1) Em mais um pedaço do quebra-cabeça da história do Deep Purple que vai para o túmulo, o empresário Artie Mogul, ex-presidente da Tetragrammaton Records (EUA), morreu em 26 de novembro. Foi ele quem assinou o contrato com o Deep Purple em maio de 1968, garantindo que eles fizessem sucesso com Hush nos EUA antes mesmo de serem conhecidos na Inglaterra. Apenas para recapitular, há poucas semanas morreu o DJ John Peel, da BBC, o primeiro cara que apresentou o Purple no rádio na Europa.
2) Foi lançado no Brasil o mais novo disco solo do Jon Lord, Beyond the Notes. Salvo engano, é o primeiro disco solo dele que sai por aqui. No ano passado, também foi lançado no Brasil o Snapshot, mais novo disco solo do Roger Glover (e também acho que o primeiro dele a sair no Brasil). Os quatro primeiros da Blackmore's Night também foram lançados por aqui e andam sendo vendidos bem baratinho. São os primeiros esforços solo dos mestres que são lançados nestas plagas sem haver nenhum contexto promocional ou turnê. Parece-me o início de uma muito bem-vinda tendência, que vai poupar os bolsos dos fanáticos. Aguardem resenha aqui.
3) Na FNAC da Paulista, os remasters importados de In Rock e Who Do We Think We Are estão baratinhos: R$ 39,90. Há três anos, comprei na galeria do rock o In Rock por R$ 50 e na Boca do Disco o WDWTWA (sueco) por R$ 80. Os remasters de Fireball e Made in Japan já saíram no Brasil. Já achei o de Fireball por R$ 16 (R$ 31 na FNAC) e o de MiJ por R$ 44 (R$ 51 na FNAC). Paguei R$ 60 pelo de Fireball e R$ 70 pelo de MiJ. Apenas estou no lucro com o remaster duplo de Machine Head: na FNAC está R$ 72, e eu paguei R$ 45 por ele em 2001. Vão lá, completem suas coleções, substituam seus discos antigos e saiam ganhando com os papos de estúdio de In Rock, as galinhagens etílicas de Fireball, a inteira reconstrução de Machine Head, o blues com Blackmore no baixo de WDWTWA e o bis do Made in Japan.
4) Já falei antes, mas repito: é amanhã, dia 2, o especial do Ian Gillan apresentado pelo Bruce Dickinson na Radio 2 da BBC. Dá pra ouvir numa boa pela internet. O Deep Purple foi uma das bandas formadoras da cabeça do goela de sirene do Iron Maiden - cujo teste na banda foi Black Night. No segundo dia deste ano, ele apresentou um especial sobre o Deep Purple que começava com uma narração sobre o tecladinho calmíssimo da versão de estúdio de Speed King:
--Eu queria ser o pé esquerdo do baterista. Eu queria gritar feito uma banshee. Eu queria maltratar as cordas de uma guitarra e fazê-la chorar. Tudo começou quando eu passei pela frente de uma porta fechada de estúdio e de trás dela ouvi isto:
(entra a letra na música: "Good golly, said the little miss Molly, while she was rockin' in the house of blue light...")
5) Já leram a entrevista interativa com o Roger Glover no site dele?
6) Confirmado: Ian Paice e Glenn Hughes fazem parte do projeto italiano Moonstone, que lança seu primeiro disco em janeiro. É a velha cozinha da Mk3 e Mk4 voltando a funcionar brevemente. Também participaram do projeto os feras Carmine Appice, Paul Shortino, Steve Walsh, Eric Bloom, Graham Bonnet, Kelly Keeling, Chris Catena, Tony Franklin, James Christian e Howie Simon.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2004
domingo, 28 de novembro de 2004
O sonho de um coroa
Há muitos meses, pouco depois de se aposentar do Deep Purple Jon Lord disse numa entrevista que o seu sonho era fazer um grande show de homenagem ao Deep Purple, colocando no palco em sistema de rodízio todos os ex-membros ainda vivos (ou seja: todos menos Tommy Bolin, que faleceu mesmo, e Rod Evans, que morreu pra fins de direitos sobre seu quinhão da memória purpleana).
Sempre achei que seria inviável, principalmente por causa do clima pouco amigável entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore, o homem de preto. Mas agora em dezembro sai uma edição especial da revista Record Collector, com uma imensa matéria sobre o Purple e entrevistas com dez membros e ex-membros da banda. Nessas entrevistas, Blackmore e Lord dizem que ainda se falam bastante e não descartam uma volta aos palcos para alguma coisa especial.
Desde 2002, quando o Jon Lord se aposentou, as turnês do Deep Purple têm tido convidados especiais no palco. Joe Satriani, que substituiu Blackmore, subiu ao palco já duas vezes para trocar licks com seu sucessor Steve Morse. Glenn Hughes andou passando pelos bastidores. Coverdale e Lord já andaram trocando abraços no aeroporto de Los Angeles. Semana passada, como botei aqui no Cabide, Lord subiu ao palco pra ver se o Don Airey está cuidando bem de seu Hammond.
