sábado, 24 de dezembro de 2005

Preciosidade da tosqueira

O povo do The Highway Star conseguiu: colocaram no ar um vídeo do Deep Purple Tabajara de 1980, aquele Bogus Deep Purple do Rod Evans, tocando Smoke on the Water. Pena que meu computador de casa não abre. Mas vou correndo a um cibercafé.

Pra saber mais sobre o Bogus Deep Purple, tem um link direto pra seção especial do THS sobre ele aqui ao lado.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Que fim levou Ritchie Blackmore?

No café da manhã, abri o Estadão e lá estava uma baita foto do Ritchie Blackmore, encimada pelo título "Que Fim Levou Ritchie Blackmore?" Pois o jornalista Artur Dapieve, do No Mínimo, escreveu uma belíssima resenha do DVD duplo da banda do mestre com sua patroa.

Talvez o primeiro impulso do velho fã do Purple seja pensar: “Deus, o que não se faz por um belo rabo de saia?” Depois de se assistir às quase quatro horas de “Castles & Dreams”, porém, a pergunta muda para: “Blackmore não estará sendo mais honesto que seus ex-companheiros de banda?” Ele não os menciona, mas diz, num dos muitos extras do DVD duplo, se sentir mais honesto tocando música antiga do que antigas músicas.

Blackmore, ao menos, parece de fato feliz. Nos bastidores, ao lado de Candice, vinte e oito anos mais nova que ele, sessentão desde abril último. Nos palcos, ao lado dela e de uma trupe de músicos que atende por nomes como Bard David of Larchmont (teclados), Squire Malcolm of Lumley (bateria), Sir Robert of Normandie (baixo), Tudor Rose (rabeca e flautas) e as Sisters of the Moon, Lady Madeline e Lady Nancy, gêmeas vocalistas.

Na verdade, Blackmore prefere o termo menestréis a músicos. Sua trupe se apresenta em cidades medievais – os shows fundidos que ocupam quase todo o primeiro DVD foram gravados em Burg Veldenstein e em Burg Neuhaus, Alemanha, em 2004 – carregando nas costas toda a infra-estrutura: eletricidade, luz, som, palco, cenários etc. O conceito das excursões, portanto, também remete aos artistas itinerantes que se apresentavam em feiras.

E o espectador brasileiro, longe dos castelos europeus e até dos seis CDs da Blackmore’s Night, inéditos aqui? Ele se diverte? Se desarmar o espírito roqueiro e entrar na onda da banda, sim. Afinal, o grande guitarrista não esqueceu como se toca. Apenas prefere tocar mais baixo. As músicas instrumentais, como “Queen for a day” ou “Minstrel hall”, são delicadas e evocativas. E as cantadas fluem bem, desde que não se preste atenção às letras.

Porque, até para manter-se fiel ao espírito da banda, Candice desenvolveu toda uma criação de fadas, luares e momentos mágicos. Mas, ei, alguém aí já parou para realmente prestar atenção às letras do Deep Purple?! Procedente mesmo talvez seja um certo incômodo com o seu sotaque: faz-se necessária uma certa “suspensão da descrença” para aceitar uma americana de Long Island cantando a Idade Média.

(...)“Castles & Dreams” é o registro de uma união feliz. Não apenas a de Blackmore e Candice, coisa lá deles. Também a do guitarrista com sua própria consciência. Quantos colegas não declararam que esperavam morrer antes de ficar velhos ou que não suportariam tocar “Satisfaction” aos 60 anos? O guitarrista envelheceu, mas não precisa mais tocar “Smoke in the water”, a não ser que queira e, suponho, num arranjo com bandolim.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Convite ao granicídio

Olha o que vem por aí no ano que vem, segundo a DPAS:

1) Deep Purple
Live In London (CD) : pela primeira vez, lançado oficialmente em CD. Ah, você tem? Eu também. Mas é um semipirata nipo-brasileiro.

Stormbringer (CD) : remasterizado, remixado. Diz o Simon Robinson que Hold On tá de babar. É principalmente voltado a malucos como eu, que já tiveram o vinil e o CD normal e que estão gradualmente substituindo a coleção convencional pela aditivada dos remasters comemorativos.

Live In Europe 1993 (4CD) : a íntegra dos shows editados para o CD de Come Hell or High Water, com os últimos registros do Blackmore na banda. Quatro discos. Facada!!!

Live In Aachen 1970 (CD) : isso já tinha sido lançado, mas com uma capa feia pra caraco e saiu de catálogo. É o meu show favorito do Deep Purple, de julho de 1970. Mestre Gillan quase não canta, mas o instrumental é de pirar o cabeção.

Archive Collection (DVD) : vem mais coisa boa aí, além de 72/73 e California Jam. "Deve incluir um monte de material raro, incluindo coisas que os pirateiros perderam", diz o Simon Robinson.

Amsterdam Paradiso 1969: um dos primeiros shows do Purple que circularam em pirataria pode sair pela Purple Records. Esse ainda tem Kneel and Pray com a letra original ("You were good/I was bad/I wanted the things you had").

Scotland 1974: O Nigel Young não conhecia nem pirataria dos quatro shows feitos pelo Purple na terra de Macbeth em abril de 74. O primeiro show dessa perna da turnê do Coverdale/Hughes foi feito logo após a pirotécnica passagem dos mestres pela California (também pela Purple records)

2) Rainbow
German Tour 1976 (CD) : três shows, numa caixinha que deve sair no Japão em abril e separadamente na Europa a partir de março.

Rockpalast 1977 (DVD) : show gravado em outubro de 1977 na TV alemã. Primeiro DVD oficial da banda do Homem de Preto.

Promos (DVD) : todos os clipes oficiais da banda.

3) Blackmore's Night
Village Lantern : o novo álbum de estúdio deles, que sai no final de janeiro. Pra quem curte, beleza. A DPAS perdeu a conta, acha que é o sétimo de estúdio; acho que é o quinto de estúdio e sétimo no geral.

4) Paice, Ashton & Lord
Live In London (DVD) : nunca antes lançado em vídeo.

Tony Ashton / Testimonial (CD - DVD) : show em homenagem ao parceiro de Paice e Lord, gravado em 2000. Além do Tony, há John Entwhistle, Whitesnake (com Lord e Paice mas sem Coverdale) e PAL - a única reunião deles ao vivo depois dos anos 70.

5) Ian Gillan
Gillan's Inn 40th Anniversary CD : cheio de convidados. Todos estamos babando e já existe um preview de Smoke on the Water no ar. Deve sair em fevereiro.

Gillan / Live (CD) : shows ao vivo dos anos 80 das bandas solo do mestre!

6) Whitesnake
Live In The Still Of The Night (DVD / CD) : filmado em Londres, em 2004. Sai junto o DVD e o CD, em março - separado, não rola. Quando eu disse que essa turnê era caça-níqueis, me criticaram.

Whitesnake remasters (CD) : tão anunciando há tempos, mas nada certo.

7) Tommy Bolin
Tommy Bolin / Masters Series (CD) : coisas raras, coisas remixadas. É pra trazer novos fãs.

8) Steve Morse
Dixie Dregs Live In Montreux (DVD) : Steve bem novinho, recém-saído da faculdade, tocando no festival de jazz de Montreux em 1978.

9) Glenn Hughes
Glenn Hughes / Studio album (CD) : disco novo e possível retrospectiva na Austrália.

10) Jon Lord
Gemini Suite de estúdio: pela primeira vez em CD, é basicamente Jon Lord e convidados. Yvonne Elliman (a Maria Madalena de Jesus Christ Superstar) canta no lugar do Ian Gillan, uma letra completamente diferente do "how I wish that I wasn't here"

Windows (DVD): Sim, Jon Lord solo, com convidados! Em vídeo! Tudo sai pela Purple Records.

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Glenn Hughes, a poet and a prophet

Da Billboard:

O ex-cantor e baixista do Deep Purple Glenn Hughes está se preparando para gravar seu próximo álbum solo com a ajuda do guitarrista John Frusciante e do baterista Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers. O disco, que ainda não tem título, será gravado em janeiro e deve sair em maio.

'Escrevi mais músicas do que nunca para esse disco', disse Hughes ao site Billboard.com. '(Há) talvez 25 canções no total e 12 vão para o disco. É funk, rock, soul e pop, tudo misturado. Esse, e eu cito o Chad aqui, vai ser o álbum mais variado que já fiz.' "

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Desentendimentos entre gênios

Os amigos devem ter acompanhado a declaração do Blackmore de que ele gostaria de se juntar com o Deep Purple para um show apenas, só para fãs. Pois, em entrevista ao Metalshrine, o Gillan joga areia na idéia (que nunca levei a sério porque sei o tamanho dos desentendimentos internos):

"Eu também li sobre isso, sim. Ele está é sonhando! Por que diabos iríamos fazer alguma coisa com o cara que levou a banda à beira da ruína? É simplesmente ridículo! Passamos os últimos dez anos reconstruindo a reputação, o estilo e a qualidade da nossa música. De jeito nenhum isso vai acontecer!"

É chato. Muito chato.

Na minha opinião, os dois são gênios e respeitam o talento um do outro, embora não se biquem. Quem lê a biografia do Gillan vê isso muito claramente - o que há é um ressentimento por eles não conseguirem trabalhar juntos. Por besteira. O Gillan compara o Deep Purple a um belo prato de comida, onde ele e o Blackmore são o garfo e a faca, cada um puxando para um lado.

No final dos anos 70 (acho que no natal de 79 pra 80), o Blackmore foi à casa do Gillan pra convidá-lo pra cantar no Rainbow. O Gillan disse que estava bem com a Ian Gillan Band e tudo mais. O Blackmore sacudiu a cabeça e disse: "não, não, você está fazendo tudo errado. Você devia estar cantando é nos grandes estádios, em uma grande banda de rock". Isso abriu a cabeça do Gillan pra arriscar o Black Sabbath e depois a volta do Deep Purple.

Já o Blackmore ouviu conselhos semelhantes de todos os caras do Deep Purple, enviesadamente ouviu do Gillan, e o produtor Bruce Payne certa vez se queixou na internet de ter dito o mesmo ao Blackmore e ele não ter ouvido.

Acho legal pra caramba a força que o Homem de Preto está dando pra patroa nessa fase new-age. Ele continua tocando pacas em outro estilo (embora eu não suporte ouvir os vocais de eu-acredito-em-duendes e ver o mestre fantasiado de figurante de Senhor dos Anéis). Mas podia estar muito melhor dando sua experiente contribuição continuada ao rock.

E podia estar melhor ainda se sua geniosidade não tivesse se colocado na frente de sua genialidade, causando tanta briga com os músicos que melhor trabalharam com ele e mais lhe trouxeram glórias em toda sua carreira.

Grandes frases da história do Deep Purple

-- Hello, I'm Ritchie Moreblack!

MICHAEL BRADFORD, o primeiro guitarrista negro do Deep Purple (cobrindo licença do Morse), se apresentando a um produtor de TV

Para desfazer mal-entendidos

Saiu há pouco tempo o DVD que tem o show do Deep Purple em Copenhague, em 1º de março de 1972. É o primeiro lançamento oficial disso que já circulava em vídeo pirata, em mpg e em DVD semipirata de banca. Ao mesmo tempo, saiu lá fora (mais) um DVD que afirma ser de Made in Japan. Atenção: cuidado pra não comprar gato por lebre. O show de Copenhague é o único show do verdadeiro Deep Purple da Era de Prata de que sobraram imagens em vídeo do espetáculo inteiro.

Para desfazer alguns mal-entendidos, observem atentamente a argumentação abaixo:

1) Não havia câmeras apontadas para o palco nem em Osaka e nem em Tóquio em agosto de 1972. Levem em conta a tecnologia disponível na época. Era muito mais complicado (e caro) levar todo um aparato de câmera para o palco há 33 anos. Hoje, até com celular se grava. [CORRIGINDO: HAVIA, SIM. AS IMAGENS MAL ESTÃO SENDO RESGATADAS.]

2) O único show completo gravado em vídeo da Mk2 de que se tem notícia é o gravado em Copenhague, em 1º.mar.1972. Fora isso, existem trechos de aparições na TV e de outros shows (como o da universidade de Hofsfra, em Nova York, que aparece no DVD de Copenhague lançado oficialmente há pouco).

