Mostrando postagens com marcador Mk2b. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mk2b. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de novembro de 2008

Quinze anos depois

Nesta segunda, completam-se 15 anos do último show do Blackmore no Deep Purple. Ele ocorreu no Icehall, em Helsinki (Finlândia). Naquele ponto, há muito tempo não rolavam mais as colaborações criativas que ganharam a imaginação dos fãs duas décadas antes em duelos como este:


Em 1993, nos 25 anos do Deep Purple, Blackmore topou a contragosto reformar a Mk2 por uma segunda vez - o que significava voltar a dividir o palco com seu ex-melhor amigo Ian Gillan, com quem não se bicava direito desde os anos 70. Cinco anos antes, Blackmore havia proposto e os outros membros do Purple haviam topado demitir o vocalista, que andava abusando da cachaça e não tinha mais o mesmo controle nem da voz, nem da memória. Só que a formação que viera depois, com Joe Lynn Turner, não havia agradado nem à crítica e nem ao público.

Com o jubileu de prata a caminho, basicamente foi uma imposição da gravadora trazer o Gillan de volta, pra um disco e uma turnê. Para fazer o disco, gravado entre novembro de 1992 e fevereiro de 1993, o Purple puxou da gaveta algumas faixas compostas com Turner e com o instrumental já pré-gravado. Não encaixaram 100% na voz do Gillan, mas o disco saiu com algumas coisas bem boas, embora sempre com um leve travo de amargor. Blackmore, por exemplo, não gostou do jeito como ficou "Time to Kill". Segundo a biografia do Gillan, ele teria dito:

    "Não gostei da letra, não gostei do tom e não gostei do título! Quer dizer, a palavra 'kill' (matar) não fecha exatamente com aquele acorde, fecha? Pra ser honesto, eu preferia que você usasse a letra que o Joe escreveu."

No DVD "Highway Star", que comemora os 40 anos de carreira do Gillan, Roger Glover diz: "foi o melhor disco que pudemos fazer naquele momento". É uma boa definição dele.

Aí, viria a turnê. Originalmente, ela começaria no final de julho de 1993, nos Estados Unidos. Mas 24 shows, nos EUA e no Canadá, foram cancelados. A turnê só começou em 24 de setembro, em Roma. Empolgou os fãs por incluir novo material velho praticamente inédito no palco, como "Anyone's Daughter". Mas os ensaios eram tensos, como se pode ver neste vídeo de 21 de setembro:



A caravana purpleana passaria pela Alemanha, França, Suíça, Espanha e Áustria sem notícias de stress visível. Mas, ao encerrar-se o show em Praga, no dia 30 de outubro - 37 dias e 28 shows após o início da turnê -, Blackmore pediu que Colin Hart entregasse aos colegas uma carta em que apresentava os termos de sua demissão. Ele teria rasgado seu passaporte para não ir tocar no Japão após a turnê européia. Seu último show seria duas semanas depois, em 17 de novembro. Nada de novo no Purple: Gillan já fizera isso em 1973, dando seis meses de antecedência. Jon Lord o faria mais tarde, em termos muito mais amigáveis.

Quando houve o incidente da água, em 9 de novembro, apenas os fãs não sabiam que o Blackmore já tinha pedido o boné. Sabendo disso, e revendo o gestual e as trocas de olhares entre Gillan e Glover no vídeo de "Come Hell or High Water", fica claro que eles comentavam um com o outro que o homem de preto estava especialmente chato porque já havia ligado o foda-se.

Como o primeiro show no Japão seria em 2 de dezembro, a banda teria menos de um mês para achar e treinar um substituto. Teria de ser um excelente guitarrista, não apenas para dar conta do repertório (quase 50% formado por material novo ou raro), mas também pra ser aceito pelos fãs no lugar do gênio que criou todos os riffs do Purple. Udo, o promotor japonês, propôs Joe Satriani - e o fã do Surfista Prateado topou. Nesse meio tempo, enviaram uma fita do show de Stuttgart, considerado um dos melhores da turnê (lançado comercialmente há alguns anos), para que ele fosse ensaiando.

No dia 14, um domingo, a BBC anunciou que Blackmore deixaria a banda. Então, Helsinki era uma data obrigatória para todos os fãs que pudessem ir. Antes do show, Glover deu uma entrevista a uma revista finlandesa confirmando a saída do guitarrista.

Naquela noite, Blackmore subiu ao palco e tocou soberbamente bem (aqui estão os links para baixar o boot inteiro). Estava até simpático. Conta o Rasmus Heide sobre o duelo de guitarra e teclado em Speed King:

    um ocupado Blackmore tentava sem sucesso alcançar seu velho parceiro Jon Lord em uma complexa caçada de guitarra e órgão. O senso de humor de Blackmore emergiu quando, depois de um tempo, ele desistiu e pôs as mãos nos quadris, brincando como quem diz: "quem você pensa que é?"

