domingo, 17 de dezembro de 2006

30 anos, já faz

Há 30 anos no dia 4 de dezembro, morria o guitarrista Tommy Bolin, primeiro norte-americano a fazer parte do Deep Purple. Sua passagem pelo grupo durou pouquíssimos meses e foi tumultuada. Em março de 1976, o grupo estava tão bagunçado pelos excessos - especialmente os protagonizados por Bolin e pelo baixista/vocalista Glenn Hughes - que implodiu. Em vários shows, como o registrado em "Last Concert in Japan", Bolin não conseguia tocar porque seu braço estava anestesiado pelas drogas. Apesar de todo seu talento, sofria de insegurança e baixa auto-estima, o que alavancou todos os problemas que levaram à sua morte.

Por tudo isso, demorei um tempão na vida pra conseguir levar o guitarrista a sério e ouvir o que ele tinha a dizer com os dedos. Quando abri a guarda, fiquei de queixo caído. "Come Taste The Band" foi o último disco antigo do Deep Purple que comprei. Eu tinha ouvido na adolescência e não tinha gostado. Ouvi alguns anos depois e achei interessante. Quando comprei, eu já achava o disco genial - em que pese sua sonoridade ser um tanto diferente do Deep Purple a que eu estava acostumado. Desde então, me acostumei com a idéia de que a grande marca do Deep Purple é a mudança.

Bolin era um cara jovem - morreu com 25 anos -, tocava guitarra como poucos e tinha idéias avançadas para a criação musical. Sua guitarra ácida não se restringia a um gênero específico, como o rock. Era um músico instintivo: não sabia ler partituras, tocava apenas de ouvido. Antes de morrer, vinha conversando com Hughes e outros sobre a possibilidade de criar um grupo de jazz elétrico. Quando morreu, estava despontando como um músico importante nessa cruza de gêneros.

Nos fóruns de discussão na internet, muita gente se pergunta o que Bolin produziria hoje, caso não tivesse morrido. Acho esse tipo de questão uma mistura de chutologia com ilusão. Era difícil ele não ter morrido, dada a forma como vivia. Mas em sua curta carreira produziu muita coisa boa. Vale a pena ler a última entrevista do guitarrista, publicada pela Guitar Player americana três meses após sua morte.

Uma das maiores preciosidades que já ouvi de seu trabalho fora do Deep Purple é sua colaboração com o baterista Billy Cobham, no disco "Spectrum" (1973), aos 22 anos. Cobham fizera parte do grupo de jazz elétrico de Miles Davis. Gravou com o gênio o disco "Bitches Brew", em 1969. A família de Bolin vem lançando, aos poucos, tudo o que o guitarrista produziu.

Ouça abaixo o que era o talento desse triste personagem da história da música. São as faixas "Quadrant 4" e "Anxiety, Taurian Matador", gravadas com Cobham. Logo depois, ouça a faixa "Wild Dogs", composta e cantada por Bolin, emoldurada por imagens da curta porém prolífica carreira do guitarrista.



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