3) Made in Japan é um dos discos ao vivo mais bem-sucedidos de toda a história do rock. Por isso, quando o videocassete se popularizou, passou a ser grande a demanda por um vídeo dele. Na falta disso, alguns espertos pegaram outras gravações em vídeo do Purple (como o show de Copenhague e o Doing Their Thing, de 1970) e espalharam por aí como se fossem "Made in Japan".

4) A versão mais comum é a que dá o nome de "Made in Japan" ao show de Copenhague. Isso porque o setlist é bastante parecido com o de Made in Japan. Mas atenção: o show de Copenhague é o último antes da introdução de "Smoke on the Water" no setlist. Isso aconteceu nove dias depois, em um show na BBC (que está no disco "In Concert 70-72").

5) Ainda não acreditou? Pois veja lá em Highway Star. Se o Gillan começa a brigar com a platéia no meio de uma estrofe ("oy! oy!!!"), é Copenhague. Em um dos shows do Made in Japan ele briga com a platéia também, mas é em Speed King. (Isso está no CD duplo e remasterizado de MiJ.) Parece que o rolo foi ainda mais feio do que o que houve em Copenhague, mas não existem imagens disso pra saber o quanto foi feio. Apenas a palavra do Glover de que houve um qüiproqüó.

5) O show de Copenhague também circula com os nomes de "Machine Head Live" (bastante descritivo) e "Scandinavian Nights" (que é o mesmo nome de um CD com um show de 1970).

6) Fiquem ligados. Esse novo DVD que se anuncia como "Made in Japan" é na verdade uma colagem de músicas do Gillan solo, que já haviam aparecido em outras gravações antes. A entrevista do Blackmore também é coisa velha. Não que Gillan solo seja ruim, mas evitem comprar gato por lebre. Mais ainda: boicotem as picaretagens.

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Bradford substitui Steve Morse

Michael Bradford, que produziu os últimos dois discos do Deep Purple, está substituindo o Steve Morse nas próximas aparições do Purple na televisão, na Europa. Parece que o Steve precisou resolver umas broncas pessoais nos EUA.

Já há dois anos Bradford é informalmente o "sexto Purple". Mesmo sendo apenas substituto, como o foi Randy California em alguns shows dos anos 70, Bradford é o primeiro negro a fazer parte do Deep Purple. Ele aparece ao fundo nesta foto de estúdio publicada em 2002 no site do Glover:



Bradford, que já esteve no palco tocando guitarra nas últimas duas turnês do Purple, é amigo do pessoal do Charlie Brown Júnior (ia produzir um disco deles, não sei se produziu, e os considera "the biggest rock band in Brazil", para nosso desespero) e já tocou com Kid Rock. Nos anos 70, quando teve sua primeira banda, adorava tocar Smoke on the Water.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Lançado California Jam completo em DVD



Sai hoje, mundialmente, o DVD definitivo de California Jam. Além de toda a filmagem que já conhecíamos, há Lay Down, Stay Down e duas músicas com ângulos alternativos de câmera. Quer mais? Tem entrevista com Ian Paice, comentários da época, galeria de imagens, filmagem da banda chegando no histórico Starship One e imagens em super-8 dos bastidores e torre de controle.

É um granicídio que vale a pena.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Satch Boogie

Em entrevista à BBC, Satriani fala sobre seu período no Deep Purple:

Foi difícil, porque todo guitarrista é na verdade muito idiossincrático nessas horas, e embora eu estivesse substituindo o Ritchie Blackmore, meu cérebro dizia: "Peraí, ninguém substitui Ritchie Blackmore!" Eu olhava pra platéia e via os rostos deles, completamente fascinados com a banda, e percebi que eu na verdade era quase como um deles. Eu olhava ao redor do palco e pensava: "meu deus, é o Deep Purple!"

Tinha algumas músicas que o Ritchie tinha preparado tão bem que era um caso de me perguntar por que tocar outra coisa. Mas, com o apoio de fitas ao vivo que a banda me deu, percebi que em outras músicas o Ritchie mudava sua parte tão dramaticamente de noite pra noite que até ele estava procurando a melhor forma de interpretá-las. Por isso, tomei a licença artística de modernizar o material, especialmente o material novo que a banda mal tinha tocado ao vivo. Eles gostaram da minha abordagem, e foram uma banda ótima de trabalhar.

Musicalmente, foi muito satisfatório. O setlist vinha direto do paraíso do classic rock. E a banda era genial. Seu timing era fantástico. Seu tom era fabuloso. Eu não cabia em mim.

Eles me pediram pra entrar na banda, mas eu precisava mesmo pensar. Eu ainda devia gravar discos em meu contrato da época, e seria difícil largar disso e me tornar parte da banda. E, embora eu odeie dizer isso, tinha uma coisa na banda que sempre me bateu como britânica. Eu me sentia um ítalo-americano pegando carona. Então, quando eu somei tudo, embora fosse muito legal, não parecia certo pra mim. Achei que eles precisavam achar alguém que estivesse mesmo a fim de se tornar um membro permanente. Como se viu, eles acabaram chamando um americano (Steve Morse), o que foi ótimo.


Na biografia do Ian Gillan, o mestre lembra do primeiro ensaio do Satriani com o Deep Purple. Ensaiam tudo e no final chega a vez de Smoke on the Water.

-- Você não precisa ensaiar essa música, né, Joe?
-- Como assim? Vamos ensaiar, sim. Cara, quase não acredito que vou tocar Smoke on the Water com o Deep Purple.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Blackmore e Morse em revista alemã



A revista Guitar alemã deste mês tem matérias com o Blackmore e com o Steve Morse. Seria imperdível pra qualquer um que curta Deep Purple... se não estivesse em alemão.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Deep Purple é como os X-Men, diz artista da capa

Ioannis, o autor da capa de Rapture of the Deep, comenta o significado da capa de Machine Head na vida dele:

"Roger Glover, Ian Gillan, Ian Paice, Jon Lord e Ritchie Blackmore eram deuses para mim. Eles eram super-heróis como Conan, Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma e os X-Men dos gibis que eu lia na élica. A misteriosa imagem metálica só acrescentava ao mito."

Saiba tudo aqui.

Blackmore's Night prepara novo disco ao vivo

A Blackmore's Night, do lendário Ritchie Blackmore e sua patroa, está pra lançar mais um disco de estúdio, chamado "The Village Lanterne". Em entrevista à BBC, o genioso gênio manifestou alguma saudade do Deep Purple e deu um bem-humorado conselho para novos músicos.

"Eu até pensaria em fazer um ou dois shows com o Deep Purple, mas os empresários deles não poderiam se envolver. Não seria pra gravar - só para os fãs, por nostalgia."

"É irônico que se leve anos pra poder tocar bem um instrumento e que, mesmo assim, todas as bandas de hoje têm 17 anos e conhecem três acordes. Nós não ouvimos rádio - as bandas em que estamos interessados tocam música por honestidade, não pra aparecer na MTV."

O conselho: "Depois de aprender os primeiros dois acordes, arranje um bom advogado."

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Não fui ao show

Não pude ir, mas pelo que me disseram o setlist foi bem parecido com o do dia 1º. Com a diferença de que começou com Pictures of Home (em vez de Fireball) e terminou com Speed King (em vez de Black Night). E Speed King durou uns 15 minutos, segundo o Bento, do Poeira Zine. Ainda teve uns medleys com músicas dos anos 50.

Eu queria ter estado lá.

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Fotos do show

O Ricardo Zupa botou no ar umas fotos do show. Deliciem-se.

No jornal - 2

No Estadão de hoje, encimado por uma bela foto do Gillan segurando a bandeira do Brasil:

"Há pouco a acrescentar sobre a competência da banda - os brasileiros já a conhecem de cor e salteado, de quatro visitas anteriores, e ela é inequívoca. Steve Morse é um monstro - tudo o que ele não consegue expressar em palavras, já que os diálogos com ele são um tanto elípticos, expressa magnificamente com solos de guitarra (alguns dos melhores que já ocuparam um palco por estas terras).

(...) O vocalista Ian Gillan, vestido como um praticante de tai-chi-chuan, descalço e de calça larga de tecido fino, mantém o carisma, embora a voz já não seja tão potente [mal sabia o autor...]. Levanta os pés alternadamente, fingindo pisar em brasas. Heróico, ele canta sozinho, sem vocais de apoio na maior parte do show. E ainda faz scats junto a Morse, em solos de guitarra inimitáveis.

(...) O fã mais ensimesmado pode pensar: afinal, qual é o combustível que move esses veteranos? Bom, esta reportagem vai tentar uma pista: 8 cervejas alemãs do lado esquerdo do palco. Do lado direito, 4 Heineken, 4 Budweiser e 1 garrafa grande de San Pellegrino. É pouco? Então, vamos ao aquecimento, nos camarins: 2 garrafas de vodca, 1 de Remy Brandy, 2 de Johnnie Walker, 2 de Jack Daniel's, 3 de vinho cabernet sauvignon, 24 garrafas de Beck's, 6 de San Pellegrino, 12 copos e 26 toalhas.

Claro, também havia umas garotas brasileiras felizes dançando lá atrás das coxias. O rock'n'roll envelhece, mas não perde a voracidade."

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Uma noite pra não esquecer jamais

Ian Gillan me mandando email pra prestar satisfações logo pela manhã? Ian Paice me servindo uísque e exorcizando um clone do Blackmore? Steve Morse conversando com o Spigha no meu celular? Roger Glover dizendo que tá velho e precisa dormir no dia de folga? O que é isso? É apenas o dia mais inesquecível da minha vida.

Estava eu conversando com a digníssima no MSN quando vejo lá embaixo um aviso de nova mensagem. Subject: “from ig”. Abri. “Hello Marcelo, Espero que você receba isto a tempo. Infelizmente, estou em uma quarentena, e por mais que eu esteja muito a fim de tomar uma cerveja com você depois do show, minha equipe vai me levar correndo de volta pro hotel no que eu sair do palco.” O mestre teve uma gripe no México, e por motivos de seguro (sério) precisou fazer isso. O pior, pra ele, é que a goela de prata ESTAVA boa e mesmo assim ele precisaria escapar. “Isso me irrita muito, porque eu na verdade não estou me sentindo mal e o show deve estar quente nesta noite”, prometeu ele. E cumpriu.

Saí do trabalho lá pelas 5. Fui ao show com o mestre Fauze Abdalla, vocalista da banda Fireball. Meu nome era o primeiro da lista de convidados VIP. Lá no Credicard Hall, encontramos outros três caras da banda: André Carvalho, André Gonzales (cujo pai, que também estava no show, é um dos mais antigos fãs do Deep Purple no Brasil) e Alexandre Spigha. Também estava por lá o Márcio, um amigo músico que me apresentou a Fireball há uns três ou quatro meses. Logo na entrada, eu e o Abdalla nos mijávamos de rir com um magrão que passou por lá. Tinha a cara e a roupa do Blackmore com uns 40 anos de idade. “Meu, parece aqueles caras que imitam o Michael Jackson!”, disse o Abdalla. Voltaríamos a topar com essa figuraça.

O lugar é longe pra burro - e pra inteligente desmotorizado mais ainda, e olha que estávamos em dois. O estacionamento, pros motorizados, é uma facada. A cerveja é MUITO cara (R$ 5 a latinha). A acústica não é lá essas coisas. A seleção musical pré-show não tem nada a ver. O sem-noção que cuidava da iluminação acendia a luz no intervalo entre as músicas, e por alguma coincidência infeliz o refletor batia bem nos meus olhos. Nada disso, porém, impediu o show de ser simplesmente fabuloso. O setlist foi o mesmo do México.

Ian Paice é o primeiro a entrar no palco. Reverencia a platéia, senta em seu banquinho, pega as baquetas e bota os pigmeus que tem escondidos na manga pra trabalhar: é Fireball começando. O Gillan começa a cantar enquanto vai caminhando pra dentro do palco. Boa parte do público cantando junto, o que pra mim é algo muito tocante. Do meio pro final, alguém joga uma bandeira do Brasil no Gillan. Ele levanta a bandeira e o aplauso é geral.

