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domingo, 16 de setembro de 2007

Radio One, you're the only one - for me!

Embedded ImageNo dia 30 de setembro, a rádio BBC 1 completa 40 anos. Lá pelos idos de 1967, apenas as rádios piratas tocavam roquenrôu mais ousado do que Beatles. Quando ela foi criada, tudo estourou - de Jimi Hendrix (que compôs a letra do título) a Led Zeppelin e Deep Purple.

Boa parte do rock inglês passou por aqueles estúdios, e é claro que grandes momentos do Purple estiveram lá. Foi na BBC que eles tocaram publicamente pela primeira vez na Inglaterra com a Mk1, por exemplo, uma semana depois de gravarem o Shades of Deep Purple. Houve um show antes, na Dinamarca, em que eles anunciaram que "Roundabout é o caralho, nosso nome agora é Deep Purple, porra".

Foi na BBC que o Deep Purple tocou Kneel and Pray, em 29 de agosto de 1969, poucos dias depois de a música ser tocada em Amsterdã, num dos mais antigos piratas conhecidos da Mk2. Era assim:

    You were good I was bad I just want everything you had Good loving is meant for two A bit for me and a bit for you Oh please, set me free Stop my misery - OH!

Dois meses depois, em 31 de outubro, eles voltam aos estúdios pra tocar a mesma música com uma nova letra. Vocês conhecem:

    Good Golly, said the little miss Molly While she was rocking in the house of blue light Tutti Frutti was oh, so rooty When whe was rocking to the east and west Come on baby, drive me crazy Do it, do it - AAAAAAAAHHHH!!!!

Nesse meio tempo, eles já haviam estreado a nova letra no festival de jazz de Montreux, em 4 de outubro. O Gillan não fazia idéia de que ritmo queria dar à música, nem tinha escrito direito a letra, mas matou a pau. No dia 14, eles estavam no estúdio batendo ponto pra gravar a versão com o piano, homenageando Jerry Lee Lewis.

No dia em que eles tocaram a nova música no estúdio da BBC, eles também tocaram uma "nova" música - John Stew. Por acaso, muito parecida com What Do You Want, dos Yardbirds.

Também foi na BBC, em 9 de setembro de 1970, que o Deep Purple estreou o single Black Night. E, no dia 23 daquele mês, o locutor pediu pra eles entrarem no estúdio e trazerem uma coisa nova. Trouxeram Grabsplatter, uma instrumental que saiu no The Anthology (1985) e que tinha tudo a ver com uma faixa gravada pelo Blackmore e pelo Paice no disco "Green Bullfrog", gravado em fevereiro.

Hoje, a rádio está bem diferente. Não toca nenhum tipo de música que me agrade. Mas claro: ela toca o que tem de mais novo na música britânica, e o que me agrada era o que havia de mais novo alguns anos antes de eu nascer.

De qualquer forma, os 40 anos da Radio One merecem ser celebrados por todo fã da pegada inglesa sobre o rock.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Mudworth

Domingo, às 21h no Brasil, a rádio digital 6 Music da BBC vai passar uma hora de Deep Purple ao vivo num dos shows considerados mais interessantes da reunião da Mk2: Knebworth, 1985. Esse show existe no mercado no CD "In the Absence of Pink".

A rádio pode ser ouvida pela internet, e o link é este: http://www.bbc.co.uk/6music/shows/liveatmidnight/

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

It's Alright - you're safe in my hands

Mestre Ian Gillan deu ontem uma entrevista na rádio 5 da BBC, apresentando trechos de Rapture of the Deep. Ela pode ser ouvida online, clicando nesse link.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Prêmio Classic Album

Dia 4 deste mês, o Deep Purple ganhou da revista inglesa Classic Rock o prêmio "Classic Album", por "In Rock". Neste mês, a revista traz uma matéria com os bastidores da gravação do disco. Vou começar a bater nas bancas da Paulista desde agora. Os sites de revistas inglesas são uma bosta.

A foto abaixo mostra os meliantes no local do crime. Estava com saudade do moço da esquerda.



Mais algumas:

1) Os mestres fizeram ontem à noite um show secreto de uma hora e cinco minutos no Hard Rock Café de Londres. Poucas centenas de sortudos assistiram. A novidade no setlist é "Kiss Tomorrow Goodbye". As outras duas músicas do disco novo, "Wrong Man" e "Rapture of the Deep", já estavam no setlist desde o começo de setembro. Este o setlist inteiro:

Fireball
I've Got Your Number
Strange Kind Of Woman
Kiss Tomorrow Goodbye
Rapture Of The Deep
Wrong Man
Lazy
Perfect Strangers
Highway Star
Smoke On The Water


2) Nesta quinta, na rádio 2 da BBC, o Gillan vai apresentar trechos do "Gillan's Inn", o disco que celebra seus 40 anos de carreira com a participação especial de vários amigos, no programa "Masters of Rock". O programa é apresentado pelo Bruce Dickinson, que é um fã do Gillan ("I wanted to scream like a Banshee..."). Deve ir ao ar nesta quinta, às 9 da noite inglesas ou meia-noite brasileira. Quer ouvir pela internet? O link é este.

