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sábado, 17 de março de 2012

Billy Cobham tocará no Brasil em junho


O baterista de jazz Billy Cobham - com quem Tommy Bolin gravou o disco que impressionou David Coverdale ao procurar um sucessor para Ritchie Blackmore - vai tocar em junho na décima edição do festival Rio das Ostras Jazz & Blues.

Cobham tem pedigree profissional. Em 1969, fez parte do grupo de Miles Davis que gravou o disco "Bitches Brew".

É o segundo disco mais bem-sucedido do trumpetista, escancarando sua abertura para uma fase em que ele não queria saber de encaixar sua música numa "gaveta" de estilo. Especialmente na gaveta do jazz, que ele já havia sacudido várias vezes nos 20 anos anteriores.

Por essa época, Davis já ouvia Jimi Hendrix, Sly Stone, James Brown. Queria fazer algo mais pra esse lado, sem deixar de lado o maior tesão do jazz - improvisar dentro de uma estrutura mínima, com músicos talentosos se ouvindo e improvisando de volta. Não importava quantos minutos durasse.

Não é muito diferente do que o Deep Purple fazia ao vivo nessa mesma época, em números como "Wring That Neck" e "Mandrake Root". Muita improvisação genial, com um ritmo marcado para segurar enquanto os outros piravam.

Com o guitarrista John McLaughlin, que também participou de "Bitches Brew", Cobham fez uma participação em 1970 na Mahavishnu Orchestra e gravou "Inner Mounting Flame".

Foi em 1973 que Cobham gravou seu primeiro disco solo, "Spectrum". O grande atrativo do disco é a bateria furiosa de Cobham e uma guitarra ácida, distorcida, completamente pirada, tentando acompanhar.

Os dedos que comandavam aquela guitarra eram os de um moleque de 22 anos chamado Tommy Bolin. Deles saíam coisas assim:



"Spectrum" foi o vinil que David Coverdale jogou nas mãos de Jon Lord quando estava insistindo com ele e Ian Paice que procurassem um sucessor para Ritchie Blackmore. "Se esse aí não for bom o bastante, ninguém é", disse Coverdale.

Talvez por influência desse disco, Paice fez uma jam especial com Bolin enquanto ensaiavam o Come Taste the Band. Só os dois. Essa jam saiu no remaster do único disco de estúdio da Mk4. Saca só.



Vou tentar ir a esse festival. Os shows são de graça, o maior trabalho é chegar lá (e talvez achar hospedagem). De certa maneira, devo a Billy Cobham a ampliação dos meus horizontes musicais. Só fui atrás do Miles Davis elétrico depois que registrei a conexão. Hoje em dia, meu hobby musical favorito é explorar as gravações ao vivo dessa fase de Miles Davis.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Steve Morse grava tributo a Tommy Bolin. E o disco novo do Purple, cadê?


Você já quis ouvir Steve Morse tocando músicas do Tommy Bolin? Eu sempre quis, mas meu mestre Ian Gillan não canta nada da Mk4 - e tem lá suas razões. Pois agora o guitarrista atual do Deep Purple vai participar do disco "Great Gypsy Soul", um tributo ao segundo guitarrista da banda, morto em 1976. (Depois de o Deep Purple mesmo morrer temporariamente.)

Fico curioso para saber que faixa ele tocará. Eu adoraria que fosse algo do disco "Spectrum", que Bolin gravou com Billy Cobham. Uma palhinha de "Quadrant 4":


Além de Morse, participam do disco os guitarristas Peter Frampton, Brad Whitford (Aerosmith), Derek Trucks e Warren Haynes (ambos da Allman Brothers Band).