A única grande incógnita é o Blackmore, mas depois dessa entrevista me parece que só falta combinar com os russos (leia-se: Gillan). Nunca entendi direito a briga deles, e olha que eu já li tudo sobre o assunto. Li os argumentos de ambos os lados em várias entrevistas e na autobiografia do Gillan. Quanto mais eu leio, mais me soa infantil a briga. Tomara que os dois coroas voltem a se falar. Depende mais do Blackmore, parece. "You know I loved you once and I wanna love again, but you don't give nothing", gravou o homem da goela de prata em 1973. Tem muita mágoa em trinta anos, incluindo principalmente as duas saídas do Gillan do Deep Purple, um copo d'água jogado na patroa do cantor (no vídeo Come Hell or High Water) e uma história malcontada de algo feio que o Blackmore teria feito à filha do Gillan há muitos anos. Mas eu, como otimista e pacífico que sou, acho que não é nada que uma cervejada e um bate-papo sincero não resolva. Pombas, são dois senhores de 59 anos. Mais do que maduros. Torço por isso.
Juro que, se sair o concerto dos sonhos do Jon Lord, eu quebro o porquinho, me endivido até o último fio de cabelo e saio voando para onde quer que seja.
Sempre achei que seria inviável, principalmente por causa do clima pouco amigável entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore, o homem de preto. Mas agora em dezembro sai uma edição especial da revista Record Collector, com uma imensa matéria sobre o Purple e entrevistas com dez membros e ex-membros da banda. Nessas entrevistas, Blackmore e Lord dizem que ainda se falam bastante e não descartam uma volta aos palcos para alguma coisa especial.
Desde 2002, quando o Jon Lord se aposentou, as turnês do Deep Purple têm tido convidados especiais no palco. Joe Satriani, que substituiu Blackmore, subiu ao palco já duas vezes para trocar licks com seu sucessor Steve Morse. Glenn Hughes andou passando pelos bastidores. Coverdale e Lord já andaram trocando abraços no aeroporto de Los Angeles. Semana passada, como botei aqui no Cabide, Lord subiu ao palco pra ver se o Don Airey está cuidando bem de seu Hammond.
A única grande incógnita é o Blackmore, mas depois dessa entrevista me parece que só falta combinar com os russos (leia-se: Gillan). Nunca entendi direito a briga deles, e olha que eu já li tudo sobre o assunto. Li os argumentos de ambos os lados em várias entrevistas e na autobiografia do Gillan. Quanto mais eu leio, mais me soa infantil a briga. Tomara que os dois coroas voltem a se falar. Depende mais do Blackmore, parece. "You know I loved you once and I wanna love again, but you don't give nothing", gravou o homem da goela de prata em 1973. Tem muita mágoa em trinta anos, incluindo principalmente as duas saídas do Gillan do Deep Purple, um copo d'água jogado na patroa do cantor (no vídeo Come Hell or High Water) e uma história malcontada de algo feio que o Blackmore teria feito à filha do Gillan há muitos anos. Mas eu, como otimista e pacífico que sou, acho que não é nada que uma cervejada e um bate-papo sincero não resolva. Pombas, são dois senhores de 59 anos. Mais do que maduros. Torço por isso.
Juro que, se sair o concerto dos sonhos do Jon Lord, eu quebro o porquinho, me endivido até o último fio de cabelo e saio voando para onde quer que seja.
quarta-feira, 24 de novembro de 2004
Deep Purple em férias, mas gravando
Em 2005, o Deep Purple vai meio que tirar férias. Vai haver poucos shows, mas eles voltam ao estúdio com o Michael Bradford pra gravar um novo disco. O Gillan vai gravar um novo disco solo e vai ganhar um documentário em sua homenagem. Stormbringer deve ter seu remaster lançado.
Enquanto isso, no dia 2 de dezembro, o Bruce Dickinson apresenta seu Masters of Rock especial sobre o Ian Gillan, na Radio 2 da BBC. Pra ouvir, no dia, clica aqui. Pra saber mais sobre os especiais Masters of Rock, clica aqui. Gillan também fez uma participação especial no disco de Dean Howard (que fez com ele a turnê Repo Depo, em 1990/91). O véio canta e toca harmônica na música "Smokescreen".
O DVD duplo Living Loud, do Steve Morse, saiu no Brasil em 10 de novembro. O guitarrista com mãos-aranha fez um contrato com uma grande rede de telefonia celular (não descobri qual) para criar dois catálogos de 10 a 12 toques em true tone. O primeiro será "Killer Riffs" (riffs "matadores", como o de Smoke on the Water e Whole Lotta Love) e o segundo será "Sizzling Solos" (solos de cair o queixo).
Estão encenando Jesus Christ Superstar na Coréia. O cara que canta o papel de Judas disse que sempre quis participar de uma montagem na ópera-rock mais sensacional de todos os tempos porque era fã do Deep Purple. O Judas rouba a atenção sobre o Gillan (personagem-título) no álbum conceitual de 1971.
Dezoito anos depois de Seventh Star, Tony Iommi (do Black Sabbath) e Glenn Hughes voltam ao estúdio para gravar um disco. Recentemente, os dois também lançaram "The 1996 DEP Sessions", com gravações de umas jams que eles fizeram dez anos depois do disco que era pra ser um solo do Iommi e acabou sendo marquetado como disco do Sabbath.
