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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Trechos da biografia de Glenn Hughes

O site oficial do Glenn Hughes postou e depois tirou do ar um preview de várias páginas da autobiografia do baixista e segunda voz do Deep Purple entre 1973 e 1976. A edição de luxo do livro custa 500 libras, mas é um troço vistoso pra caramba. Tem fotos raríssimas, incluindo uma do Roger Glover dando um pedala no Coverdale.

Enquanto ela esteve no ar, havia vários trechos interessantes disponíveis. Eles tratam de sexo, drogas e rock'n'roll - a tríade de excessos que acabou com o Deep Purple em 76, como o próprio Hughes admitiu a este blog numa entrevista há algum tempo.

SEXO

Hughes fala do seu namoro com Vicky, gêmea da mulher do Ian Paice e há 35 anos patroa do Jon Lord. O preview não entra no trecho sertanejo da história. Mas tem uma foto das gêmeas na época em que derretiam corações. Sinceramente? Pode ser que eu conheça mais mulheres bonitas do que a média (duvido), mas achei bem normaizinhas.

As aventuras de Hughes na chifrolândia continuam quando ele menciona ter casado posteriormente com a namorada do Tommy Bolin. Não fica claro se é a mesma moça exuberante que vestia quase nada quando o guitarrista chegou pra fazer teste no Purple.


DROGAS

A autobiografia do Hughes é um livro altamente sincero. Hughes não tem motivo pra esconder o que fez ou deixou de fazer. Pelo contrário: ele faz questão de contar, até pra mostrar do que se livrou. E não tem pudor de apontar o dedo pra quem fazia junto.

Segundo ele, até ele e Coverdale entrarem, o Deep Purple não era uma banda chegada a drogas. O negócio da banda era cachaça mesmo. "Remy Martin [o conhaque] era a droga favorita dele [Lord]". Talvez experiências, mas nada de hábito - e certamente não vício.

A coisa começou a mudar lá por 1974, com mais grana e mais viagens pros EUA. Segundo Hughes, seu primeiro acesso fácil à cocaína foi ao lado do Paice e das respectivas namoradas. Também diz que costumava "dar um teco" com Lord e Coverdale, embora os dois não tenham se viciado.

Hughes admite que foi perdendo o limite com a química gradualmente, até que sentia não ter ninguém no Purple que acompanhasse seu pique pra cair na farra. Aí entrou o Tommy Bolin, que tinha menos limite ainda - e a partir deste ponto os trechos se tornam mais espaçados.


ROCK'N'ROLL

Esta parte é a minha favorita. Os trechos pulam muito, então não dá pra ler o Hughes contar como ele e o Coverdale pesaram forte a mão na direção musical do grupo.

Mas é divertido saber finalmente qual foi a música que Coverdale gravou bêbado na fita que mandou pro teste do Deep Purple: "You've Lost That Lovin' Feeling". O teste do Coverdale foi no Scorpio Sound Studios, na Marylebone Road.

Hughes queria ser o principal cantor do Deep Purple ("esta é a verdade, e eu tô cagando se parecer arrogante: eu nasci pra estar no palco com uma banda como essa"). E descreve assim o papel que, segundo ele, Blackmore tinha em mente:

"Ritchie achava que o meu papel seria o de ser a cola entre os membros da banda, unindo as harmonias. Ele me via como um instrumentista-cantor tipo Paul McCartney, trabalhando ao lado de outro cara (...) que seria mais tipo Paul Rodgers, com aquela voz de blues."

Aqui tem o primeiro de dois exageros, ouso dizer. Pode ser que o papel buscado para Hughes fosse esse mesmo. Mas, possivelmente por imaturidade, um tanto também por conta da química, Hughes não conseguiu cumprir bem esse papel.

Isso fica bastante claro quando a gente ouve a Mk3 tocar "Space Truckin" ao vivo. Na Mk2, Glover fica de canto segurando a linha de baixo enquanto seus colegas piram. Um ano depois, na Mk3, Hughes quer mostrar seu talento tanto quanto os outros. Natural, em se tratando de uma banda cheia de gênios. Mas com isso ele perde o pulso no baixo, e como a música se estende os solos degringolam. Pena, mas acaba não sendo a cola.

