terça-feira, 25 de outubro de 2005

Setlist mexicano

Ontem, no México:

1 Fireball
2 Strange Kind of Woman
3 Wrong man
4 Kiss Tomorrow goodbye
5 Demon´s eye
6 Rapture of the deep
7 Contact lost (incluye partes de somebody stole my guitar)
8 Don Airey solo (jarabe tapatio, star wars, 2001 space odissey)
9 Perfect Strangers
10 Intro- Highway star
11 Space Trucking
12 Smoke

Encore

13 Lazy
14 Hush (incluye solo de Ian Paice)
15 Black nite (incluye solo de Roger Glover)

And the Address

Nick Simper, o primeiro baixista do Deep Purple, abriu seu próprio site. Deleitem-se!

sábado, 22 de outubro de 2005

Meu time de futebol favorito

Eu sempre disse que acompanho o Deep Purple com o mesmo interesse com que qualquer outro marmanjo acompanha seu time de futebol favorito. Mas esta é a do ano. Na revista Flashback que está nas bancas (com o DVD dos Trapalhões e capa sobre videogames), página 52, está uma das maiores pérolas purpleanas que eu já vi. Rivaliza com a foto do Ian Gillan recebendo o George Harrison com uma meia no pinto, e fica pau a pau com o clipe de Call of the Wild.

É simplesmente uma foto de Ritchie Blackmore, Roger Glover e um grandão bigodudo que eu tenho dúvidas sobre se é o Jon Lord, mais alguns caras, todos com camisetas do Grêmio pra jogar em São Paulo. Isso na turnê de 1991, em que o Turner ("coitado, tem menos voz que a Xuxa", nas sábias palavras de André Forastieri) fez fiasco e o Blackmore bancou a maior prima-donna no palco.


Eu sempre ouvi falar nessa foto. Nunca tinha visto, então achava que non eczistia. Primeiro, porque eu sou colorado - ainda que não praticante. Depois, porque em Porto Alegre, terra do time, eu vi de longe o genioso gênio entrando no Gigantinho pra passar som, e ele não usava camiseta do Grêmio (no Celeiro de Ases, também, seria temerário). Ainda assim, eu tinha dúvidas: no encarte do vinil de Slaves & Masters, o disco que eles estavam promovendo com a turnê, além do instrumento ainda era informada a posição em que cada um deles jogava. Pois.

Além de publicar a foto, o jornalista André Barcinski conta a história do insólito encontro e bate o martelo:

"Ritchie Blackmore é uma das pessoas mais intratáveis e antipáticas que já conheci. (...) [No jogo,] Blackmore comportou-se como uma mistura de Hitler e Eurico Miranda - escolheu os times, as posições de cada um e o lado do campo. (...) Nesse jogo, aconteceu uma coisa inédita no futebol: quando o zagueiro do time adversário deu uma entrada maldosa em Blackmore, foi aplaudido - pelo próprio time de Blackmore!"

Vale a pena desembolsar uns caraminguás pra ler a história na íntegra. Por R$ 29,90 (eu sei, é salgado), o cidadão ainda leva um DVD com os melhores momentos dos Trapalhões. Eu não tenho DVD, então dei uma chorada e paguei R$ 14,95 só pela revista.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

It's Alright - you're safe in my hands

Mestre Ian Gillan deu ontem uma entrevista na rádio 5 da BBC, apresentando trechos de Rapture of the Deep. Ela pode ser ouvida online, clicando nesse link.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Improvisando no palco

Fala Glover:

"Às vezes, um dado solo será de um certo tamanho, e o improviso será daquele tamanho; outras vezes, ele é aberto, e o sinal geralmente vem do solista. Não temos líder no palco, e sempre que há algum erro, ou o que chamamos de colisão de trem, há vários olhares desesperados no palco. Nessas ocasiões, geralmente cabe a mim ou ao Paicey ajeitar a banda.