É a segunda participação especial do Morse anunciada em poucos dias. A primeira foi na banda Flying Colors. Também já foi anunciado que Ian Gillan vai participar de um disco em homenagem a Ronnie James Dio, junto com Glenn Hughes. Atualmente, o vocalista do Deep Purple está em turnê na Europa com uma orquestra. Ian Paice, o baterista, está preparando shows com um tributo ao Deep Purple. Don Airey gravou uma homenagem às vítimas do terremoto e tsunami japonês de 2011 e participou de um disco do irmão Keith Airey. Roger Glover tem filha pequena pra cuidar e netos para babar.

Só do disco novo do Deep Purple que ninguém anuncia nada. Na folguinha do começo do ano, estão aparentemente todos ocupados demais pra pôr a mão na massa e finalizar disco novo. Em fevereiro já tem turnê o mês inteiro (17 dos 28 dias) e aí geralmente a banda já entra na roda viva das turnês - embora ainda não tenha nada anunciado para o período entre março e novembro.

Torço para que eles dêem uma paradinha com todos os projetos paralelos nesse período e gravem o disco. Adoraria que a turnê europeia, que começa em Luxemburgo no dia 8 de novembro, já fosse a do sucessor de "Rapture of the Deep".

sábado, 25 de junho de 2011

Um documentário dolorido. E fascinante.



Acabo de assistir ao documentário do DVD de Phoenix Rising, que conta a história do Deep Purple desde o final da Mk2 até o fim da banda, em 1976. Foram entrevistados Jon Lord e Glenn Hughes, e a sinceridade deles chega a ser brutal em várias partes do documentário. Especialmente a sinceridade do Hughes.

O DVD, que ainda não foi lançado no Brasil, tem feito certo sucesso comercial na Europa. E tem ótimos motivos. Phoenix Rising é um documento definitivo sobre os excessos que acabaram com as melhores bandas de rock do mundo - inclusive o Deep Purple.

Veja o trailer aqui:



Ele não tem comparação, por exemplo, com "Classic Albums: Machine Head". Naquele, o grande fascínio é a música (o que não é pouco) - mas nem as brigas entre os membros aparecem. Não se compara também com "Heavy Metal Pioneers", o documentário lançado durante os anos em que Joe Lynn Turner estava na banda. O DVD novo não busca contar o passado da banda do ponto de vista de seu presente.

Em Phoenix Rising, o ponto central é a história de uma grande banda em plena desintegração. Contada em primeira pessoa por dois ex-membros.

Dói ver a banda que eu mais aprecio no mundo chegando ao fim. Tudo bem que foi antes de eu nascer. Mas dói igual.

Dói ver músicos talentosos, como Hughes e Tommy Bolin, se detonando do jeito como se detonaram. Por sorte, e basicamente apenas sorte, Hughes sobrou pra contar a história.

Dói ver músicos ainda mais talentosos e extremamente disciplinados, como Jon Lord, contarem das vezes em que tinham que empurrar os colegas mais displicentes para o palco ou chamar sua atenção devido aos excessos. Lord, sempre carinhoso com os amigos, faz questão de fazer várias vezes a ressalva "não estou dizendo que eu era santo, mas...". Quando você acha que ele contou podres muito fortes dos ex-colegas, vem Hughes e conta seus próprios podres com mais detalhes.

Exatamente por isso, trata-se de um documentário fabuloso. Eles não estão preocupados em agradar ninguém - e nem precisam ter vergonha de expor colegas. Bolin, o que mais pisou na jaca, morreu há 35 anos. O vice-campeão, Hughes, faz questão de falar da jaca em que pisou até pra contrastar com o quanto sua vida melhorou.

Algumas notícias a respeito anunciam como inéditos os 30 minutos do show no Japão.

É mentira. "Rises Over Japan" foi lançado em VHS, nos anos 80. Está fora de catálogo há muitos anos, mas é facinho de achar no YouTube. Partes dele já saíram oficialmente em DVDs como o "History, Hits and Highlights". Inédito é ele ser lançado inteiro em DVD.