3) Na notícia do Blabbermouth, também ficamos sabendo que o disco que comemora a carreira do Gillan só sai lá por fevereiro do ano que vem. Antes disso, porém, o Purpendicular deve ter uma cópia (cortesia do mestre).

4) O DVD Live In Concert 72/73, que tem o show de Copenhagen e o de Hofsfra e que foi resenhado na Playboy deste mês, já é disco de ouro na Austrália. Bom, né? Saiu uma notinha sobre ele também na VIP.

5) O Jon Lord está gravando um disco de Natal com a cantora pop norueguesa Maria Arredondo. Sai no final de novembro.

6) A patroa do Blackmore faz uma participação especial em uma balada do próximo CD do Helloween.

DIA DE JOHN PEEL

Dia 13, quinta-feira, o mesmo dia em que o Gillan vai dar entrevista, a BBC vai comemorar o primeiro "Dia de John Peel". Pra quem não sabe, Peel foi o cara na BBC que "descobriu" o Deep Purple. Foi o primeiro a chamá-los ao ar. A emissora botou um baita de um site no ar, homenageando boa parte do que ele fez na carreira.

Entre os recursos do site, já encontrei o programa de duas "Peel Sessions" com o Deep Purple: 18/jun/1968 (a primeira aparição da banda no rádio, com Hush, One More Rainy Day e Help) e 14/jan/1969 (Hey Joe, Hey Bop a Roo Bop, Emmaretta e Wring That Neck). Todas essas músicas já saíram oficialmente no Brasil, nos remasters dos três primeiros discos do Purple e no especialíssimo "Deep Purple - The Early Years".

Também tem uma página especial sobre o Deep Purple, onde fico sabendo que Child in Time esteve entre as mais tocadas de 1976.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

"With new sounds on the scene..."

A DPAS publicou uma série de fotos do Deep Purple gravando o Top of the Pops em Londres, apresentado em 16 de dezembro de 1971, quando o Purple já estava na Suíça gravando o Machine Head.

A gravação foi feita teoricamente depois de o Blackmore trocar a Gibson pela Fender (o que ocorreu naquele ano, antes da gravação de Fireball, entre fevereiro e junho), mas não faz muito sentido. Se é de dezembro de 1971, é depois da gloriosa apresentação no Beat Club da TV alemã (onde o Blackmore já usava Fender).

Aquele é um ano pouco esquadrinhado na história do Purple, provavelmente por estar entre a explosão de In Rock e o sucesso de Machine Head. Conheço muito poucos registros ao vivo do Purple naquele ano - tenho uns três piratas, todos com o som muito ruim. Essa gravação para a TV, inclusive, sumiu.

De qualquer forma, é muito estranho mesmo ver o Blackmore com a guitarra antiga e - mais doido ainda - ver o Paice lá na frente. Só pra dar um gostinho:



De qualquer forma, por mais que a cronologia seja confusa, entrem lá e deliciem-se!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

Seis notícias

1) Em mais um pedaço do quebra-cabeça da história do Deep Purple que vai para o túmulo, o empresário Artie Mogul, ex-presidente da Tetragrammaton Records (EUA), morreu em 26 de novembro. Foi ele quem assinou o contrato com o Deep Purple em maio de 1968, garantindo que eles fizessem sucesso com Hush nos EUA antes mesmo de serem conhecidos na Inglaterra. Apenas para recapitular, há poucas semanas morreu o DJ John Peel, da BBC, o primeiro cara que apresentou o Purple no rádio na Europa.

2) Foi lançado no Brasil o mais novo disco solo do Jon Lord, Beyond the Notes. Salvo engano, é o primeiro disco solo dele que sai por aqui. No ano passado, também foi lançado no Brasil o Snapshot, mais novo disco solo do Roger Glover (e também acho que o primeiro dele a sair no Brasil). Os quatro primeiros da Blackmore's Night também foram lançados por aqui e andam sendo vendidos bem baratinho. São os primeiros esforços solo dos mestres que são lançados nestas plagas sem haver nenhum contexto promocional ou turnê. Parece-me o início de uma muito bem-vinda tendência, que vai poupar os bolsos dos fanáticos. Aguardem resenha aqui.

3) Na FNAC da Paulista, os remasters importados de In Rock e Who Do We Think We Are estão baratinhos: R$ 39,90. Há três anos, comprei na galeria do rock o In Rock por R$ 50 e na Boca do Disco o WDWTWA (sueco) por R$ 80. Os remasters de Fireball e Made in Japan já saíram no Brasil. Já achei o de Fireball por R$ 16 (R$ 31 na FNAC) e o de MiJ por R$ 44 (R$ 51 na FNAC). Paguei R$ 60 pelo de Fireball e R$ 70 pelo de MiJ. Apenas estou no lucro com o remaster duplo de Machine Head: na FNAC está R$ 72, e eu paguei R$ 45 por ele em 2001. Vão lá, completem suas coleções, substituam seus discos antigos e saiam ganhando com os papos de estúdio de In Rock, as galinhagens etílicas de Fireball, a inteira reconstrução de Machine Head, o blues com Blackmore no baixo de WDWTWA e o bis do Made in Japan.