Todo mundo canta junto Strange Kind of Woman. No final tem um leve duelinho entre o Gillan e o Morse, mas bem amistoso. Logo em seguida, duas do novo disco: Wrong Man (“bela música para um baterista”, comentou o Vitão Bonesso com o Ian Paice) e Kiss Tomorrow Goodbye. A música seguinte, nas palavras do Gillan, foi inspirada em uma ocasião em que alguém tomou uns martinis a mais e ficou andando pra trás, se é que eu entendi direito. Era Demon’s Eye, e boa parte do pessoal cantou junto. O mestre tropeçou um pouco na letra, mas ele pode.

Logo depois, vem Rapture of the Deep, a faixa-título do novo disco, pra fechar o conjunto de músicas novas. Acho que eu ouvi mais gente do que eu e o Abdalla cantando. O riff arabesco agradou ao pessoal. Segundo o Roger Glover, essa foi apenas a quarta vez em que eles tocaram essas músicas novas ao vivo.

Pra descansar a garganta do mestre, nada melhor que um bom intervalo instrumental. Tem Contact Lost? Tem, sim senhor. Tem Well-Dressed Guitar? Tem, sim senhor. Tem solo do Don Airey com direito a citações de Aquarela do Brasil e do tema de Star Wars? Tem, sim senhor. E isso tudo leva a Perfect Strangers, com o Airey afundando os dedos no teclado.

Logo depois, começa Highway Star. Paice batendo na bateria. Glover pega o baixo e vira de frente pro Steve Morse. Um olha pra cara do outro, tocando. Trocam solos fabulosos, mas a coisa parece demorar tempo demais. Distraindo a platéia pra esperar a volta do Gillan? Talvez. Várias vezes, parecia que ia começar mas não começava. Aí o mestre entrou no palco e começou a introdução da música. O Credicard Hall em peso cantando, o que é uma coisa de fazer cair o queixo. “Da estrada (highway) do rock’n’roll, vamos agora direto para o espaço”, anunciou o Gillan. E dê-lhe Space Truckin’. Novamente, ele usou sua prerrogativa de tropeçar na letra. Mas ele, como eu disse, pode.

O primeiro set terminou com Smoke on the Water. Finalmente, o Steve Morse desistiu de fazer aquela brincadeira de citar vários riffs famosos antes de entrar no famoso riff deles. Sem frescura. Todo mundo cantando junto, e tinha neguim ameaçando ter infarto.

O bis começou com Lazy. Ao final da música, Ian avisa que o número seguinte fora descoberto dentro de uma caverna, e lá estava havia 20 mil anos. É Hush, gravada em 1967 por Joe South e no ano seguinte pelo Purple. Ao final, o Paice estraçalha em um solo de bateria. O set fechou com Black Night, em que novamente o mestre faz uso de sua prerrogativa. Ele pode. “Cara, se ele subisse no palco e só dissesse boa noite, eu sairia feliz igual”, disse o Abdalla.

Ao final, fomos ao camarim. Depois de alguma espera, fomos chamados. No caminho, meu celular toca. Engraçado: o toque é Black Night, mas tenho quase certeza de que ouvi Lady Double Dealer. Enfim: estou ficando velho e sem paciência.

Ian Paice nos recebe e pergunta se eu quero beber alguma coisa. “Tá tomando o quê?”, perguntei. “É um suco de laranja com vodca. Mas tem o que você quiser: isto, Coca-Cola, scotch...” Pedi um uísque. O próprio Paice, o cara que há 37 anos castiga bumbos e pratos no Deep Purple, colocou uma pedra de gelo no copo e serviu. “Eu juro que se fosse comigo eu mijava nas calças”, disse o André Gonzales, baterista da Fireball. Tomei até a última gota do uísque e ainda mastiguei o gelo. Assim que o Roger Glover apareceu, ele assinou um desenho dele que eu imprimi a partir do site dele. “Conhece isto?”, perguntei. “Claro que conheço. Era um quarto de hotel onde eu fiquei.” Vai pra parede, claro.

Momento inesquecível: o cover do Blackmore também tinha um passe VIP e entrou lá. Quando ele entra, o Paice olha pra cara dele, dá um grito e faz uma cruz com os dedos. “Pô, o de verdade é assustador assim?”, perguntei. “Pior!!!”, respondeu ele. O Roger não quis desenvolver muito a história do infame jogo de futebol que postei aqui outro dia. Pena. Diz ele que não lembra mais.

Precisava dividir aquele momento com alguém que compreendesse a magnitude daquilo. Tive uma idéia: liguei pro celular do Spigha, que estava do lado de fora esperando. Pra quem não conhece, ele é um baita guitarrista, tem uma banda cover de Steve Morse e a partir dela é que se formou a Fireball. “Cara, güenta aí que assim que o Steve chegar aqui eu passo o celular pra ele”, eu disse. Assim fiz. “Oi, aqui é o Steve. Cara, muito obrigado - o show foi ótimo, tudo por causa de vocês da platéia”, disse o Morse no meu celular, no ouvido do Spigha. Ele só acreditou depois que eu saí de lá e insisti umas três vezes em que era o próprio cara. Era bom demais pra ser verdade, e o pior de tudo é que ERA verdade.

Eu confesso que eu me sentia um babão bobalhão. Eu tinha milhares de coisas pra perguntar a eles. Milhares de coisas pra dizer a eles. Milhares de coisas pra agradecer-lhes. Mas não saía nada. Eu apertava as mãos deles, dizia que é um prazer imenso, e só. Estava me sentindo um mala sem-noção. Completamente sem-noção. Não sabia o que fazer. Caralho, eu sou jornalista. Minha função é fazer perguntas. Sou treinado pra isso. Conheço esses entrevistados como a nenhum outro. Mas ainda assim não saía nada. É exatamente por conhecê-los e admirá-los tanto que eu travei. Não devia. Isso só reforça minha posição de evitar escrever profissionalmente sobre um assunto em que eu esteja tão envolvido.

Quase não tive coragem de apresentar alguma coisa pra eles assinarem. Queria puxar papo sobre alguma coisa legal, mas não saía. Eu de vez em quando imaginava como deviam estar vendo a expressão babona no meu rosto e pensando que só faltava eu me ajoelhar e gritar “I’m not worthy”, como naquela cena do Alice Cooper em “Quanto Mais Idiota Melhor”. Não me senti à vontade pra abraçar nenhum deles (só apertei mãos), e as pilhas da máquina digital que levamos foram confiscadas na entrada. De vez em quando eu lia algum desconforto no rosto deles. Por mais que eles estejam acostumados, imagino que seja um saco receber aquele bando de babões toda noite, em toda cidade de todo lugar do mundo.

De qualquer forma, trouxe o ingresso e o quadro do Glover autografados. Foi uma noite pra nunca mais esquecer. Se eu não sofri um infarto desta vez, nada mais me derruba.

(Atenção: dia 4, no Blackmore Rock Bar, tem show da Fireball. Quem levar o ingresso do show do Purple paga a qualquer hora o preço pago por quem entrar antes das 23h.)

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Deu no jornal

Na Folha (numa entrevista com o duvidoso título "Idoso, Deep Purple se diz contemporâneo"):

"Nossos fãs sabem que há mais de 15 anos não tomcamos músicas como Child in Time. Se tocarmos, a turnê acaba. Cantá-la me manda direto para o hospital e eu passaria meses falando com a voz completamente rouca. Desde muito novo eu não podia nem falar depois de cantá-la, hoje eu não tenho mais idade mesmo. A banda ainda é contemporânea e tentamos balancear tudo o que fizemos ao longo do tempo."

"Claro que eu gosto muito (de cantar Smoke on the Water), senão não estaríamos tocando. Mas digo que, se fossem apenas essas músicas, eu já teria largado esse emprego há muito tempo. A principal razão de ser prazeroso tocar as clássicas é o fato de haver as novas. Se não fosse assim, estaríamos falando de cabaré do rock and roll, e isso não me interessa."


No Estadão ("Gillan, a voz sessentona do Purple"):

"Passamos muito tempo juntos em ônibus de turnês, em quartos de hotéis, e ao mesmo tempo nossa amizade só cresce. É curioso: esses caras têm senso de humor, temos idéias políticas e sociais parecidas, temos divergências esportivas e artísticas e, no entanto, nada é mais forte do que a nossa amizade. É cada vez mais forte e feliz. Posso dizer uma coisa a você: é uma família, mais do que uma banda."

"(A música MTV) trata-se de uma completa piada, algo divertido para alfinetar o radicalismo de algumas pessoas e um certo jeito de pensar. Mas é muito mais para exaltar o trabalho heróico das rádios de classic rock, as únicas que tocam nossa música."

Autógrafos amanhã

Da Folha Online:

Os músicos do Deep Purple vão participar de uma sessão de autógrafos nesta quarta-feira (2), das 13h às 14h, na loja da Saraiva no shopping Ibirapuera, em São Paulo.

Serão distribuídas 150 senhas, sendo que cada pessoa poderá autografar apenas um CD, para permitir que os demais fãs também cheguem perto dos ídolos.

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Setlist mexicano

Ontem, no México:

1 Fireball
2 Strange Kind of Woman
3 Wrong man
4 Kiss Tomorrow goodbye
5 Demon´s eye
6 Rapture of the deep
7 Contact lost (incluye partes de somebody stole my guitar)
8 Don Airey solo (jarabe tapatio, star wars, 2001 space odissey)
9 Perfect Strangers
10 Intro- Highway star
11 Space Trucking
12 Smoke

Encore

13 Lazy
14 Hush (incluye solo de Ian Paice)
15 Black nite (incluye solo de Roger Glover)

And the Address

Nick Simper, o primeiro baixista do Deep Purple, abriu seu próprio site. Deleitem-se!

sábado, 22 de outubro de 2005

Meu time de futebol favorito

Eu sempre disse que acompanho o Deep Purple com o mesmo interesse com que qualquer outro marmanjo acompanha seu time de futebol favorito. Mas esta é a do ano. Na revista Flashback que está nas bancas (com o DVD dos Trapalhões e capa sobre videogames), página 52, está uma das maiores pérolas purpleanas que eu já vi. Rivaliza com a foto do Ian Gillan recebendo o George Harrison com uma meia no pinto, e fica pau a pau com o clipe de Call of the Wild.

É simplesmente uma foto de Ritchie Blackmore, Roger Glover e um grandão bigodudo que eu tenho dúvidas sobre se é o Jon Lord, mais alguns caras, todos com camisetas do Grêmio pra jogar em São Paulo. Isso na turnê de 1991, em que o Turner ("coitado, tem menos voz que a Xuxa", nas sábias palavras de André Forastieri) fez fiasco e o Blackmore bancou a maior prima-donna no palco.


Eu sempre ouvi falar nessa foto. Nunca tinha visto, então achava que non eczistia. Primeiro, porque eu sou colorado - ainda que não praticante. Depois, porque em Porto Alegre, terra do time, eu vi de longe o genioso gênio entrando no Gigantinho pra passar som, e ele não usava camiseta do Grêmio (no Celeiro de Ases, também, seria temerário). Ainda assim, eu tinha dúvidas: no encarte do vinil de Slaves & Masters, o disco que eles estavam promovendo com a turnê, além do instrumento ainda era informada a posição em que cada um deles jogava. Pois.

Além de publicar a foto, o jornalista André Barcinski conta a história do insólito encontro e bate o martelo:

"Ritchie Blackmore é uma das pessoas mais intratáveis e antipáticas que já conheci. (...) [No jogo,] Blackmore comportou-se como uma mistura de Hitler e Eurico Miranda - escolheu os times, as posições de cada um e o lado do campo. (...) Nesse jogo, aconteceu uma coisa inédita no futebol: quando o zagueiro do time adversário deu uma entrada maldosa em Blackmore, foi aplaudido - pelo próprio time de Blackmore!"