Ao sair do show, Blackmore foi para o hotel fazendo mistério. Uma rádio finlandesa fez uma reportagem a respeito, na hora, mas eu não entendi nada do que eles disseram exceto a única frase que Blackmore teria dito aos repórteres: "Have a nice day". Gillan, ao sair do Icehall, anunciou que a turnê continuaria com Satriani.

Na manhã seguinte, Blackmore partiu de volta para casa e Gillan deu uma entrevista à TV finlandesa. Ele anuncia a saída do guitarrista e responde a uma provocação do repórter dizendo que topou a segunda reunião porque seu empresário ameaçou pedir demissão se ele não topasse. E reclama do agora ex-colega: "Não tem muita fricção. Blackmore é o problema. Ele é muito difícil, não escuta ninguém, quer tudo do jeito dele, não deixa ninguém dar contribuições à música, cancela turnês no último minuto. Essas coisas são difíceis, e eu não gosto disso. O único motivo pelo qual o Deep Purple pára de tempos em tempos é essa dificuldade dele." Gillan também promete que o Deep Purple continuaria rolando até que o óleo acabasse.

O programa também mostra o Blackmore faceiro, fazendo seu último solo de Highway Star com o Purple:


Depois disso, Ritchie primeiro falou em gravar um disco só seu. Retirou-se para sua casa em Long Island e jogava futebol todo domingo às três da tarde num parque da cidade. Até o final de 1994, porém, Blackmore tirou um tempo pra si próprio.

Ex-colegas se aproximaram. Glenn Hughes convidou Blackmore para fazer uns solos em shows seus. Não rolou. Com o fim da parceria entre David Coverdale e Jimmy Page, chegou-se a anunciar uma participação do Blackmore em shows do Whitesnake, e até gravações dele com Coverdale. Os shows nunca rolaram. Se gravações houve, nunca apareceram. Nem o disco solo chegou a sair.

No final de 1994, era certo que sairia uma nova formação do Rainbow, com o vocalista Doogie White. Em 1995, saiu o álbum "Stranger in Us All", com participações especiais da então desconhecida namorada do Blackmore. Antes de iniciar a turnê, a banda já tinha mudado de baterista. O primeiro show foi em 30 de setembro. Sabe onde? Helsinki, na Finlândia. A turnê chegou a passar pelo Brasil, em julho de 1996 - começando pelo Opinião, em Porto Alegre, em 2 de julho, e seguindo para mais quatro datas. O show anunciado no Rio foi cancelado.

Tal como acontecera com a formação do Turner, menos de um mês após os shows no Brasil aquela formação do Rainbow tinha terminado. Mas naquele ponto já se falava no tal projeto medieval do Blackmore. O nome seria "Medieval Moons And Dances". A primeira menção que vi a Blackmore's Night foi no final de 1997, quando ele deu uma entrevista à Guitar Player brasileira.

Fez bem ao ânimo de Blackmore sair do Deep Purple. Fez bem ao ânimo do Deep Purple a saída do Blackmore. Mas sempre fica um travo no fundo da garganta pensar que nunca mais veremos Blackmore e Gillan dividindo o palco criativamente. Mas, também, nunca mais veremos o Pelé fazendo gols pela Seleção. Vivamos com isso. O importante é nossos mestres estarem felizes e compondo.

domingo, 9 de novembro de 2008

O último chilique final

Se você é um viúvo da Mk2, passe sua melhor camisa preta neste domingo e guarde luto. Há 15 anos, neste mesmo dia, ficou cristalinamente claro que seria inviável Ritchie Blackmore continuar na banda. Pouco mais de uma semana depois, ele saiu, embora já tivesse pedido demissão em 30 de outubro. (Aguarde o post do dia 17 para mais detalhes.)

A noite de 9 de novembro de 1993 - registrada originalmente no CD e no DVD "Come Hell or High Water" - foi aquela em que a fricção entre Gillan e Blackmore fez surgir o fogo. Ou a água, se preferirem. Blackmore entrou no palco na metade de Highway Star e sumiu no começo de Black Night. Jogou água no câmera. O homem estava com a macaca.

Nos últimos cinco anos, este blog juntou todas as versões que encontrou a respeito daquela noite fatídica. Em setembro, cheguei a conversar, em Copenhagen, com o megafã Rasmus Heide, autor de uma completa e empolgante, porém triste resenha feita para o The Highway Star. Ele estava lá naquela noite. E foi ele quem viu a cena que eu li pela primeira vez quando foi escrita pelo Gillan em sua autobiografia:

    When Blackmore finally did appear, it was only to leave the venue. He was disguised in his roadie's medieval peasant's outfit (which has since formed the basis of his dress code with Blackmore's Night!) and his girlfriend lead him to the door by way of a dog collar and leash. Very strange.

No ano passado, traduzi neste blog três versões sobre o caso da água. Uma era da autobiografia de Ian Gillan; outra, do website de Candice Night (possivelmente a moça que puxava Blackmore pela coleira); a terceira, do Darker Than Blue, fanzine da DPAS.