O segundo exagero é que Hughes força um pouco a barra ao classificar como sempre muito amigável a relação entre ele e Coverdale no palco. Faz sentido se for olhar pelo ponto de vista de hoje, quando são dois tiozinhos sessentões que praticamente "serviram juntos" quando moleques. Coverdale hoje é o ex-membro que mais tem contato com ele. Hughes sempre se refere a ele como "meu irmão".

Eu acho muito legal que eles se dêem bem hoje - e eu adoraria que mais deles se dessem bem entre si. Mas qualquer um que ouça os registros ao vivo de 1974 a 1976 percebe que havia uma clara competição entre os dois - provocada especialmente por Hughes, que às vezes invadia o espaço da voz do Coverdale. Infelizmente, foi o que aconteceu. No estúdio, era perfeito. Ao vivo, a coisa mudava de figura.

Enfim: o livro parece bem interessante, mas vou esperar sair o paperback em outubro para comprar. A edição de luxo custa 500 libras!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A tal biografia

A biografia que estou lendo do Blackmore é esta, que está à venda na Livraria Cultura por R$ 64,64:


Leva umas semanas pra chegar, mas vale muito a pena. É uma belíssima leitura, onde se fica conhecendo melhor o Blackmore e as bandas das quais ele fez parte.

Trata-se de uma biografia não-autorizada, portanto ela é cheia de pequenos fatos pouco honrosos da longa carreira desse gênio genioso. Mas é escrita por um grande fã, que não julga o biografado por esses fatos. Ele os inclui não para "pichar" sua imagem, mas para compreender melhor quem é e como pensa nosso guitarrista favorito.

O perfil que se desenha aí, a partir de diversas entrevistas coletadas ou feitas pelo autor, é o de como surgiu um artista pioneiro e complicado como Blackmore.

Há várias fotografias raras ali dentro, de um personagem que não gosta de ser fotografado. E a discografia, ao final da obra, inclui várias faixas de outros artistas em que Blackmore tocou no início da carreira como um anônimo e prolífico guitarrista de estúdio.

Com tudo isso, o livro não sai caro. O que "sai caro" mesmo é esperar ele chegar. Levou uns dois meses.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Blackmore, esse grande cara - e um causo do Turner

Eu sempre tiro um pouco de sarro das manias do Blackmore aqui no blog, mas não me canso de dizer que ele é meu guitarrista favorito. Embora seja meu guitarrista favorito, eu sempre pesquisei muito pouco sobre como ele virou o Homem de Preto que conhecemos. Por isso, comprei o livro "Black Knight", uma biografia não-autorizada. Estou devorando; ainda ontem, esse livro me manteve acordado até as 2 da manhã. Anteontem, até as 4.

Blackmore sempre foi um cara muito tímido, e o encadeamento dos fatos no livro sugere que boa parte das manias dele tem a ver com essa característica - por mais que seja estranho imaginar que um cidadão que põe fogo no palco possa ser tímido. As roupas pretas, o perfeccionismo, o ensimesmismo, a própria bronca com o Gillan (que é um sujeito MUITO expansivo), o laconismo. Blackmore ergue um escudo de estranhices para se defender. E se diverte com isso. Se você é tímido (e eu sou, até demais), deve saber mais ou menos como é a sensação, em outra escala.

Quando eu terminar de ler, posto aqui uma resenha. Já li todos os capítulos sobre o Deep Purple.

Só pra dar um gostinho: o capítulo que fala sobre a Mk5 traz uma revelação interessante sobre o Turner, outro personagem constante em piadinhas neste blog.

Em todos os capítulos, desde os que falam de 1968, vários entrevistados reclamam que Lord pouco contribuía com as composições do Purple - o que eu estranho demais, considerando a importância do teclado na sonoridade da banda. Para Slaves & Masters, calhou de ele ser o primeiro a reclamar de uma música por ser melosa demais para o Deep Purple. Sim, era "Love Conquers All".