Vale a pena desembolsar uns caraminguás pra ler a história na íntegra. Por R$ 29,90 (eu sei, é salgado), o cidadão ainda leva um DVD com os melhores momentos dos Trapalhões. Eu não tenho DVD, então dei uma chorada e paguei R$ 14,95 só pela revista.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

It's Alright - you're safe in my hands

Mestre Ian Gillan deu ontem uma entrevista na rádio 5 da BBC, apresentando trechos de Rapture of the Deep. Ela pode ser ouvida online, clicando nesse link.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Improvisando no palco

Fala Glover:

"Às vezes, um dado solo será de um certo tamanho, e o improviso será daquele tamanho; outras vezes, ele é aberto, e o sinal geralmente vem do solista. Não temos líder no palco, e sempre que há algum erro, ou o que chamamos de colisão de trem, há vários olhares desesperados no palco. Nessas ocasiões, geralmente cabe a mim ou ao Paicey ajeitar a banda.

A gente não costuma ensaiar muito, quanto menos melhor. Colocar na fita o que rola na sua cabeça é um dos grandes mistérios do universo. O melhor conselho que posso dar é não ter um resultado pré-determinado em mente, ou senão você acaba lutando batalhas demais. Esteja aberto ao momento e desfrute dos acidentes e da espontaneidade. Em outras palavras, use o coração e não a cabeça."

sábado, 15 de outubro de 2005

Poetinha superstar

Em 1970, Ian Gillan gravou os vocais de Jesus Cristo no disco conceitual "Jesus Christ Superstar", de Andrew Lloyd Weber, que viraria peça logo a seguir e filme em 1974. Dois anos depois da gravação da obra original, Vinicius de Moraes seria chamado para traduzir as letras para o português. Quer ouvir? Clica aqui. E acompanha as letras assim.

A primeira vez em que ouvi foi numa fita emprestada pela professora responsável pela biblioteca do colégio onde eu estudava no segundo grau. Ela tinha visto a peça na Broadway nos anos 70 e comprado a fita na saída. Aí começamos a comentar sobre a voz do sujeito e coisa e tal... e no fim acabei emprestando uma fita do Deep Purple pra professora (que não conhecia, mas pra minha surpresa até gostou). Era muito legal, porque a gente tinha altos papos sobre literatura - foi sentado em frente à mesa da professora que eu comecei também a ouvir jazz.

Ao gravar a versão original das letras, Ian bolou a forma de cantar ao lado do piano, com Andrew Lloyd Weber e Tim Rice. Mas ficou todo encucado. "Meu único problema era Jesus Cristo. Tendo sido criado como cristão, mas (na época) tendo sido confirmado no paganismo, fiquei intrigado com a ética da coisa. Tim resolveu o problema me dizendo como ver Cristo... não como um ícone religioso, mas como uma figura histórica... e funcionou muito bem."

Acompanhem com atenção as letras originais de JCS. São muito legais. Críticas, mas sem afronta. Modernas, mas mantendo trechos tirados direto da Bíblia. Por mais que eu seja agnóstico, ESSA interpretação de Jesus Cristo é a que eu admiro. O José Saramago fez algo semelhante em "O Evangelho Segundo Jesus Cristo". Em ambas as histórias, de certa forma, o herói não é o personagem-título, e sim o Judas.

Uma das grandes virtudes que eu sempre achei nas letras de JCS foi a mistura de passagens literais da bíblia - ou pelo menos com um tom e vocabulário solenes o suficiente para terem vindo de lá - com gírias de hippie ("Take this cup away from me/for I don't want to take its poison/ (...) You're far too keen on where and how but not so hot on why"). O Poetinha mantém a métrica perfeita, mas pra isso abusa da gíria.

Vinicius nessa fase era um ripongo velho e safado. A tradução de JCS chegou a ser encenada em teatros paulistas em 1972, com orquestra e tudo mais. A gravação estava perdida (sequer se sabe se chegou a ser lançada comercialmente na época), até que as masters foram encontradas nos porões da gravadora Universal, há quatro anos, e relançadas numa caixa caríssima. Ficaram perdidos no tempo os nomes dos instrumentistas e cantores.

"Heaven on their Minds", o belíssimo petardo com que Judas abre o disco criticando a postura do personagem-título, virou "Céu na Cuca" na tradução do Vinicius. O poetinha toma liberdades tipo dizer "você deu uma de Cristo". No duelo entre os dois personagens principais, ele tascou um "Vai, imbecil! Engrena e vai. Chega de papo! Você já encheu, vai!". (Sim. É a hora em que o Gillan dá seu maior agudo no original.)

Tomei a liberdade de comparar uma estrofe, frase por frase, no original, na tradução do Vinicius e em uma tradução minha (sem métrica e sem rima, mas mais fiel ao original). Vejam só:

a) Listen Jesus I don't like what I see
b) Eu não estou gostando disto, Jesus
c) Olha, Jesus, não estou gostando do que vejo

a) All I ask is that you listen to me
b) Você deu uma de Cristo, Jesus
c) Tudo que eu peço é que você me escute

a) Please remember - I've been your right hand man all along
b) Nem se lembra eu era bom pra tudo, Jesus.
c) Por favor, lembre - eu fui seu braço direito o tempo todo

a) You have set them all on fire
b) Estão todos com a mania
c) Você acendeu o fogo de todos eles

a) They think they've found the new messiah
b) De que você é o Messias
c) Eles acham que descobriram o novo messias

a) And they'll hurt you when they find they're wrong
b) Em que fria você se meteu...
c) E vão feri-lo quando descobrirem que erraram


ERRATA: Foi Carlos Drummond de Andrade quem traduziu as letras do Álbum Branco. A tradução pode ser conferida aqui. Salve mestre Rui Goiaba.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Prêmio Classic Album

Dia 4 deste mês, o Deep Purple ganhou da revista inglesa Classic Rock o prêmio "Classic Album", por "In Rock". Neste mês, a revista traz uma matéria com os bastidores da gravação do disco. Vou começar a bater nas bancas da Paulista desde agora. Os sites de revistas inglesas são uma bosta.

A foto abaixo mostra os meliantes no local do crime. Estava com saudade do moço da esquerda.



Mais algumas:

1) Os mestres fizeram ontem à noite um show secreto de uma hora e cinco minutos no Hard Rock Café de Londres. Poucas centenas de sortudos assistiram. A novidade no setlist é "Kiss Tomorrow Goodbye". As outras duas músicas do disco novo, "Wrong Man" e "Rapture of the Deep", já estavam no setlist desde o começo de setembro. Este o setlist inteiro:

Fireball
I've Got Your Number
Strange Kind Of Woman
Kiss Tomorrow Goodbye
Rapture Of The Deep
Wrong Man
Lazy
Perfect Strangers
Highway Star
Smoke On The Water


2) Nesta quinta, na rádio 2 da BBC, o Gillan vai apresentar trechos do "Gillan's Inn", o disco que celebra seus 40 anos de carreira com a participação especial de vários amigos, no programa "Masters of Rock". O programa é apresentado pelo Bruce Dickinson, que é um fã do Gillan ("I wanted to scream like a Banshee..."). Deve ir ao ar nesta quinta, às 9 da noite inglesas ou meia-noite brasileira. Quer ouvir pela internet? O link é este.

3) Na notícia do Blabbermouth, também ficamos sabendo que o disco que comemora a carreira do Gillan só sai lá por fevereiro do ano que vem. Antes disso, porém, o Purpendicular deve ter uma cópia (cortesia do mestre).

4) O DVD Live In Concert 72/73, que tem o show de Copenhagen e o de Hofsfra e que foi resenhado na Playboy deste mês, já é disco de ouro na Austrália. Bom, né? Saiu uma notinha sobre ele também na VIP.

5) O Jon Lord está gravando um disco de Natal com a cantora pop norueguesa Maria Arredondo. Sai no final de novembro.

6) A patroa do Blackmore faz uma participação especial em uma balada do próximo CD do Helloween.

DIA DE JOHN PEEL

Dia 13, quinta-feira, o mesmo dia em que o Gillan vai dar entrevista, a BBC vai comemorar o primeiro "Dia de John Peel". Pra quem não sabe, Peel foi o cara na BBC que "descobriu" o Deep Purple. Foi o primeiro a chamá-los ao ar. A emissora botou um baita de um site no ar, homenageando boa parte do que ele fez na carreira.

Entre os recursos do site, já encontrei o programa de duas "Peel Sessions" com o Deep Purple: 18/jun/1968 (a primeira aparição da banda no rádio, com Hush, One More Rainy Day e Help) e 14/jan/1969 (Hey Joe, Hey Bop a Roo Bop, Emmaretta e Wring That Neck). Todas essas músicas já saíram oficialmente no Brasil, nos remasters dos três primeiros discos do Purple e no especialíssimo "Deep Purple - The Early Years".

Também tem uma página especial sobre o Deep Purple, onde fico sabendo que Child in Time esteve entre as mais tocadas de 1976.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

O êxtase das profundidades

O site da Edel colocou no ar uma entrevista com os mestres Gillan e Glover sobre o disco. Algumas pérolas:

1) Gillan fala sobre o título do disco, "Rapture of the Deep" (algo como "êxtase das profundidades")

"É uma expressão criada pelo Jacques Cousteau pra definir o estado confuso em que um mergulhador fica quando desce três atmosferas, o que dá uns 30 metros. Você passa por um sentimento de euforia; dá um efeito fisiológico estranho na sua mente e na sua função mecânica. É um pouco como estar bêbado ou chapado - não que eu já tenha estado assim, claro (risos).

Um fã mandou uma foto: num vilarejo inglês tinha um lago e tinha uma placa dizendo 'Danger - Deep Water' (cuidado - águas profundas) e alguém tinha riscado o 'water' e escrito 'Purple' no lugar. E isso ficou na cabeça da gente, e a expressão 'Rapture of the Deep' descreve muito bem o que eu estava pensando na época: se você está numa condição dessas, começa a pensar nas coisas de um jeito diferente. E tem um grande conteúdo espiritual subjacente às letras de quatro ou cinco músicas, certamente. Não se deve levar literalmente - é uma imagem com palavras."


2) Gillan sobre as rádios de classic rock:

"(A música 'MTV') é na verdade sobre as rádios de classic rock. Cheguei à conclus"ao de que mais acidentes de trânsito são causados por essas rádios do que por dirigir bêbado - porque o pessoal dorme no volante de tanta chatice, porque elas tocam as mesmas músicas antigas o tempo inteiro! E tem outra história por trás dela: o Roger estava dando uma entrevista pra uma rádio de Nova York, durante meia hora, e ele queria falar sobre o disco Bananas, mas as meninas queriam saber coisas velhas e históricas do rock, e no fim da entrevista ela disse: 'Boa sorte com o novo disco, e muito obrigado por ter vindo. E agora, um pouco de Deep Purple, yeah! Smoke on the Water!' - e não tocaram o disco novo. Acho que é uma atitude muito saudável desrespeitar essas coisas e tirar um pouco de sarro delas."

3) A versão do Glover:

"Tradicionalmente, não somos muito bons em escolher singles. Sempre fazemos a escolha errada. (...) De qualquer forma, obviamente nunca tocam nada nosso no rádio, exceto nas estações de classic rock nos Estados Unidos, onde de qualquer jeito só tocam Smoke on the Water. Então, tocar no rádio não é prioridade pra gente - fazer músicas que signifiquem algo para nós é uma prioridade, músicas que ficarão bem ao vivo."

4) Gillan sobre Money Talks:

"Isto se baseia no princípio, acho, de que o dinheiro como moeda corrente é uma ferramenta essencial na civilização. Entretanto, quando o dinheiro se torna uma commodity, ele ganha uma complexidade muito chata. Se as pessoas estão apenas interessadas em usar o dinheiro pra ganhar mais dinheiro, alguém acaba pagando por isso! Então, quando se fala nisso, fala-se sobre corrupção. Quer dizer, não tem nada errado em ganhar dinheiro, não tem nada errado em curtir a vida, mas eu sou contra a ganância e a corrupção que surge quando só se quer acumular riquezas às custas de outras pessoas, e por isso há referências aí sobre ter mais comida no prato do que o necessário e não se preocupar, porque tem guardas na porta. O dinheiro sempre volta pro dinheiro, dinheiro faz dinheiro e cochicha no meu ouvido, ri da minha cara - isso corrompe!"