A gente não costuma ensaiar muito, quanto menos melhor. Colocar na fita o que rola na sua cabeça é um dos grandes mistérios do universo. O melhor conselho que posso dar é não ter um resultado pré-determinado em mente, ou senão você acaba lutando batalhas demais. Esteja aberto ao momento e desfrute dos acidentes e da espontaneidade. Em outras palavras, use o coração e não a cabeça."

sábado, 15 de outubro de 2005

Poetinha superstar

Em 1970, Ian Gillan gravou os vocais de Jesus Cristo no disco conceitual "Jesus Christ Superstar", de Andrew Lloyd Weber, que viraria peça logo a seguir e filme em 1974. Dois anos depois da gravação da obra original, Vinicius de Moraes seria chamado para traduzir as letras para o português. Quer ouvir? Clica aqui. E acompanha as letras assim.

A primeira vez em que ouvi foi numa fita emprestada pela professora responsável pela biblioteca do colégio onde eu estudava no segundo grau. Ela tinha visto a peça na Broadway nos anos 70 e comprado a fita na saída. Aí começamos a comentar sobre a voz do sujeito e coisa e tal... e no fim acabei emprestando uma fita do Deep Purple pra professora (que não conhecia, mas pra minha surpresa até gostou). Era muito legal, porque a gente tinha altos papos sobre literatura - foi sentado em frente à mesa da professora que eu comecei também a ouvir jazz.

Ao gravar a versão original das letras, Ian bolou a forma de cantar ao lado do piano, com Andrew Lloyd Weber e Tim Rice. Mas ficou todo encucado. "Meu único problema era Jesus Cristo. Tendo sido criado como cristão, mas (na época) tendo sido confirmado no paganismo, fiquei intrigado com a ética da coisa. Tim resolveu o problema me dizendo como ver Cristo... não como um ícone religioso, mas como uma figura histórica... e funcionou muito bem."

Acompanhem com atenção as letras originais de JCS. São muito legais. Críticas, mas sem afronta. Modernas, mas mantendo trechos tirados direto da Bíblia. Por mais que eu seja agnóstico, ESSA interpretação de Jesus Cristo é a que eu admiro. O José Saramago fez algo semelhante em "O Evangelho Segundo Jesus Cristo". Em ambas as histórias, de certa forma, o herói não é o personagem-título, e sim o Judas.

Uma das grandes virtudes que eu sempre achei nas letras de JCS foi a mistura de passagens literais da bíblia - ou pelo menos com um tom e vocabulário solenes o suficiente para terem vindo de lá - com gírias de hippie ("Take this cup away from me/for I don't want to take its poison/ (...) You're far too keen on where and how but not so hot on why"). O Poetinha mantém a métrica perfeita, mas pra isso abusa da gíria.

Vinicius nessa fase era um ripongo velho e safado. A tradução de JCS chegou a ser encenada em teatros paulistas em 1972, com orquestra e tudo mais. A gravação estava perdida (sequer se sabe se chegou a ser lançada comercialmente na época), até que as masters foram encontradas nos porões da gravadora Universal, há quatro anos, e relançadas numa caixa caríssima. Ficaram perdidos no tempo os nomes dos instrumentistas e cantores.

"Heaven on their Minds", o belíssimo petardo com que Judas abre o disco criticando a postura do personagem-título, virou "Céu na Cuca" na tradução do Vinicius. O poetinha toma liberdades tipo dizer "você deu uma de Cristo". No duelo entre os dois personagens principais, ele tascou um "Vai, imbecil! Engrena e vai. Chega de papo! Você já encheu, vai!". (Sim. É a hora em que o Gillan dá seu maior agudo no original.)

Tomei a liberdade de comparar uma estrofe, frase por frase, no original, na tradução do Vinicius e em uma tradução minha (sem métrica e sem rima, mas mais fiel ao original). Vejam só:

a) Listen Jesus I don't like what I see
b) Eu não estou gostando disto, Jesus
c) Olha, Jesus, não estou gostando do que vejo

a) All I ask is that you listen to me
b) Você deu uma de Cristo, Jesus
c) Tudo que eu peço é que você me escute

a) Please remember - I've been your right hand man all along
b) Nem se lembra eu era bom pra tudo, Jesus.
c) Por favor, lembre - eu fui seu braço direito o tempo todo

a) You have set them all on fire
b) Estão todos com a mania
c) Você acendeu o fogo de todos eles

a) They think they've found the new messiah
b) De que você é o Messias
c) Eles acham que descobriram o novo messias

a) And they'll hurt you when they find they're wrong
b) Em que fria você se meteu...
c) E vão feri-lo quando descobrirem que erraram