Eu tenho o vídeo (em VHS) e o CD daquela noite. Está longe de ser minha performance favorita do Deep Purple. O DVD é editado com entrevistas em que os quatro remanescentes falam mal do Blackmore - algo como a mais comentada do que vista edição do debate do Lula com o Collor em 1989.

A EMI tentou relançar o CD com o show completo, mas em fevereiro do ano passado o Ian Gillan chiou a respeito. Disse ele à BBC:

    "Foi um dos pontos mais baixos da minha vida. De todas as nossas vidas, aliás. De fato, aquela formação só durou cinco ou seis shows depois daquele de Birmingham. Aí, o Ritchie saiu da banda. Desde então, temos 13 anos de estabilidade."

O protesto do Gillan fez efeito. Hoje, você não encontra o DVD de "Come Hell or High Water", novo, por menos de R$ 60 nas principais lojas especializadas. O CD desapareceu feito fumaça. E o CD com o show completo, só em ponta de estoque. No site da Livraria Cultura, custa R$ 90.

Desde a primeira vez em que vi o show, apenas uma parte dele me abre um largo sorriso. Não é nenhuma música do próprio Deep Purple, e sim dos Rolling Stones: "Paint it Black". Eles tocavam isso no início dos anos 70 para o Paice fazer um longo solo de bateria e os outros descansarem um pouco ou talvez irem pra baixo do piano com alguma fã mais empolgada. Em 1993, a música virou uma vitrine dos talentos de cada um dos mestres.

Blackmore esmerilha sua guitarra. Lord põe seus dedos pra dançar sobre o teclado de seu brinquedo favorito. Gillan sorri enquanto surra as congas. Glover, sempre discreto, toca as mesmas duas notas que tocava aos 25 anos pra garantir uma base firme pra piração dos amigos. E Paice bota pra trabalhar os pigmeus percussionistas que traz escondidos sob sua manga. Vá lá que o Blackmore desapareça durante a maior parte do tempo, quando devia trocar solos com o Lord, e volte só no final. Mas aí todos eles estão completamente à vontade fazendo o que sabem fazer melhor.

É esse o Deep Purple para o qual eu tiro o chapéu desde a adolescência:

domingo, 20 de abril de 2008

40 - the best of

Em 20 de abril de 1968, uma banda inglesa nova chamada Roundabout foi tocar um cover dos Beatles num programa de TV dinamarquês. Na última hora, avisaram a produção de que o nome tinha mudado: a partir dali, seria Deep Purple. Desde então, eles foram e voltaram e mudaram nove vezes a formação e fizeram 2.014 shows - dos quais 49 foram no Brasil.

Vida longa e próspera aos mestres. Abaixo, alguns vídeos - vários deles bem raros - pra relembrar os grandes momentos da nossa banda favorita, quase ano a ano.

1968 (Mk1) - KENTUCKY WOMAN, ao vivo em Los Angeles.
A qualidade do vídeo é uma bosta - a fita se deteriorou muito ao longo dos anos -, mas é um dos poucos registros da Mk1 ao vivo tocando algo além de Hush.



1968 (Mk1) - AND THE ADDRESS, ao vivo na Mansão Playboy
Todo mundo quase só conhece o vídeo de Hush. Mas eles também tocaram na abertura do programa. Destaque para Hugh Hefner ainda antes da mania do robe de chambre. Olhe para o Rod Evans e cante: "VAI LACRAIA, VAI LACRAIA"!



1969 (Mk2) - WRING THAT NECK, ao vivo no Bilzen Jazz Festival.
Raridade das boas. Aqui, eles estão no auge da improvisação.



1970 (Mk2) - MANDRAKE ROOT, ao vivo no South Bank Summer Festival
Mais uma vez, uma improvisação de cair o queixo.



1971 (Mk2) - DEMON'S EYE, ao vivo em Berlim
Este é o mais antigo vídeo que mostra o duelo entre Gillan e Blackmore que se tornaria famoso em Strange Kind of Woman.



1972 (Mk2) - CHILD IN TIME, ao vivo em Copenhagen
Vocês já conhecem esta versão. Mas eu não podia deixar passar sem Child in Time.



1973 (Mk2) - SMOKE ON THE WATER, ao vivo na Universidade de Hofstra, nos EUA
Único registro conhecido em vídeo da verdadeira Mk2 da Era de Prata Amigos tocando a música que se tornou a mais famosa do grupo.



1974 (Mk3) - BLACKMORE DETONA O PALCO, no California Jam
Vocês também conhecem isto aqui.



1975 (Mk4) - YOU KEEP ON MOVING, ao vivo no Budokan, no Japão
Hughes e Coverdale fazendo dueto. É de arrepiar os pêlos do braço.



Terminada a Mk4, terminou o Deep Purple. Eles ficaram oito anos parados e voltaram em 1984. No segundo show, tiveram um convidado ilustre.