E a última notícia é tipo Vera Fischer, velha mas boa. Semana passada, na turnê inglesa, Jon Lord subiu ao palco pra brincar com seu velho Hammond e ver como o sucessor Don Airey está cuidando do seu brinquedão. Olha a prova:

Enquanto isso, no dia 2 de dezembro, o Bruce Dickinson apresenta seu Masters of Rock especial sobre o Ian Gillan, na Radio 2 da BBC. Pra ouvir, no dia, clica aqui. Pra saber mais sobre os especiais Masters of Rock, clica aqui. Gillan também fez uma participação especial no disco de Dean Howard (que fez com ele a turnê Repo Depo, em 1990/91). O véio canta e toca harmônica na música "Smokescreen".
O DVD duplo Living Loud, do Steve Morse, saiu no Brasil em 10 de novembro. O guitarrista com mãos-aranha fez um contrato com uma grande rede de telefonia celular (não descobri qual) para criar dois catálogos de 10 a 12 toques em true tone. O primeiro será "Killer Riffs" (riffs "matadores", como o de Smoke on the Water e Whole Lotta Love) e o segundo será "Sizzling Solos" (solos de cair o queixo).
Estão encenando Jesus Christ Superstar na Coréia. O cara que canta o papel de Judas disse que sempre quis participar de uma montagem na ópera-rock mais sensacional de todos os tempos porque era fã do Deep Purple. O Judas rouba a atenção sobre o Gillan (personagem-título) no álbum conceitual de 1971.
Dezoito anos depois de Seventh Star, Tony Iommi (do Black Sabbath) e Glenn Hughes voltam ao estúdio para gravar um disco. Recentemente, os dois também lançaram "The 1996 DEP Sessions", com gravações de umas jams que eles fizeram dez anos depois do disco que era pra ser um solo do Iommi e acabou sendo marquetado como disco do Sabbath.
E a última notícia é tipo Vera Fischer, velha mas boa. Semana passada, na turnê inglesa, Jon Lord subiu ao palco pra brincar com seu velho Hammond e ver como o sucessor Don Airey está cuidando do seu brinquedão. Olha a prova:
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terça-feira, 2 de novembro de 2004
Blackmore's patroa
Achei ontem em promoção o "Ghost of a Rose", do Blackmore's Night. Eu já havia comprado o primeiro deles, "Shadow of the Moon", fora de promoção, e não me agradou. Depois, em promoção (R$ 11,99), comprei "Under a Violet Moon" e "Fires at Midnight". Mas ainda não tinha tido coragem de ouvir, botei hoje.
A impressão é a mesma que eu tive com o primeiro: os instrumentais, com o Homem de Preto mostrando no violão o que sabe fazer com seis cordas, são fenomenais. As canções, com a patroa do Blackmore em tom de Enya, têm clima de som ambiental de carro de balzaquiana que acredita em duendes. Não me fecha com o gosto. No primeiro, deu a impressão de que o Blackmore havia feito uma ironia em "Greensleeves", metendo no meio o riff de "Anya" (do The Battle Rages On). Daí cunhei a frase "Blackmore's Night é uma mistura de Anya com Enya".
Isso só me reforça uma percepção positiva em relação ao Blackmore: o homem é um cavalheiro romântico.
Blackmore já teve tudo. Foi um dos grandes guitarristas dos anos 70, época que gerou gigantes como Eric Clapton, Jimi Hendrix e Jeff Beck. Inspirou gerações posteriores. Criou duas das maiores bandas de rock que já houveram. Adaptou Beethoven para a guitarra. Botou fogo no palco. Fez fama e, certamente, alguma fortuna. Ele já tem e já criou tudo o que poderia querer ter e criar.
Desde 1997, ele vem apostando nesse projeto com a patroa, vários anos mais nova que ele. Ela tem boa voz, até, mas não me faz o gênero. O material é certamente diferente de tudo o que o Blackmore fez antes. Ele se submete ao mico de ele e seus colegas se vestirem feito personagens de O Senhor dos Anéis, o que é ridículo especialmente para um senhor dessa idade (ele completa 60 no ano que vem).
A grande impressão que me dá é que ele está investindo seu nome, talento, recursos e contatos na carreira da patroa, dentro de um nicho que tem mercado e para o qual ela leva jeito.
Blackmore é um sujeito que desenvolveu ao longo dos anos 90 uma em boa parte justificada fama de estourado, antipático, egoísta, ególatra, misantropo e - vamos ser claros - mau-caráter. Eu me decepcionei muito com ele (que sempre foi meu guitarrista favorito) na década passada.
Mas essa demonstração de cavalheirismo e de paixão pela patroa o redime na minha consideração, embora não muito aos meus ouvidos. Não é qualquer um que faz uma coisa dessas por uma mulher.
domingo, 31 de outubro de 2004
Teje preso!
Local: Camarins do Deep Purple, na turnê americana com Thin Lizzy e Joe Satriani (ex-guitarrista do Purple).
Um policial bate à porta do camarim de Joe, pede que ele saia e lhe dá voz de prisão. Por "tocar quantidade excessiva de notas".
Obviamente, era galinhagem. O policial era Rich Shailor, amigaço do Roger Glover. A foto do mico vai abaixo, tirada pelo próprio Rog.

Um policial bate à porta do camarim de Joe, pede que ele saia e lhe dá voz de prisão. Por "tocar quantidade excessiva de notas".
