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sábado, 4 de junho de 2011

Tietando no palco

Nick Fyffe, ex-baixista do Jamiroquai, passou três semanas cobrindo a licença-paternidade do Glover. Em seu blog, Fyffe agradeceu a oportunidade e postou fotos de fazer qualquer fã babar.

Primeiro, ele com a banda:



Depois, seu instrumento todo autografado com agradecimentos dos mestres:



Gillan escreveu: "Grande cara você é. Valeu, parceiro."

Paice: "Prova de fogo!"

Morse: "Nick - ótimo trabalho! Te vejo no palco, na boa e velha Inglaterra"

Airey: "Nick - u rock!"

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Nobody's gonna take my car...

O gesseiro Shaun Maddix, 39, da cidade de Dewsbury, na Inglaterra, teve sua Ford Transit roubada. Com a ajuda de seu filho, de 16 anos, ele correu atrás dos ladrões por mais de um quilômetro, num carro emprestado, e conseguiu recuperar o carro bloqueando sua passagem. Ao alcançar o bandido, ele o arrancou do carro e segurou-o no chão até a chegada da polícia, diz o Yorkshire Evening Post.

A história fica mais interessante quando você fica sabendo que todos esses esforços foram porque em seu porta-luvas estava um objeto precioso: o seu CD favorito do Deep Purple: Machine Head, segundo ele disse a um programa de rádio.

"Eu ouvi a van dando a partida. Demorei apenas dez passos pra chegar lá fora, fui bem rápido. Eu fiquei puto da cara - acima de tudo porque meu CD favorito do Deep Purple estava na van", disse ele. "A primeira coisa em que eu pensei foi no CD. Eu escuto ele o tempo inteiro quando estou dirigindo, e ele me mantém animado o dia inteiro. Não consigo ficar sem ele."

Qual CD do Deep Purple faria você caçar um bandido? Responda aqui a enquete:

Que disco do Deep Purple faria você caçar bandido se fosse roubado?


In Rock
Fireball
Machine Head
Made in Japan
Burn
Perfect strangers
Slaves & Masters
Outro
Todos

Crie sua enquete também

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Não temos mais do que nos queixar

O Led Zeppelin deixou de ter o monopólio de ser alvo de paranóias, ora vivas.

Os ouvidores de música ao contrário, informa o Diogo Mainardi em seu podcast, descobriram menções ao demônio ouvindo Black Night ao contrário (baixe aqui o trecho de frente pra trás e de trás pra frente). Se, depois de ouvir, você não notou menção nenhuma, esta é a transcrição: "Oh demon that is leading from hell, we believe".

(Vamos lá: embora Black Night no sentido original faça tanto sentido quanto o trecho de "if there's a bustle in your hedgerow" em Stairway to Heaven, o "my sweet satan" da teoria conspiratória do Led Zeppelin é bem mais audível e mais comprido.)

Como paranóia pouca é bobagem, o Deep Purple também consta de um site de mensagens subliminares por conta da capa de Abandon.

Para eles, aquele troço de homem pulando de prédio seria uma incitação subliminar ao suicídio. Pra mim, porém, o conceito de subliminar é claro: trata-se de mensagens colocadas abaixo do limite da percepção. No caso de Abandon, o que eles encontraram foi um jeito de atribuir uma intenção manipulatória a uma imagem.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Oficializada a farra da carteirinha

Pois o Deep Purple vai tocar em Manaus no dia 7 de junho, um sábado. Lendo a notícia no Notícias 24 Horas, achei baratos os ingressos. Mas aí vi a ressalva: "para estudantes". Ou seja: a bandalha já tá tanta que nem adianta anunciar o preço oficial.

    Para pista, os ingressos custam R$ 50 (estudante). Lugar nas frisas será R$ 70 (estudante). Cada cadeira numerada sairá por R$ 60 (estudante) e os ingressos para o camarote (com venda exclusiva na Japurá Pneus) custam R$ 90 (estudante), cada. Os camarotes para o show são de 10, 14 e 16 lugares. Com exceção da pista, os demais ingressos poderão ser parcelados em até duas vezes, no cartão Visa.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Velhos estamos todos

Ontem, teve o show do Deep Purple em São Paulo. Não fui, pela terceira vez na vida em que houve um show deles na cidade onde vivo e pela primeira vez não fui mesmo tendo o ingresso garantido.

Não há muito o que dizer a respeito. Eu estava muito cansado de três semanas pesadas de trabalho incluindo finais de semana, a chuva estava pegando forte e eu estava meio gripado. Se fosse ao Credicard Hall, teria de esperar do lado de fora, na chuva, até abrirem o guichê onde eu deveria pegar meu ingresso. Depois, teria de esperar do lado de fora até abrirem o portão.