4) Já falei antes, mas repito: é amanhã, dia 2, o especial do Ian Gillan apresentado pelo Bruce Dickinson na Radio 2 da BBC. Dá pra ouvir numa boa pela internet. O Deep Purple foi uma das bandas formadoras da cabeça do goela de sirene do Iron Maiden - cujo teste na banda foi Black Night. No segundo dia deste ano, ele apresentou um especial sobre o Deep Purple que começava com uma narração sobre o tecladinho calmíssimo da versão de estúdio de Speed King:

--Eu queria ser o pé esquerdo do baterista. Eu queria gritar feito uma banshee. Eu queria maltratar as cordas de uma guitarra e fazê-la chorar. Tudo começou quando eu passei pela frente de uma porta fechada de estúdio e de trás dela ouvi isto:

(entra a letra na música: "Good golly, said the little miss Molly, while she was rockin' in the house of blue light...")


5) Já leram a entrevista interativa com o Roger Glover no site dele?

6) Confirmado: Ian Paice e Glenn Hughes fazem parte do projeto italiano Moonstone, que lança seu primeiro disco em janeiro. É a velha cozinha da Mk3 e Mk4 voltando a funcionar brevemente. Também participaram do projeto os feras Carmine Appice, Paul Shortino, Steve Walsh, Eric Bloom, Graham Bonnet, Kelly Keeling, Chris Catena, Tony Franklin, James Christian e Howie Simon.

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

Deep Purple em férias, mas gravando

Em 2005, o Deep Purple vai meio que tirar férias. Vai haver poucos shows, mas eles voltam ao estúdio com o Michael Bradford pra gravar um novo disco. O Gillan vai gravar um novo disco solo e vai ganhar um documentário em sua homenagem. Stormbringer deve ter seu remaster lançado.

Enquanto isso, no dia 2 de dezembro, o Bruce Dickinson apresenta seu Masters of Rock especial sobre o Ian Gillan, na Radio 2 da BBC. Pra ouvir, no dia, clica aqui. Pra saber mais sobre os especiais Masters of Rock, clica aqui. Gillan também fez uma participação especial no disco de Dean Howard (que fez com ele a turnê Repo Depo, em 1990/91). O véio canta e toca harmônica na música "Smokescreen".

O DVD duplo Living Loud, do Steve Morse, saiu no Brasil em 10 de novembro. O guitarrista com mãos-aranha fez um contrato com uma grande rede de telefonia celular (não descobri qual) para criar dois catálogos de 10 a 12 toques em true tone. O primeiro será "Killer Riffs" (riffs "matadores", como o de Smoke on the Water e Whole Lotta Love) e o segundo será "Sizzling Solos" (solos de cair o queixo).

Estão encenando Jesus Christ Superstar na Coréia. O cara que canta o papel de Judas disse que sempre quis participar de uma montagem na ópera-rock mais sensacional de todos os tempos porque era fã do Deep Purple. O Judas rouba a atenção sobre o Gillan (personagem-título) no álbum conceitual de 1971.

Dezoito anos depois de Seventh Star, Tony Iommi (do Black Sabbath) e Glenn Hughes voltam ao estúdio para gravar um disco. Recentemente, os dois também lançaram "The 1996 DEP Sessions", com gravações de umas jams que eles fizeram dez anos depois do disco que era pra ser um solo do Iommi e acabou sendo marquetado como disco do Sabbath.

E a última notícia é tipo Vera Fischer, velha mas boa. Semana passada, na turnê inglesa, Jon Lord subiu ao palco pra brincar com seu velho Hammond e ver como o sucessor Don Airey está cuidando do seu brinquedão. Olha a prova:

quinta-feira, 28 de outubro de 2004

Peel e o Purple

Desculpem voltar ao assunto, mas sou fascinado pela história dos dois anos mais emblemáticos do Deep Purple (1969-1970). Sou fascinado pela BBC e fascinado pelo Deep Purple. Nesse ponto, os dois fascínios se unem e revelam aos poucos o processo criativo da melhor banda do mundo. Então, vou aproveitar o gancho da morte do John Peel pra chafurdar um pouco mais nessa lama.

Como eu já falei aqui antes, naquele tempo era mais negócio na Inglaterra pedir que a banda fosse ao estúdio da rádio gravar do que usar material já gravado fora, porque tinha direitos autorais. Mais ainda: com os Beatles evanescendo, a rádio queria descobrir quem seriam os sucessores dos Fab Four, e botava MUITA pilha nas melhores bandas britânicas. É daí que vêm maravilhas como o CD duplo do Hendrix na BBC, o CD duplo do Led na BBC, etc. Mas nunca lançaram um propriamente do Deep Purple na BBC. Lançaram faixas esparsas, mas só um tarado como eu pra juntar em um CD particular as da Mark 2.

