país.

É certo que o partido dele não era nada sério. O Monster Raving Loony Party tinha como slogan a frase "Vote for insanity - you know it's right". O partido chegou a lançar até um gato (chamado Cat Mandu) para concorrer às eleições para primeiro ministro. Fazia propostas como a obrigatoriedade de senhores carecas usarem chapéu pra evitar que o reflexo do sol nas calvas atrapalhe a visibilidade de pilotos de avião.

Quando Sutch morreu, em 1999, até o primeiro-ministro Tony Blair mandou uma carta reconhecendo a importância política da maluquice do Lord Sutch. É uma figuraça que eu adoraria ter entrevistado. Certa vez conversei sobre ele com um amigo que foi correspondente da Folha em Londres e ele disse o mesmo (só que ele chegou à cidade mais ou menos na época em que David morreu, enquanto eu nunca fui lá).

Em uma entrevista de 1997, Lord Sutch revela o que botava na papinha dos músicos com que ele trabalhava. Realmente, se for olhar o que o Blackmore fazia no palco em 1970, faz sentido. Se for olhar os últimos minutos do California Jam, também.


O que você procurava nos músicos de apoio? Vários caras que ficaram famosos tocaram com você em diferentes formações dos Savages.
Ensinávamos os Savages a serem visuais e se moverem bastante. Eu corria muito pelo palco, então ensinamos a banda a não ficar parada também. Esse é um dos principais fatores. Havia uma rotina de marcha com o baixista e o cara da batuta: eles andavam pra frente, esquerda-direita esquerda-direita e iam pro lado da galera. O bateirista e o pianista andavam lado a lado. Então pulavam pelo palco e saltavam no ar, e tudo isso era ensinado a caras como Ritchie Blackmore, que até nós o pegarmos ficava só ali no canto paradão. A gente tinha que arrastar o cara pelo palco pra botar um pouco de vida nele.
Então, quando ele entrou no Deep Purple, a banda decolou. Quando eles faziam shows de palco, diziam que o Ritchie Blackmore roubava o show, porque ele era muito visual. Ele estava muito na frente de todos os outros. Eles podiam ser como ele talvez musicalmente, mas não visualmente, porque ele foi treinado pela Screamin' Lord Sutch and the Savages. Os outros eram só simples músicos.