Em 2006, peguei chuva e espera, enfrentei a confusão do Tom Brasil e um imbecil mijou na minha perna. Como ando mais cansado do que o normal, achei que enfrentar mais chuva e todas essas possibilidades correria o risco de estragar minha noite.

O show era quase o mesmo que eu tinha visto em São Paulo, ao vivo, e no DVD de Montreaux e do Hard Rock Café de Londres. Desta vez, tinha duas músicas diferentes.

Eu sei, e sou quem mais fala isso, que o barato do Deep Purple é que eles fazem shows diferentes com músicas iguais. Mas o espectador tem que estar na pilha pra isso. Eu não estava. Mas tenho certeza de que todos os que foram ao show se divertiram pra caramba.

Cheguei a ir ao lugar onde encontraria um dos meus melhores amigos pra irmos juntos, mas a chuva o atrasou e eu desanimei. Comprei um vinho e vim pra casa ouvir o Deep Purple dos anos 70 no disco. Esse, sim, foi uma perda lamentável não ter visto ao vivo.

O Deep Purple ocupa o lugar do futebol na minha vida. Isso sempre foi assim e sempre será. Mas acho que estou ficando como aquele torcedor fiel e fanático que não tem saco de ir ao estádio.

***


Por conta dessas reflexões todas, fiquei pensando nos efeitos do tempo. Um pouco em mim, claro, mas um tanto nos mestres.

Neste ano, em 20 de abril, o Deep Purple completa 40 anos. Apenas os fãs estão comemorando. Eles não marcaram nada. Mas, até aí, olha o que foram os jubileus da existência deles:

1973 (5 anos): saem o Gillan e o Glover
1978 (10 anos): não havia Deep Purple
1983 (15 anos): aparando as últimas arestas pra voltar
1988 (20 anos): Gillan é expulso
1993 (25 anos): Gillan volta, Blackmore sai logo depois
1998 (30 anos): sai só uma coletânea e um disco novo (Abandon), considerado fraco por muita gente (eu gosto dele)
2003 (35 anos): sai um disco novo (Bananas) e uma turnê cujo ponto mais diferente foi o fato de eles tocarem no Casseta e Planeta.

Isso me faz pensar que os mestres não são muito de comemorar suas datas. Talvez pra não pensarem muito no efeito da idade - deixa isso pro lado de fora do palco. Deve ser em parte isso que os mantém inteiros.

Eu devia me inspirar nesse exemplo. Estou tranqüilo de não ter ido. Mas não consigo deixar de pensar que ando mais velho do que cinco homens com o dobro da minha idade.

sábado, 17 de novembro de 2007

Lay Down, Stay Down

No vídeo abaixo, o grande Abdalla estréia na banda Big Balls, cantando "Lay Down, Stay Down" e "No No No" ao lado do guitarrista Xando Zupo - leitor de longa data deste blog, a quem eu vinha devendo uma visita a um show há muito tempo. Ainda por cima era aniversário dele.

Ao fundo, não dá pra ver, mas estão o tecladista Márcio Porto (da Fireball) e o baterista Ivan Scartezzini (da Born Again). À esquerda de quem olha pro Abdalla está o baixista Luiz Fernando.

Fiquei babando em ver que o Xando REALMENTE sabe improvisar do mesmo jeito que o Blackmore. Porque tocar os riffs e solos nota por nota até eu aprendo, se olhar numa revista de guitarra. O mais difícil é pensar como o Blackmore, com cabeça e dedos, na hora de improvisar. O Xando faz isso, como vocês podem ver no vídeo abaixo. (Aliás, Abdalla, tu improvisou na letra de No No No igual ao Gillan, hem?)

O show, no Café Aurora, foi ducacete, só com lados B das melhores bandas de rock que já pisaram no planeta. Mesmo quando era algo mais conhecido (tipo "We Will Rock You", do Queen), era em versões menos pop. "No No No" teve até Mickey Mouse e "Speed King" começou com "you were good, I was bad" - pra quem é do ramo.

Dia 20 tem mais um - desta vez, só com Deep Purple. Vou pegar os dados e posto aqui.

domingo, 1 de julho de 2007

Soares on the Water

Estão chegando ao Flickr as fotos tiradas na festa de 25 anos de carreira do grande baterista André Gonzales, que toca na Fireball. Eu participei como convidado em duas músicas: Lady Double Dealer e Smoke on the Water. Vejam só que momento.

sábado, 28 de abril de 2007

Um sonho realizado

Ontem, no tributo ao Deep Purple da Fireball, no bar Blackmore, eu realizei um sonho de 17 anos.