1984 (Mk2a) - LUCILLE, ao vivo na Austrália com George Harrison
Filmado atrás do palco.



1985 (Mk2a) - GYPSY'S KISS, ao vivo no Rockpalast
Eles não tocam mais essas músicas.



1987 (Mk2a) - HARD LOVIN'WOMAN, ao vivo em Viena
Eles não tocam mais essas músicas.



1988 (Mk2a) - HUSH, ao vivo em Copenhagen
É a versão regravada em estúdio no disco Nobody's Perfect.



1991 (Mk5) - THE CUT RUNS DEEP, ao vivo em São Paulo
Era a primeira vez em que o Deep Purple vinha ao Brasil. Com Joe Lynn Turner. Uma das melhores faixas de Slaves & Masters. Destaques: Turner errando sua própria letra (sem falar na de Hush), Blackmore e Glover rebolando de costas um para o outro e o tango do Turner com o Glover. Paice arrebenta na bateria e Lord destroça o teclado.



1993 (Mk2b) - THE BATTLE RAGES ON, ao vivo em Birmingham
É o famoso show de Come Hell or High Water.



1994 (Mk6) - WHEN A BLIND MAN CRIES, ao vivo em Saarbrucken
Ritchie Blackmore se recusava a tocar essa música, gravada nas sessões do Machine Head. Desde 1991, porém, o Gillan já a tinha colocado em seu setlist solo. Quando Blackmore saiu e Satriani entrou, a música veio junto.



1995 (Mk7) - BLACK NIGHT, ao vivo em Bombaim, na Índia
Um dos mais antigos shows conhecidos em vídeo com Steve Morse. Ainda era mais ou menos o mesmo setlist do Satriani, que era mais ou menos o mesmo setlist do Blackmore.



1996 (Mk7) - THE AVIATOR, ao vivo em Chicago, nos EUA
Esta faixa do disco Purpendicular, feita em homenagem a Steve Morse, que além de guitarrista é piloto de aviões, infelizmente sumiu dos setlists. Repare que o Gillan está sentado na borda do palco, do lado da galera, e ninguém sequer toca nele. Se fosse no Brasil, ele teria saído sem roupa.



1997 (Mk7) - CASCADES (I'M NOT YOUR LOVER NOW), ao vivo em São Paulo
A segunda vinda do Deep Purple ao Brasil foi emocionante. Foi a primeira do Purple com o Gillan por estas terras. E foi quando eu aprendi a confiar no Steve Morse. Outra bela faixa que sumiu dos setlists.



1998 (Mk7) - FINGERS TO THE BONE, ao vivo em Sófia, na Bulgária
Hoje em dia, nenhuma música do Abandon sobrevive no setlist. Mas vejam que preciosidade esta.



1999 (Mk7) - WATCHING THE SKY, com a Orquestra Sinfônica de Londres
Esta é uma das minhas músicas favoritas do Abandon. No tratamento da orquestra, ficou genial.



2000 (Mk7) - FOOLS, ao vivo na Transilvânia
Levou quase 30 anos para o Deep Purple incluir esta gloriosa faixa de Fireball em seu setlist.



2001 (Mk7) - NESSUN DORMA, com Luciano Pavarotti, em Módena (Itália)
Pavarotti dizia que os melhores tenores do mundo têm algum receio em cantar essa música. Ian Gillan não apenas mergulhou nela como também traduziu a letra.



2002 (Mk8) - CHILD IN TIME, ao vivo na Rússia
Em janeiro, a Mk7 fez metade de sua última turnê, na Inglaterra. Seria a despedida de Jon Lord, embora eles demorassem a confirmar. Para comemorar, Child in Time foi incluída no setlist, mas Ian Gillan caiu doente depois de poucos dias de shows. No recesso, Jon Lord confirmou que sairia da banda. Ao voltar, eles iriam à Rússia - mas com Don Airey, substituto do TOMATO. Foi nessa fase que começou este blog. Naquelas terras geladas, onde Child in Time tem um significado especial, Ian Gillan topou cantar a música pelas últimas vezes. Esta é uma delas.



2003 (Mk8) - HOUSE OF PAIN, no Casseta e Planeta
O Deep Purple ficou pop quando veio ao Brasil daquela vez, na turnê de Bananas. Eu queria ter achado o vídeo de Fucker & Sucker, mas não achei. Fica pra próxima. De qualquer forma, eles estão ali no meio da fuzarca toda.



2004 (Mk8) - BLACK NIGHT, ao vivo na Califórnia
No palco, dois dos grandes guitarristas que já passaram pelo Deep Purple: Steve Morse e Joe Satriani.



2005 (Mk8) - I'VE GOT YOUR NUMBER, ao vivo em Londres
O que eu acho genial nesse show é que o palco do Hard Rock Café londrino não é muito maior que o do Café Piu-Piu paulistano. A música é do Bananas, mas a turnê já é do Rapture of the Deep.