Mas esse DVD tem cenas inéditas, sim. Delas, pouquíssimo se falou até agora. Pelas minhas contas, são:

* Alguns segundos de "Smoke on the Water" do Made in Japan, na parte onde se fala do final da Mk2. As imagens do mais mitológico show do Deep Purple estão sendo lançadas a conta-gotas. No "History, Hits and Highlights", saíram segundos de "Highway Star". No "Deepest Purple", saíram segundos de "Space Truckin'". Um dia ainda sai a gravação completa, espera-se.

* Alguns segundos em preto-e-branco com o Gillan usando um traje meio que de marinheiro.

* Algumas cenas em vídeo de shows da Mk3, possivelmente do finalzinho da formação, lá em 1975. Impossível para mim identificar qual é o show.

* Trechos fabulosos da turnê do Deep Purple na Indonésia, em dezembro de 1975. Eles filmaram desde a chegada da banda à capital, Jacarta, até o momento em que roadies tiveram de encher o pneu do avião para a banda conseguir sair do país. Trechos dos dois shows, incluindo a polícia ameaçando a plateia com cachorros, estão lá.

Como não podia deixar de ser, a parte mais dolorosa do documentário é aquela que se aproxima do final. Toda a descrição da turnê do Deep Purple em Jacarta - a corrupção, os achaques, o calote, as drogas, a morte de Patsy Collins - é muito forte. E fica mais forte ainda com os depoimentos de Lord e Hughes sendo contrastados com as imagens daqueles dias pesados.



E fica ainda mais pesado quando você chega ao final do DVD, aos créditos, e aparece uma declaração de que as opiniões emitidas por Hughes e Lord sobre a morte de Patsy Collins não refletem a opinião de David Coverdale a respeito. Os dois acreditam que Collins - um homem forte, treinado como segurança - não tropeçaria assim tão fácil pra cair no poço de um elevador desativado e fechado. Lord diz que Collins foi certamente assassinado. Hughes, que chegou a ser preso por ter sido um dos últimos a ver o roadie vivo, diz que precisaria da ajuda de cinco homens fortes pra um homem daquele porte cair por acidente no poço de um elevador.

Eu lembro da primeira vez em que ouvi pedaços do "Last Concert in Japan". Foi num sebo de discos em Porto Alegre, acho que em 1992. O vendedor, Paulo, me mostrava o disco e lamentava o quanto as drogas haviam detonado aquele guitarrista. Sua guitarra estava inaudível. Anos depois, quando comprei o "This Time Around", com a versão completa e remasterizada do mesmo show, consegui ouvir a guitarra e disse a mim mesmo: "uau, o cara não estava tão mal assim".

No DVD de agora, Hughes coloca a coisa em contexto ao lembrar que o show do Japão foi o primeiro logo depois da experiência traumática em Jacarta. Segundo ele e Lord, o que detonou Bolin ali não foram as drogas. Não exatamente. O promotor local deu morfina para o guitarrista, e ele acabou dormindo em cima de sua própria mão esquerda. Assim, tudo o que ele conseguia fazer era uma posição só. Suas guitarras foram afinadas cada uma num tom diferente para ele poder tocar.

O final do Deep Purple, em março de 1976, foi melancólico. Sua última turnê foi praticamente em casa, no interior do Reino Unido. Hughes, literalmente o homem que tocou a última nota num show da primeira encarnação do Deep Purple, conta que nos últimos dias da banda ele virou de um show a outro sem dormir e sem comer, apenas bebendo e usando drogas. A bronca que Jon Lord conta ter dado no colega é daquele tipo que você nunca gostaria de ouvir de ninguém. Já contei aqui um par de vezes o final daquele show.

Se você é fã do Deep Purple, assista Phoenix Rising. Seus depoimentos são muito sinceros e chocantes. Você é trazido para os bastidores da fase mais shakespeariana da banda.

Se você é fã de rock, ainda que não especialmente do Deep Purple, assista Phoenix Rising. É um documento de uma fase do rock, tão completo e pungente quanto "The Decline Of Western Civilization Part 2: The Metal Years".

