Sábado, Agosto 15, 2009

A voz de David Coverdale

O Whitesnake teve de suspender sua turnê enquanto o Coverdale trata um edema e uma lesão vascular nas cordas vocais. Durante um show em Denver, ele perdeu a voz no palco e teve de correr a um hospital. Diz uma nota oficial que o problema foi detectado a tempo de ser tratável.

Isso não me espanta, infelizmente. Há anos, o grande vocalista da Mk3 vinha ficando rouco, cada vez mais. Durante muito tempo, porém, ele conseguiu usar a rouquidão musicalmente, como em "Shake My Tree" (Coverdale/Page, 1992). No disco mais recente do Whitesnake (Good to be Bad, 2008), na faixa "All I Want, All I Need", sua rouquidão chega a preocupar, mas ele manda bem.

Parte desses problemas certamente se deve ao cigarro e à cachaça. Outra parte, porém, certamente se deve às mudanças que ele impôs à sua voz ao longo do tempo.

Aos 20 e poucos anos, no Deep Purple e na fase áurea do Whitesnake, o Coverdale tinha uma voz muito própria, poderosa e característica. Era um grave fluido, natural, elegante, que aparentemente não forçava as cordas vocais.



A partir do Whitesnake de laquê, no final dos anos 80, ele começou a forçar uns agudos à la Robert Plant ("Still of the Night", do disco de 1987, mostra bem isso). Quando ele formou banda com o Jimmy Page, abusou disso e especialmente ao cantar Led Zeppelin nem parecia mais o mesmo cara que cantava "Mistreated":



Não tinha muito como não dar nisso, infelizmente. Esta é uma apresentação dele em 14 de junho, no festival Download, em Donnington Park. Ele está bem, mas desafina um tanto e rouqueia:



Torço pela melhora do Coverdale. É um dos meus vocalistas favoritos, e se não fosse um disco com a voz dele (Stormbringer) eu não teria descoberto o Deep Purple.

Outro dos meus favoritos, o Ian Gillan, tem mais sorte do que juízo: perdeu seus agudos característicos da juventude, mas descobriu novos tons pra cantar. Continua fumando e manguaçando. No início dos anos 80, chegou a operar a garganta, mas não sei se foi pelo mesmo problema do Coverdale.

Esses caras são patrimônios culturais da humanidade. Não é qualquer um que constrói o que eles construíram ou abusa como eles abusaram. Não é qualquer edeminha que os derruba, não. É sonho querer o velho Gillan dos agudos de volta, mas acho que o velho Coverdale dos graves tem chances de voltar caso se cuide bem.

Sábado, Julho 11, 2009

Há 40 anos, o Deep Purple virava O Deep Purple

Em 10 de julho de 1969, num barzinho apertado chamado Speakeasy, na Margaret Street, em Londres, Ian Gillan e Roger Glover estreavam no Deep Purple. Foi o começo público da fase mais criativa da história da banda. E até hoje o Gillan diz que foi o melhor show da vida dele, embora tivesse só umas 20 pessoas. O lugar hoje é um salão de cabeleireira.

Durante pouco mais de um mês, a partir do início de junho, a Mk2 era uma formação clandestina. Eles ensaiavam de dia no Hanwell Community Centre, onde Charles Chaplin estudou. Foi lá que esboçaram Kneel and Pray (mais tarde Speed King) e Child in Time (Jon Lord brincava tocando "Bombay Calling", do It's a Beautiful Day, e o Gillan começou a gritar em cima).

À noite, eles se dividiam: Blackmore, Lord e Paice pra um lado, tocando com a Mk1, e Gillan e Glover pro outro, fazendo os shows finais do Episode Six. No dia 10 de junho, exatamente um mês antes da estréia ainda calhou de as duas bandas tocarem no mesmo festival, em Cambridge. Mesmo depois de a Mk2 estrear nos palcos, Gillan e Glover ainda passariam duas semanas intercalando shows entre as duas bandas.