2006 (Mk8) - HIGHWAY STAR, ao vivo em São Paulo
Nesse show, um imbecil mijou na minha perna.



2007 (Mk8) - PICTURES OF HOME, ao vivo em Glasgow, na Escócia
Salvo engano, aqui eles estavam tocando todo o Machine Head.



2008 (Mk8) - SMOKE ON THE WATER, ao vivo no Kremlin, na Rússia
O show mais polêmico do ano do quarentenário da banda.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Nem só de más memórias viveu aquela noite

O show no Birmingham NEC teve um grande ponto alto. Não era uma música exatamente do Deep Purple, e sim dos Rolling Stones: Paint it Black. Em 1970, eles costumavam tocá-la para dar desculpa a um solo de bateria. Em 1993, fizeram uma gloriosa jam como nos bons velhos tempos da verdadeira Mk2 da era de prata que um dia foram.

Blackmore esmerilhando a guitarra. Lord completamente à vontade com seu brinquedo favorito. Gillan sorrindo nas congas. Glover tocando as mesmas duas notas que tocava aos 25 anos pra segurar a piração dos amigos. E Paice colocando os pigmeus pra trabalhar.

Tudo bem, o Blackmore desaparece durante a maior parte do tempo, quando devia trocar solos com o Lord, e volta só no final. Repare no gesto final do Gillan, apresentando o Blackmore como quem diz "senhoras e senhores, EIS O HOMEM!"

Não foi uma noite perfeita. Mas é essa a melhor lembrança que eu tenho da segunda reunião.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Quatro versões

Para entender um fato, é preciso ter acesso ao máximo possível de versões sobre ele. Cada um reage de acordo com o que viu e o que sentiu no calor do momento. Não é inteligente tomar partido acriticamente. Eu, pessoalmente, não dou razão a ninguém - só acho o caso lamentável. Assim, vamos juntar aqui tudo o que se sabe e se falou sobre o caso da água.

Primeiro, o vídeo:



Depois, a versão do palco. Traduzido da biografia de Ian Gillan:

    O grande show ocorreu no NEC, em Birmingham, em 9 de novembro. Ritchie, a essa altura, tinha destruído seu visto, dizendo que ele não iria conosco ao Japão no final do mês, mas ninguém poderia prever o que ocorreria em Birmingham. As coisas andavam ruins entre nós e, em Manchester, nossos roadies tentaram se certificar de que chegaríamos ao palco sem tomar o mesmo caminho. Ainda assim, o show foi legal, assim como o de Brixton, particularmente o segundo, onde Ritchie foi ótimo, e eu encontrei alguns velhos amigos depois, incluindo Dean Howard.

    Mas em Birmingham, estava tudo chegando ao fim. As histórias variam sobre o que exatamente aconteceu, dependendo de sua localização: palco, platéia ou coxias. O que havia sido combinado (e todos concordaram) era que o show seria filmado. (...) A atmosfera nos bastidores era vil, e Ritchie havia se trancado em seu quarto, com uma placa dizendo "O Antro do Texugo". Ele topou a idéia dascâmeras, e assim, não surpreendentemente, havia pilhas de caras caminhando por aí - pra todo lado que você olhasse havia alguém com uma câmera.

    Bom, do meu ponto de vista, os dias em que um artista pode exigir o palco só pra si já foram pela janela há muitos anos. Todo aquele negócio precioso do comportamento - quer dizer, sempre tem alguém por perto, e você tem que aprender a viver com isso. Não existe motivo pra deixar algo assim, algo aliás com que você concordou, estragar sua performance. Mas o Ritchie deixou!

    Assim, as luzes se apagaram, Ian Paice abriu o caminho, Jon e Roger começaram a tocar Highway Star e eu entrei.

    Estava eu no microfone, e percebi que algo não estava certo. Jon estava segurando a onda, e quando eu virei pro lado vi que o Ritchie não estava conosco! Quer dizer, quando um quinto da banda não está lá, o som fica meio ruim, particularmente quando se trata da abertura do show! Então era hora de decidir - ou parávamos o show, ou encarávamos a parada, que foi o que eu fiz. Chegamos ao solo e o guitarrista apareceu, tocou um pouco e sumiu.

    Soube que um jato d'água voou ao meu lado logo atrás das congas, e entramos em Black Night do mesmo jeito - sem guitarrista.

    Nos bastidores, parece que o Ritchie se enfezou com um câmera, e jogou um balde d'água nele. Então, ele achou outro balde e foi atrás de outro cara que estava filmando tudo. Só que o câmera não estava onde o Ritchie achava que estaria, e por isso ele acabou acertando minha senhora, e uma coisa levou a outra.

    Então, eu estava no palco cantando e pensando, "o que será que está rolando lá atrás?", e finalmente larguei o microfone e saí, só pra ver a B em lágrimas. Tendo chegado a algum tipo de compreensão da situação, eu disse: "Eu vou matar esse cara agora - provavelmente com uma bala muito lenta, chamada meu braço direito!"