Se você não curte nem rock e nem Deep Purple, mas tem interesse em antropologia e sociologia, ou quem sabe em documentários em geral, assista Phoenix Rising. É um documentário fascinante.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ecos de um assassinato na Indonésia?

Em 1975, quando o Deep Purple tocou em Jacarta com a Mk4, uma coisa horrível aconteceu. Um roadie da banda foi encontrado morto no fosso de um elevador. Uma queda de seis andares.

O Deep Purple tinha tocado para 55 mil pessoas em 3 de dezembro. Na volta do show, o roadie Patsy Collins discutiu com dois caras da equipe. Saiu do quarto deles pra ir pro seu, no andar acima. A história que contam é que o elevador estava lento, então ele teria resolvido pegar a escada de incêndio. A porta do andar estava trancada. Ele voltou por onde deu e encontrou uma porta destrancada, sem indicação nenhuma. Era a do fosso do elevador, de onde ele caiu. Morreu na manhã seguinte. Logo em seguida, a polícia chegou querendo prender os dois roadies que teriam discutido com Collins, mais o empresário da banda, Rob Cooksey. E a polícia ainda pedia autógrafos.

Era 4 de dezembro de 1975. Ouça "Getting Tighter" aqui. O som não está bom, nem na gravação, nem na execução:



No show do dia seguinte, seis mil policiais patrulhavam o estádio - que tinha mais dezenas de milhares de pessoas. Mal começou o show, começou a pancadaria - a polícia baixava o cacete em quem tentasse dançar. O show acabou na metade.

Esse é o episódio mais sombrio da história do Deep Purple, sem sombra de dúvida. Ainda mais que exatamente um ano depois dele o Tommy Bolin morreu.

Pois o DVD Phoenix Rising vai ter, além do velho "Rises Over Japan", um documentário que vai do fim da Mk2 até o fim da Mk4, mais uma entrevista com Lord e Hughes especialmente sobre esse episódio macabro.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sobre datas e datas

Eu queria ter escrito nos últimos dias sobre os primeiros shows do Deep Purple com o Satriani, que aconteceram há 15 anos no Japão. Pena que estou curto de tempo.

Mas vejam só: hoje tem dois aniversários relevantes para o Deep Purple. Muito significativos, aliás.

Neste dia, há 38 anos, o Deep Purple foi a um show do Frank Zappa em Montreux. Vocês sabem o que aconteceu lá.

E, no mesmo dia, há 32 anos, o Tommy Bolin morreu de overdose. O Deep Purple já havia acabado.

domingo, 17 de dezembro de 2006

30 anos, já faz

Há 30 anos no dia 4 de dezembro, morria o guitarrista Tommy Bolin, primeiro norte-americano a fazer parte do Deep Purple. Sua passagem pelo grupo durou pouquíssimos meses e foi tumultuada. Em março de 1976, o grupo estava tão bagunçado pelos excessos - especialmente os protagonizados por Bolin e pelo baixista/vocalista Glenn Hughes - que implodiu. Em vários shows, como o registrado em "Last Concert in Japan", Bolin não conseguia tocar porque seu braço estava anestesiado pelas drogas. Apesar de todo seu talento, sofria de insegurança e baixa auto-estima, o que alavancou todos os problemas que levaram à sua morte.

Por tudo isso, demorei um tempão na vida pra conseguir levar o guitarrista a sério e ouvir o que ele tinha a dizer com os dedos. Quando abri a guarda, fiquei de queixo caído. "Come Taste The Band" foi o último disco antigo do Deep Purple que comprei. Eu tinha ouvido na adolescência e não tinha gostado. Ouvi alguns anos depois e achei interessante. Quando comprei, eu já achava o disco genial - em que pese sua sonoridade ser um tanto diferente do Deep Purple a que eu estava acostumado. Desde então, me acostumei com a idéia de que a grande marca do Deep Purple é a mudança.