A primeira música que eles gravaram foi Hallellujah, em 7 de junho. Ela também foi o tema do primeiro vídeo gravado por eles, em 2 de agosto, na TV alemã:



Mas o que eu acho o auge da criatividade do Deep Purple é isto aqui, do Bilzen Jazz Festival, em 22 de agosto:

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Ian Gillan acústico

Pela primeira vez em sua carreira, Gillan cantou um acústico nesta semana, na Absolute Radio, com o guitarrista Steve Morris. Cantou "When a Blind Man Cries", outtake do Machine Head, e "Better Days", do One Eye to Morocco.

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Minha entrevista com o Jon Lord

Pra quem não viu ou quer ver de novo. De brinde, eu cantando Smoke on the Water:






Quarta-feira, Maio 06, 2009

Ensaio do Lord com a orquestra

O filho de um dos membros da Orquestra Sinfônica Municipal esteve no ensaio do Jon Lord, sexta passada, e gravou esta maravilha: "Soldier of Fortune" e "Child in Time"



Domingo, Maio 03, 2009

Eu no site do Jon Lord

É só clicar aqui.

Vídeos da Virada

Já tem na internet três vídeos que mostram trechos do que foi o show do Jon Lord.

O primeiro é da TV Cultura, logo depois do "toca Raul". É um pedaço do final do primeiro movimento do Concerto. Como tem pelo menos três câmeras ali, acho que é bem possível que a TV faça uma edição do show inteiro pra gente ver:



Os outros dois foram postados no YouTube pelo Marquito da Gaita. São Pictures of Home e Child in Time, mas o som está horrível, possivelmente porque ele não pegou um bom lugar:





EDITADO: Apareceram mais dois vídeos, um do comecinho de "Wait a While" e outro do solo do Jon Lord no segundo movimento:





EDITADO 2: Este vídeo mostra Child in Time. O som está ótimo.

Sexta-feira, Maio 01, 2009

O mestre

Entrevistei Jon Lord ontem. Vai ao ar na MTV segunda ou terça.

Sábado, Abril 18, 2009

Deep Purple com Lord e Malmsteen

No Japão, dia 15:

Possível setlist do Jon Lord

Dei uma pesquisada na internet pra ver se conseguia descobrir algo sobre o possível setlist do Jon Lord em São Paulo. No YouTube, tem um show inteiro feito na Eslováquia dia 12 de março com a mesma banda que vem ao Brasil. Eles tocaram pelo menos estas:

- Concerto
- Pictures of Home
- One From the Meadow (Beyond the Notes)
- Bourèe (Sarabande)
- Pictured Within (Pictured Within)
- The Telemann Experiment (Beyond the Notes)
- Child in Time

Deve ser simplesmente genial assistir Child in Time tocada ao vivo pelo Jon Lord. Pelas minhas contas, será a primeira vez em que alguém envolvido no original toca essa música aqui no Brasil.

O Steve Balsamo, um dos dois vocalistas que vêm com o Lord, tem a voz mais ou menos parecida com a do Gillan quando jovem. O problema, como vocês podem ver no vídeo abaixo, é que na hora dos gritos cantam ele e a também ótima cantora Kasia Laska. Problema porque o resultado me lembra mais a versão de Blackmore's Night do que a do verdadeiro Deep Purple da Era de Prata amigos.

Quinta-feira, Abril 16, 2009

Turner alfineta mais um ex-membro do Purple

E desta vez é David Coverdale. Ao dar uma entrevista ao The Metal Circus, da Espanha, ele foi convidado a responder se usa equipamento digital pra corrigir a voz. Ele admitiu, depois puxou o tapete do Coverdale.