    A reação da B foi, digamos, brilhantemente compenetrada. Ela disse: "não deixe isso te afetar. Acalme-se e faça um grande show!" E ela disse isso muitas vezes. Na verdade, ela estava me avisando com tanta força que até estava me ameaçando - abençoada seja ela!

    Logo eu estava de volta ao palco com a banda, e o show continuou, com o guitarrista tocando de qualquer jeito, terminando antes, deixando trechos de lado e geralmente me deixando perdido sempre que possível. No final, o Ian Paice jogou couros de bateria autografados para a platéia estupefata e gritou: "devemos pra caralho a vocês!".

    Não consigo sequer começar a explicar o que o Ritchie tinha em mente naquela noite, se ele estava consciente do que estava rolando ou se estava apenas hiperfodido mentalmente e supertenso, como só ele consegue. Será que a visão de algumas pessoas o chatearam tanto assim ou foi premeditado, por suas próprias e inexplicáveis razões? Eu soube (pelo Darker Than Blue) que em torno da meia-noite o Antro do Texugo abriu e ele foi visto sendo carregado por uma garota carregando uma corrente, com uma coleira em torno do pescoço dele! Ele estava vestido com seu longo e negro casaco de couro, e usava a máscara de bruxa que às vezes era usada pelo assistente de palco, mais um chapéu de bruxa! Se for verdade, é triste.


Agora, ao lado do palco. Candice Night, que estava lá no dia do incidente (e provavelmente carregou Blackmore pela coleira), conta seu lado da história:

    Eu estava lá no dia do incidente, e a verdade é que ele jogou a água no câmera. Por três vezes ele pediu ao câmera que saísse do palco pra não ficar na frente do Ritchie. Se você tivesse pago pra ver o Ritchie tocar e só pudesse ver as costas da cabeça de um câmera a noite inteira, não ficaria chateado? Por isso, pediram pro câmera sair. Mas ele não saiu. Então, o que você viu foi o temperamento do Ritchie, mas não pelos motivos que você imagina... sempre existe um método na loucura.


Da platéia, vem a versão do Darker Than Blue, a publicação da Deep Purple Appreciation Society. Richard Whitehead (só pode ser sacanagem):

    Estávamos sentados do lado dele do palco, e vimos mais do que a maioria. Ele apareceu logo depois de os outros já estarem no palco, caminhou até onde o ajudante dele estava esperando atrás dos amplificadores, depois voltou correndo pro vestiário sem tocar nada. Quando ele reapareceu, depois de três quartos de Highway Star, caminhou pro lado do Lordy e atirou o conteúdo de uma vasilha plástica de bebida contra alguém que estava ao lado do palco. No final da música, ele voltou pra trás do amplificador, largou a guitarra e correu pra trás do Paicey, pra área dos bastidores, onde ele atacou alguém e jogou mais água. Tirando isso, o show foi bem curtível, embora o Gillan e o Blackmore não olhassem pra cara um do outro.

Não compre nosso disco, diz Gillan

A BBC está cobrindo hoje um fato inédito na história da música: um artista - Ian Gillan - que recomenda aos fãs que não comprem um disco seu.

Não é qualquer disco: é o mais famoso show da turnê de The Battle Rages On, em 1993 – a versão integral do show editado em Come Hell or High Water. Só tem importado e custa US$ 19 na Amazon.

    "Foi um dos pontos mais baixos da minha vida. De todas as nossas vidas, aliás. De fato, aquela formação só durou cinco ou seis shows depois daquele de Birmingham. Aí, o Ritchie saiu da banda. Desde então, temos 13 anos de estabilidade."

O vocalista chamou a BMG de oportunista pelo lançamento. A gravadora, que não sabia que o Gillan não sabia, tampouco que ele discordava do lançamento, prometeu tirar o disco das lojas. Ou seja: quem comprou, comprou. Quem não comprou, que corra.

A história do show é conhecida por boa parte dos fãs. A Mk2 do Deep Purple havia acabado de voltar pela segunda vez, para um disco e uma turnê comemorando os 25 anos da banda. Blackmore e Gillan mal se falavam. Esse show no NEC, em 9 de novembro, seria gravado, mas Blackmore rodou a baiana com um câmera pelo segundo vídeo de sua vida. Entrou no palco só na metade de Highway Star e jogou um copo d'água no câmera. Consta que teria atingido a mulher do Gillan e deixou o cantor puto. Em sua autobiografia, Gillan conta o caso.

Embora o Deep Purple pudesse impedir a circulação dessas imagens deprimentes logo de cara, não foi o que houve. Menos de um ano após o show, eles lançaram o vídeo "Come Hell or High Water", cuja edição intercala as músicas do show com entrevistas dos quatro membros remanescentes da Mk2 contando causos da banda e descendo a lenha no polêmico guitarrista - que havia deixado a banda algumas semanas depois da gravação.