Simon Robinson lembra que John Peel foi o primeiro cara a apresentar o Deep Purple no rádio, em junho de 1968, semanas antes de estrear o single de Hush. Naquela apresentação, o grupo foi considerado por unanimidade uma boa aposta comercial, o que garantiu todas as visitas da Mark 1 ao Top Gear:

18.06.68 - BBC Radio, Studio 1, Picadilly (Hush/One More Rainy Day/Help)
25.06.68 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (Hush/One More Rainy Day/Kentucky Woman/It's All Over Now)
08.01.69 - BBC Radio, interview with Rod Evans
14.01.69 - BBC Radio, Studio 4, Maida Vale (Hey Boppa Re Bop/Emmaretta/Wring That Neck/Hey Joe/It's All Over Now)
11.02.69 - BBC Radio, Studio 4, Maida Vale (Emmaretta/Bird Has Flown/Hush/Hey Boppa Re Bop)
24.06.69 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (Lalena/The Painter/I'm So Glad)
30.06.69 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (The Painter/I'm So Glad/Hush)


Sucesso absoluto. Parte desses sons saíram no Brasil nos remasters de Shades of Deep Purple, Book of Taliesyn e Deep Purple.

A partir de junho de 1969, o Deep Purple toma novo fôlego, trocando de vocalista e baixista em um golpe de Estado. Entram Gillan e Glover, e aquela banda que fazia covers criativos dos Beatles nunca mais seria a mesma.

Na verdade, as últimas duas gravações da Mark 1 na BBC já ocorreram durante o golpe de Estado. Em 7.6.69, três quintos do Deep Purple original se reuniam com os dois novatos para gravar Hallellujah. No dia 16, lá estavam eles no Centro Comunitário de Hanwell, improvisando o que viriam a ser Kneel and Pray (mais tarde Speed King) e Child in Time.

Em agosto, eles voltam à BBC. É fascinante acompanhar o crescimento do repertório da banda. Especialmente de Speed King, que começou como Ricochet, foi chamada de Kneel and Pray e terminou com a miss molly dançando na casa da luz azul.

11.08.69 - BBC Radio, Studio 2, Aeolin Hall (Ricochet/Bird Has Flown)
29.08.69 - BBC Radio, Studio 1, Picadilly (Kneel And Pray/Child In Time)
11.09.69 - BBC Radio, Roundabout


Em 24 de setembro de 69, a coisa mais curiosa do mundo acontece: o Concerto para Grupo e Orquestra. O Deep Purple mostra sua cara e leva ao Royal Albert Hall o poder do gogó do novo vocalista, já mostrado um mês antes na BBC. Como não podia deixar de ser, o histórico show é transmitido pela glória do império.

28.09.69 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (And The Address/The Painter/Child In Time/Kneel And Pray/Bird Has Flown)

Neste ponto, eles já tinham algum repertório próprio na segunda formação. Não precisavam mais de Painter, Bird Has Flown ou mesmo Hush. Speed King já era uma canção madura e podia ser colocada em vinil. Era aproveitar a base de Kneel and Pray e botar uma letra evocando o roquenrôu dos anos 50. As gravações de Speed King e Livin'Wreck duraram uma semana, de 14 a 21 de outubro de 69. Dez dias depois, eles voltavam à rádio pra apresentar o que tinham e fazer uma jam exclusiva.

31.10.69 - BBC Radio, Studio 4, Maida Vale (Speed King/Living Wreck/John Stew)

De 3 a 6 de novembro, eles se trancam no estúdio de novo para gravar sua mais preparada canção de então: Child in Time, que já estava praticamente pronta desde agosto, sendo apresentada inclusive em shows noutros países europeus. O Deep Purple passa a fazer turnês por clubes e faculdades do Reino Unido enquanto prepara seu quarto disco de estúdio. De 25 a 28 de novembro, eles se trancam para gravar Jam Stew, uma derivação da brincadeira na BBC, mas sem letra. Acaba só entrando na edição comemorativa do In Rock. Também gravam Into the Fire. Na virada do ano, em 1o de janeiro de 1970, cheios de champanhe nas idéias eles gravam Hard Lovin'Man. No dia 13, gravam Cry Free, que só aparece em disco em 1977 e só entra no In Rock em 1995.

No início de fevereiro, é hora de voltar à BBC. No programa de John Peel, "In Concert". Se vocês têm o disco In Concert 70-72, ouçam lá. "Hi, this is John Peel, with another In Concert program, from the BBC studios in London. Tonight's guests... Deep Purple".

19.02.70 - BBC Radio, Paris Theatre, London, UK, In Concert

O repertório é matador. Speed King, Wring That Neck, Mandrake Root e Child in Time. Três mega-solos. Platéia de olhos arregalados. Aquilo é jazz, em sua mais pura forma. Mas mais eletrificado, mais animal. Muito mais animal do que as experiências que o Miles Davis andava fazendo então.

Em 11 de março eles voltam ao estúdio, pra gravar Flight of the Rat, segundo o Jon Lord um libelo contra o uso de drogas. "Somos uma banda de bebuns", esclareciam eles quando perguntados se eles realmente eram os bons-moços que apregoavam ser. Em 13 de abril, gravam Bloodsucker. Tava na hora de voltar à rádio, certo?