Quando eu tinha 13 anos, minha mãe tinha acabado de comprar um toca-discos novo. Eu queria testar, mas sequer sabia o que eu gostava em música.

Era o dia da "formatura" da minha turma da oitava série. As professoras nos homenagearam com um banquete de salgadinhos com um coquetel de vinho com frutas e refrigerante. Acho que chamavam de "bole", mas já vi chamarem de sangria. Pra nós, as mestras disseram que não havia álcool. (Eu notei que havia porque uma professora com problemas de saúde perguntou pra uma colega, que respondeu no ouvido, e só bebeu água.) Saí alegrinho. Nunca atravessei a Cristóvão Colombo tão feliz.

Achei na estante uns discos empoeirados e com a capa comida pelos cupins. Pertenceram à minha prima, mais velha, que morou lá em casa por um tempo uns anos antes. Eram "A Night at the Opera", do Queen; "Abraxas", do Santana; "Saracura", do Saracura; e "Stormbringer", do Deep Purple.

Peguei primeiro o disco que tinha o Pégaso na capa. Puxei pra fora.

O lado A estava mais ou menos comido pelos cupins, então preferi o lado B.

Quando coloquei a agulha em Lady Double Dealer, aquela bateria já me chamou a atenção. O riff, mais ainda. Os duetos me vidraram. Mas o solo de guitarra me jogou ao chão, com espasmos semelhantes aos do Lacraia, tocando guitarra no ar.

    Get outta my way! I'm getting tired of you! There ain't no chance! Doing what you wanna do! I've been down, down, down, down, down! Got to get my feel back on the ground!

Passei as férias ouvindo aquele disco. No começo do segundo grau, eu ia caminhando pra escola cantando o Stormbringer inteiro. Antes disso, eu fazia pequenos serviços bancários para minha tia, que me dava uns trocos pra comprar gibi, e ia cantando o tempo todo. Adorava isso. E dava especial atenção pra Lady Double Dealer. Só comprei o Made in Europe porque tinha essa música ao vivo. (Depois atualizei com o The Final Concerts.)

    Lady Double Dealer Get outta my way! Lady Double Dealer You got nothing to say!

Logo comecei a trabalhar e a comprar meus discos. Comecei com a fase do Coverdale (Burn), comprei o disco então atual (Slaves & Masters) depois descobri os sebos de Porto Alegre. Descobri a fase do Gillan, descobri os discos do Purple ao vivo, comprei um pôster que ficou 15 anos lá na casa da mãe e hoje adorna o quarto do Abdalla, achei umas revistas-pôster antigas da Somtrês, babei pelo photobook, completei a coleção.

    I ain't satisfied dealin' with second hand goods You wanted somethin' for nothin', taking everything you could You been round - oh - I got the news But you ain't waitin' round for me to lose

De qualquer forma, eu estava perdido pra sempre. Foi naquele dia, alegrinho de sangria, deitado no chão da sala tocando guitarra no ar ao som de Lady Double Dealer, que eu descobri o que me agrada em música.
    Lady Double Dealer get outta my way! Lady Double Dealer you got nothing to say!"

Ontem, o Abdalla - que só não é meu irmão de sangue porque se fosse não tinha graça - me chamou pra cantar os duetos de Lady Double Dealer com ele.
    I gave love to you did what you wanted me to but all you did was bring me down so I just had to try try the reason why you took advantage of my loooooooooove!!!!"

Nunca ensaiamos, mas eu ensaio pra isso desde a adolescência. Subi ao palco do Blackmore, ao lado do André Carvalho e do Márcio Porto, segurando o microfone e olhando pro Abdalla, e mandei ver.

    Two timin' woman, trying to take me for a ride You are a hard lover, honey, but you sure don't keep me satisfied I wanna be there, to try to make you see There ain't no woman gonna make a fool outta me>

Depois de 17 anos, eu me senti de novo um moleque cheio de espinhas.

    Get outta my way! Get outta my way! Get outta my way! Get outta my way!

Agora, se cantei direito ou não é outra história bem diferente...

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Serviço

Músicas que não vão tocar no show, nem que caia um raio na cabeça do Gillan:

Burn, Stormbringer, Mistreated (são do Coverdale) e Child in Time (ele caiu doente depois de cantar na turnê de 2002).