Bolin era um cara jovem - morreu com 25 anos -, tocava guitarra como poucos e tinha idéias avançadas para a criação musical. Sua guitarra ácida não se restringia a um gênero específico, como o rock. Era um músico instintivo: não sabia ler partituras, tocava apenas de ouvido. Antes de morrer, vinha conversando com Hughes e outros sobre a possibilidade de criar um grupo de jazz elétrico. Quando morreu, estava despontando como um músico importante nessa cruza de gêneros.

Nos fóruns de discussão na internet, muita gente se pergunta o que Bolin produziria hoje, caso não tivesse morrido. Acho esse tipo de questão uma mistura de chutologia com ilusão. Era difícil ele não ter morrido, dada a forma como vivia. Mas em sua curta carreira produziu muita coisa boa. Vale a pena ler a última entrevista do guitarrista, publicada pela Guitar Player americana três meses após sua morte.

Uma das maiores preciosidades que já ouvi de seu trabalho fora do Deep Purple é sua colaboração com o baterista Billy Cobham, no disco "Spectrum" (1973), aos 22 anos. Cobham fizera parte do grupo de jazz elétrico de Miles Davis. Gravou com o gênio o disco "Bitches Brew", em 1969. A família de Bolin vem lançando, aos poucos, tudo o que o guitarrista produziu.

Ouça abaixo o que era o talento desse triste personagem da história da música. São as faixas "Quadrant 4" e "Anxiety, Taurian Matador", gravadas com Cobham. Logo depois, ouça a faixa "Wild Dogs", composta e cantada por Bolin, emoldurada por imagens da curta porém prolífica carreira do guitarrista.



sábado, 13 de maio de 2006

O ataque das guitarras do Purple

Aos 15, 16 anos, meu ídolo absoluto era um certo Richard Hugh Blackmore. Eu estava começando a tocar guitarra, e pra mim nada superava a possibilidade de extrair dos meus dedos um som parecido com o que ele tirava. Acabei desviando de carreira, deixei de aprender a tocar guitarra e hoje em dia só o que eu tenho em casa é um violão fabricado com trabalho escravo na China. O mais barato que achei.

Hoje, passeando pela Teodoro Sampaio, entrei na Matic e brinquei um pouco com uma Fender cor de creme (R$ 3.200) plugada num amplificador Marshall valvulado. Basicamente, brinquei com algumas introduções, como Burn, Mandrake Root, Lay Down Stay Down, Lazy e Strange Kind of Woman. Estou caminhando nas nuvens - pela primeira vez na vida, senti que tocava Deep Purple direito. Ficou igualzinho, pela primeira vez na minha vida, saído diretamente dos meus dedos. Nada substitui essa sensação. Absolutamente nada. Eu me senti realizando o sonho dos meus 15 anos.

Em homenagem a isso, vamos ver em ação cada um dos guitarristas que o Deep Purple já teve em toda sua história. Começando por...

1) O homem de camisa de seda azul, ainda com uma Gibson, tocando Hush no Playboy Late Night Club, em 1968:


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2) Tommy Bolin, tocando Love Child no Rises Over Japan:


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3) Joe Satriani, com Maybe I'm a Leo, num vídeo pirata:


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4) Steve Morse, com Contact Lost:


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quarta-feira, 12 de abril de 2006

Sobre Tommy Bolin

Pra não dizerem que abandonei o Purpendicular, colo aqui um texto que escrevi na comunidade Deep Purple Brasil, do Orkut:

O Bolin era um grande guitarrista que se destruiu cedo demais. Mas o Deep Purple não acabou por causa dele, em si - acabou porque chegou ao topo em 1973/74. Ficou grande demais. Perceba: em cinco anos, a banda passou de pequenos clubes a uma platéia do tamanho absurdo de California Jam. Isso, grana e ego têm tudo a ver.

