quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Blackmore, esse grande cara - e um causo do Turner

Eu sempre tiro um pouco de sarro das manias do Blackmore aqui no blog, mas não me canso de dizer que ele é meu guitarrista favorito. Embora seja meu guitarrista favorito, eu sempre pesquisei muito pouco sobre como ele virou o Homem de Preto que conhecemos. Por isso, comprei o livro "Black Knight", uma biografia não-autorizada. Estou devorando; ainda ontem, esse livro me manteve acordado até as 2 da manhã. Anteontem, até as 4.

Blackmore sempre foi um cara muito tímido, e o encadeamento dos fatos no livro sugere que boa parte das manias dele tem a ver com essa característica - por mais que seja estranho imaginar que um cidadão que põe fogo no palco possa ser tímido. As roupas pretas, o perfeccionismo, o ensimesmismo, a própria bronca com o Gillan (que é um sujeito MUITO expansivo), o laconismo. Blackmore ergue um escudo de estranhices para se defender. E se diverte com isso. Se você é tímido (e eu sou, até demais), deve saber mais ou menos como é a sensação, em outra escala.

Quando eu terminar de ler, posto aqui uma resenha. Já li todos os capítulos sobre o Deep Purple.

Só pra dar um gostinho: o capítulo que fala sobre a Mk5 traz uma revelação interessante sobre o Turner, outro personagem constante em piadinhas neste blog.

Em todos os capítulos, desde os que falam de 1968, vários entrevistados reclamam que Lord pouco contribuía com as composições do Purple - o que eu estranho demais, considerando a importância do teclado na sonoridade da banda. Para Slaves & Masters, calhou de ele ser o primeiro a reclamar de uma música por ser melosa demais para o Deep Purple. Sim, era "Love Conquers All".

A música cabia no contexto da tentativa de fazer um álbum comercial, porque na época era regra todo mundo botar uma baladinha num disco de hard rock, do Twisted Sister ao Cinderella. O argumento do Turner foi exatamente este: "o Motley Crue faz isso". Lord reclamou. Nas palavras do vocalista:

"Eu lembro que o Jon andou dizendo que 'Love Conquers All' era merda e não era uma boa música, e eu disse: 'se você tocar direito, eu vou cantar pra caralho e vai ser uma baita power ballad, então cala essa porra de boca e te mexe'. O Ritchie se virou no banquinho pra rir, e tentou esconder o riso. Ele queria dizer isso pro Jon havia anos. Naquela hora eu acho que me passei da conta, mas eu estava frustrado musicalmente porque olha só... o Jon nunca escrevia, e ficava lá sentado bebendo uma taça de vinho, lendo o livro dele, ouvindo música clássica"

(Parêntese: o "lendo um livro" é uma referência depreciativa que o Blackmore dirige ao Lord diversas vezes ao longo dos capítulos sobre o Purple. Como se fosse má coisa...)

Blackmore lembra que Turner disse ao Jon Lord, naquela explosão, uma outra frase: "Você é o passado, eu sou o futuro". E Blackmore se diverte ao dizer que sempre cumprimenta Lord dizendo "olá, sr. Passado".

Isso explica muita coisa - como, por exemplo, o fato de o tecladista não tocar em faixas feitas fora do álbum, como "Slow Down Sister" e "Fire Ice and Dynamite" (salvo engano), mas isso não aparece no livro.

O que eu recuperei de respeito pelo Blackmore com esse livro é diretamente proporcional ao que eu perdi de respeito pelo Turner com essa briga. Se bem que eles todos brigavam ou ficavam de cara feia um com o outro o tempo todo desde 1968, pelo que entendi.

8 comentários:

  1. Fala Marcelo, pelo que eu andei vendo há tempos atrás, esse livro é somente importado certo? Ou saiu uma versão em Português lançado no Brasil?

    []´s
    Bruno

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  2. a verdade é que o turner só é o que é hoje, por causa da simpatia que o blackmore tem por ele.acredito que o blackus acabou criando um monstro.sim porque o turner tem mais conversa do que propriamente talento.até digo que ele tenha feito 2 albuns bons no rainbow mas acredito que qualquer cantor mediano da época teria conseguido o mesmo feito ou até melhor.quem viu o show dele ano passado sabe muito bem o que é viver de passado.inclusive sua carreira é pautada por várias vezes em um passado que nem seu é.pra sua derrota pessoal, ele sempre será o substituto mais fraco que uma banda já teve,assim foi no rainbow,no malmsteen,no purple e em qualquer lugar que o queiram....

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  3. Marcos Ribeiro12:05 PM

    Com certeza o Tunner "Se Acha", vi uma entrevista dele no youtube na qual ele fala de forma pejorativa do gillan e lord..... e se colocando como sendo um cara acima deles...confesso que perdi o respeito por ele, não tenho mais interesse pelo que ele faz e diz...

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  4. Anônimo1:44 PM

    Eu lí uma entrevista do Lord dizendo que o Lynn Turner arruinou Love Conquers all por causa da letra,dizendo que aquele tipo de letra,era para o Queen e não para o Purple.e disse que a musica era boa,poderia ser como When a Blind Man cries.eu acho que o Slaves and Masters é um bom disco.eu tenho as demos instrumentais,e se aquele album tivesse ou Gillan,ou Coverdale cantando,seria um disco fantástico.o Problema com o Turner,é o visual dele, e a cafonice nas letras.o Coverdale escreve Love demais,mas não sei,com o Turner fica caricato.acho que o Deep Purple é banda com mais egos inflados da História.o Blackmore conseguiu o feito,de brigar com 4 dos melhores vocalistas de todos os tempos,Gillan,Coverdale,Huges e Dio.hahah!Danilo

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  5. Bruno: O livro só tem importado, mas vale a pena.

    Luciano: pois é. O sujeito não é um mau cantor, mas a coisa de ele viver de glórias alheias me incomoda.

    Marcos: não sei se ele se acha, mas que ele se procura não há dúvidas.

    Danilo: sabe onde achar essa entrevista do Lord? Gostaria muito de ouvi-la. As demos que tu ouviste são as do "The Battle of Slaves & Masters"?

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  6. (Ah, sim: sobre a questão das personalidades dos mestres, não percam o próximo post.)

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  7. Eduardo Schmitt4:57 PM

    Vou ter que providenciar uma cópia deste livro pra mim urgentemente. Valeu a dica.
    Qto ao Turner, o que posso dizer? Não consigo achar ele um vocalista nem mediano. Talvez seja o timbre dele, talvez sejam suas escolhas na hora de interpretar. Coisa de gosto pessoal.
    Agora imagina um cara limitado (no mínimo) como ele, substituindo Gillan, Coverdale e Hughes. É brabo!

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  8. Marcos Ribeiro3:06 PM

    JLT quando encontra o Blackmore deve pedir: "Benção padrinho", beijar a mão e tudo mais .... não há outro motivo, é com certeza o vocalista mais fraco que ele já trabalhou...

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