domingo, 15 de fevereiro de 2009

Estréia em Minsk


É noite de 14 de fevereiro em Minsk, capital da Bielo-Rússia. Os fãs de rock se amontoam no estádio. O celular de um dos participantes foca um soldado de jaqueta pesada, lembrando o velho exército soviético. As luzes se apagam, e primeiro vem o tecladista - cabeludo, de bigodão. O baixista passa meio correndo. O baterista se posiciona em seu banquinho.

Então, entra o guitarrista, todo vestido de preto e com uma guitarra branca pendurada em seu pescoço. Aplausos, muitos aplausos. Ele pára do lado esquerdo do palco, defronte aos amplificadores, e lá ficará pelo resto do show. Em meio ao solo de teclado, entra o vocalista, socando o ar em júbilo. Muitos aplausos.

É a estréia da banda Over the Rainbow, cujos cartazes bielorussos tinham o "over the" bem pequeno e anunciavam a "volta dos membros originais".

O vocalista e líder da banda, recebido em júbilo, é Joe Lynn Turner, que cantou na fase mais pop do Rainbow - entre 1980 e o final, em 1984. Depois, foi chamado para o Deep Purple. Desde o começo na banda, ele aceitou muito bem as brincadeiras pesadas feitas pelo Ritchie Blackmore e aos poucos ganhou seu respeito e espaço na conspiração política interna da banda. Em 1989, após a demissão de Ian Gillan do Deep Purple, Turner foi cantar lá e, ao que diz a biografia do Blackmore, tentou conspirar contra Jon Lord. Quebrou a cara. Hoje, praticamente vive das glórias daqueles quatro anos de sua carreira no Rainbow, mais a fama dos outros dois anos no Purple.

O tecladista bigodudo é Tony Carey, que esteve no Rainbow entre 1975 e 1978. Ele foi demitido por Ritchie Blackmore por duas vezes. Blackmore pegava em seu pé por não jogar futebol, segundo o próprio dono da bola admitiu em entrevista a Bloom em 1998. Os outros, como Cozy Powell, entravam junto na brincadeira, até que Carey não suportava mais sequer almoçar com os colegas. Blackmore queimava cartas de tarô e passava por baixo de sua porta no hotel. Carey acabou pedindo pra sair e não foi creditado no último disco que gravou com a banda, "Long Live Rock'n'Roll".

O baterista lá no fundão é Bobby Rondinelli, que tocou na banda entre 1980 e 1983. Uma das versões para sua saída da banda pouco antes de ela terminar, segundo Bloom, era que Turner teria conspirado com Blackmore para isso.

O baixista, Greg Smith, tocou com a última formação do Rainbow, entre 1994 e 1997. A biografia de Ritchie Blackmore só menciona sua contratação após a demissão de Rob DiMartino. Nada sobre seus destaques na banda. Nada sobre eventuais brigas.

O guitarrista, apesar das roupas e do canto do palco, é o único que não tocou nas várias formações do Rainbow - embora tenha o DNA do único que esteve em todas. Jürgen Blackmore só esteve em shows do Rainbow original tentando falar com seu pai, que o driblava, segundo ex-membros da banda contaram ao biógrafo Jerry Bloom. Mas o cara é o que há de mais impressionante na banda, como se pode ver neste vídeo de "Kill the King":



Este foi o setlist:

Tarot Woman
Kill the King
Street of Dreams
Man on the Silver Mountain
Death Alley Driver
Eyes of the World
Ariel
Power
Can’t Happen Here
Jealous Lover
Stargazer
Long Live R’n'R

Encore 1
Since You Been Gone
I Surrender

Encore 2
All Night Long

6 comentários:

  1. Estranho ouvir "Joe Lynn Franga Turner" cantando Tarot Woman, mas curti o jeito de tocar do Jurgen Blackmore, vamos ver até onde vai a brincadeira e até quando Ritchie vai aguentar ficar de fora dos grandes palcos...

    Abraços Galera!

    Deep Purple em POA, estarei lá...

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  2. César4:57 PM

    Marcelo, que biografia é essa do Blackmore?

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  3. Me pareceu ter bastante gente! Acho que se o Blackmore viu esse vídeo, deve ter dado uma puta vontade de pegar a guita da mão do filho dele ("Dá aqui pro papai dá").
    Também curti o Jurgen, tocou realmente bem.

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  4. Me pareceu ter bastante gente! Acho que se o Blackmore viu esse vídeo, deve ter dado uma puta vontade de pegar a guita da mão do filho dele ("Dá aqui pro papai dá").
    Também curti o Jurgen, tocou realmente bem.

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  5. Anônimo11:01 AM

    O Filho do Man In Black mandou muito bem.é um bom guitarrista.o set list foi bem bacana.o unico senão,é o Lynn Turner.não que ele seja um mal cantor,mas as musicas da era Dio não são a dele.talvez com um Jorn no vocal,aí iria ser bacana de se ver e ouvir.Danilo

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  6. Se o Dio ver isso vai gargalhar (ou chorar) na certa. Homicídio, genocídio, carnificina.....mataram os vocais nos 2 clássicos do Rainbow, nem quero ver os outros. Fim de carreira deve ser difícil, principalmente para quem já foi protagonista de Rainbow e DP. Méritos para o filho do Blackmore, aprendeu direitinho com papai. Conselho para o Turner musicalmente: vai cantar Miss Mistreated, Stone Cold, Jealous Lover....Conselho para o Turner(e banda) profissionalmente: ótima maneira de ganhar uns cascalhos.

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