21.04.70 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (Hard Lovin' Man/Bloodsucker/Living Wreck)

OK, eles tinham um disco pronto. Mas não dispunham de um single. A gravadora queria que aqueles gênios estourassem comercialmente, precisava de um single. Vai daí que em 4 de maio eles voltam a se trancar no estúdio, depois de comer muita massa e encher a cara de vinho. Blackmore e Glover são os primeiros a chegar. Precisa sair um riff. Glover começa a brincar com um riff conhecido. Blackmore grita: "GENIAL!" e Glover acusa que não é criação e sim cópia.

Então Glover começa a brincar com o riff de It's a Beautiful Day e o altera para ter um resultado próprio. Tan, dan, da-dan... o resultado eu ouço todo dia quando alguém me liga. Mas faltava uma letra pra isso. Nisso, já estava a banda inteira, devidamente encharcada. Começam a fazer rimas sem sentido nem coerência. O importante era rimar: black night, it's not right, I don't feel so bright, I don't care to sit tight... e o resultado é um estouro de vendas. Cumprimentados, eles manifestam ceticismo. Porra, era só um porre, uma gravação sob pressão.

John Peel não curte a idéia de o Purple andar fazendo som comercial. Single? Sem estar no disco? Convenhamos. É nesse ponto que eles perdem todo o belo apoio que tiveram da BBC. Brigam pela imprensa musical, fazem o escambau. Resultado: só voltam à jóia da coroa em setembro, quando Jon Lord é entrevistado sobre por que diabos fizeram um single.

09.09.70 - BBC TV "Top of the Pops" (Black Night)
23.09.70 - BBC Radio, Studio T1, Shepherds Bush (Black Night/Grabsplatter/Into The Fire/Child In Time/Jon Lord interview)


A partir daqui, as aparições na BBC caem drasticamente. Quase nada de Fireball ou Machine Head pintou na BBC. Tenho uma versão de Strange Kind of Woman na BBC, mas não sei direito de quando é.

Mas, nesse ponto, eles não eram mais uma mera banda inglesa precisando de uma força da melhor rádio do mundo. Eles eram big and bold and more than twice as old than all the cats they'd ever seen. Na troca de guarda seguinte, em 1974, eles ainda apareceriam na BBC gravando o que se tornou o Live in London. Mas mesmo assim, nunca mais tiveram a mesma receptividade que tiveram em 1968 e 1969.

terça-feira, 26 de outubro de 2004

Morre John Peel

Morreu o legendário DJ John Peel, da BBC, aos 65 anos. Foi ele quem lançou de Pink Floyd a Oasis, e é ele quem apresenta os shows do disco "In Concert 70-72", do Deep Purple. Ele também apresentava o programa "Top Gear", onde foram gravadas algumas das faixas que aparecem nos remasters dos três primeiros discos do Purple. Meus respeitos.

Peel estava em Cuzco, no Peru, em férias com a esposa, quando teve um ataque cardíaco. No site da BBC, tem um perfil dele, um espaço para tributos e os últimos programas dele.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2004

Para abrir o ano com o pé direito

A rádio inglesa BBC2 abriu o ano em grande estilo, com um rockumentário sobre a história do Deep Purple, apresentado pelo Bruce Dickinson (está no ar por uma semana). O vocalista do Iron Maiden está há um bom tempo na folha de pagamento da maior glória do império britânico: ele apresenta todo sábado o programa Freak Show, na rádio digital Six Music, também da Beeb. A seleção musical é competentíssima. Mas só fui ver o quanto o Dickinson manja de rádio depois que ouvi o documentário sobre o Purple.

Dickinson ganhou meus ouvidos direto na abertura do programa. Realmente não seria nada parecido com outros rockumentários sobre o Purple (como o In Profile). Já na abertura tinha aquele teclado calminho da metade final da introdução de Speed King no In Rock enquanto ele falava algo como isto:

--Eu queria ser o pé esquerdo do baterista. Eu queria gritar feito uma banshee. Eu queria maltratar as cordas de uma guitarra e fazê-la chorar. Tudo começou quando eu passei pela frente de uma porta fechada de estúdio e de trás dela ouvi isto:

(entra a letra na música: "Good golly, said the little miss Molly, while she was rockin' in the house of blue light...")


Tem entrevistas com quase todos os membros do Purple, e é sensacional ouvir o Jon Lord dizendo "ninguém poderia esperar que nosso membro mais bem-sucedido na carreira musical seria David Coverdale". O primeiro entrevistado é Don Airey, o atual tecladista do Purple, dizendo que foi o som de Jon Lord que o levou a começar a tocar teclado.

Para os registros: é a primeira vez em que um rockumentário sobre o Purple reconhece de cara que Black Night foi roubada de "Summertime" e Child in Time foi roubada de "Bombay Calling", da banda It's a Beautiful Day (inclusive a música aparece num trecho). Também é o primeiro que sugere terem sido as constantes bebedeiras de todos a causa das brigas que levaram ao fim da fase mais gloriosa do Purple em 1973.

sexta-feira, 17 de outubro de 2003

RADIO ONE, YOU'RE THE ONLY ONE... FOR ME (atualizada)

Estava lendo agora de madrugada sobre a Radio One da BBC, criada em 1967 e principal veículo para as grandes bandas de rock inglesas no final dos anos 60 e início dos 70, que são as que me importam. Naquele tempo, os músicos eram convidados a ir ao estúdio da rádio para gravar versões tão semelhantes quanto possível às que tivessem gravado para seus discos - tudo pra não pagar direitos autorais à gravadora, que eram (e são) caríssimos.