Obviamente, era galinhagem. O policial era Rich Shailor, amigaço do Roger Glover. A foto do mico vai abaixo, tirada pelo próprio Rog.
quinta-feira, 28 de outubro de 2004
Peel e o Purple
Desculpem voltar ao assunto, mas sou fascinado pela história dos dois anos mais emblemáticos do Deep Purple (1969-1970). Sou fascinado pela BBC e fascinado pelo Deep Purple. Nesse ponto, os dois fascínios se unem e revelam aos poucos o processo criativo da melhor banda do mundo. Então, vou aproveitar o gancho da morte do John Peel pra chafurdar um pouco mais nessa lama.
Como eu já falei aqui antes, naquele tempo era mais negócio na Inglaterra pedir que a banda fosse ao estúdio da rádio gravar do que usar material já gravado fora, porque tinha direitos autorais. Mais ainda: com os Beatles evanescendo, a rádio queria descobrir quem seriam os sucessores dos Fab Four, e botava MUITA pilha nas melhores bandas britânicas. É daí que vêm maravilhas como o CD duplo do Hendrix na BBC, o CD duplo do Led na BBC, etc. Mas nunca lançaram um propriamente do Deep Purple na BBC. Lançaram faixas esparsas, mas só um tarado como eu pra juntar em um CD particular as da Mark 2.
Simon Robinson lembra que John Peel foi o primeiro cara a apresentar o Deep Purple no rádio, em junho de 1968, semanas antes de estrear o single de Hush. Naquela apresentação, o grupo foi considerado por unanimidade uma boa aposta comercial, o que garantiu todas as visitas da Mark 1 ao Top Gear:
18.06.68 - BBC Radio, Studio 1, Picadilly (Hush/One More Rainy Day/Help)
25.06.68 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (Hush/One More Rainy Day/Kentucky Woman/It's All Over Now)
08.01.69 - BBC Radio, interview with Rod Evans
14.01.69 - BBC Radio, Studio 4, Maida Vale (Hey Boppa Re Bop/Emmaretta/Wring That Neck/Hey Joe/It's All Over Now)
11.02.69 - BBC Radio, Studio 4, Maida Vale (Emmaretta/Bird Has Flown/Hush/Hey Boppa Re Bop)
24.06.69 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (Lalena/The Painter/I'm So Glad)
30.06.69 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (The Painter/I'm So Glad/Hush)
Sucesso absoluto. Parte desses sons saíram no Brasil nos remasters de Shades of Deep Purple, Book of Taliesyn e Deep Purple.
A partir de junho de 1969, o Deep Purple toma novo fôlego, trocando de vocalista e baixista em um golpe de Estado. Entram Gillan e Glover, e aquela banda que fazia covers criativos dos Beatles nunca mais seria a mesma.
Na verdade, as últimas duas gravações da Mark 1 na BBC já ocorreram durante o golpe de Estado. Em 7.6.69, três quintos do Deep Purple original se reuniam com os dois novatos para gravar Hallellujah. No dia 16, lá estavam eles no Centro Comunitário de Hanwell, improvisando o que viriam a ser Kneel and Pray (mais tarde Speed King) e Child in Time.
Em agosto, eles voltam à BBC. É fascinante acompanhar o crescimento do repertório da banda. Especialmente de Speed King, que começou como Ricochet, foi chamada de Kneel and Pray e terminou com a miss molly dançando na casa da luz azul.
11.08.69 - BBC Radio, Studio 2, Aeolin Hall (Ricochet/Bird Has Flown)
29.08.69 - BBC Radio, Studio 1, Picadilly (Kneel And Pray/Child In Time)
11.09.69 - BBC Radio, Roundabout
Em 24 de setembro de 69, a coisa mais curiosa do mundo acontece: o Concerto para Grupo e Orquestra. O Deep Purple mostra sua cara e leva ao Royal Albert Hall o poder do gogó do novo vocalista, já mostrado um mês antes na BBC. Como não podia deixar de ser, o histórico show é transmitido pela glória do império.
28.09.69 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (And The Address/The Painter/Child In Time/Kneel And Pray/Bird Has Flown)
Neste ponto, eles já tinham algum repertório próprio na segunda formação. Não precisavam mais de Painter, Bird Has Flown ou mesmo Hush. Speed King já era uma canção madura e podia ser colocada em vinil. Era aproveitar a base de Kneel and Pray e botar uma letra evocando o roquenrôu dos anos 50. As gravações de Speed King e Livin'Wreck duraram uma semana, de 14 a 21 de outubro de 69. Dez dias depois, eles voltavam à rádio pra apresentar o que tinham e fazer uma jam exclusiva.
31.10.69 - BBC Radio, Studio 4, Maida Vale (Speed King/Living Wreck/John Stew)
De 3 a 6 de novembro, eles se trancam no estúdio de novo para gravar sua mais preparada canção de então: Child in Time, que já estava praticamente pronta desde agosto, sendo apresentada inclusive em shows noutros países europeus. O Deep Purple passa a fazer turnês por clubes e faculdades do Reino Unido enquanto prepara seu quarto disco de estúdio. De 25 a 28 de novembro, eles se trancam para gravar Jam Stew, uma derivação da brincadeira na BBC, mas sem letra. Acaba só entrando na edição comemorativa do In Rock. Também gravam Into the Fire. Na virada do ano, em 1o de janeiro de 1970, cheios de champanhe nas idéias eles gravam Hard Lovin'Man. No dia 13, gravam Cry Free, que só aparece em disco em 1977 e só entra no In Rock em 1995.
