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quarta-feira, 5 de novembro de 2003

Pra programar o bolso

A EMI anunciou seu calendário de relançamentos de discos do Deep Purple e correlatos:

• DEEP PURPLE - THE EARLY YEARS.
• WHITESNAKE - THE EARLY YEARS.
Devem sair em fevereiro de 2004, em uma série da EMI que mostra trabalhos dos primeiros anos de bandas contratadas pela gravadora. Nada de material novo aqui.

• DEEP PURPLE - BURN.
Deve sair lá por abril do ano que vem, nos trinta anos do disco original. Essa é, na minha opinião, a jóia da coroa do que vai sair. É aquela versão remasterizada, remixada, com faixas extras e o escambau, incluindo livretinho escrito pelo Simon Robinson, da DPAS. Parece que o Glenn Hughes vai supervisar a remixagem. Diz o site da DPAS que há belos trabalhos em Sail Away, Mistreated e You Fool No One. Em breve haverá trechos no site da DPAS e, claro, o Purpendicular vai dar a dica.

• DEEP PURPLE - THE PLATINUM COLLECTION.
Uma coletânea de três CDs, sem nada de novo pra quem já tem tudo o que já saiu de oficial da banda. Pra quem não tem tudo o que já saiu de oficial, melhor procurar completar...

• DEEP PURPLE - LIVE IN LONDON.
Opa! Vai sair remixado em setembro de 2004. O CD de Live in London só saiu no Japão (no Brasil existe à venda uma versão semioficial, na prática pirata); o primeiro lançamento oficial do mais famoso disco ao vivo da Mk3 vai incluir uma versão de 30 minutos de Space Truckin', que ficou de fora no vinil original, de 1980.

• DEEP PURPLE - STORMBRINGER.
Versão remixada, remasterizada, com faixas extras e o escambau. Deve sair no começo de 2005.

terça-feira, 14 de outubro de 2003

Divagações musicais

Guardadas as diferenças óbvias, "Machine Head" é para o Deep Purple o que "Kind of Blue" foi para o Miles Davis. A simplicidade do riff de Smoke on the Water lembra o despojamento do tema básico de So What, aqueles dois acordes que se repetem. Sem falar em fraseados aparentemente imperceptíveis mas que se ouve com a familiaridade do som do vento, como a divagação de Jon Lord no teclado em Maybe I'm a Leo ou a de Coltrane em Blue in Green. Ou a repetição que, no tempo do vinil, fazia supor que o disco havia arranhado - tanto no riff do refrão de Space Truckin' quanto no solo de Davis em Flamenco Sketches.

Claro, nem todo mundo que gosta de Deep Purple vai gostar de Miles Davis e provavelmente vice-versa. Mas ouvir atentamente discos como esses é uma ótima explicação para o motivo de os artistas reunirem sua produção em álbuns. Bem sacado, o álbum mostra claramente as idéias que rolam na cabeça dos artistas num período determinado de tempo.

Há quem me pergunte "tá, mas que música do Deep Purple é boa?". Pessoalmente, não gosto desse tipo de pergunta, assim como não gosto de coletâneas por melhores que sejam. Elas desfiguram o trabalho de um artista pinçando apenas o que se tornou mais famoso - e desgastando pela repetição. Gosto é do álbum, com seus altos e baixos e preciosidades que não chegam a ficar famosas mas são uma delícia de descobrir.

Isoladamente, não tenho mais saco pra ouvir Smoke on the Water. No contexto de Machine Head, porém, entre Never Before e Lazy, a música volta a significar exatamente o que eu entendi dela quando tinha 15 anos e troquei o ingresso que tinha ganho do baixista do Roxette por um vinil de Machine Head na Megaforce. Cheguei em casa no final da tarde, com o disco dentro daquele saco preto com a mão prateada segurando um raio, e deitei sobre ele a agulha. Eu já conhecia Smoke on the Water, claro. Mas apenas depois que eu ouvi sobre o vazio, as águias e a neve e virei o disco e que entendi o que significava a fumaça sobre a água e o fogo no céu.