    "Pra ser honesto, eu tenho uma máquina que ajuda a cantar os backings - é da Digitech, grande tecnologia - mas ela não usa samples, faz ao vivo; você canta no microfone e aí essa máquina pega a sua voz, o que você põe na máquina é exatamente o que você leva. Então, se você cantar uma bosta, o som vai ser uma bosta. Não tem mágica, não tem fita. Porque há pouco tempo eu vi na internet que o David Coverdale tava usando todo tipo de fita. Bom, eu estava na Finlândia com o Graham Bonnet e estávamos no mesmo festival que o Whitesnake, e eu não acreditei que ele usava essas fitas - pra voz principal! Não pros backings, mas pro principal! Eu fiquei... de boca aberta. Eu dizia: 'Mas que porra, David?! Não pode fazer isso. Parece tão besta, tão bobo.' E todo mundo reclamando disso. Não, eu canto ao vivo. O que eu faço é aquilo mesmo... não tô tentando falar merda... é verdade. Todo mundo vê... eu não acreditei, porque o David sempre foi um dos meus cantores favoritos. Usar fitas pra voz principal... eu até entendo fazer os backings se o resto da banda não canta. Mas pra voz principal? Fala sério!"

Eu também já tinha ouvido algo parecido antes sobre o Coverdale. Não acho exatamente simpático, mas também não tenho provas de nada. O que me incomoda mesmo é o gosto que o Turner tem em pichar os outros que já foram ou são do Purple. Logo ele, que é um cantor bem competente mas trocava os pés pelas mãos quando cantava ao vivo com o Purple. Logo ele.

Lord volta a tocar com o Deep Purple - por uma noite

Ontem, dia 15, enquanto começávamos a trabalhar aqui no Brasil, o Jon Lord subia ao palco com o Deep Purple no Japão pra tocar duas músicas: Perfect Strangers e Smoke on the Water. Esta teve mais um convidado especial, o guitarrista Yingwie Malmsteen, discípulo de Blackmore.

Além de ajudar o Lord a afiar suas garras pra tocar no Brasil, esse show marca a terceira vez em que ele toca com a banda desde sua aposentadoria, há sete anos. A primeira foi em Wembley, em 2004. A segunda foi em setembro, em Londres, na Sunflower Jam.

Alguém consegue vídeo desse show de ontem?

Sábado, Abril 11, 2009

O ano em que Blackmore teve sua crise dos 30

Nesta semana, completou 34 anos o fim da Mk3 do Deep Purple. A fase do Deep Purple que apresentou David Coverdale e Glenn Hughes para o mundo terminou quando Ritchie Blackmore pediu para sair. Ele deixou a banda em 7 de abril de 1975, uma semana antes de completar 30 anos. Portanto, ele completa 64 na próxima terça.

Blackmore andava de saco cheio com o rumo que o Deep Purple estava tomando, especialmente depois da gravação de Stormbringer. Pela primeira vez desde que tomara as rédeas da direção musical da banda, em 1969, seus colegas se recusaram a gravar uma música proposta por ele - no caso, "Black Sheep of the Family", do Quatermass. O original é este:



Blackmore não é um cara que tope perder poder assim desse jeito. De um lado, ele começou a fazer críticas à banda em entrevistas. De outro, ele passou a ensaiar com os caras do ELF, que vinha abrindo os shows do Purple. O vocalista do ELF era um baixinho de pulmão poderoso, que passaria à história do rock como Ronnie James Dio. O disco que ele gravou com o novo grupo foi Ritchie Blackmore's Rainbow. A música do Quatermass rejeitada pelo Purple abre o disco.

O último show de Blackmore em sua primeira passagem pelo Deep Purple aconteceu em Paris, no dia 7 de abril de 1975. Partes dele já eram conhecidas durante anos por conta primeiro do Made in Europe e depois por conta do The Final Concerts. Mas o show só foi lançado inteiro recentemente, no Live in Paris 1975.

O show termina com "Highway Star", que Blackmore compusera com Gillan na estrada quase quatro anos antes. Eu particularmente não gosto muito do jeito como a Mk3 (leia-se baixo e vozes) interpreta a faixa. Mas, para encerrar o show, os vocalistas resolveram fazer uma homenagem aos gostos do colega que partia.

"SHE HAS BIG FAT TITS! BIG FAT TITS AND EVERYTHING!" (Ela tem peitos enormes! Peitos grandes e tudo mais!)

Também nesta semana, no dia 6 (segunda), o show mais explosivo da Mk3 completou 35 anos: foi o California Jam. Sobre ele já tive a oportunidade de escrever todos estes textos aqui, inclusive este Clássicos Purpendicular, quando o show completou 30 anos.