Gillan tem alguma razão em não gostar desse show. Mas todo mundo já o conhecia. É uma peça de colecionador. Ele ganha tostões com a venda.

A imprensa inglesa deitou e rolou: "Deep Purple faz promoção em estilo bizarro"; ”Deep Purple: Não Comprem Nosso Disco, Por Favor”.

A Deep Purple Appreciation Society não deixou por menos:

    “Foi mesmo o pior show deles? Conte a nós se você discorda e por quê. Nossas glamorosas assistentes estão esperando seu telefonema, e a melhor resposta receberá uma cópia da terrível coletânea Purplexed (duas cópias para a concorrente).”

Tudo isso uma semana depois de uma gloriosa entrevista dada por Gillan e Paice ao The Sun. A melhor entrevista que já vi membros do Deep Purple darem.

Todos podíamos passar sem essa.

Veja a cobertura toda no Google News.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Datapurple geográfico

O Deep Purple já visitou 71 países ao longo de sua carreira.

Nos dez anos com Steve Morse, a banda visitou 68 deles. A nova fase do Deep Purple desbravou 36 países onde o Deep Purple nunca havia pisado antes.

Nos 17 anos com Blackmore, foram 30 países. Com a Mk1, ele visitou apenas 6 países.

David Coverdale conheceu com o Deep Purple 18 países. Eles incluem a Iugoslávia (Belgrado e Zagreb, em março de 1975) e uma tentativa frustrada de ir a Hong Kong, em dezembro do mesmo ano. Três meses depois do show cancelado, acabaria o Deep Purple.

Joe Lynn Turner foi a 20 países. Eles incluem dois shows em Israel, onde o Deep Purple nunca tinha ido e aonde nunca mais voltou. Foram os últimos shows da banda antes da volta do Gillan.

Hoje em dia, o Deep Purple faz em média a mesma quantidade de shows que fazia no auge dos vinte e poucos anos dos mestres. É possível ver exatamente em que fase eles andavam apenas pela quantidade de shows dos anos mais movimentados:

1) 1972 - 123 apresentações (lançamento do Machine Head, primeira turnê no Japão, auge do sucesso da banda)
2) 1970 - 119 apresentações (lançamento do In Rock, Deep Purple toda hora na BBC, matando a pau)
3) 1996 - 116 apresentações (entrada do Steve Morse, lançamento do Purpendicular)
4) 1969 - 112 apresentações (duas formações, entrada do Ian Gillan e do Roger Glover, Concerto...)
5) 2004 - 110 apresentações (turnê de Bananas)

Até o final do ano, 2006 deve ultrapassar a quantidade de apresentações de 2004. Lembre que esses dados são até o dia 14 de novembro.

Ao final da turnê do Deep Purple no Brasil, dia 3, o Bananão passará a ser o nono país onde o Deep Purple mais tocou em toda sua carreira, com 45 shows - empatado com o Canadá. Na ordem:

USA - 542
UK - 334
Germany - 234
France - 65
Italy - 63
Japan - 61
Australia - 57
Canada - 45
Sweden - 41


17 países viram o Deep Purple uma só vez. Isso inclui a Província Cisplatina, o Peru, a Romênia, a Bolívia e Belarus.

O nome mais comum de lugares onde o Deep Purple tocou em toda sua existência é Stadthalle. Por 26 vezes, estádios assim chamados em cidades alemãs abrigaram os mestres. Logo em seguida vêm os lugares chamados "Coliseum" e "Entertainment Centre" - 19 vezes. Nas "House of Blues", o Deep Purple tocou 13 vezes.

Há nove shows em lugares chamados Olympia - do lendário clube parisiense à extinta casa de shows de São Paulo. Se somarmos os "Olympiahalle", são 18.

sábado, 31 de janeiro de 2004

Heavy Metal Pioneers

Estava revendo hoje o vídeo Heavy Metal Pioneers, o primeiro que assisti do Deep Purple, ainda na época em que foi lançado (92). Incrível como o tempo dá perspectiva às coisas. Primeiro: eu achava na época que entendia o que tinha ouvido. Estava errado. Me surpreendi com o quanto eu ouvi de "novidade". Segundo: embora a primeira metade tenha me trazido boas lembranças, o pedaço que conta da reunião do Purple até a entrada do Joe Lynn Turner engasgou.

Esse vídeo tem grandes semelhanças com o "Come Hell or High Water", apesar da óbvia diferença de um ser um show e outro ser um documentário. Ambos são feitos com a intenção de jogar uma pá de cal sobre o mais recente saído do grupo.

Em HMP, o Judas a ser malhado é o Ian Gillan. O trecho com ele cantando Perfect Strangers parece ter sido escolhido a dedo: rouco, esquecendo as letras, inventando partes, saltando trechos, o Blackmore fazendo caretas e gesticulando. Já em CHOHW, a "vítima" é o Blackmore. O show escolhido é exatamente aquele em que o homem de preto se embromou pra subir ao palco (chegou só na metade da primeira estrofe de Highway Star), jogou água no câmera e acertou a mulher do Gillan, etc. Nas entrevistas, os ex-colegas do cara lembram seus momentos de maluquice e dizem que Blackmore "vive em um mundo particular".