Músicas que provavelmente não vão tocar desta vez e nem nas próximas turnês:

Sometimes I Feel Like Screaming, Ted the Mechanic, Any Fule Kno That, Don't Make Me Happy, Bananas, House of Pain, Haunted (infelizmente, das músicas de House of Blue Light pra cá eles só tocam as do disco da vez)

segunda-feira, 13 de março de 2006

De babar

Já pensou em comprar velhos ingressos e pôsteres de shows do Deep Purple? Pois é: neste site tem.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

O dia em que voltei a ser fã do Deep Purple

Baixei e estou ouvindo o show do Deep Purple no Opinião, em Porto Alegre, em 5 de março de 1997. Foi o primeiro show do Deep Purple a que fui. Em 1991, a falta de grana e os meus 14 anos não me deixaram entrar no Gigantinho. Em 92, cheguei a cumprimentar o Gillan mas não tinha grana pra entrar no Araújo.

Naquele dia terrivelmente quente de março de 97, eu estava trabalhando à noite no telex do Correio do Povo. Estava conformado com a possibilidade de não assistir ao show. Naquela época, eu estava tão empolgado com meu começo de profissão que o Deep Purple era um hobby quase relegado ao esquecimento na minha vida. De mais a mais, meu toca-discos andava estragado e eu não tinha onde ouvir CDs. Fazia dois anos que o Ritchie Blackmore tinha saído do Purple. Eu não tinha ouvido o Purpendicular e nem queria ouvir - Deep Purple sem Blackmore não era Deep Purple, eu pensava.

Mas aí eu chego na redação, depois de o show já ter começado, e vou fuçar no retorno do repórter Paulo Moreira sobre que músicas eles já tinham tocado. A editora de Variedades escreveu "Black In Night". Corrigi.

- Como tu sabes? - ela perguntou.
- Tenho quase todos os discos deles.
- E tá fazendo o quê aqui?
- Tenho que trabalhar, né? E tava sem grana pro ingresso.

Ela me expulsou da redação com um ingresso de cortesia (número 0002) e dez pilas pro táxi. Fiquei por cinco segundos no dilema moral de abandonar o telex. Vai que o Papa morre, ou algo assim. Mas já eram dez e pouco da noite, o jornal já estava bem encaminhado e eu podia escapar um pouco. Fui.

Cheguei ao Opinião naquele calorão portoalegrense e procurei um lugar onde eu conseguisse pelo menos enxergar a cabeça do mestre Ian Gillan. De camisa de manga curta e bermuda. Porra, bermuda? Tudo bem que estivesse calor, mas bermuda? O cara é simplesmente um deus da porra do rock pesado. Bermuda, cacete?

(Aliás, um parêntese: outro dia, ouvindo "Metal is the Law", do Massacration, comecei a raciocinar por que diabos eu estranhei e por que diabos minhas pernas são tão brancas até hoje. Dificilmente uso bermuda. Aos 14/15 anos, metaleiro ferrenho, eu ia para o clube de piscina de jeans e jaqueta. Usar bermuda era coisa pra skatista ou surfista, que era exatamente o tipo de gente que eu deplorava. Depois, por costume, continuei usando calça comprida no verão - até porque nunca tiro férias. Até hoje preciso de aviso da digníssima pra lembrar de pôr bermuda.)

Enfim: cheguei no meio de um solo de guitarra antes de Smoke on the Water. Que não estava no final do show. As luzes sobre o Jon Lord e o velho TOMATO emocionadíssimo. Depois de vê-lo em carne e osso de cabelo branco, confirmando as fotos que eu tinha visto na internet, estranhei em dobro. Aquele, definitivamente, não era o Deep Purple que eu conhecia. Não tinha Blackmore, Gillan usando bermuda, Jon Lord de cabelo branco, Roger Glover de faixa na cabeça e não de chapéu... caralho! Só o Ian Paice que eu não estava vendo direito, mas só faltava ele estar sem óculos.

Parei no meio de uns gringos de Caxias do Sul, que estavam tomando uísque e levantando-se uns aos outros pra enxergar o palco inteiro. Bebi com eles, levantei alguns, fui levantado por outros e todos curtimos muito. Foi numa dessas levantadas que eu vi o Steve Morse tocando. Aquela mão parecia uma aranha escalando o braço da guitarra. E o sujeito tocava MUITO. Não era o Blackmore, mas era muito bom. E é estranho: o som da guitarra parecia sorrir. Sorria tanto quanto aquele caipira americano de cabelo de palha com mãos de aranha.