ERRATA: Foi Carlos Drummond de Andrade quem traduziu as letras do Álbum Branco. A tradução pode ser conferida aqui. Salve mestre Rui Goiaba.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Prêmio Classic Album

Dia 4 deste mês, o Deep Purple ganhou da revista inglesa Classic Rock o prêmio "Classic Album", por "In Rock". Neste mês, a revista traz uma matéria com os bastidores da gravação do disco. Vou começar a bater nas bancas da Paulista desde agora. Os sites de revistas inglesas são uma bosta.

A foto abaixo mostra os meliantes no local do crime. Estava com saudade do moço da esquerda.



Mais algumas:

1) Os mestres fizeram ontem à noite um show secreto de uma hora e cinco minutos no Hard Rock Café de Londres. Poucas centenas de sortudos assistiram. A novidade no setlist é "Kiss Tomorrow Goodbye". As outras duas músicas do disco novo, "Wrong Man" e "Rapture of the Deep", já estavam no setlist desde o começo de setembro. Este o setlist inteiro:

Fireball
I've Got Your Number
Strange Kind Of Woman
Kiss Tomorrow Goodbye
Rapture Of The Deep
Wrong Man
Lazy
Perfect Strangers
Highway Star
Smoke On The Water


2) Nesta quinta, na rádio 2 da BBC, o Gillan vai apresentar trechos do "Gillan's Inn", o disco que celebra seus 40 anos de carreira com a participação especial de vários amigos, no programa "Masters of Rock". O programa é apresentado pelo Bruce Dickinson, que é um fã do Gillan ("I wanted to scream like a Banshee..."). Deve ir ao ar nesta quinta, às 9 da noite inglesas ou meia-noite brasileira. Quer ouvir pela internet? O link é este.

3) Na notícia do Blabbermouth, também ficamos sabendo que o disco que comemora a carreira do Gillan só sai lá por fevereiro do ano que vem. Antes disso, porém, o Purpendicular deve ter uma cópia (cortesia do mestre).

4) O DVD Live In Concert 72/73, que tem o show de Copenhagen e o de Hofsfra e que foi resenhado na Playboy deste mês, já é disco de ouro na Austrália. Bom, né? Saiu uma notinha sobre ele também na VIP.

5) O Jon Lord está gravando um disco de Natal com a cantora pop norueguesa Maria Arredondo. Sai no final de novembro.

6) A patroa do Blackmore faz uma participação especial em uma balada do próximo CD do Helloween.

DIA DE JOHN PEEL

Dia 13, quinta-feira, o mesmo dia em que o Gillan vai dar entrevista, a BBC vai comemorar o primeiro "Dia de John Peel". Pra quem não sabe, Peel foi o cara na BBC que "descobriu" o Deep Purple. Foi o primeiro a chamá-los ao ar. A emissora botou um baita de um site no ar, homenageando boa parte do que ele fez na carreira.

Entre os recursos do site, já encontrei o programa de duas "Peel Sessions" com o Deep Purple: 18/jun/1968 (a primeira aparição da banda no rádio, com Hush, One More Rainy Day e Help) e 14/jan/1969 (Hey Joe, Hey Bop a Roo Bop, Emmaretta e Wring That Neck). Todas essas músicas já saíram oficialmente no Brasil, nos remasters dos três primeiros discos do Purple e no especialíssimo "Deep Purple - The Early Years".

Também tem uma página especial sobre o Deep Purple, onde fico sabendo que Child in Time esteve entre as mais tocadas de 1976.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Uma palhinha em vídeo

Tá no ar um vídeo de 30 segundos dos mestres tocando Rapture of the Deep.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

O êxtase das profundidades

O site da Edel colocou no ar uma entrevista com os mestres Gillan e Glover sobre o disco. Algumas pérolas:

1) Gillan fala sobre o título do disco, "Rapture of the Deep" (algo como "êxtase das profundidades")

"É uma expressão criada pelo Jacques Cousteau pra definir o estado confuso em que um mergulhador fica quando desce três atmosferas, o que dá uns 30 metros. Você passa por um sentimento de euforia; dá um efeito fisiológico estranho na sua mente e na sua função mecânica. É um pouco como estar bêbado ou chapado - não que eu já tenha estado assim, claro (risos).