Dessas sessões saíram preciosidades como CDs duplos dos Beatles, do Jimi Hendrix (que gravou um maroto jingle cuja letra começava com o título deste post), do Led Zeppelin e de um monte de gente. O do Deep Purple só eu tenho, porque eu catei a pirataria toda e montei aqui no Seu Creysson. Ainda falta fazer o da primeira fase do Purple.

A história da rádio está neste site, com fotos impagáveis. Até 1967, não existiam rádios legalizadas que tocassem música pop no Reino Unido. Alguns jovens locutores botavam barcos no oceano e de fora dos limites marítimos de Albion transmitiam rock do bom. Daí o nome "rádios piratas", e foi assim que surgiu a primeira Kiss FM. A BBC, rede pública, reagiu a isso recrutando locutores das piratas e criando a Radio One no começo de outubro de 67. O dia era para o pop, a noite era pro rock - e foi daí que se espalhou o boom do rock britânico.

O site também tem perfis de alguns locutores da rádio, como John Peel (cuja voz aparece apresentando o Deep Purple In Concert 1970), que era um dos poucos caras na BBC que arriscava tocar punk e foi o primeiro cara que tocou um disco inteiro duas vezes seguidas. Foi ele quem resolveu dar um banho de água fria no Purple depois do single Black Night. Recebi uma resposta bastante consistente do Doug:

"Basicamente (e Nigel que me corrija se eu estiver errado), nos primeiros dias, era muitas vezes mais barato para a BBC convencer as bandas a regravar suas músicas exclusivamente para a BBC do que tocar constantemente as versões comercialmente lançadas, e por isso o Deep Purple e muitas outras bandas da época foram gravados diversas vezes. Entretanto, uma das razões pelas quais eu acredito que o Deep Purple perdeu popularidade na BBC foi uma briga deles com o DJ John Peel, que sentiu que a Mark 2 havia se vendido depois de ter um single de sucesso. :)"

Tommy Vance, um dos mais antigos apresentadores de programas de rock no rádio mundial, foi o cara que fez uma bela série de entrevistas com o Purple em 1984, quando o grupo voltou.

Tem um cara que colocou no ar uma lista das músicas banidas pela rádio. Tem coisas interessantes. Os Beatles tiveram trocentas músicas proibidas, o Purple nenhuma - provavelmente graças à técnica do Gillan e do Glover de fazer metáforas quase impenetráveis e beirando o nonsense.

Diz que em 1995 baixou na rádio uma ordem pra jogar no lixo todas as gravações com mais de cinco anos e centrar fogo no tal do britpop, que não me agrada. Por causa disso, a banda Status Quo processou a BBC. Perdeu na Justiça e não toca mais lá nem a pau e corda.

quarta-feira, 3 de setembro de 2003

A coletânea que falta

Pessoalmente, eu não curto coletâneas do Deep Purple. Toda coletânea é redutora. Serve pra apresentar o Purple às namoradas. Serve pra dar de presente pra um amigo. Mas a única que eu faço questão de manter em casa é a Singles As & Bs (e só por causa de Hallellujah e Coronarias Redig). O resto tudo eu prefiro ouvir nos álbuns, dentro de seu contexto original. Mais ainda: dentro da ordem selecionada pela banda.

Outra coletânea que eu compraria, e que não sei por que não lançam, é uma com as músicas do Purple gravadas na BBC. Nos anos 70, existia uma cláusula contratual das gravadoras que tornava caríssimo para as rádios usar o original gravado. Então, a BBC convidava os caras para entrar no estúdio deles e tocar uma versão tão semelhante quanto possível à que foi gravada – e é dessa safra em parte que sai toda aquela cacetada de Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin e Hendrix na BBC.

O Purple tem um material belíssimo nessas sessões. Tu vês as músicas se desenvolvendo - caso de Speed King, gravada por duas vezes no estúdio da BBC (a primeira como "Ricochet" ou "Kneel and Pray"). E tem algumas raridades, como o Gillan cantando Bird Has Flown e a banda gravando um instrumental chamado Grabsplatter.

Pois essas raridades existem, mas espalhadas. Todas as da Mark 1 saíram nos remasters dessa fase. As da Mark 2 continuam bagunçadas: um pouco saiu no Listen, Learn, Read On; alguma coisa saiu naquele vinil "The Anthology", duplo, e no CD triplo com o mesmo nome. De resto, o que era ao vivo daquela época saiu em "In Concert 70-72" e "Live in London", mas o que me interessa é o que é de estúdio. E isso está disperso na pirataria.