Os "novos" membros - especialmente o Hughes e o Bolin - eram moleques talentosos de vinte e muito poucos anos que de repente estavam tocando numa das maiores bandas do mundo, uma máquina de chamar dinheiro, mulher e fama. Se o cara não tem o pé MUITO no chão, ele perde o equilíbrio. Imagina o contexto da banda na época com isso.

O Bolin e o Hughes, logo de cara, ficaram amicíssimos de química. O Bolin deu no que deu. O Hughes chegou perto. Só nos últimos 15 anos é que ele conseguiu se livrar de vez das drogas. O Coverdale era gordinho, aí os produtores deram uns remédios pra ele emagrecer, que davam barato. O Blackmore virou estrela chiliquenta nessa fase. O Paice pegava o avião Starship 1, caríssimo, que todas as bandas usavam, pra ir jantar na Califórnia se desse na telha (no caminho, ficava vendo filme pornô). O Jon Lord roubou a namorada do Hughes, irmã gêmea da então namorada do Paice. Ambas hoje são as respectivas mães dos filhos dos dois tiozinhos, mas o Hughes nunca superou isso (não faz dois anos que eu li uma entrevista em que ele se queixava de "wife-swapping" nessa fase do Purple).

O Bolin tinha um agravante: baixa auto-estima. Não importa que fosse um gênio da guitarra (ouça o Spectrum, do Billy Cobham) e fosse comparado ao Hendrix - auto-estima é foda e sem razão. Exatamente por causa dessa genialidade é que ele foi chamado por duas grandes bandas pra substituir seus guitarristas: primeiro a James Gang, depois o Deep Purple. Mas ele não suportava ser comparado pelos fãs. No Purple, ele até xingou gente no palco. Quando o Deep Purple acabou, oito meses antes da morte do Bolin, ele queria mais era fazer projetos-solo. Coisa que não deixa de ser muito mais segura do que encarar as multidões que seguiam o Purple.

É uma fase deprê, mas de uma complexidade humana única. Canso de escutar os shows, mas não de ler sobre essa época. Rendia um filmaço.

(Cá pra nós: em 1975, após a saída do Blackmore, o Deep Purple não tinha como NÃO acabar em muito pouco tempo. Em 1994, o Blackmore contou com isso e quebrou a cara. O que mudou em 19 anos? Todos os quatro remanescentes, mais o substituto, eram muito maduros e não corriam mais o perigo de ficarem embriagados com o sucesso.)

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Convite ao granicídio

Olha o que vem por aí no ano que vem, segundo a DPAS:

1) Deep Purple
Live In London (CD) : pela primeira vez, lançado oficialmente em CD. Ah, você tem? Eu também. Mas é um semipirata nipo-brasileiro.

Stormbringer (CD) : remasterizado, remixado. Diz o Simon Robinson que Hold On tá de babar. É principalmente voltado a malucos como eu, que já tiveram o vinil e o CD normal e que estão gradualmente substituindo a coleção convencional pela aditivada dos remasters comemorativos.

Live In Europe 1993 (4CD) : a íntegra dos shows editados para o CD de Come Hell or High Water, com os últimos registros do Blackmore na banda. Quatro discos. Facada!!!

Live In Aachen 1970 (CD) : isso já tinha sido lançado, mas com uma capa feia pra caraco e saiu de catálogo. É o meu show favorito do Deep Purple, de julho de 1970. Mestre Gillan quase não canta, mas o instrumental é de pirar o cabeção.

Archive Collection (DVD) : vem mais coisa boa aí, além de 72/73 e California Jam. "Deve incluir um monte de material raro, incluindo coisas que os pirateiros perderam", diz o Simon Robinson.

Amsterdam Paradiso 1969: um dos primeiros shows do Purple que circularam em pirataria pode sair pela Purple Records. Esse ainda tem Kneel and Pray com a letra original ("You were good/I was bad/I wanted the things you had").