Simpatizei. Talvez houvesse realmente um futuro para o Deep Purple. No meio dos gringos, participei do coro de "Smoke on the Water, Fire in the Sky". Levantei os dedos pro ar pra cantar When a Blind Man Cries, logo depois de um emocionante solo do Lord. O solo do Morse não lembrava nada o do Blackmore, mas incrivelmente eu não achava isso ruim. E ainda tinha Speed King (com um duelo de guitarra e teclado e outro de guitarra e voz que me deixaram babando) e Highway Star (com a guitarra rugindo feito um motor de carro) pela frente. A voz do Gillan estava claríssima, Glover martelava o baixo como nunca e Paice continuava um trator. Aquele era o Deep Purple, em que pese não ter o baixinho enfezado na guitarra.

Naquela noite, voltei para o jornal todo suado e de camisa aberta. Minha camisa era chinesa, sintética. Reagiu mal ao meu suor. Fedia mesmo. Ainda extasiado pelo show, tive que enfrentar minha culpa por ter largado o telex às moscas. Fui olhar o que tinha chegado de notícia. Nada importante. Nada necessário. O papa, como vocês sabem, não tinha morrido.

Ainda de camisa aberta, entrei na sala do diretor de redação, meu mestre até hoje.

- Mestre, posso te confessar uma coisa feia que eu fiz?
- Diga lá.
- Tô chegando agora do show do Deep Purple.
- Guri, quer levar uma suspensão?
- Não.
- Então eu não ouvi nada -, disse ele, sorrindo.

Quando eu saía da sala, ele diz:

- Ô! Fecha a porta aí e me conta como tava. Também gosto deles.

Mesmo com todas as contraprovas que o Morse tinha dado naquele show, de que ainda existia vida para o Deep Purple após o Blackmore, eu não comprei o Purpendicular. Não tinha onde ouvir CD. Aí comprei um computador. Em 98, saiu o Abandon, que tinha uma versão de Bloodsucker (do In Rock). Comprei o importado, só pra comparar. Fui direto à faixa 12. Quando eu ouvi aquela guitarra sorrindo, voltei a me tornar um grande fã do Deep Purple.

Só em 2003 eu leria a frase que melhor define o que eu saí pensando: "Gillan is god, and in Morse we trust". Pode sair o Blackmore, pode sair o Jon Lord. A gente lamenta. Mas o Deep Purple é maior que a soma de suas partes.

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Uma noite pra não esquecer jamais

Ian Gillan me mandando email pra prestar satisfações logo pela manhã? Ian Paice me servindo uísque e exorcizando um clone do Blackmore? Steve Morse conversando com o Spigha no meu celular? Roger Glover dizendo que tá velho e precisa dormir no dia de folga? O que é isso? É apenas o dia mais inesquecível da minha vida.

Estava eu conversando com a digníssima no MSN quando vejo lá embaixo um aviso de nova mensagem. Subject: “from ig”. Abri. “Hello Marcelo, Espero que você receba isto a tempo. Infelizmente, estou em uma quarentena, e por mais que eu esteja muito a fim de tomar uma cerveja com você depois do show, minha equipe vai me levar correndo de volta pro hotel no que eu sair do palco.” O mestre teve uma gripe no México, e por motivos de seguro (sério) precisou fazer isso. O pior, pra ele, é que a goela de prata ESTAVA boa e mesmo assim ele precisaria escapar. “Isso me irrita muito, porque eu na verdade não estou me sentindo mal e o show deve estar quente nesta noite”, prometeu ele. E cumpriu.

Saí do trabalho lá pelas 5. Fui ao show com o mestre Fauze Abdalla, vocalista da banda Fireball. Meu nome era o primeiro da lista de convidados VIP. Lá no Credicard Hall, encontramos outros três caras da banda: André Carvalho, André Gonzales (cujo pai, que também estava no show, é um dos mais antigos fãs do Deep Purple no Brasil) e Alexandre Spigha. Também estava por lá o Márcio, um amigo músico que me apresentou a Fireball há uns três ou quatro meses. Logo na entrada, eu e o Abdalla nos mijávamos de rir com um magrão que passou por lá. Tinha a cara e a roupa do Blackmore com uns 40 anos de idade. “Meu, parece aqueles caras que imitam o Michael Jackson!”, disse o Abdalla. Voltaríamos a topar com essa figuraça.

O lugar é longe pra burro - e pra inteligente desmotorizado mais ainda, e olha que estávamos em dois. O estacionamento, pros motorizados, é uma facada. A cerveja é MUITO cara (R$ 5 a latinha). A acústica não é lá essas coisas. A seleção musical pré-show não tem nada a ver. O sem-noção que cuidava da iluminação acendia a luz no intervalo entre as músicas, e por alguma coincidência infeliz o refletor batia bem nos meus olhos. Nada disso, porém, impediu o show de ser simplesmente fabuloso. O setlist foi o mesmo do México.