No início de fevereiro, é hora de voltar à BBC. No programa de John Peel, "In Concert". Se vocês têm o disco In Concert 70-72, ouçam lá. "Hi, this is John Peel, with another In Concert program, from the BBC studios in London. Tonight's guests... Deep Purple".
19.02.70 - BBC Radio, Paris Theatre, London, UK, In Concert
O repertório é matador. Speed King, Wring That Neck, Mandrake Root e Child in Time. Três mega-solos. Platéia de olhos arregalados. Aquilo é jazz, em sua mais pura forma. Mas mais eletrificado, mais animal. Muito mais animal do que as experiências que o Miles Davis andava fazendo então.
Em 11 de março eles voltam ao estúdio, pra gravar Flight of the Rat, segundo o Jon Lord um libelo contra o uso de drogas. "Somos uma banda de bebuns", esclareciam eles quando perguntados se eles realmente eram os bons-moços que apregoavam ser. Em 13 de abril, gravam Bloodsucker. Tava na hora de voltar à rádio, certo?
21.04.70 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (Hard Lovin' Man/Bloodsucker/Living Wreck)
OK, eles tinham um disco pronto. Mas não dispunham de um single. A gravadora queria que aqueles gênios estourassem comercialmente, precisava de um single. Vai daí que em 4 de maio eles voltam a se trancar no estúdio, depois de comer muita massa e encher a cara de vinho. Blackmore e Glover são os primeiros a chegar. Precisa sair um riff. Glover começa a brincar com um riff conhecido. Blackmore grita: "GENIAL!" e Glover acusa que não é criação e sim cópia.
Então Glover começa a brincar com o riff de It's a Beautiful Day e o altera para ter um resultado próprio. Tan, dan, da-dan... o resultado eu ouço todo dia quando alguém me liga. Mas faltava uma letra pra isso. Nisso, já estava a banda inteira, devidamente encharcada. Começam a fazer rimas sem sentido nem coerência. O importante era rimar: black night, it's not right, I don't feel so bright, I don't care to sit tight... e o resultado é um estouro de vendas. Cumprimentados, eles manifestam ceticismo. Porra, era só um porre, uma gravação sob pressão.
John Peel não curte a idéia de o Purple andar fazendo som comercial. Single? Sem estar no disco? Convenhamos. É nesse ponto que eles perdem todo o belo apoio que tiveram da BBC. Brigam pela imprensa musical, fazem o escambau. Resultado: só voltam à jóia da coroa em setembro, quando Jon Lord é entrevistado sobre por que diabos fizeram um single.
09.09.70 - BBC TV "Top of the Pops" (Black Night)
23.09.70 - BBC Radio, Studio T1, Shepherds Bush (Black Night/Grabsplatter/Into The Fire/Child In Time/Jon Lord interview)
A partir daqui, as aparições na BBC caem drasticamente. Quase nada de Fireball ou Machine Head pintou na BBC. Tenho uma versão de Strange Kind of Woman na BBC, mas não sei direito de quando é.
Mas, nesse ponto, eles não eram mais uma mera banda inglesa precisando de uma força da melhor rádio do mundo. Eles eram big and bold and more than twice as old than all the cats they'd ever seen. Na troca de guarda seguinte, em 1974, eles ainda apareceriam na BBC gravando o que se tornou o Live in London. Mas mesmo assim, nunca mais tiveram a mesma receptividade que tiveram em 1968 e 1969.
Como eu já falei aqui antes, naquele tempo era mais negócio na Inglaterra pedir que a banda fosse ao estúdio da rádio gravar do que usar material já gravado fora, porque tinha direitos autorais. Mais ainda: com os Beatles evanescendo, a rádio queria descobrir quem seriam os sucessores dos Fab Four, e botava MUITA pilha nas melhores bandas britânicas. É daí que vêm maravilhas como o CD duplo do Hendrix na BBC, o CD duplo do Led na BBC, etc. Mas nunca lançaram um propriamente do Deep Purple na BBC. Lançaram faixas esparsas, mas só um tarado como eu pra juntar em um CD particular as da Mark 2.
Simon Robinson lembra que John Peel foi o primeiro cara a apresentar o Deep Purple no rádio, em junho de 1968, semanas antes de estrear o single de Hush. Naquela apresentação, o grupo foi considerado por unanimidade uma boa aposta comercial, o que garantiu todas as visitas da Mark 1 ao Top Gear:
18.06.68 - BBC Radio, Studio 1, Picadilly (Hush/One More Rainy Day/Help)
25.06.68 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (Hush/One More Rainy Day/Kentucky Woman/It's All Over Now)
08.01.69 - BBC Radio, interview with Rod Evans
14.01.69 - BBC Radio, Studio 4, Maida Vale (Hey Boppa Re Bop/Emmaretta/Wring That Neck/Hey Joe/It's All Over Now)
11.02.69 - BBC Radio, Studio 4, Maida Vale (Emmaretta/Bird Has Flown/Hush/Hey Boppa Re Bop)
24.06.69 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (Lalena/The Painter/I'm So Glad)
30.06.69 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (The Painter/I'm So Glad/Hush)
Sucesso absoluto. Parte desses sons saíram no Brasil nos remasters de Shades of Deep Purple, Book of Taliesyn e Deep Purple.