Um fã mandou uma foto: num vilarejo inglês tinha um lago e tinha uma placa dizendo 'Danger - Deep Water' (cuidado - águas profundas) e alguém tinha riscado o 'water' e escrito 'Purple' no lugar. E isso ficou na cabeça da gente, e a expressão 'Rapture of the Deep' descreve muito bem o que eu estava pensando na época: se você está numa condição dessas, começa a pensar nas coisas de um jeito diferente. E tem um grande conteúdo espiritual subjacente às letras de quatro ou cinco músicas, certamente. Não se deve levar literalmente - é uma imagem com palavras."


2) Gillan sobre as rádios de classic rock:

"(A música 'MTV') é na verdade sobre as rádios de classic rock. Cheguei à conclus"ao de que mais acidentes de trânsito são causados por essas rádios do que por dirigir bêbado - porque o pessoal dorme no volante de tanta chatice, porque elas tocam as mesmas músicas antigas o tempo inteiro! E tem outra história por trás dela: o Roger estava dando uma entrevista pra uma rádio de Nova York, durante meia hora, e ele queria falar sobre o disco Bananas, mas as meninas queriam saber coisas velhas e históricas do rock, e no fim da entrevista ela disse: 'Boa sorte com o novo disco, e muito obrigado por ter vindo. E agora, um pouco de Deep Purple, yeah! Smoke on the Water!' - e não tocaram o disco novo. Acho que é uma atitude muito saudável desrespeitar essas coisas e tirar um pouco de sarro delas."

3) A versão do Glover:

"Tradicionalmente, não somos muito bons em escolher singles. Sempre fazemos a escolha errada. (...) De qualquer forma, obviamente nunca tocam nada nosso no rádio, exceto nas estações de classic rock nos Estados Unidos, onde de qualquer jeito só tocam Smoke on the Water. Então, tocar no rádio não é prioridade pra gente - fazer músicas que signifiquem algo para nós é uma prioridade, músicas que ficarão bem ao vivo."

4) Gillan sobre Money Talks:

"Isto se baseia no princípio, acho, de que o dinheiro como moeda corrente é uma ferramenta essencial na civilização. Entretanto, quando o dinheiro se torna uma commodity, ele ganha uma complexidade muito chata. Se as pessoas estão apenas interessadas em usar o dinheiro pra ganhar mais dinheiro, alguém acaba pagando por isso! Então, quando se fala nisso, fala-se sobre corrupção. Quer dizer, não tem nada errado em ganhar dinheiro, não tem nada errado em curtir a vida, mas eu sou contra a ganância e a corrupção que surge quando só se quer acumular riquezas às custas de outras pessoas, e por isso há referências aí sobre ter mais comida no prato do que o necessário e não se preocupar, porque tem guardas na porta. O dinheiro sempre volta pro dinheiro, dinheiro faz dinheiro e cochicha no meu ouvido, ri da minha cara - isso corrompe!"

5) Gillan compara com Bananas:

"Adoro o Bananas. Ele tocou mais do que qualquer outro disco do Deep Purple na história da minha casa e dos meus amigos! Mas foi outra transição, porque foi o primeiro disco feito com Don Airey, e acho que na época a gente o considerava mais como o cara que veio no lugar do Lord. E eu acho que neste novo disco ele pega muito mais forte. Ele deu uma grande contribuição no Bananas, mas acho que sua personalidade emergiu ao longo dos últimos dois anos na estrada, e consequentemente teve o efeito de levantar os outros caras na banda. Isso criou aquele maravilhoso equilíbrio entre o órgão do Airey e a guitarra do Steve Morse. Talvez o disco anterior favorecesse mais a guitarra - este está mais balanceado, acho."

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Ouça trechos do novo disco

Eu sei que tem muita gente boa querendo ouvir o Rapture of the Deep. A Edel Records, gravadora do Deep Purple, botou no ar versões em real audio de todas as músicas. Inteiras e pedacinhos.

Boa audição!