Ian Paice é o primeiro a entrar no palco. Reverencia a platéia, senta em seu banquinho, pega as baquetas e bota os pigmeus que tem escondidos na manga pra trabalhar: é Fireball começando. O Gillan começa a cantar enquanto vai caminhando pra dentro do palco. Boa parte do público cantando junto, o que pra mim é algo muito tocante. Do meio pro final, alguém joga uma bandeira do Brasil no Gillan. Ele levanta a bandeira e o aplauso é geral.

Todo mundo canta junto Strange Kind of Woman. No final tem um leve duelinho entre o Gillan e o Morse, mas bem amistoso. Logo em seguida, duas do novo disco: Wrong Man (“bela música para um baterista”, comentou o Vitão Bonesso com o Ian Paice) e Kiss Tomorrow Goodbye. A música seguinte, nas palavras do Gillan, foi inspirada em uma ocasião em que alguém tomou uns martinis a mais e ficou andando pra trás, se é que eu entendi direito. Era Demon’s Eye, e boa parte do pessoal cantou junto. O mestre tropeçou um pouco na letra, mas ele pode.

Logo depois, vem Rapture of the Deep, a faixa-título do novo disco, pra fechar o conjunto de músicas novas. Acho que eu ouvi mais gente do que eu e o Abdalla cantando. O riff arabesco agradou ao pessoal. Segundo o Roger Glover, essa foi apenas a quarta vez em que eles tocaram essas músicas novas ao vivo.

Pra descansar a garganta do mestre, nada melhor que um bom intervalo instrumental. Tem Contact Lost? Tem, sim senhor. Tem Well-Dressed Guitar? Tem, sim senhor. Tem solo do Don Airey com direito a citações de Aquarela do Brasil e do tema de Star Wars? Tem, sim senhor. E isso tudo leva a Perfect Strangers, com o Airey afundando os dedos no teclado.

Logo depois, começa Highway Star. Paice batendo na bateria. Glover pega o baixo e vira de frente pro Steve Morse. Um olha pra cara do outro, tocando. Trocam solos fabulosos, mas a coisa parece demorar tempo demais. Distraindo a platéia pra esperar a volta do Gillan? Talvez. Várias vezes, parecia que ia começar mas não começava. Aí o mestre entrou no palco e começou a introdução da música. O Credicard Hall em peso cantando, o que é uma coisa de fazer cair o queixo. “Da estrada (highway) do rock’n’roll, vamos agora direto para o espaço”, anunciou o Gillan. E dê-lhe Space Truckin’. Novamente, ele usou sua prerrogativa de tropeçar na letra. Mas ele, como eu disse, pode.

O primeiro set terminou com Smoke on the Water. Finalmente, o Steve Morse desistiu de fazer aquela brincadeira de citar vários riffs famosos antes de entrar no famoso riff deles. Sem frescura. Todo mundo cantando junto, e tinha neguim ameaçando ter infarto.

O bis começou com Lazy. Ao final da música, Ian avisa que o número seguinte fora descoberto dentro de uma caverna, e lá estava havia 20 mil anos. É Hush, gravada em 1967 por Joe South e no ano seguinte pelo Purple. Ao final, o Paice estraçalha em um solo de bateria. O set fechou com Black Night, em que novamente o mestre faz uso de sua prerrogativa. Ele pode. “Cara, se ele subisse no palco e só dissesse boa noite, eu sairia feliz igual”, disse o Abdalla.

Ao final, fomos ao camarim. Depois de alguma espera, fomos chamados. No caminho, meu celular toca. Engraçado: o toque é Black Night, mas tenho quase certeza de que ouvi Lady Double Dealer. Enfim: estou ficando velho e sem paciência.

Ian Paice nos recebe e pergunta se eu quero beber alguma coisa. “Tá tomando o quê?”, perguntei. “É um suco de laranja com vodca. Mas tem o que você quiser: isto, Coca-Cola, scotch...” Pedi um uísque. O próprio Paice, o cara que há 37 anos castiga bumbos e pratos no Deep Purple, colocou uma pedra de gelo no copo e serviu. “Eu juro que se fosse comigo eu mijava nas calças”, disse o André Gonzales, baterista da Fireball. Tomei até a última gota do uísque e ainda mastiguei o gelo. Assim que o Roger Glover apareceu, ele assinou um desenho dele que eu imprimi a partir do site dele. “Conhece isto?”, perguntei. “Claro que conheço. Era um quarto de hotel onde eu fiquei.” Vai pra parede, claro.