A partir de junho de 1969, o Deep Purple toma novo fôlego, trocando de vocalista e baixista em um golpe de Estado. Entram Gillan e Glover, e aquela banda que fazia covers criativos dos Beatles nunca mais seria a mesma.
Na verdade, as últimas duas gravações da Mark 1 na BBC já ocorreram durante o golpe de Estado. Em 7.6.69, três quintos do Deep Purple original se reuniam com os dois novatos para gravar Hallellujah. No dia 16, lá estavam eles no Centro Comunitário de Hanwell, improvisando o que viriam a ser Kneel and Pray (mais tarde Speed King) e Child in Time.
Em agosto, eles voltam à BBC. É fascinante acompanhar o crescimento do repertório da banda. Especialmente de Speed King, que começou como Ricochet, foi chamada de Kneel and Pray e terminou com a miss molly dançando na casa da luz azul.
11.08.69 - BBC Radio, Studio 2, Aeolin Hall (Ricochet/Bird Has Flown)
29.08.69 - BBC Radio, Studio 1, Picadilly (Kneel And Pray/Child In Time)
11.09.69 - BBC Radio, Roundabout
Em 24 de setembro de 69, a coisa mais curiosa do mundo acontece: o Concerto para Grupo e Orquestra. O Deep Purple mostra sua cara e leva ao Royal Albert Hall o poder do gogó do novo vocalista, já mostrado um mês antes na BBC. Como não podia deixar de ser, o histórico show é transmitido pela glória do império.
28.09.69 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (And The Address/The Painter/Child In Time/Kneel And Pray/Bird Has Flown)
Neste ponto, eles já tinham algum repertório próprio na segunda formação. Não precisavam mais de Painter, Bird Has Flown ou mesmo Hush. Speed King já era uma canção madura e podia ser colocada em vinil. Era aproveitar a base de Kneel and Pray e botar uma letra evocando o roquenrôu dos anos 50. As gravações de Speed King e Livin'Wreck duraram uma semana, de 14 a 21 de outubro de 69. Dez dias depois, eles voltavam à rádio pra apresentar o que tinham e fazer uma jam exclusiva.
31.10.69 - BBC Radio, Studio 4, Maida Vale (Speed King/Living Wreck/John Stew)
De 3 a 6 de novembro, eles se trancam no estúdio de novo para gravar sua mais preparada canção de então: Child in Time, que já estava praticamente pronta desde agosto, sendo apresentada inclusive em shows noutros países europeus. O Deep Purple passa a fazer turnês por clubes e faculdades do Reino Unido enquanto prepara seu quarto disco de estúdio. De 25 a 28 de novembro, eles se trancam para gravar Jam Stew, uma derivação da brincadeira na BBC, mas sem letra. Acaba só entrando na edição comemorativa do In Rock. Também gravam Into the Fire. Na virada do ano, em 1o de janeiro de 1970, cheios de champanhe nas idéias eles gravam Hard Lovin'Man. No dia 13, gravam Cry Free, que só aparece em disco em 1977 e só entra no In Rock em 1995.
No início de fevereiro, é hora de voltar à BBC. No programa de John Peel, "In Concert". Se vocês têm o disco In Concert 70-72, ouçam lá. "Hi, this is John Peel, with another In Concert program, from the BBC studios in London. Tonight's guests... Deep Purple".
19.02.70 - BBC Radio, Paris Theatre, London, UK, In Concert
O repertório é matador. Speed King, Wring That Neck, Mandrake Root e Child in Time. Três mega-solos. Platéia de olhos arregalados. Aquilo é jazz, em sua mais pura forma. Mas mais eletrificado, mais animal. Muito mais animal do que as experiências que o Miles Davis andava fazendo então.
Em 11 de março eles voltam ao estúdio, pra gravar Flight of the Rat, segundo o Jon Lord um libelo contra o uso de drogas. "Somos uma banda de bebuns", esclareciam eles quando perguntados se eles realmente eram os bons-moços que apregoavam ser. Em 13 de abril, gravam Bloodsucker. Tava na hora de voltar à rádio, certo?
21.04.70 - BBC Radio, Studio 5, Maida Vale (Hard Lovin' Man/Bloodsucker/Living Wreck)
OK, eles tinham um disco pronto. Mas não dispunham de um single. A gravadora queria que aqueles gênios estourassem comercialmente, precisava de um single. Vai daí que em 4 de maio eles voltam a se trancar no estúdio, depois de comer muita massa e encher a cara de vinho. Blackmore e Glover são os primeiros a chegar. Precisa sair um riff. Glover começa a brincar com um riff conhecido. Blackmore grita: "GENIAL!" e Glover acusa que não é criação e sim cópia.
Então Glover começa a brincar com o riff de It's a Beautiful Day e o altera para ter um resultado próprio. Tan, dan, da-dan... o resultado eu ouço todo dia quando alguém me liga. Mas faltava uma letra pra isso. Nisso, já estava a banda inteira, devidamente encharcada. Começam a fazer rimas sem sentido nem coerência. O importante era rimar: black night, it's not right, I don't feel so bright, I don't care to sit tight... e o resultado é um estouro de vendas. Cumprimentados, eles manifestam ceticismo. Porra, era só um porre, uma gravação sob pressão.