Há dois anos, consegui coletar todo o material que o Purple fez nos estúdios da BBC entre 69 e 70 (eles passaram a não ser tão bem-vindos nos estúdios deles por causa de "Black Night", que um DJ da época achou uma concessão grande demais ao comercialismo) e gravei um CD pra consumo próprio, por ordem de data. É de arrepiar a espinha, se ouves na mesma tarde do Concerto e do In Rock.

Se um dia a Purple Records lançar isso com um livretinho do Simon Robinson, podem cobrar o preço que quiserem que eu pago sem achar nem um pouco ruim.

quinta-feira, 7 de agosto de 2003

With new sounds on the scene...



O programa TOTP2, da BBC2, reexibe alguns trechos do velho Top of the Pops, da BBC. Durante décadas, o TOTP original apresentou o que de mais novo havia na música popular e rockular britânica - incluindo alguns dos melhores momentos da melhor fase do Deep Purple (coisa que saiu, por exemplo, no Doing Their Thing). O programa existe até hoje, mas eu não assistiria.

Pois no dia 13 o TOTP2 vai apresentar Deep Purple ao lado de coisas como Right Said Fred (!), Yazoo, Anita Dobson, Grace Jones, Wet Wet Wet e até a Royal Philharmonic Orchestra. O programa passa às 6:20 da noite inglesa (salvo engano, umas 3:20 da tarde aqui). O clip do Purple vai ser o de Black Night, que é facinho de achar no Kazaa.

quarta-feira, 12 de março de 2003

Jon Lord no rádio

Mestre Jon Lord vai dar uma entrevista à Radio 3 da BBC neste sábado, ao meio-dia britânico. A Radio 3 é especializada em jazz, música clássica e world music. O programa a que o Lord vai é o Private Passions, especializado em música clássica, onde os convidados, geralmente músicos, contam sobre os compositores que fizeram suas cabeças. Jon vai conversar com o apresentador Michael Berkeley sobre o Concerto for Group and Orchestra, além de Stravinsky, Vaughan Williams, Bach, Bartok e Beatles. Diz o site que o tecladista do Deep Purple foi um dos precursores do "crossover" na música clássica. Bom, né?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003

Especiais do Deep Purple no rádio

A FM Cultura de Porto Alegre apresenta nesta sexta, às 21h, um especial sobre o Deep Purple no programa Contracultura.

Graças às facilidades da internet, qualquer fã da banda no mundo poderá ouvir ao vivo clicando aqui.

Em Londres, a rádio eletrônica 6 Music, da BBC, reapresentou ontem no programa Dream Ticket o clássico show do Purple em março de 1972 nos estúdios da emissora. O programa passa diariamente e é especializado em resgatar essas pérolas do arquivo. Esse show do Purple, especificamente, muita gente boa tem em vinil ou em CD, no "In Concert - 70-72". Sim, é aquele da melhor versão existente de Strange Kind of Woman ao vivo, em que Gillan e Blackmore duelam. É um show feito logo depois do lançamento de Machine Head, em que eles apresentam quase todas as músicas do disco. É o mais antigo registro que tenho, ao vivo, de Smoke on the Water - o Gillan ainda grita um "Break a leg, Frank!" nos instrumentais finais (ele faz o mesmo no remaster de estúdio de Machine Head).

Além do Purple, o programa também passou músicas de um show do Beck em 1996, da Hazel O'Connor em 1981, Jewel em 1997 e Violent Femmes em 1991. Para ouvir o programa inteiro até a próxima quarta, clique aqui.

Paguei um senhor mico hoje por causa do programa da FM Cultura. Eu estava no ônibus, quase descendo, quando ouvi os primeiros acordes de Smoke on the Water na propaganda do programa. Desci a escadinha ouvindo o cara anunciar o programa, e coloquei o volume a toda no meu radinho com fones. No que ele termina de falar, termina o riff e o Celão sacode o cabelo e canta, junto com o Gillan, a plenos pulmões: "We all came out to Montreaux..." Eu estava a poucos passos de uma das ruas mais movimentadas de Porto Alegre, e um monte de gente, incluindo o pessoal do ônibus, virou a cabeça pra ver quem era o louco. Mico total.

Aproveitem, pois. Nem que seja pra honrar o mico do seu blogueiro.

sexta-feira, 22 de novembro de 2002

Deep Purple no rádio

Simon Robinson avisa: dia 27, os mestres estarão às 6:20 da tarde londrina (4:20 da tarde aqui) no Top of the Pops 2, na BBC2.

sexta-feira, 8 de novembro de 2002

Hi, this is John Peel...

"I think I covered the John Peel 'attitude' problem before, but briefly he was all over us when we started but hated us when we became successful, because he thought success was automatically corrupting. For example we got a bigger car when we could afford it so the six of us (inc. driver) could actually have a seat each on our long journeys. We had an argument over this at a service station on the M1. He said we were being image conscious (I think 'Black Night' was in the charts at the time) I pointed out that only someone either very image conscious (in the category 'reverse snobbery') or very stupid would regularly embark on journeys from London to arrive and drive around Liverpool in a clapped out Land Rover. That was the last time I ever shared a thousand on a raft (beans on toast) with the man, who has carved out a career for himself dumping artists once they have become successful."

terça-feira, 30 de julho de 2002

Dream Ticket - In Concert 1972

Hoje, às 22h inglesas (cerca de 19h aqui), um show clássico do Deep Purple no programa Dream Ticket, da rádio BBC Six Music. Esse programa reprisa shows antigos que ocorreram sob os auspícios da gigante inglesa do rádio.