5) Gillan compara com Bananas:

"Adoro o Bananas. Ele tocou mais do que qualquer outro disco do Deep Purple na história da minha casa e dos meus amigos! Mas foi outra transição, porque foi o primeiro disco feito com Don Airey, e acho que na época a gente o considerava mais como o cara que veio no lugar do Lord. E eu acho que neste novo disco ele pega muito mais forte. Ele deu uma grande contribuição no Bananas, mas acho que sua personalidade emergiu ao longo dos últimos dois anos na estrada, e consequentemente teve o efeito de levantar os outros caras na banda. Isso criou aquele maravilhoso equilíbrio entre o órgão do Airey e a guitarra do Steve Morse. Talvez o disco anterior favorecesse mais a guitarra - este está mais balanceado, acho."

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Ouça trechos do novo disco

Eu sei que tem muita gente boa querendo ouvir o Rapture of the Deep. A Edel Records, gravadora do Deep Purple, botou no ar versões em real audio de todas as músicas. Inteiras e pedacinhos.

Boa audição!

terça-feira, 4 de outubro de 2005

As letras de Rapture of the Deep

O The Highway Star botou no ar as letras do Rapture of the Deep. Tem pérolas assim:

Money goes to money
Yes it always returns
Finds its way back to the big house
Where it lives all alone
Wraithlike silent partners
Operators of the system
Give words of quiet assurance
To an otherwise healthy victim
- Money Talks

It wasn't meant that way
I was only having fun
She looked me in the eye
But the damage was done
I got the vague impression
She was under my thumb
I looked the other way
And I had to succumb
- Girls Like That

I plead not guilty to the charges you've laid out on your desk
I know what you're thinking "Oh yes - this is a DSF"
I think I'm prime ministerial material but I can't lie to you
- Wrong Man

We're all the same but then again we're all quite different in our own peculiar ways
We've come so far and now we're going through another phase
But it's alright
We made it so far
- Rapture of the Deep

How many words we waste
To justify a crime
Compare it to an act of love
That really takes no time
Why not take a moment
Of your time
Inside your mind
- Clearly Quite Absurd

You always sleep with a smile on your face
Much as I want to put myself in your place
Not my business I've got dreams of my own
I try to recall but when I wake up it's gone
- Don't Let Go

I read in the news that the average man
Is uplifted five times a day
I'm confused, I have to confess
My feeling never goes away
I know it's right:
They asked the average man
In a survey across the nation
I can't understand how the average man
Keeps losing his concentration
- Back to Back

Yes I piss in the water and burn down trees
I watch as the creatures fall to their knees
They ain't got a clue as disaster looms
They're too busy choking on toxic fumes
They got no hope and there's no point running
No matter what they do I keep on coming
- Kiss Tomorrow Goodbye

I was driving through the night
Into an endless tunnel of fog
When it dawned upon me something was wrong
Was in a trance, hypnotised, bored beyond belief
I was listening to the same old song
I know every lick, every word, every nuance
I’m on first name terms with the crew
But I’d better get used to this tout du jour
Sure as hell they won’t play anything new

(...)Let’s not talk about MTV
I don’t even want to start
I want to take a look at classic rock radio
We’re talking about the state of the art
- MTV

Mangy old dog scratching in the dust
Burned out Mercedes surrendering to rust
All this stuff was good for something
But here it is now, good for nothing
- Junkyard Blues

For the first precious few it's time to go
What might have been we'll never know
All those bad ideas became the law
Oh yes, we've forgotten what we're looking for
All of you angels it's time to gather your wings
Leave it all behind you won't need any of those things
We're going on through the darkness hand in hand
To step into the future
Before time began
- Before Time Began

sábado, 1 de outubro de 2005

Rapture of the Deep - A Resenha

Finalmente, depois de uma semana ouvindo o disco, sai a resenha do Rapture of the Deep nesta revista eletrônica.

Nas primeiras 24 horas, ouvi o disco meia dúzia de vezes, geralmente sem muito método (trabalhando, tomando banho, comendo, lendo jornal). Esperei mais uns dias pra ouvir de novo, sem os ouvidos estarem viciados. Passei dois dias sem ouvir, depois ouvi uma vez ontem e uma hoje, antes de voltar à resenha.

A primeira ouvida é curiosa. A segunda levanta uma sobrancelha. Na terceira, o fã-nático já se empolgou. De ponta a ponta, é impossível não reconhecer o Deep Purple.

Ian Gillan está cada dia mais Gillan. As letras são ótimas, a voz é muito mais clara do que em The Battle Rages On, por exemplo, e ele até arrisca mais gritos que nos últimos três discos (praticamente em todas as músicas). O baixo do Glover aparece bem e faz toda diferença. Ian Paice não faz o rolo compressor com que estamos acostumados, mas ouça com carinho o feeling da bateria. Don Airey está cada dia mais Jon Lord - e ele mesmo disse que anda brincando mais com o Hammond e estudando o estilo do aposentado mestre. E Steve Morse brilha principalmente na composição como um todo. Desta vez, ele parece estar pegando melhor o jeito de bolar riffs eficientíssimos. Eles só precisam ser mais curtos pra grudarem melhor na cabeça.

Enquanto Bananas começava com um chute na porta (“House of Pain”), este começa com um teclado climático pra só depois de alguns segundos entrar com um riff poderoso de guitarra e baixo (“Money Talks”). Até derruba a porta, mas dá a impressão de ter virado a chave na fechadura antes de chutar. De resto, belo riff, embora meio comprido. Belas pontes, que lembram bastante o clima de coisas do disco Perfect Strangers. A produção está bastante interessante. Tem silêncios densos ao fundo da guitarra/baixo/bateria, especialmente no começo, que lembram MUITO o clima de discos gravados nos anos 70. Destaque absoluto para o dueto do Gillan consigo próprio na ponte - um canta, o outro declama. Poucas vezes ouvi o Gillan tão senhor das entonações de sua voz.

A segunda faixa, “Girls Like That”, começa com uma guitarra que lembra “Summer Song”, do Satriani (que também já foi guitarrista do Deep Purple), sobre uma base de teclado, depois entram devagarinho Paice, Glover e o Hammond do Airey. Aí entra um riff muito purpleano: baixo, guitarra e teclado em uníssono. Preste atenção na malandragem toda do Glover ao fundo enquanto o Gillan canta as estrofes. No solo de teclado, eu fecho os olhos e enxergo um rabinho de cavalo branco na nuca do Airey. Acho que o Morse canta o refrão com o Gillan (parece a mesma voz que canta junto o rap de “Doing It Tonight” no disco anterior).

”Wrong Man” andou sendo tocada na Alemanha, no início do mês. Provavelmente eles a tocarão aqui também. Riff pesadão, chuta a porta, pega legal na espinha, embora seja meio comum. O pano de fundo instrumental do refrão lembra muito o clima de The Battle Rages On. O truque do Steve Morse de esmerilhar as cordas durante o solo é meio manjado, mas ele segura legal o solo. Não acho ruim, gosto - da primeira vez em que ouvi um disco do Purple com ele, arregalei os olhos quando ele fez isso. Mas o Morse é um guitarrista bom demais pra repetir tanto um truque a ponto de ele ficar manjado.

A faixa-título do álbum, “Rapture of the Deep” tem um baixa climão, e nela os mestres mostram tudo o que sabem fazer. Começa com um dueto de guitarra e teclado que lembra muito coisas árabes. Isso se repete por várias vezes ao longo da música. O Don Airey afunda os dedos nas brancas e pretas o tempo inteiro, dando um climão solene à música, tipo “Perfect Strangers”. Sim, o Gillan repete a brincadeira dos últimos dois discos de cantar algo parecido com rap em uma passagem da música, e o Morse repete o truque do solo mais uma vez. A música cresce, fica cada vez mais e mais intensa. Isso ao vivo - e VAI tocar ao vivo - vai ser de ver um marmanjo crescido, gordo e de óculos amassar as pontas do blazer e ranger os dentes, de olhos arregalados. Dá muita margem a solos. E ouve só o Gillan cantando a arabice junto com o teclado e a guitarra, logo antes do solo do Morse.

”Clearly Quite Absurd” é uma baladinha. O título é completamente Gillan (e quem lê o que ele escreve no site dele sabe do que estou falando). Já compararam a guitarrinha que abre essa música com o tema de “Sometimes I Feel Like Screaming”. Parece um pouco. Não muito. Não sou muito fã de baladinhas pop. Acabei entrando numa polêmica sobre essa música, na internet. Tem quem ache que é a melhor balada que o Deep Purple já fez. Eu acho dispensável e fiquei até tentado a comparar com “Love Conquers All”, do infame Slaves & Masters. Tudo por causa dos efeitos que lembram arranjos de cordas ao fundo. Mas achei interessante um efeito que dá um “eco” aos sibilos da voz do Gillan. Parece até que é outra letra por trás. Prato cheio para os teóricos da conspiração.

Se você terminou a música anterior meio deprê, não esquente. ”Don’t Let Go” te faz abrir um sorriso. A voz do Gillan está claríssima, é um passeio pra ele. Há sete anos, quando resenhei Abandon pra uma disciplina da faculdade, escrevi que a gente ouve a guitarra do Morse sorrindo quando ele toca. É exatamente essa a impressão que dá. Puxa um pouco pro lado do blues, mas o Glover garante o peso. O Morse não repete aquele truque. Airey, ao fundo, segura que é uma beleza - mas ele sobressai mesmo é quando liga o piano elétrico pra fazer um solo. Gosto pra caramba desse efeito. Isso é música pra pôr o povo pra dançar na platéia. Será que incluem no setlist?

”Back to Back” já começa com o Ian Paice mandando muito bem com a força que tem. Logo depois, Glover, Morse e Airey criam um climão pesado e suingado. Gostei pra caramba. O riff lembra um pouco coisas dos últimos três discos - é puro Deep Purple fase Steve Morse. No solo, o guitarrista faz aquilo de novo. Mas manda muito bem. Mas deixa o Airey entrar pra tu veres que legal. Fica quase cósmica a coisa, parece que é um theremin. No começo parece que é o Gillan uivando, mas são os dedos do Airey. Sensacional.

A música seguinte, ”Kiss Tomorrow Goodbye”, é peso puro. A abertura com a bateria parece que baixou o santo no Paice. Sério. E o caboclo fica no corpo do cara pela música inteira. O riff inspira. Gillan com a voz claríssima. O primeiro solo de teclado lembra um pouco algumas coisas de Bananas. Mas depois o Airey detona, com a malandragem do Glover ao fundo. O solo do Morse não repete “aquele” truque, mas você já ouviu esse solo antes em outros discos.

Por sorte, a cópia que eu consegui tinha a faixa “MTV”, que eu estava doido pra ouvir. Esta eu ouvi três vezes pra resenha. O ritmo da música já faz neguim abrir um sorriso. A letra tira um sarrinho das rádios de classic rock, que até têm música de verdade, mas repetem sempre as mesmas coisas. Tem uma hora em que o Gillan imita (até no tom da voz) os coleguinhas burróides que o entrevistam como se fosse apenas um roqueiro velho que vive de glórias passadas e esqueceu de se aposentar. O começo do solo do Morse me lembra o riff de “Anya”. Depois lembra um pouco alguns solos de Abandon, antes de ele fazer aquilo de novo. O Airey manda muito bem no solo.

”Junkyard Blues” não é um blues. Nem lembra. É peso. Coisa muito boa. Mas muito boa mesmo. O Morse brilha no fundo das estrofes. Don Airey manda muito bem no piano elétrico, e começa ainda enquanto o Morse faz aquilo de novo no solo.

Tal como em Bananas, a última música é pra deixar o cidadão pensando. ”Before Time Began” é sobre a cegueira da fé: “every day of my life I discover/ someone murdering my sisters and brothers/ in the name of one god or another”. A composição inteira é de arrepiar a espinha, e nem precisa ser agnóstico pra isso. Já disseram que essa música tem um clima “épico”. Tem.