John Peel não curte a idéia de o Purple andar fazendo som comercial. Single? Sem estar no disco? Convenhamos. É nesse ponto que eles perdem todo o belo apoio que tiveram da BBC. Brigam pela imprensa musical, fazem o escambau. Resultado: só voltam à jóia da coroa em setembro, quando Jon Lord é entrevistado sobre por que diabos fizeram um single.
09.09.70 - BBC TV "Top of the Pops" (Black Night)
23.09.70 - BBC Radio, Studio T1, Shepherds Bush (Black Night/Grabsplatter/Into The Fire/Child In Time/Jon Lord interview)
A partir daqui, as aparições na BBC caem drasticamente. Quase nada de Fireball ou Machine Head pintou na BBC. Tenho uma versão de Strange Kind of Woman na BBC, mas não sei direito de quando é.
Mas, nesse ponto, eles não eram mais uma mera banda inglesa precisando de uma força da melhor rádio do mundo. Eles eram big and bold and more than twice as old than all the cats they'd ever seen. Na troca de guarda seguinte, em 1974, eles ainda apareceriam na BBC gravando o que se tornou o Live in London. Mas mesmo assim, nunca mais tiveram a mesma receptividade que tiveram em 1968 e 1969.
terça-feira, 26 de outubro de 2004
Morre John Peel
Peel estava em Cuzco, no Peru, em férias com a esposa, quando teve um ataque cardíaco. No site da BBC, tem um perfil dele, um espaço para tributos e os últimos programas dele.
sexta-feira, 22 de outubro de 2004
Baixaria (e tecladaria)
Nos bastidores da turnê americana, dois dos três baixistas que já passaram pelo Purple se encontram. Na foto, Don Airey, Glenn Hughes e Roger Glover:

quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Chegou
É o primeiro trabalho do Purple de que eu historicamente tive três versões: vinil, CD convencional e CD remasterizado, importado, com faixas extras e o escambau. Sempre saltei do vinil pro especial.
Algumas matérias sobre o novo Burn nos sites gringos:
- Seção especial do The Highway Star
- Trechinhos de Coronarias Redig e You Fool No One remixadas
- Resenhas contemporâneas
- Looking Back, May 1974
- Discografia do Burn
- Discografia do Live in London
- Discografia do California Jam
Enquanto ouço essa maravilha, pra postar depois a resenha, queria aproveitar o espaço e a atenção dos amigos pra recordar o longo e extenuante processo que levou à confecção disto.
4.mar.2002
Ainda não se sabia que fim haviam levado as fitas originais do estúdio. O Cabide deu:
"Alguém aí com conexões suecas poderia tentar descobrir onde estão as fitas com outtakes do disco Burn, do Deep Purple? Há alguns anos, Glenn Hughes, baixista e vocalista do Purple na época, as teria entregue a um jornalista sueco, que as repassou a outro sueco. (Dizem as más línguas que Hughes as trocou por drogas.) Sem essas fitas, não sai a edição remasterizada de Burn, a próxima da série Purple Remasters. Sem ela, não saem as seguintes."
15.abr.2002
Um dia depois do aniversário do Blackmore, o Purpendicular noticia:
"Simon Robinson conseguiu. Ele achou todas as masters de Burn, o primeiro disco da quarta formação do Deep Purple. Até o final do ano ele consegue terminar de ouvi-las, e a edição remasterizada só deve sair lá por 2003. Roger Glover deve supervisar o trabalho, apesar de não ter participado do disco. Por isso, ele consultou Jon Lord e Ian Paice, que estavam lá. Ainda não é garantido que saiam os outros dois discos da primeira fase do Purple (Stormbringer e Come Taste the Band). Glenn Hughes teria trocado por drogas todas as masters em que ele esteve envolvido."
11.mai.2002
Não só as fitas de Burn, mas também as de Stormbringer haviam sido encontradas, o que garante meu granicídio do ano que vem:
"Algumas semanas depois da descoberta das masters de Burn, a DPAS conseguiu botar as mãos nas fitas originais do disco Stormbringer. A partir do ano que vem podem sair os dois remasters. Segundo Simon Robinson, as fitas estão em excelente estado e têm três versões diferentes de vocais para a balada "Soldier of Fortune", uma poderosa versão instrumental de "Highball Shooter" e os vocais originais de Coverdale para as palavras ditas ao contrário no começo de Stormbringer: "Cocksucker, muthafucker, Stormbringer". Singelo, né?"
24.nov.2002
A EMI francesa lança uma caixa especial com as gravações convencionais de Burn e Stormbringer. Caça-níqueis.
31.jan.2003
A EMI convida Roger Glover a fazer o remaster:
"Planeta: Terra. Cidade: Londres. A EMI pediu e o Roger Glover aceitou supervisar a reedição do disco Burn, ainda que ele estivesse fora do Purple na época. Ian Paice e Jon Lord, que estavam dentro, deram seu OK. O Simon Robinson, da DPAS, conseguiu achar todas as fitas originais ainda no ano passado. Então, é extremamente possível que saia ainda este ano o disco. Já estou preparando minhas burras."