Momento inesquecível: o cover do Blackmore também tinha um passe VIP e entrou lá. Quando ele entra, o Paice olha pra cara dele, dá um grito e faz uma cruz com os dedos. “Pô, o de verdade é assustador assim?”, perguntei. “Pior!!!”, respondeu ele. O Roger não quis desenvolver muito a história do infame jogo de futebol que postei aqui outro dia. Pena. Diz ele que não lembra mais.

Precisava dividir aquele momento com alguém que compreendesse a magnitude daquilo. Tive uma idéia: liguei pro celular do Spigha, que estava do lado de fora esperando. Pra quem não conhece, ele é um baita guitarrista, tem uma banda cover de Steve Morse e a partir dela é que se formou a Fireball. “Cara, güenta aí que assim que o Steve chegar aqui eu passo o celular pra ele”, eu disse. Assim fiz. “Oi, aqui é o Steve. Cara, muito obrigado - o show foi ótimo, tudo por causa de vocês da platéia”, disse o Morse no meu celular, no ouvido do Spigha. Ele só acreditou depois que eu saí de lá e insisti umas três vezes em que era o próprio cara. Era bom demais pra ser verdade, e o pior de tudo é que ERA verdade.

Eu confesso que eu me sentia um babão bobalhão. Eu tinha milhares de coisas pra perguntar a eles. Milhares de coisas pra dizer a eles. Milhares de coisas pra agradecer-lhes. Mas não saía nada. Eu apertava as mãos deles, dizia que é um prazer imenso, e só. Estava me sentindo um mala sem-noção. Completamente sem-noção. Não sabia o que fazer. Caralho, eu sou jornalista. Minha função é fazer perguntas. Sou treinado pra isso. Conheço esses entrevistados como a nenhum outro. Mas ainda assim não saía nada. É exatamente por conhecê-los e admirá-los tanto que eu travei. Não devia. Isso só reforça minha posição de evitar escrever profissionalmente sobre um assunto em que eu esteja tão envolvido.

Quase não tive coragem de apresentar alguma coisa pra eles assinarem. Queria puxar papo sobre alguma coisa legal, mas não saía. Eu de vez em quando imaginava como deviam estar vendo a expressão babona no meu rosto e pensando que só faltava eu me ajoelhar e gritar “I’m not worthy”, como naquela cena do Alice Cooper em “Quanto Mais Idiota Melhor”. Não me senti à vontade pra abraçar nenhum deles (só apertei mãos), e as pilhas da máquina digital que levamos foram confiscadas na entrada. De vez em quando eu lia algum desconforto no rosto deles. Por mais que eles estejam acostumados, imagino que seja um saco receber aquele bando de babões toda noite, em toda cidade de todo lugar do mundo.

De qualquer forma, trouxe o ingresso e o quadro do Glover autografados. Foi uma noite pra nunca mais esquecer. Se eu não sofri um infarto desta vez, nada mais me derruba.

(Atenção: dia 4, no Blackmore Rock Bar, tem show da Fireball. Quem levar o ingresso do show do Purple paga a qualquer hora o preço pago por quem entrar antes das 23h.)

sábado, 22 de outubro de 2005

Meu time de futebol favorito

Eu sempre disse que acompanho o Deep Purple com o mesmo interesse com que qualquer outro marmanjo acompanha seu time de futebol favorito. Mas esta é a do ano. Na revista Flashback que está nas bancas (com o DVD dos Trapalhões e capa sobre videogames), página 52, está uma das maiores pérolas purpleanas que eu já vi. Rivaliza com a foto do Ian Gillan recebendo o George Harrison com uma meia no pinto, e fica pau a pau com o clipe de Call of the Wild.

É simplesmente uma foto de Ritchie Blackmore, Roger Glover e um grandão bigodudo que eu tenho dúvidas sobre se é o Jon Lord, mais alguns caras, todos com camisetas do Grêmio pra jogar em São Paulo. Isso na turnê de 1991, em que o Turner ("coitado, tem menos voz que a Xuxa", nas sábias palavras de André Forastieri) fez fiasco e o Blackmore bancou a maior prima-donna no palco.


Eu sempre ouvi falar nessa foto. Nunca tinha visto, então achava que non eczistia. Primeiro, porque eu sou colorado - ainda que não praticante. Depois, porque em Porto Alegre, terra do time, eu vi de longe o genioso gênio entrando no Gigantinho pra passar som, e ele não usava camiseta do Grêmio (no Celeiro de Ases, também, seria temerário). Ainda assim, eu tinha dúvidas: no encarte do vinil de Slaves & Masters, o disco que eles estavam promovendo com a turnê, além do instrumento ainda era informada a posição em que cada um deles jogava. Pois.