É o mesmo com o Kind of Blue. No meu tempo de solteiro morando sozinho, descobri em furtivos encontros o quanto o timing do Miles Davis era perfeito. Tenho So What em uma coletânea também - mas ali ela significa uma passagem entre um tema de Porgy & Bess e My Funny Valentine. Dentro do Kind of Blue a mesma música abre uma perfeita noite em boa companhia que sutilmente vai determinando um clima exato até que cai nos lençóis macios de Flamenco Sketches. E aí, meu amigo, o melhor é abrir o Torrontés enquanto Freddie Freeloader está na área.

quarta-feira, 3 de setembro de 2003

A coletânea que falta

Pessoalmente, eu não curto coletâneas do Deep Purple. Toda coletânea é redutora. Serve pra apresentar o Purple às namoradas. Serve pra dar de presente pra um amigo. Mas a única que eu faço questão de manter em casa é a Singles As & Bs (e só por causa de Hallellujah e Coronarias Redig). O resto tudo eu prefiro ouvir nos álbuns, dentro de seu contexto original. Mais ainda: dentro da ordem selecionada pela banda.

Outra coletânea que eu compraria, e que não sei por que não lançam, é uma com as músicas do Purple gravadas na BBC. Nos anos 70, existia uma cláusula contratual das gravadoras que tornava caríssimo para as rádios usar o original gravado. Então, a BBC convidava os caras para entrar no estúdio deles e tocar uma versão tão semelhante quanto possível à que foi gravada – e é dessa safra em parte que sai toda aquela cacetada de Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin e Hendrix na BBC.

O Purple tem um material belíssimo nessas sessões. Tu vês as músicas se desenvolvendo - caso de Speed King, gravada por duas vezes no estúdio da BBC (a primeira como "Ricochet" ou "Kneel and Pray"). E tem algumas raridades, como o Gillan cantando Bird Has Flown e a banda gravando um instrumental chamado Grabsplatter.

Pois essas raridades existem, mas espalhadas. Todas as da Mark 1 saíram nos remasters dessa fase. As da Mark 2 continuam bagunçadas: um pouco saiu no Listen, Learn, Read On; alguma coisa saiu naquele vinil "The Anthology", duplo, e no CD triplo com o mesmo nome. De resto, o que era ao vivo daquela época saiu em "In Concert 70-72" e "Live in London", mas o que me interessa é o que é de estúdio. E isso está disperso na pirataria.

Há dois anos, consegui coletar todo o material que o Purple fez nos estúdios da BBC entre 69 e 70 (eles passaram a não ser tão bem-vindos nos estúdios deles por causa de "Black Night", que um DJ da época achou uma concessão grande demais ao comercialismo) e gravei um CD pra consumo próprio, por ordem de data. É de arrepiar a espinha, se ouves na mesma tarde do Concerto e do In Rock.

Se um dia a Purple Records lançar isso com um livretinho do Simon Robinson, podem cobrar o preço que quiserem que eu pago sem achar nem um pouco ruim.

terça-feira, 26 de agosto de 2003

24 Carat Purple de cara nova

Na esteira do CD Bananas, a EMI está lançando uma coletânea chamada Essential Deep Purple. Vi no sábado na loja, e é esta aqui do lado. Achei a capa lindona, e fui me informar um pouco melhor. Pois bem: é a boa e velha 24 Carat Purple, originalmente lançada em 1975 e que pelo menos até o final dos anos 80 foi a coletânea-referência do Deep Purple. Foi relançada pela última vez no Japão, em 1998.

A capa original era essa aqui do lado, e o disco não inclui nada que os fãs não tenham. Tem todos os discos? A menos que goste da capa e que seja completista, não precisa desta. Quer dar de presente, por exemplo, pra namorada? Compare o preço com o de The Very Best Of, que tem material mais recente e não só da MK II. (Inclusive, Highway Star é a remasterizada pelo Roger Glover em 1997.) Foi a versão que eu dei para a minha.

Ela tem o seguinte setlist:

1- WOMAN FROM TOKYO (do Who Do We Think)
2- FIREBALL (do Fireball)
3- STRANGE KIND OF WOMAN (do Made in Japan)
4- NEVER BEFORE (do Machine Head)
5- BLACK NIGHT (do Powerhouse e da nova versão do MiJ)
6- SPEED KING (do Singles A's & B's)
7- SMOKE ON THE WATER (do Made in Japan)
8- CHILD IN TIME (do Made in Japan)

quarta-feira, 23 de abril de 2003

Nova coletânea da Mk1

Diz o Simon Robinson que a EMI vai lançar uma coletânea da primeira fase do Deep Purple. Até aí eu não compro, porque já tenho tudo com faixas extras. Mas ele diz que acharam coisas boas e novas no estúdio, como uma versão alternativa de Kentucky Woman, e vão incluir lá. Arre...