Disneylândia purpleana

Por obra e graça do mestre Abdalla, fui parar no início da noite de sexta em uma loja de discos numa galeria da 7 de abril, em São Paulo. Chama-se Mafer Records. É uma disneylândia purpleana: eles têm pilhas de vinis raros do Purple, importados de toda parte do mundo. Pior: muitos autografados. Pior: tem Episode Six assinado pelo Gillan e pelo Glover, Artwoods assinado pelo Lord, um vinil raro de Gemini Suite com a Yvonne Elliman nos vocais, uma pilha imensa de Gillan e Gillan Band e singles do Purple, Gillan, Rainbow e Jon Lord solo. Se eu fosse comprar tudo que me deu vontade, teria morrido em mais de mil reais. Por sorte, não tenho como tocar vinis em casa, porque senão teria comprado alguma coisa de R$ 30 ou R$ 40.

Conta o meu xará dono da loja que o tio dele costumava ser o maior colecionador de Deep Purple no Brasil. Largou de mão há alguns anos, depois de casado, com filhos, essa coisa toda. Conhece os caras do verdadeiro Deep Purple da era de prata pessoalmente, já pegou autógrafo de todos eles uma carrada de vezes em discos brasileiros, americanos, ingleses, japoneses, russos e outros.

Juro: desde que substituí meus vinis pelos CDs comemorativos de In Rock, Fireball, Machine Head e Who Do We Think We Are na Galeria do Rock, em 2001, nunca me senti tão propenso ao granicídio. Por sorte, eu não tinha nem dinheiro e nem onde tocar os vinis.

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Raridades do Blackmore pré-Purple

Quando o Homem de Preto era apenas um jovem clone do Mr. Bean, ele gravava rocks sensacionais, estilo anos 50, com várias bandas diferentes. Em novembro, sai lá fora um disco duplo com várias faixas gravadas pelo Blackmore nos anos 60. Tem uma palinha no site da DPAS. Minha favorita dessas que estão lá: "Satan's Holiday". No disco, as sessões vão de 1963 a 1970, terminando com "Green Bullfrog" (gravada com o Ian Paice nos intervalos de Fireball).

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Glover descreve os colegas

"Ian Gillan é um pouco mais alto que eu, Don Airey tem muita informação que pouca gente conhece, Ian Paice gosta de comida, Steve Morse é um expert em pizza, Ritchie Blackmore costumava jogar dardos, Jon Lord nunca jogou dardos, David Coverdale usava óculos quando entrou pra banda, Glenn Hughes hoje usa óculos às vezes, Joe Lynn Turner é de Nova Jérsei, Joe Satriani gosta de macarrão, Tommy Bolin sempre pintava o cabelo."

Em seu site, em resposta a uma fã de 13 anos que prometeu "ficar esperando feito uma gatinha". Esperou dois anos, hoje tem 15.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Já ouvi o Rapture

Já ouvi umas 15 vezes o novo disco do Purple. Falta muito pouco pra eu terminar uma longa resenha pro Purpendicular. Até amanhã deve estar no ar. Não percam!

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Alguns trechos disponíveis

A dica é da Geisa: alguns trechos de boa parte das faixas de Rapture of the Deep já estão disponíveis neste site. Preciso ouvir melhor pra definir o que eu acho do que ouvi. Mas algumas letras já me abriram sorrisos.

Turnê anunciada

O Deep Purple anunciou as datas de sua turnê pelo Brasil: 1 e 2 de novembro no Credicard Hall, em São Paulo; 4 de novembro no Claro Hall, no Rio.

Deve ser uma facada, mas eu não perco.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Resenha do show do Whitesnake

O meu grande amigo Ulisses Santos fez no Orkut esta resenha do show do Whitesnake em Porto Alegre:

Eu esperei 20 longos anos por este show...este foi o set list:
BURN(no meio Stormbringer)
Slow and Easy
Is This Love?
Here I Go Again
Love ain't no Stranger
Give me all your love tonight
Crying in the rain
Still of the night

Ah...cabiam mais duas músicas...mas a gente viu um solo de bateria (pra que?) e um número instrumental ( para as guitarras? pra que?)

Acho que num show de uma hora..não cabe um solo de bateria...

mas..fica a esperança da banda retornar ano que vem como principal...
Fazia tempo da última vez que fui num show em que eu sabia todas as músicas..

Esperei 20 anos...e valeu MUITO A PENA!

P.S.: camisetas da turnê, 40 pilas... tem vários modelos...
na rua 20 conto...

bandana 5 pilas...

faixa 1 pila.

Eu comprei a camiseta do Whitesnake por 40 e duas faixas...

Aproveitem...
o show vale a pena...

Abraços...

Ah...e é uma hora mesmo...CRAVADA!

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Elo perdido

Achei o elo perdido entre o Deep Purple e o Miles Davis. Chama-se Billy Cobham, o baterista de jazz que vem ao Brasil no próximo ano.

Cobham tocou com Davis nos discos "A Tribute to Jack Johnson" e "Bitches Brew", no início da fase "fusion" do trumpetista. Pouco tempo depois, chamou um certo Tommy Bolin pra tocar em seu primeiro LP solo, "Spectrum".

domingo, 11 de setembro de 2005

Let's not talk about MTV

Do blog do THS:

“Mr. Grover, Mr. Gillian oh you must have made a million on the night that Frank Zappa caught on fire”

O trecho é da música MTV, que só sai na edição limitada européia de Rapture of the Deep. É uma crítica à desinformação dos jornalistas que cobrem música (a quem o próprio Frank Zappa certa vez definiu como "gente que não sabe escrever entrevistando gente que não sabe falar para gente que não sabe ler").

Acabei de encomendar a edição européia. Não dá pra viver sem isso.

Que tal as capas do Purple?

Ainda não vi ninguém que tenha gostado da capa de Rapture of the Deep. Ainda não escrevi pro Glover, que foi quem teve a idéia. Mas o Deep Purple sempre foi uma banda em que o som vale mais do que a imagem. Alguns exemplos de capas desse tipo:

Abandon - eu acho até bonita essa capa, mas o disco já foi acusado por fanáticos religiosos de induzir ao suicídio. Por não ser à prova de idiotas, vem pra lista.



The Battle Rages On - aos 16 anos, quando saiu o disco, eu quase tatuei isso no braço. Por sorte, eu tive bom senso.



Slaves and Masters - ok, a capa é até estilosa, o ranço é muito por causa do som. Mas desde os 14 anos tenho pesadelos ao enxergar o Fernando Collor estilizado naquela bola de cristal.



Who Do We Think We Are - sentado na calçada, de canudo e canequinha, tublét-tublin... eu vi uma bonequinha, tublét-tublin... fazendo uma bolinha, tublét-tublin... bolinha de sabão, tublét-tublin, bolinha de sabão, tublét-tublin...



Burn - sim, até eu quero comprar essas velas. Mas é bizarro, concordam?

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Copenhagen 72 já no Brasil

Segundo o Mauro Ferreira, já saiu no Brasil o DVD oficial que tem o show em Copenhagen de 1.mar.1972 e o da Universidade de Hofsfra, em 1973. Coisa fina.

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Os vampiros de Dusseldorf

Segundo o Deep-Purple.net, começaram a rolar nos dias 2 e 3 as primeiras músicas do novo disco nos shows do Purple: Wrong Man e Rapture of the Deep entraram no setlist dos shows na Alemanha. Em Dusseldorf, no dia 3, o produtor Michael Bradford subiu ao palco pra tocar Smoke on the Water, Hush e Black Night.

De Bananas, resta apenas Contact Lost. Vejam o srtlist inteiro:

Fireball / Mary Long / Strange Kind of Woman / Wrong Man / Demon's Eye / Rapture Of The Deep / Contact Lost / Don solo ~ Perfect Strangers / Highway Star / Space Truckin / Steve solo ~ Smoke on the Water [with Michael Bradford]. Encore: Lazy / Hush [with Michael Bradford] / Black Night [with Michael Bradford].

Pelo que mostram as fotos, o Ian Gillan cortou de novo o cabelo, cansou de deixar crescer. Já aparentava ter cortado naquela foto do dentista. Agora ficou claríssimo. Algumas das fotos, direto do Deep-Purple.net:


sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Uma ouvidinha em Rapture of the Deep



O novo disco sai dia 21 de outubro. A edição geral tem dez faixas. No Japão, tem a faixa extra "MTV" e na Europa tem a faixa extra "Things I Never Said". Nos EUA, vai sair pela Eagle Rock. Deve sair também uma edição em vinil. Achei a capa meio pearl jam, mas mesmo assim já editei aqui o template. A DPAS já traz uma resenha providenciada pela gravadora (meio mala), faixa a faixa:

1/ Em "Money Talks", uma introdução incomum leva diretamente ao som de órgão arquetípico do Deep Purple. Os vocais de Ian Gillan estão na mesma veia de "Seventh Heaven", do "Abandon".

2/ "Girls Like That" volta à tradição de "Rat Bat Blue", mas também soa como um diamante perdido do tempo de "Perfect Strangers". [O que não me diz nada.]

3/ "Wrong Man" é um hard rock que se daria extremamente bem ao vivo.

4/ Com suas mudanças de ritmo, "Rapture of the Deep" deve lembrar aos ouvintes da construção de "Lazy".

5/ "Clearly Quite Absurd" tem um trabalho de guitarra que soa parecido com "Sometimes I Feel Like Screaming". Há também paralelos com "Haunted" nas linhas vocais.

6/ "Don't Let Go" é talvez a faixa mais impressionante do álbum. Não só é uma obra-prima da guitarra, como também é uma composição fenomenal.

7/ "Back To Back" é semelhante em estilo a "Silver Tongue".

8/ "Kiss Tomorrow Goodbye" traz à mente o material do início da Mk2, com Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice. [Hã... parece Child in Time, Hallellujah ou Speed King?]

9/ "Junkyard Blues" é uma música poderosa, e todos ficarão empolgados com a guitarra e o piano que vão do honky-tonk ao jazz.

10/ "Before Time Began" é uma faixa pensativa, com um clima solene. Performances fabulosas da banda apóiam soberbamente a letra.

O álbum inteiro mantém as boas tradições, mas também traz uma nova era para a banda e seus fãs. (As faixas "MTV" e "Things I Never Said" não estavam disponíveis para resenha.)


quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Rapture já à venda na Amazon

Rapture of the Deep já está à venda na Amazon. Mas eles só entregam em outubro. Comprando por esse link, você colabora com o The Highway Star.

O único problema em importar pela internet é que, embora o preço seja bom (US$ 13,99, ou R$ 35) e a tarifa de postagem nunca seja muito abusiva, quando um CD comprado fora chega ao Brasil a Receita Federal cobra uma facada de imposto. No ano passado, quando comprei Burn, paguei praticamente o preço do CD só de imposto.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Todos os títulos

O The Highway Star publica os títulos das músicas do novo disco do Purple, "Rapture of the Deep":

1. Back To Back
2. Before Time Began
3. Clearly Quite Absurd
4. Don’t Let Go
5. Girls Like That
6. Rapture Of The Deep
7. MTV
8. Money Talks
9. Kiss Tomorrow Goodbye
10. Junkyard Blues
11. Things I Never Said
12. Wrong Man


Na Europa, deve ter a faixa bônus "MTV" em alguns CDs. No Japão, deve ter a faixa bônus "Junkyard Blues".

Ou seja, sem comprar pelo menos UM importado como seu segundo disco, dificilmente teremos todas as novas faixas do Purple.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

"With new sounds on the scene..."

A DPAS publicou uma série de fotos do Deep Purple gravando o Top of the Pops em Londres, apresentado em 16 de dezembro de 1971, quando o Purple já estava na Suíça gravando o Machine Head.

A gravação foi feita teoricamente depois de o Blackmore trocar a Gibson pela Fender (o que ocorreu naquele ano, antes da gravação de Fireball, entre fevereiro e junho), mas não faz muito sentido. Se é de dezembro de 1971, é depois da gloriosa apresentação no Beat Club da TV alemã (onde o Blackmore já usava Fender).

Aquele é um ano pouco esquadrinhado na história do Purple, provavelmente por estar entre a explosão de In Rock e o sucesso de Machine Head. Conheço muito poucos registros ao vivo do Purple naquele ano - tenho uns três piratas, todos com o som muito ruim. Essa gravação para a TV, inclusive, sumiu.