Além de publicar a foto, o jornalista André Barcinski conta a história do insólito encontro e bate o martelo:

"Ritchie Blackmore é uma das pessoas mais intratáveis e antipáticas que já conheci. (...) [No jogo,] Blackmore comportou-se como uma mistura de Hitler e Eurico Miranda - escolheu os times, as posições de cada um e o lado do campo. (...) Nesse jogo, aconteceu uma coisa inédita no futebol: quando o zagueiro do time adversário deu uma entrada maldosa em Blackmore, foi aplaudido - pelo próprio time de Blackmore!"

Vale a pena desembolsar uns caraminguás pra ler a história na íntegra. Por R$ 29,90 (eu sei, é salgado), o cidadão ainda leva um DVD com os melhores momentos dos Trapalhões. Eu não tenho DVD, então dei uma chorada e paguei R$ 14,95 só pela revista.

sábado, 1 de outubro de 2005

Disneylândia purpleana

Por obra e graça do mestre Abdalla, fui parar no início da noite de sexta em uma loja de discos numa galeria da 7 de abril, em São Paulo. Chama-se Mafer Records. É uma disneylândia purpleana: eles têm pilhas de vinis raros do Purple, importados de toda parte do mundo. Pior: muitos autografados. Pior: tem Episode Six assinado pelo Gillan e pelo Glover, Artwoods assinado pelo Lord, um vinil raro de Gemini Suite com a Yvonne Elliman nos vocais, uma pilha imensa de Gillan e Gillan Band e singles do Purple, Gillan, Rainbow e Jon Lord solo. Se eu fosse comprar tudo que me deu vontade, teria morrido em mais de mil reais. Por sorte, não tenho como tocar vinis em casa, porque senão teria comprado alguma coisa de R$ 30 ou R$ 40.

Conta o meu xará dono da loja que o tio dele costumava ser o maior colecionador de Deep Purple no Brasil. Largou de mão há alguns anos, depois de casado, com filhos, essa coisa toda. Conhece os caras do verdadeiro Deep Purple da era de prata pessoalmente, já pegou autógrafo de todos eles uma carrada de vezes em discos brasileiros, americanos, ingleses, japoneses, russos e outros.

Juro: desde que substituí meus vinis pelos CDs comemorativos de In Rock, Fireball, Machine Head e Who Do We Think We Are na Galeria do Rock, em 2001, nunca me senti tão propenso ao granicídio. Por sorte, eu não tinha nem dinheiro e nem onde tocar os vinis.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Já ouvi o Rapture

Já ouvi umas 15 vezes o novo disco do Purple. Falta muito pouco pra eu terminar uma longa resenha pro Purpendicular. Até amanhã deve estar no ar. Não percam!

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Elo perdido

Achei o elo perdido entre o Deep Purple e o Miles Davis. Chama-se Billy Cobham, o baterista de jazz que vem ao Brasil no próximo ano.

Cobham tocou com Davis nos discos "A Tribute to Jack Johnson" e "Bitches Brew", no início da fase "fusion" do trumpetista. Pouco tempo depois, chamou um certo Tommy Bolin pra tocar em seu primeiro LP solo, "Spectrum".

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Rapture já à venda na Amazon

Rapture of the Deep já está à venda na Amazon. Mas eles só entregam em outubro. Comprando por esse link, você colabora com o The Highway Star.

O único problema em importar pela internet é que, embora o preço seja bom (US$ 13,99, ou R$ 35) e a tarifa de postagem nunca seja muito abusiva, quando um CD comprado fora chega ao Brasil a Receita Federal cobra uma facada de imposto. No ano passado, quando comprei Burn, paguei praticamente o preço do CD só de imposto.

segunda-feira, 25 de julho de 2005

Baú dos tesouros

Graças ao Gustavo Pinheiro Machado, da Devotos de Ian Gillan, conheci um arquivo fabuloso de fotos de shows antigos e mais ou menos recentes do Deep Purple; Clica e vai!

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Tony Blair matou aula pra ver o Purple

Deu no The Mail on Sunday: o premiê britânico Tony Blair matou aula, em março de 1970, pra assistir ao show do Purple no Edinburgh Odeon.

Ganhou um pingo de respeito meu.

Isso significa, pra mim, que os fãs do Deep Purple estão começando a dominar o mundo desde 1997. Ninguém, NINGUÉM, irá nos deter agora.

terça-feira, 19 de outubro de 2004

Todas as covers do Purple

Descobri um site que traça covers de músicas. Escolhe o artista e ele mostra que covers ele já fez e que homenagens já recebeu. Deep Purple, por exemplo, tá aqui. Divirtam-se!