Dica da Deep Purple Appreciation Society: provavelmente NÃO vão repetir o Live in London, visto que já transmitiram esse show outro dia. Então, provavelmente --eu disse PROVAVELMENTE--, vão transmitir um dos dois shows registrados no disco In Concert (1980).

O primeiro, de 19.fev.1970, mostra todo o vigor do começo da segunda formação do Deep Purple, dois meses antes de eles lançarem In Rock. São quatro músicas: Speed King, Wring That Neck, Child in Time e Mandrake Root.

O segundo aconteceu no momento de maior fama deles, lá pelo lançamento de Machine Head. Em 9 de março de 1972, os cinco entraram no Paris Theatre, convidados pela BBC, para gravar um show genial. Começava por Highway Star, passava por uma versão SEMINAL de Strange Kind of Woman (com o melhor duelo voz/guitarra que já ouvi - que acabou inspirando a Gal Costa a duelar com a guitarra dizendo que seu nome é Gal), depois Maybe I'm a Leo, Never Before, Lazy, Space Truckin', Smoke on the Water e Lucille (um clássico dos anos 50).

Seja qual for o show, vale a pena dar uma clicadinha neste link a partir das 19h desta terça. O programa fica gravado por uma semana.

sábado, 6 de julho de 2002

Shades of Deep Purple

Hoje, na Radio 2 da BBC, no programa Stuart Maconie's Critical List, o tema é Beatles. E covers pouco conhecidas deles, como a versão de Help que saiu no Shades of Deep Purple. Merece ou não uma ouvidinha? Clica aqui às seis da tarde (21h em Londres). O programa fica arquivado por uma semana.

domingo, 19 de maio de 2002

Os homens e a rádio

Esta nota já foi postada há alguns dias, mas adicionei algumas coisas interessantes aqui.

I'm a Haaaaaaaaaard loving man... aaaaaaaaaaaaaaaaahh!Eu sempre achei interessante o apoio que a BBC deu ao Deep Purple até o lançamento de In Rock --com sessões frequentes em seus estúdios lá por 1969 e 1970. Mas nunca entendi por que isso não continuou no mesmo ritmo a partir de 1971. Claro, houve grandes apresentações ao vivo, como as que saíram em In Concert (de 1970 e 1972) e o Live in London (de 1974). Mas nunca mais, depois do final de 1970, o Deep Purple voltou a gravar versões inéditas para a BBC.

Levantei a questão no fórum do Deep Purple, numa discussão sobre faixas piratas que o Deep Purple gravou na BBC (que saíram nos boots BBC Stew e eu tenho em MP3). Recebi uma resposta bastante consistente do Doug:

"Basicamente (e Nigel que me corrija se eu estiver errado), nos primeiros dias, era muitas vezes mais barato para a BBC convencer as bandas a regravar suas músicas exclusivamente para a BBC do que tocar constantemente as versões comercialmente lançadas, e por isso o Deep Purple e muitas outras bandas da época foram gravados diversas vezes. Entretanto, uma das razões pelas quais eu acredito que o Deep Purple perdeu popularidade na BBC foi uma briga deles com o DJ John Peel, que sentiu que a Mark 2 havia se vendido depois de ter um single de sucesso. :)"

Doug informa que a maioria dessas gravações deve sair uma caixa que a EMI vai lançar (e na edição da qual o Simon Robinson constantemente avisa que está trabalhando).

Black Sabbath que se cuide!Em 1984, o Deep Purple deu uma série de entrevistas a Tommy Vance, um dos mais antigos apresentadores de programas sobre rock no rádio mundial. Hoje, a rádio até tem um perfil do grupo em seu site e reapresenta velhos shows... mas a última entrevista que eles fizeram com o Gillan foi particularmente sofrível. Entende-se: o Deep Purple não é mais um promissor grupo de jovens músicos que vão levar ao mundo a glória da evolução cultural do império britânico. Até um americano eles andaram convidando para tocar cavaquinho! Mas sabe como é fã: sempre quer mais.

As gravações feitas exclusivamente para a BBC durante a primeira formação do Deep Purple saíram nos remasters dos três primeiros discos. As da Mark 2, que eu tenho em MP3, são:

- Ricochet ou Kneel and Pray (11.aug.1969) - primeira versão de Speed King, com letra diferente
- The Bird has Flown (11.aug.1969)
- Child in Time (29.aug.1969)
- John Stew (31.oct.1969)
- Speed King (31.oct.1969) - ainda tem algo de Kneel and Pray
- Bloodsucker (21.apr.1970)
- Hard Loving Man (21.apr.1970)
- Living Wreck (não sei a data, 1970)
- Black Night (9.sep.1970)
- Into the Fire (23.sep.1970)
- Grabsplatter (23.sep.1970)