A música cabia no contexto da tentativa de fazer um álbum comercial, porque na época era regra todo mundo botar uma baladinha num disco de hard rock, do Twisted Sister ao Cinderella. O argumento do Turner foi exatamente este: "o Motley Crue faz isso". Lord reclamou. Nas palavras do vocalista:

"Eu lembro que o Jon andou dizendo que 'Love Conquers All' era merda e não era uma boa música, e eu disse: 'se você tocar direito, eu vou cantar pra caralho e vai ser uma baita power ballad, então cala essa porra de boca e te mexe'. O Ritchie se virou no banquinho pra rir, e tentou esconder o riso. Ele queria dizer isso pro Jon havia anos. Naquela hora eu acho que me passei da conta, mas eu estava frustrado musicalmente porque olha só... o Jon nunca escrevia, e ficava lá sentado bebendo uma taça de vinho, lendo o livro dele, ouvindo música clássica"

(Parêntese: o "lendo um livro" é uma referência depreciativa que o Blackmore dirige ao Lord diversas vezes ao longo dos capítulos sobre o Purple. Como se fosse má coisa...)

Blackmore lembra que Turner disse ao Jon Lord, naquela explosão, uma outra frase: "Você é o passado, eu sou o futuro". E Blackmore se diverte ao dizer que sempre cumprimenta Lord dizendo "olá, sr. Passado".

Isso explica muita coisa - como, por exemplo, o fato de o tecladista não tocar em faixas feitas fora do álbum, como "Slow Down Sister" e "Fire Ice and Dynamite" (salvo engano), mas isso não aparece no livro.

O que eu recuperei de respeito pelo Blackmore com esse livro é diretamente proporcional ao que eu perdi de respeito pelo Turner com essa briga. Se bem que eles todos brigavam ou ficavam de cara feia um com o outro o tempo todo desde 1968, pelo que entendi.

sábado, 28 de julho de 2007

Deep Purple In Pod

DEEP PURPLE IN POD

Vamos expandir um pouco os limites deste blog. Hoje, inauguramos a primeira edição do podcast DEEP PURPLE IN POD, o podcast do Purpendicular. Você pode ouvir neste link ou aqui:



Nesta edição, o podcast traz algumas lembranças da minha viagem a Londres, há poucos dias. Fiz uma peregrinação a alguns dos lugares que marcaram a história da banda. Deixei de tirar fotos de dois deles - o antigo Speakeasy, onde o Gillan cantou pela primeira vez com o Purple, e o estúdio De Lane Lea, onde a maior parte dos primeiros discos foi gravada. O primeiro porque a bateria da máquina estava enchendo o saco, o segundo porque um mendigo estava enchendo o saco.

Antes, vejam as músicas tocadas no podcast, em ordem:

1. Grabsplatter - na BBC
2. Child in Time - Ian Gillan Band
3. Kneel and Pray - na BBC
4. Bloodsucker - na BBC
5. Black Night - na BBC
6. Aranea - Butterfly Ball, ao vivo (cantada por Judi Kuhl, ex-mulher do Roger Glover)
7. 69 - Abandon
8. Show me the Way to Go Home - outtake, 1971

Posto algumas imagens nos próximos dias.

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Como era branca minha cobra

Esse é o título da autobiografia que o Coverdale disse que vai escrever, em entrevista à Record Collector. Trocadilhos garantidos. Ou não, visto que a música em que ele criou o nome tinha esta singela letra:

White skin women keep me howlin' for more
Brown skin honey, I love

Got a whitesnake mama
You wanna shake it mama
Got a whitesnake mama
Come an' let it crawl on you,
just enough to see ya through


Tomara que ele também conte a história de como o Wando roubou sua música Fire'n'Passion.

segunda-feira, 10 de março de 2003

Glover prepara autobiografia

Roger Glover está preparando uma autobiografia, segundo ele mesmo diz em seu site oficial. Ele promete contar histórias sobre os bastidores do Deep Purple, incluindo como foi feita a capa do single de Love Conquers All e o vídeo da mesma música (o das cellistas nuas), ambos da pior fase do grupo. "Basta dizer que não pretendo nunca mais vê-los", diz Rog.

Sobre o livro, Roger diz o seguinte: "Já faz alguns anos que tenho ameaçado fazer um livro, e se eu continuar falando no assunto talvez eu me veja tentado a terminá-lo (já cheguei a começar, mas ainda falta muito - já pus os números nas páginas!!!)".

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002

Analogias

"Penso no Deep Purple como um belo jantar. Jon, Roger e o pequeno Ian (Paice) no meio, e eu e Blackmore como o garfo e a faca, cada um de um lado."

IAN GILLAN, na sua autobiografia (terminei ontem), sobre os motivos da saída do guitarrista Ritchie Blackmore da banda