De qualquer forma, é muito estranho mesmo ver o Blackmore com a guitarra antiga e - mais doido ainda - ver o Paice lá na frente. Só pra dar um gostinho:



De qualquer forma, por mais que a cronologia seja confusa, entrem lá e deliciem-se!

sábado, 20 de agosto de 2005

Parabéns pra vô-cê

Sabe o que o Gillan fez no aniversário dele?

Isto:



Uma revisão completa da dentadura. Caraco.

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

Ioannis, o homem da capa

Conheçam Ioannis Nikolaos Vasilopoulos, o artista encarregado da capa do Rapture of the Deep.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Um minuto de silêncio para Carlo Little

UM MINUTO DE SILÊNCIO

Carlo Little, que foi baterista de várias bandas do legendário Screaming Lord Sutch (Screaming Lord Sutch & The Savages, SLS & The Roman Empire, SLS & o caray a quatro), morreu no dia 6 de agosto, de câncer de pulmão.

O que ele está fazendo aqui, se ele não foi do Deep Purple? Ora, ele foi um galho muito presente na árvore genealógica da banda. Nas bandas de Lord Sutch, ele tocou com Ritchie Blackmore e Nick Simper. Quando tocou na The Flowerpot Men, no final dos anos 60, era colega de um talentoso tecladista que mais tarde deixaria crescer um indefectível bigodón. Jon Lord, inclusive, tocou órgão em seu casamento, em 20 de julho de 1968. Sei de dois caras que tiveram esse privilégio: ele e o Steve Morse.

No site dele era possível encontrar um dos mais completos tributos a David "Screaming Lord" Sutch. Criador do Loony Raving Monster Party e detentor do recorde de candidato mais insistente a primeiro ministro da Inglaterra, Lord Sutch descobriu alguns dos maiores talentos do rock inglês nos anos 60 (Blackmore, Page, Nick Simper, etc) e se suicidou no final dos anos 90. É meu ídolo político por ter criado o partido menos bunda-mole do mundo. Mas, enfim, já o homenageei várias vezes, e esta é a vez do Carlo Little.

Fora de eventuais gravações do Sutch que eu ouvi, não lembro de ter ouvido trabalhos do baterista. Mas eu já conhecia sua carreira pela internet, especialmente devido aos flagrantes da história do rock inglês que ele reunia. O cara era um arquivo vivo do rock britânico, amigo de todos eles, como mostra esta foto aqui do lado. Ele foi baterista dos Rolling Stones por um breve período, mas saltou fora por achar que a banda não tinha futuro (!). Em 1999, vendia cachorro-quente na entrada de um show dos véios.

Em 2003, publiquei no Cabide esta foto, com um Ritchie Blackmore de meros 15 anos, tirada do site dele:



O site da DPAS publica uma hilária foto de uma das bandas do Lord Sutch (que entrou para o livro dos recordes como o mais insistente candidato a primeiro-ministro da Inglaterra, pelo Loony Raving Monster Party, e se suicidou no final dos anos 90). O Blackmore é o terceiro da esquerda para a direita, quase subindo a escadinha. O Carlo Little é o que está no topo da escada, na extrema direita:



Enfim, um minuto de silêncio. Ou de solo de bateria.

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Mais de GIlan's Inn

Em entrevista ao Rock Detector, o Ian Gillan antecipou que o disco solo que comemora seus 40 anos de carreira, "Gillan's Inn", sai só em janeiro de 2006 e que trará uma faixa inédita, chamada "No Worries". Segundo Gillan, a faixa é um blues lento.

Ao site, ele dá a receita do coquetel que inventou pouco antes de compor "No Worries", chamado "17 Ladrões Surdos".

"Se não me falha a memória, tinha uísque, rum, vodca, vinho, Coca-Cola, um pouco de gelo, absinto e uma harmônica."

Entre os vários convidados especiais de "Gillan's Inn", um guitarrista não pode ser identificado por motivos contratuais. Foi apelidado "Fanny Craddock", e toca o solo da faixa "No Laughing in Heaven" (uma das mais inspiradas letras do mestre). Tem gente especulando que possa ser o Blackmore (do que duvido) ou o Jimmy Page (não seria). Enfim, estou curioso.

Entre os outros convidados estão Jeff Healey, Uli Roth, Jannick Gers, Jon Lord, Ian Paice, Roger Glover, Pavarotti, Ronnie James Dio, Mickey Lee Soule, Steve Morris, Joe Elliott e uns desconhecidos.

O Deep Purple, ele anuncia, deve ficar uns dois anos na estrada promovendo o disco "Rapture of the Deep". Ele antecipa que o disco volta a ter aquelas gloriosas faixas de sete minutos que fizeram o verdadeiro Deep Purple da era de prata amigos. “Por que não? Quer dizer, o rádio não toca nada nosso mesmo, e a gente sabe disso, então vamos fazer o que é natural pra nós. Vamos voltar a nos puxar um pouco mais e tocar a nossa música. Eu adoro isso."

Para o Gillan, a globalização trouxe uma mudança no tamanho da banda desde que ele saiu em 1973. Segundo ele, há 32 anos eles tocavam em teatros e casas de espetáculo. "Agora, tocamos em arenas enormes no mundo todo, então a coisa ficou muito, mas muito maior. O único lugar do mundo onde não tocamos em grandes lugares é nos EUA, e isso porque lá a gente só toca nas rádios de classic rock".

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Mais do disco

Gillan revela no Caramba um refrão e mais um título de música:

Every day of my life I discover
Someone murdering my sisters and brothers
In the name of some god or another
What do you know?

Esse é o refrão da música "Before Time Began" ("Antes do início dos tempos"). Diz o seguinte: "Cada dia da minha vida eu descubro alguém matando minhas irmãs e irmãos em nome de um deus ou outro - o que você sabe?"

Mestre Gillan continua chutando as canelas exatas. Depois de pegar os politicamente corretos em "Picture of Innocence", ele pega os fundamentalismos religiosos. Cada vez mais relevante.

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Alguns títulos

O novo disco do Purple sai em meados de outubro. Já temos alguns títulos de faixas:
"Rapture of the Deep", "Girls Like That", "Wrong Man", "Junkyard Blue" e "Back to Back".

segunda-feira, 25 de julho de 2005

Baú dos tesouros

Graças ao Gustavo Pinheiro Machado, da Devotos de Ian Gillan, conheci um arquivo fabuloso de fotos de shows antigos e mais ou menos recentes do Deep Purple; Clica e vai!

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Gênios criando

Mestre Roger Glover botou no ar algumas fotos que o Purple tirou nos últimos meses. Posto aqui apenas a do estúdio onde foi gravado "Rapture of the Deep":



As imagens todas estão neste link.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Pra quem não viu

Quem, como eu, não viu o show do Purple no Live 8 tem uma chance online: clica aqui!

domingo, 3 de julho de 2005

A solidariedade dos mestres



O Deep Purple foi a mais aplaudida das atrações da perna canadense do Live 8, aquele rodízio de shows gratuitos, em países ricos, pra arrecadar recursos e combater a fome na África. Durante vinte minutos, na cidade de Barrie, em Ontario, eles tocaram três músicas: "Highway Star", "Smoke on the Water" e "Hush". Os 35 mil ingressos para o show acabaram em 21 minutos.

Questionado por um repórter sobre o motivo de não haver um bis, Gillan respondeu: "não é pela gente, é pela causa". Uma das tônicas do evento era tentar convencer o G8 a cancelar a dívida externa dos países do terceiro mundo. "Não importa quais sejam as reações dos políticos, eles precisam saber que esta vai se tornar uma questão importante, tanto quanto as questões verdes e sociais se tornaram", disse o Gillan em entrevistas no Canadá. "Eles precisam parar de subestimar a inteligência das pessoas dos países onde esses shows estão acontecendo", completou.

Tal como todos os outros artistas que participaram da iniciativa em oito cidades do mundo rico, os mestres não ganharam sequer um centavo pela apresentação. A RDA Airlines forneceu o vôo, eles forneceram o talento. "Não é caridade, e sim uma forma de promover uma causa. Vários de nós vemos muito desequilíbrio no mundo, e várias vezes a gente se sente de mãos atadas para fazer alguma coisa a respeito", disse o Roger Glover. "Numa iniciativa desse tamanho, é uma honra ser escolhido. Seria esnobismo recusar."

Também tocaram lá o Mötley Crüe e babas como Bryan Adams e Celine Dion. Esta, que se apresentou ao vivo via satélite, foi vaiada pelos canadenses, segundo o National Post.

A EMI vai pagar uma gigantesca contribuição financeira à organização do Live 8 em troca dos direitos autorais para lançar DVDs com os shows.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Nova gravadora

Depois de romper com a EMI, o Deep Purple assinou contrato com a Edel Records, da Alemanha. Ela atua principalmente naqueles países europeus com a língua mais esquisita: Suécia, Áustria, Finlândia, Noruega, Suíça. Alguém sabe se algum artista representado por eles lançou no Brasil alguma vez? Temo um pouco que RAPTURE OF THE DEEP não chegue aqui.

terça-feira, 28 de junho de 2005

O título: Rapture of the Deep

Esse é o título do novo CD do Deep Purple, que sai mais para o fim do ano. Sai em outubro. Contagem regressiva, negada!

(Rapture: êxtase; estado de quem é tomado por uma emoção grandiosa; expressão de extasiamento; transporte de alguém de um lugar para outro, especialmente para o paraíso.)

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Instrumental

Segundo uma resenha do show do Purple em Portsmouth, na entressafra entre discos os mestres estão investindo pesado em instrumentais e reduzindo a quantidade de músicas do Machine Head.

O show começa com cinco músicas cantadas (Silver Tongue, Woman from Tokyo, Strange Kind of Woman, I Got Your Number, Demon's Eye) e depois entra num longo interregno instrumental (Contact Lost, solo do Morse, Well Dressed Guitar, solo do Don Airey) antes de entrar em Perfect Strangers. Depois desta, tem uma jam do Glover, Morse e Paice antes de entrar em Highway Star, Space Truckin (que sempre tem um solo mais longo) e Smoke on the Water. O bis começa com Lazy, que tem uma senhora jam no começo, e termina com Hush.

Caraco. Quando essa turnê vai chegar aqui?

sexta-feira, 3 de junho de 2005

Contagem regressiva

O novo disco está a caminho, deve ser mais pesado que Bananas e vai sair em outubro ou novembro. Confiram.

Os mestres deram uma entrevista coletiva na Finlândia. Como finlandês pra mim é grego, deixo o link pra quem tiver curiosidade.

O The Highway Star traduz pro inglês algumas respostas, e eu seleciono algumas:

Sobre o setlist:

Gillan - Seria muito legal fazer um show só com material novo e duas ou três músicas antigas.

Pergunta - É possível fazer um show sem tocar Smoke on the Water?
Glover - Claro que é possível. É só a gente ter vontade de assistir a um tumulto. Mas já aconteceu: o Ritchie se recusou a tocar algumas vezes.

Músicas favoritas:

Airey: Rat Bat Blue
Glover: Perfect Strangers
Gillan: Contact Lost. É uma chance de eu dar um pulinho no bar.

Sobre o novo disco:

Paice - A gente entrou no estúdio sem nenhuma música finalizada. Um dia depois, estávamos trabalhando em nove das doze músicas que criamos.

O Don Airey deu uma entrevista a um site da BBC e também falou do novo disco:

"Passamos cinco semanas num estúdio de Los Angeles, criando juntos 12 ou 13 músicas. Ian Gillan está perto de terminar os vocais, então o disco está quase pronto. Vamos dar uma escutada, juntar algumas coisas talvez, mas deve sair em outubro ou novembro, acho."

"É um tanto diferente do último disco. É muito mais pesado, e acho que vai virar algumas cabeças. Gravamos no mesmo estúdio que costuma ser usado pelo Korn, e o som lá é maravilhoso. Tem um som real e imediato de bateria e órgão. Fiquei muito feliz por trabalhar lá."

terça-feira, 10 de maio de 2005

Disco novo já gravado

Duas notícias:

1) O Deep Purple passou abril compondo e gravando o disco novo no estúdio do Mike Bradford. Parece que vai ter uns instrumentais mais longos.