Scotland 1974: O Nigel Young não conhecia nem pirataria dos quatro shows feitos pelo Purple na terra de Macbeth em abril de 74. O primeiro show dessa perna da turnê do Coverdale/Hughes foi feito logo após a pirotécnica passagem dos mestres pela California (também pela Purple records)

2) Rainbow
German Tour 1976 (CD) : três shows, numa caixinha que deve sair no Japão em abril e separadamente na Europa a partir de março.

Rockpalast 1977 (DVD) : show gravado em outubro de 1977 na TV alemã. Primeiro DVD oficial da banda do Homem de Preto.

Promos (DVD) : todos os clipes oficiais da banda.

3) Blackmore's Night
Village Lantern : o novo álbum de estúdio deles, que sai no final de janeiro. Pra quem curte, beleza. A DPAS perdeu a conta, acha que é o sétimo de estúdio; acho que é o quinto de estúdio e sétimo no geral.

4) Paice, Ashton & Lord
Live In London (DVD) : nunca antes lançado em vídeo.

Tony Ashton / Testimonial (CD - DVD) : show em homenagem ao parceiro de Paice e Lord, gravado em 2000. Além do Tony, há John Entwhistle, Whitesnake (com Lord e Paice mas sem Coverdale) e PAL - a única reunião deles ao vivo depois dos anos 70.

5) Ian Gillan
Gillan's Inn 40th Anniversary CD : cheio de convidados. Todos estamos babando e já existe um preview de Smoke on the Water no ar. Deve sair em fevereiro.

Gillan / Live (CD) : shows ao vivo dos anos 80 das bandas solo do mestre!

6) Whitesnake
Live In The Still Of The Night (DVD / CD) : filmado em Londres, em 2004. Sai junto o DVD e o CD, em março - separado, não rola. Quando eu disse que essa turnê era caça-níqueis, me criticaram.

Whitesnake remasters (CD) : tão anunciando há tempos, mas nada certo.

7) Tommy Bolin
Tommy Bolin / Masters Series (CD) : coisas raras, coisas remixadas. É pra trazer novos fãs.

8) Steve Morse
Dixie Dregs Live In Montreux (DVD) : Steve bem novinho, recém-saído da faculdade, tocando no festival de jazz de Montreux em 1978.

9) Glenn Hughes
Glenn Hughes / Studio album (CD) : disco novo e possível retrospectiva na Austrália.

10) Jon Lord
Gemini Suite de estúdio: pela primeira vez em CD, é basicamente Jon Lord e convidados. Yvonne Elliman (a Maria Madalena de Jesus Christ Superstar) canta no lugar do Ian Gillan, uma letra completamente diferente do "how I wish that I wasn't here"

Windows (DVD): Sim, Jon Lord solo, com convidados! Em vídeo! Tudo sai pela Purple Records.

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Glover descreve os colegas

"Ian Gillan é um pouco mais alto que eu, Don Airey tem muita informação que pouca gente conhece, Ian Paice gosta de comida, Steve Morse é um expert em pizza, Ritchie Blackmore costumava jogar dardos, Jon Lord nunca jogou dardos, David Coverdale usava óculos quando entrou pra banda, Glenn Hughes hoje usa óculos às vezes, Joe Lynn Turner é de Nova Jérsei, Joe Satriani gosta de macarrão, Tommy Bolin sempre pintava o cabelo."

Em seu site, em resposta a uma fã de 13 anos que prometeu "ficar esperando feito uma gatinha". Esperou dois anos, hoje tem 15.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Elo perdido

Achei o elo perdido entre o Deep Purple e o Miles Davis. Chama-se Billy Cobham, o baterista de jazz que vem ao Brasil no próximo ano.

Cobham tocou com Davis nos discos "A Tribute to Jack Johnson" e "Bitches Brew", no início da fase "fusion" do trumpetista. Pouco tempo depois, chamou um certo Tommy Bolin pra tocar em seu primeiro LP solo, "Spectrum".