São vídeos importantes, muito embora a política interna do grupo influa muito em ambos. Some à equação o California Jam (acho a MK3 áspera demais ao vivo, e o espetáculo do palco em chamas é deprimente, embora poderoso) e o melhor DVD do Purple disponível em todos os tempos é Classic Albums: Machine Head. Melhor até mesmo que o genial Black Night in Denmark (vulgo Machine Head Live 72) e que os VHS Rises Over Japan (pobre Bolin) e o sensacional Doing Their Thing.

Ainda não vi Bombay Calling e nem o da turnê de Abandon na Austrália. Mas parece que, desde a chegada do Steve Morse, as coisas mudaram muito lá dentro. Um indicador positivo disso parece ser a ausência de vídeos pra "vingar" a saída do Jon Lord.

domingo, 9 de novembro de 2003

Haja o inferno ou altas águas



Há dez anos, neste mesmo dia, Ritchie Blackmore fazia seu antepenúltimo show no Deep Purple. Era quase o fim da curta existência da terceira encarnação da Mk2. O show ocorreu no NEC Birmingham, na Inglaterra, e está registrado no vídeo "Come Hell or High Water". O CD também tem grandes pedaços desse show, embora também traga material de um show de 16 de outubro na Alemanha.

Sempre achei esse disco meio deprimente, porque eles parecem meio tristões, burocráticos. O Blackmore, especialmente. Aí eu comprei o vídeo, e o Blackmore realmente me decepcionou. Além da cara amarrada, ele aprontou coisas como chegar ao palco dois versos depois do começo de Highway Star e atirar um copo d'água no câmera (depois soube que também acertou a mulher do Ian, vejam só).

Claro que tem momentos grandiosos, como o Blackmore e o Lord puxando malandramente o riff de Burn no meio de Speed King (no CD), uma apocalíptica interpretação de "Paint it Black", dos Rolling Stones (no vídeo) e o Jon Lord imitando som de sirene de bombeiros quando Gillan canta os versos "they burned down the gambling house/it died with an awful sound" em "Smoke on the Water".

O vídeo intercala entre as músicas trechos de entrevistas com os quatro membros então remanescentes do Purple – eles ainda não sabiam se iam continuar na estrada –, todos eles pessimistas e lembrando episódios malas do Blackmore. O homedepreto tinha um camarote só pra ele (onde passava o tempo com sua namorada, possivelmente Candice Night), enquanto os outros quatro relembravam os velhos tempos compartilhando um camarim. Na noite de 2 de novembro, Blackmore e Gillan quase foram às vias de fato.

Em sua defesa, o homem de preto reclamava que o cantor esquecia versos inteiros e detonava sua voz tomando cerveja. Ele também não curtia a coisa de os câmeras ficarem passando pelo palco. Sim, o cara é um puta guitarrista mas é temperamental.

No dia 30 de outubro, Blackmore havia enviado uma carta aos colegas, por meio do empresário Colin Hart, dizendo que estava de saco cheio e que só iria completar a turnê européia com a banda - que terminaria duas semanas depois, no dia 17 de novembro, em Helsinque, na Finlândia. Depois do show inglês registrado em Come Hell, enquanto os Gillan, Paice e Glover davam entrevistas e o Jon Lord ligava para o Simon Robinson, Blackmore só apareceu pra ir embora. Vestido de pajem medieval e puxado pela coleira por sua namorada (creeedo).

No show, registrado em Come Hell..., Eles tocam várias músicas do disco The Battle Rages On, que já não me empolgava muito na época do lançamento. A turnê também marcou a chegada aos palcos de uma das minhas músicas favoritas do Fireball, "Anyone's Daughter" - pela primeira vez ao vivo desde 1971.

A passagem de Child in Time para Anya me deixou imensamente chateado. Depois de uma performance em que precisou ser ajudado pelos instrumentais para fazer os agudos, no silêncio entre as duas músicas o Ian Gillan dizia a frase "that was then, now is now, and all things return" ("isso foi antes, agora é agora, e tudo volta"). Quando ouvi isso pelas primeiras vezes, achei que ele estava pedindo desculpas. Diz ele que não era.

Come Hell or High Water é bom. É sempre legal ouvir o Blackmore tocando. Mas é essa fase do Purple que me lembra por que eu, particularmente, não faço questão de que o homem de preto volte à banda. Cada vez que passo uma semana ouvindo as delícias dos anos 70 e fico lembrando de como o Blackmore era ducaramba, eu volto a ouvir Slaves & Masters, The Battle Rages On e Come Hell or High Water pra lembrar como o Blackmore já não queria mais nada com o Purple.

Pra saber mais sobre a turnê, vai lá no especial do THS.