2) Segundo o jornal sueco Aftonbladet, como não vai ter show do Purple na Suécia na turnê atual, qualquer fã sueco que for à Finlândia vai entrar de graça. O país dos meus tataravós tem um dos mais entusiasmados contingentes de fãs do Purple no mundo inteiro.

segunda-feira, 25 de abril de 2005

Nick Simper volta aos palcos

Nick Simper, primeiro baixista do Deep Purple, voltou recentemente aos palcos - para uma reunião do Warhorse, a banda de maior sucesso que ele teve depois do Deep Purple. Ele é o tiozinho da direita na foto abaixo, chupada do deep-purple.net:

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Tony Blair matou aula pra ver o Purple

Deu no The Mail on Sunday: o premiê britânico Tony Blair matou aula, em março de 1970, pra assistir ao show do Purple no Edinburgh Odeon.

Ganhou um pingo de respeito meu.

Isso significa, pra mim, que os fãs do Deep Purple estão começando a dominar o mundo desde 1997. Ninguém, NINGUÉM, irá nos deter agora.

quinta-feira, 7 de abril de 2005

Gloria Bristow e o Episode SIx

Mandei um e-mail pra três senhoras que descobri numa pesquisa na internet. Todas elas têm o mesmo nome da produtora do Episode Six, a banda que alçou o Gillan ao estrelato. Essa mulher era como uma irmã mais velha pra eles. Salvou o Gillan de seu desastroso primeiro casamento e que processou o Deep Purple quando a banda roubou dois dos músicos do E6, em 1969.

(O caso foi resolvido quando a HEC Music pagou 3 mil libras pra ela; esse dinheiro foi utilizado pra formar uma nova banda a partir dos despojos do Episode Six. Essa banda se chamava Quatermass, e só gravou um disco - por sinal, ótimo. Uma música deles ficou famosa com a versão do Rainbow: Black Sheep of the Family.)

Quero fazer ume breve entrevista com ela sobre o que ela acha dos 40 anos de carreira do mestre, tendo sido ela a primeira a apostar dinheiro nele.

Difícil é achar a certa. Uma já respondeu - é e sempre foi jardineira e ecologista.

Há uns dois anos, mandei algumas perguntas pra DPAS, que ia entrevistar a Sheila Carter (vocalista do E6). Mas eles nunca publicaram o resultado.

Aliás, quem não conhece o E6 devia procurar. É extremamente divertido ouvir o Gillan fazendo cover de The Doors (Light My Fire e Spanish Caravan), Beatles (Here, There and Everywhere) e Rolling Stones (Satisfaction).

terça-feira, 1 de março de 2005

Then, Chris Curtis... disappeared

Morrer é um costume que sabe ter toda gente, como dizia Jorge Luis Borges, então vamos ao minuto de silêncio de hoje.

Foi encontrado morto ontem em Liverpool, aos 63 anos, o baterista Chris Curtis, que fez fama no grupo The Searchers (que foi rival dos Beatles e gravou a versão original de "Needles and Pins") e, mais importante, foi o idealizador do grupo Roundabout (carrossel). Que, logo depois, se tornaria o Deep Purple.

Ele andava doente há muito tempo, mas a causa da morte não foi revelada. Seu último emprego foi como funcionário público, do qual foi aposentado por problemas de saúde. Em 2003, passou a cantar num grupo beneficiente de rock, chamado "The Merseycats".

Curtis se envolveu com a história do Deep Purple a partir da participação na banda Flowerpot Men, que gravou "Let's Go To San Francisco" (uma das músicas do filme Curtindo a Vida Adoidado). O tecladista da banda era um tal Jon Lord, com quem o baterista passou a dividir apartamento. Em 1967, juntou-se com Lord para um projeto de banda.

Sua idéia era muito louca: ele, o baterista, seria a figura central do grupo. Em torno dele, se revezariam outros músicos - tecladistas, guitarristas, baixistas e vocalista. Numa festa em 1967, Curtis conheceu o produtor Tony Edwards, que gostou da idéia principalmente depois de conhecer o polido e culto Jon Lord.

Mas, poxa, era o final dos anos 60 e Curtis estava metido até o pescoço no espírito da época. Certa vez, Lord entrou no apartamento e encontrou as paredes cobertas de papel alumínio. Seu colega de apartamento redecorou a casa pra trazer vibrações mais alto-astral, manja? Liga, desliga, cai na estrada: Chris Curtis desapareceu.

Com sua saída, o grupo achou um novo baterista - um certo Ian Paice -, que trouxe um guitarrista - Blackmore -, que conhecia um baixista - Nick Simper -, que trouxe um vocalista - Rod Evans. Estava formado um grupo, e de uma lista com mais de cem sugestões (incluindo "Orpheus" e "Fire"), foi escolhido o nome da música favorita da avó de Blackmore: "Deep Purple".

A banda provou ser um carrossel ao longo dos 37 anos seguintes. Saem Simper e Evans, entram Gillan e Glover. Saem os dois, entram Coverdale e Hughes. Sai Blackmore, entra Bolin. Sai todo mundo, voltam Lord, Paice, Blackmore, Gillan e Glover. Sai Gillan, entra Turner. Sai Turner, volta Gillan. Sai Blackmore, entra Satriani. Sai Satriani, entra Morse. Sai Lord, entra Airey.

Apenas o baterista fica imóvel. Como no conceito original do Roundabout de Chris Curtis.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Vivendo alto

O Living Loud, projeto do qual participam Don Airey e Steve Morse, é assunto da coluna do Arthur Dapieve no No Mínimo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Turner acha seu disco maravilhoso



Joe Lynn Turner andou dando uma entrevista em janeiro. Ela foi reproduzida pelo Deep-Purple.net. Seu sem-nocionismo continua no lugar, o que torna bastante divertido ler a entrevista - fica muito claro quem é escravo e quem é mestre, pra fazer um trocadalho com o título do disco do Purple que ele gravou. Toma lá:

P: Como você vê, em retrospecto, o período do "Slaves and Masters"? Não foi difícil substituir Ian Gillan, especialmente frente a fãs ferrenhos do Deep Purple?
JLT:
Substituir Ian Gillan ou qualquer outro cantor admirado pelos fãs é, sim, sempre um desafio. Mas eu tentei interpretar as músicas do passado do Purple do meu jeito singular. [NR: Ô. Bota singular nisso.] Na verdade, depois que eu entrei pro DP o Ian chegou a me mandar um bilhete muito simpático, dizendo pra "cantar como você canta". Foi algo muito cavalheiresco da parte dele. Sobre como eu lembro daquele tempo, acho que fizemos um grande álbum, "Slaves and Masters", e escrevemos algumas outras músicas que não foram lançadas. Fizemos uma turnê pelo mundo durante a Guerra do Golfo, quando muitas bandas tinham medo de sair pra estrada [NR: acuma?!?!?!], e os fãs apreciaram bastante [NR: Arrã...]. Foi uma grande experiência. Eu respeito completamente todos os membros do Deep Purple e sempre vou admirá-los por sua incrível contribuição à história do rock and roll. Fico feliz de ter podido fazer parte disso também.

P: Você foi o protegido de Ritchie. Como era com o resto da banda?
JLT:
Bom, o Rainbow me recebeu de braços abertos. Sem problemas lá! Todos eram parte do time e todos trabalhávamos bem juntos. Éramos felizes por termos tanto talento na nossa turma durante todos os 3 álbuns do Rainbow de que participei. No Deep Purple... havia muitas frustrações reprimidas do passado, egos e ciumeiras que levaram ao fim da encarnação do Purple de que fiz parte. Basicamente, tudo veio abaixo quando estávamos no estúdio pra gravar o segundo álbum. Aí, logo depois de sair o "The Battle Rages On", Ritchie deixou o grupo.

P: O que você acha da formação atual do Deep Purple?
JLT:
É uma banda diferente agora. Falta autenticidade a eles sem o Ritchie Blackmore [NR: uiuiuiui, chefinho...]. Acredito que os riffs e a forma de tocar de Blackmore ajudaram a definir o legendário som do Purple que se identifica mais com a banda. Entretanto, "Bananas" é um bom disco. Parece que agora o Purple está chegando mais perto de seu som original, e "Bananas" foi um passo na direção certa.

P: O que você acha de eles não quererem tocar faixas de álbuns onde o Gillan não canta?
JLT:
Eu não entendo esse conceito. É estranho, porque eu cantava qualquer uma das músicas deles, porque eu consigo. [NR: Sim. Child in Time, então, estava primorosa, sem falar em A Whiter Shade of Pale. Credo.]

P: Existe alguma chance de você voltar a tocar com o Ritchie?
JLT:
Eu adoraria, e um tempo atrás a empresária dele, Carol Stevens, disse que o Ritchie e a Candice queriam que eu fizesse um dueto com a Candice, e espero que eles continuem pensando assim. Sempre tivemos uma química mágica... [NR: noooooffa!] Sinto que fomos uma das melhores equipes de voz e guitarra de toda a história. [NR: a MODÉSTIA do homem, senhoras e senhores!]

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Blackmore no teatro

Vai sair uma peça chamada TELSTAR, sobre a vida do produtor de discos Joe Meek. O Homem de Preto, que começou sua carreira tocando com ele nos Outlaws, vai ser interpretado pelo ator Tarl Caple. A peça estréia amanhã em Cambridge. Ó lá: www.musicmayhemmadness.com.

Caple é este sujeito aqui (realmente parecido com o Blackmore no início da carreira):



Blackmore tocou com artistas produzidos por Joe Meek nestes trabalhos:

Don't You Think It's Time/... [Mike Berry] : UK late 1962 HMV [is Blackmore on this?]
Return Of The Outlaws/Texan Spiritual [Outlaws] : UK February 1963 HMV POP 1124
Dreams Do Come True/Been Invited To A Party [Heinz] : UK May 1963 Decca F.11652
That Set The Wild West Free/Hobo [Outlaws] : UK 1963 HMV POP 1195
San Francisco Bay/Like A Bird Without Feathers [Burr Bailey] : UK June 1963 Decca F.11686
Just Like Eddie/Don't You Knock At My Door [Heinz] : UK June 1963 Decca F.11693
If You Gotta Pick A Baby/... [Glenda Collins] : UK 1963 HMV POP 1233
Merry Go Round/Go On Then [Gunilla Thorne] : UK 1963 HMV POP 1239
In Sweden (EP) [Michael Cox] : Sweden 1963 His Master's Voice HMV 7EGS 296
Heinz (EP) [Heinz] : UK October 1963 Decca DFE 8545
Country Boy/Long Tall Jack [Heinz] : UK November 1963 Decca F.11768
The Kennedy March/... [Joe Meek Orchestra] : UK December 1963
A Tribute to Buddy Holly [lp; Mike Berry] : UK 1963 HMV 7EG 8808
It's Time for Mike Berry [lp; Mike Berry] : UK 1963 HMV 7EG 8793
Law And Order/Do Da Day [Outlaws] : UK January 1964 HMV POP 1241
You Were There/No Matter What They Say [Heinz] : UK January 1964 Decca F.11831
Galway Bay/Living Alone [Houston Wells] : UK January 1964 Parlophone R 5141
Ramona (EP) [Houston Wells] : UK January 1964 Parlophone GEP 8914
A Fool Such As I/... [Dave Kaye] : UK March 1964
Keep a-Knockin'/Shake With Me [Outlaws] : UK April 1964 HMV POP 1277
Please Little Girl/For Lovin' Me This Way [Heinz] : UK June 1964 Decca F.11920
The Bike Beat 1/The Bike Beat 2 [Rally Rounders = Outlaws] : UK 1964 Lyntone LYN 574
Tell The Truth/... [Andy Cavell] : UK 1964 Pye 7N 15610
A Tribute To Eddie [lp; Heinz] : UK 1964 Decca LK.4599
A Tribute To Eddie [lp; Heinz] : Germany April 1965 Decca Records X-ARL-6249/50-X
A Tribute To Eddie [cd; Heinz] : UK 1993 Castle Legends CLC 5117 CM
Thou Shalt Not Steal/Been Invited To A Party [Glenda Collins] : UK 1965 HMV POP 1475
Hurt Me/It Can Happen To Anyone [Jess Conrad] : UK 1965 [Blackmore on the b-side]