19.abr.2003
Uma notícia boa e uma ruim: Glover já estava com as fitas originais na mão, mas as gravações dos ensaios não eram boas o bastante:
"Mestre Roger Glover, que se comprometeu a remasterizar o Burn, está com as fitas já há algumas semanas, segundo a DPAS. A associação localizou as fitas com os ENSAIOS do disco, mas "infelizmente a qualidade do som não era boa o bastante". Triste, muito triste. Mas esse remaster vai ser um puta disco, de qualquer forma. Já tenho todos os das Mk 1 e 2. Estou só no aguardo dos da 3."
8.mai.2003
Roger Glover desistiu de remasterizar Burn, e eu já desconfiava que não ia muito pra frente a coisa:
No último email que eu mandei pra ele, eu o parabenizei por pegar a bronca e perguntei o que ele estava achando do material. Ele não respondeu.
9.mai.2003
Roger Glover se explica:
"Decidi não fazer a remixagem de Burn. Como eu não estava no disco originalmente, me senti meio estranho no começo por me envolver, mas eu achava que podia dar um ar diferente às gravações. Peter Denenberg e eu ouvimos as transferências digitais (feitas nos estúdios Abbey Road) e começamos a trabalhar em várias músicas, incluindo a faixa-título. Depois de alguns dias brigando com os sons, escutamos às versões remasterizadas que saíram na caixa New Live and Rare e eu cheguei à conclusão de que não estávamos trazendo nada de novo para a música. Assim, saí do projeto. A EMI vai levar adiante, mas eu não tenho mais nada a acrescentar."
19.out.2003
"Está andando o remix de Burn. Segundo o Simon Robinson, o que já está pronto ficou poderoso, "com um trabalho deslumbrante em Sail Away, em particular". O remix deve ficar pronto em outubro e o disco em si sai no ano que vem, como edição especial de 30 anos de Burn."
5.nov.2003
Promete-se que o disco sairia em abril:
"Deve sair lá por abril do ano que vem, nos trinta anos do disco original. Essa é, na minha opinião, a jóia da coroa do que vai sair. É aquela versão remasterizada, remixada, com faixas extras e o escambau, incluindo livretinho escrito pelo Simon Robinson, da DPAS. Parece que o Glenn Hughes vai supervisar a remixagem. Diz o site da DPAS que há belos trabalhos em Sail Away, Mistreated e You Fool No One. Em breve haverá trechos no site da DPAS e, claro, o Purpendicular vai dar a dica."
27.nov.2003
São anunciadas as faixas do disco:
01. Burn
02. Might Just Take Your Life
03. Lay Down Stay Down
04. Sail Away
05. You Fool No One
06. What's Goin' On Here
07. Mistreated
08. A 200
09. Mistreated remix
10. You Fool No One remix
11. Burn remix
12. Sail Away remix
13. Coronarias Redig
15.mar.2004
Ainda em Porto Alegre, eu posto aqui uma frase de um produtor do show California Jam, que se considerava culpado por Blackmore ter posto fogo no palco 30 anos antes:
"Acho que sou pessoalmente responsável por Blackmore ter batido sua guitarra contra a câmera. Eu falei com ele na noite anterior. O Deep Purple fez um ensaio técnico, e eu perguntei se ele ia quebrar a guitarra dele. E Richie disse: 'sim, talvez. Sei lá, que merda'. Ele estava meio puto com várias coisas que não tinham nada a ver comigo. E eu disse: 'Veja, se você for quebrar a guitarra, privilegie a câmera. Vou fazer uma bela filmagem e vai ficar genial'. E ele privilegiou bem a câmera, gerando US$ 8 mil de prejuízo."
11.abr.2004
Com isso, eu reedito o Clássicos Purpendicular: California Jam
27.abr.2004
Aniversário de 30 anos do lançamento de Burn. Eu reproduzo do deep-purple.net alguns cartazes promocionais da época:
15.set.2004
Posto aqui um link para as memórias do Coverdale sobre a gravação de Burn. Com observações assim:
"Passei boa parte da noite escrevendo toneladas de letras para o que virou 'Burn'... mais tarde, brinquei que eu estava tão empolgado que escrevi pelo menos doze letras pra música!!! Não era verdade, mas apenas um leve exagero... provavelmente fiz umas 3 ou 4 versões... a mais memorável pra mim se chamava... olha só... 'The Road'!!! Então, em vez de 'All I hear... is BUUUUUUURRRNNN!' era 'Take me down... the ROOOOOOAAAADDD!!!'.
Longe de ser uma das minhas melhores letras... e foi uma fonte de grande alegria para o sr.Lord. De qualquer forma... eu deixei todas as letras... incluindo a letra completamente sci-fi de 'Burn', que eu tinha escrito especificamente pensando no Ritchie... num piano de cauda no estúdio, para os caras olharem e escolherem. Não preciso nem dizer... eu estava me sentindo bem satisfeito de dar tantas escolhas a eles... e então eu saltei pra cama... absolutamente detonado..."
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Todas as covers do Purple
Descobri um site que traça covers de músicas. Escolhe o artista e ele mostra que covers ele já fez e que homenagens já recebeu. Deep Purple, por exemplo, tá aqui. Divirtam-se!
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